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- Desculpe, não compreendi.

- Oh, por favor, desculpe-me. O "travesseiro'... assuntos íntimos. É como nos referimos à união física de homem e mulher. É mais polido que "fornicação", neh?

Blackthorne conteve o embaraço e disse:

- Eu só... hum... só tive um... hum... uma experiência de "travesseiro" aqui... foi, hum, na aldeia... e não me lembro com muita clareza porque, hum, estava tão exausto da viagem que estava meio dormindo, meio desperto. Mas, hum, pareceu-me satisfatória.

Mariko franziu a testa.

- O senhor "travesseirou" só uma vez desde que chegou?

- Sim.

- Deve estar se sentindo muito incomodado, neh? Uma destas senhoras ficaria encantada em "travesseiras" com o senhor, Anjin-san. Ou todas elas, se o senhor quisesse.

- Hem?

- Certamente. Se não quiser nenhuma delas, não é preciso se preocupar, elas não se ofenderão. Simplesmente me diga o tipo de mulher de que gostaria e tomaremos todas as providências.

- Obrigado - disse Blackthorne -, mas não agora.

- Tem certeza? Por favor, desculpe-me, mas Kiritsubo-san tem instruções específicas para que a sua saúde seja protegida e melhorada. Como pode se sentir saudável sem "travesseiro"? É muito importante para um homem, neh? Oh, sim, muito.

- Obrigado, mas eu. .. talvez mais tarde.

- O senhor teria muito tempo. Eu ficaria contente em voltar mais tarde. Haverá muito tempo para conversar, se o senhor quiser. O senhor teria no mínimo quatro bastões de tempo - disse ela, solícita. - Não vai partir antes do pôr-do-sol.

- Obrigado. Mas não agora - disse Blackthorne, contrariado pela rudeza e falta de delicadeza da sugestão.

- Elas realmente gostariam de obsequiá-lo, Anjin-san. Oh! Talvez... talvez o senhor preferisse um menino?

- Hem?

- Um menino. É "igualmente simples, se é isso o que o senhor deseja. - O sorriso dela era honesto, a voz sincera.

- Hem?

- Qual é o problema?

- A senhora está me oferecendo um menino? A sério?

- Ora, sim, Anjin-san. Qual é o problema? Eu só disse que mandaríamos vir um menino se o senhor desejasse.

- Eu não quero! - Blackthorne sentiu o rosto em chamas.

- Será que eu pareço um maldito sodomita?

Suas palavras açoitaram a sala ao seu redor. Todos arregalaram os olhos para ele, pasmados. Mariko curvou-se humildemente, manteve a cabeça encostada ao chão.

- Por favor, perdoe-me, cometi um engano terrível. Oh, ofendi quando só tentava agradar. Nunca conversei com um... um estrangeiro antes senão com os santos padres, por isso não tinha como saber os seus... seus costumes íntimos. Nunca me ensinaram sobre isso. Anjinsan... os padres não os discutiam. Aqui alguns homens às vezes querem meninos.., os padres gostam de meninos de tempos em tempos, dos nossos e dos deles... eu tolamente presumi que seus hábitos fossem os mesmos que os nossos.

- Não sou um padre e isso não é um costume geral nosso.

O chefe dos samurais, Kazu Oan, observava irado. Estava encarregado da segurança e da saúde do bárbaro, e vira, com os próprios olhos, o inacreditável favor que o Senhor Toranaga demonstrara ao Anjin-san, que agora estava furioso.

- O que há com ele? - perguntou, desafiador, pois era óbvio que a estúpida mulher dissera algo para ofender o seu importantíssimo prisioneiro.

Mariko explicou o que fora dito e o que o Anjin-san retrucara.

- Realmente não compreendo com que ele está irritado, Oan-san - disse ela.

Oan coçou a cabeça, incrédulo.

- Ele ficou como um boi enlouquecido só porque a senhora lhe ofereceu um menino?

- Sim.

- Desculpe, mas a senhora foi polida? Não terá usado uma palavra errada, talvez?

- Oh, não, Oan-san, tenho certeza absoluta. Sinto-me péssima. Obviamente sou responsável.

- Deve ser alguma outra coisa. O quê?

- Não, Oan-san. Foi só isso.

- Nunca entenderei esses bárbaros - disse Oan exasperado.

- Por amor a todos nós, por favor acalme-o, Mariko-san. Deve ser porque ele não "travesseira" há muito tempo. Você - ordenou a Sono -, traga mais saquê, saquê quente, e toalhas quentes! Você, Rako, esfregue a nuca do demônio. - As criadas saíram voando para obedecer. Um pensamento súbito: - Talvez seja porque ele é impotente. A história que ele contou sobre o "travesseiro" na aldeia foi bastante vaga, neh? Talvez o coitado tenha ficado furioso porque não pode "travesseiras" em absoluto e a senhora trouxe o assunto à tona?

- Desculpe, mas não penso assim. O médico disse que ele é multo bem-dotado.

- Se ele fosse impotente... isso explicaria, neh? Seria o suficiente para me fazer berrar, também. Sim! Pergunte a ele.

Mariko imediatamente fez como lhe foi ordenado e Oan ficou horrorizado quando o sangue subiu novamente ao rosto do bárbaro e uma enxurrada de repugnantes sons bárbaros encheu a sala.

- Ele... ele disse que não. - A voz de Mariko não era mais que um sussurro.

- Tudo isso significava "não"?

- Eles... eles usam muitas palavras descritivas quando ficam alterados.

Oan estava começando a transpirar de ansiedade, pois era ele o responsável.

- Acalme-o!

Um dos outros samurais, um soldado mais velho, disse solicitamente:

- Oan-san, talvez ele seja um daqueles que gostam de cães, neh? Ouvimos algumas histórias estranhas em Kyushu sobre os comedores de alho. Sim, gostam de cães e... Lembro agora, sim, cães e patos. Talvez os cabeças douradas sejam como os comedores de alho, já que fedem como eles, hem? Talvez ele queira um pato.

- Mariko-san, pergunte-lhe! - disse Oan. - Não, talvez seja melhor não. Simplesmente acalme... - Parou de repente.

Hiromatsu vinha se aproximando da esquina oposta do corredor.

- Salve - disse o samurai resolutamente, tentando evitar que a voz tremesse porque o velho Punho de Aço, na melhor das circunstâncias um disciplinador, estivera como um tigre com espinhos no traseiro por toda a semana, e naquele dia estava ainda pior. Dez homens tinham sido rebaixados por desmazelo, o turno da noite inteira tivera que desfilar em ignomínia por todo o castelo, dois samurais haviam recebido ordem de cometer seppuku porque se atrasaram para o turno, e quatro dos coletores de fezes noturnas foram atirados dos parapeitos por haverem derramado parte de um recipiente no jardim do castelo.

- Ele está se comportando, Mariko-san? - Oan ouviu Punho de Aço perguntar irritado. Estava certo de que a estúpida mulher, que causara todo o problema, iria torcer a verdade, o que certamente lhes custaria a cabeça.

Para alívio seu, ouviu-a dizer:

- Sim, senhor. Tudo está ótimo, obrigada.

- Você partirá com Kiritsubo-san.

- Sim, senhor. - Hiromatsu continuou a sua patrulha e Mariko se inquietou por estar sendo mandada para longe. Seria meramente para servir de intérprete entre Kiri e o bárbaro durante a viagem? Com certeza isso não era tão importante. As outras damas de Toranaga também iam? A Senhora Sazuko? Não será perigoso para Sazuko ir por mar agora? Devo ir sozinha com Kiri, ou meu marido também vai? Se ele ficar - e seria seu dever ficar com seu senhor - quem cuidará da casa? Por que temos que ir de navio? Com certeza a estrada Tokaido ainda é segura? Com certeza Ishido não vai nos causar dano? Sim, ele faria isso - pense no nosso valor como reféns, a Senhora Sazuko, Kiritsubo, e as outras. Será que é por isso que temos que ir por mar?

Mariko sempre odiara o mar. Mesmo a vista dele quase a punha doente. Mas se tenho que ir, tenho que ir, e ponto final. Karma. Ela desviou a atenção do inevitável para o problema imediato do desconcertante bárbaro estrangeiro, que só lhe estava causando pesar.

Quando Punho de Aço desapareceu na extremidade do corredor, Oan ergueu a cabeça e todos suspiraram. Asa surgiu apressada pelo corredor com o saquê, seguida logo atrás de Sono, com as toalhas quentes.