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— São sempre bem-vindos.

— A propósito, Tai-Pan — disse Shevaun — pelo que eu soube, as senhoras não estão convidadas para a luta desta tarde. Quer apostar um guinéu no homem da Marinha por mim?

— Meu Deus, Shevaun — disse Tillman, chocado. — Você não deve dizer essas coisas! Não fica bem para uma moça!

— Você é muito desonesto — disse ela — e antiquado. Vocês homens apreciam uma luta, por que nós não deveríamos apreciar? Vocês homens gostam de jogar, mas nós não podemos, é?

— É uma boa pergunta, Shevaun. — Struan se divertia com o constrangimento de Tillman.

— Afinal, é um costume oriental. — Ela olhou inocentemente para Struan. — Ouvi dizer que os chineses jogam o tempo todo, especialmente as mulheres. Struan, complacentemente, ignorou a observação.

— Jogar é um mau hábito — disse Tillman.

— Concordo plenamente, tio. Quanto você já apostou?

— Uma coisa nada tem a ver com a outra.

Struan riu.

— Com sua permissão, Wilf, vamos satisfazê-la. Um guinéu na Marinha?

— Obrigada, Tai-Pan — disse ela, antes de Tillman poder responder, e estendeu a mão enluvada para Struan. — É apenas uma questão de princípio. Você é muito compreensivo.

Ele deixou que a mão dela repousasse na sua um momento mais do que o necessário e depois beijou-a, fascinado pelo pensamento de domá-la. Em seguida, levou os dois até a porta.

— Eu os verei esta noite.

— Se eu não ganhar aquele prêmio, ficarei desesperada. E também irei para a prisão, por dívidas.

— Você não irá, Shevaun, mas seu pobre pai e tio, que sofrem há tanto tempo, talvez vão mesmo — disse Tillman.

Quando partiram, Struan voltou para os alojamentos de May-may.Ela fitou-o, friamente.

— O que há de errado?

— Aquela maldita e melosa prostituta está atrás de você. É isso que está errado.

— Não seja tola e não fique aí praguejando! E como você a viu?

— Ora! Será que eu não tenho olhos? Não tenho nariz? Para que tanto estudei o projeto da casa, hein, horas a fio? Para que fosse planejada de modo a eu poder ver quem vem aqui e quem passa sem ser vista. Ora! Aquela putinha de merda está atrás de você, para casa!.

— Para casar — ele corrigiu.

— Beijando a mão dela, hein? Por que não beija minha mão? — Ela fechou o bule, com estrépito. — Por que ficou olhando para ela com os olhos de bezerro atrás da vaca, hein? Ayeee yah!

Ayeee yah para você. E se fizer mais um comentário assim, eu lhe dou uma surra. Quer levar uma surra?

— Esses homi! — Ela atirou a cabeça para cima. — Esses homi!

— Homens... não homi. Eu já lhe disse isso mais de mil vezes.

— Esses homens! — May-may, toda trêmula, se serviu de um pouco de chá e depois bateu a xícara no pires e se levantou. — Ouvi dizer que os homi chineses jogam muito, ispicialmente as mulheres — ela disse, imitando Shevaun, erguendo o busto para lhe dar maior volume e balançando o traseiro. — E você fica sentado ali devorando os peito dela com o olhar. Pra meus peito você não olha, ?

Struan, tranqüilamente, depôs sua xícara de chá e se levantou. May-may refugiou-se do outro lado da mesa.

— Não estou dizendo nada, não se preocupe — disse, depressa.

— Foi o que eu pensei. — Ele, calmamente, acabou de tomar seu chá e ela ficou a olhá-lo, sem se mexer, mas pronta para fugir. Ele colocou a xícara no pires.

— Venha cá.

— Ah! Eu tenho medo quando seus olhos lançam fogo verde.

Venha cá. Por favor — ele acrescentou, com doçura. Ela estava quase vesga de raiva e ele a achou parecida com um dos gatos siameses que vira em Bancoc. Tão rancorosa como eles, pensou.

Cautelosamente, ela se aproximou, sempre pronta para escapar, ou fazer uma investida, de unhas em riste. Ele, gentilmente, deu-lhe pancadinhas na face e se virou para a porta.

— Seja uma boa menina.

— Tai-Pan! — May-may, imperiosamente, estendeu a mão para ser beijada.

Fazendo força para não sorrir, ele voltou e, com galanteria, beijou-lhe a mão. Depois, forçou-a a se virar, sem tempo de se defender, e lhe deu uma forte palmada no traseiro. Ela arquejou, libertou-se com esforço das mãos dele e deu um pulo, para se proteger atrás da mesa. Ao se ver em segurança, atirou-lhe uma xícara. Esta se espatifou na parede, perto do ouvido dele, e ela pegou outra.

— Não atire isso!

Ela voltou a colocá-la sobre a mesa.

— Muito bem, garota. Uma, tudo bem. Duas já é demais. — Ele se virou para a porta.

— Só estou falando para proteger você — ela gritou. — Proteger daquela puta melosa, feia, com peitos de vaca velha!

— Obrigado, May-may — ele disse, fechando a porta atrás de si.

Ele fingiu seguir pelo corredor e depois ficou à escuta, tentando não rir. A xícara espatifou-se contra o outro lado da porta. O som foi seguido por uma torrente de pragas, depois o nome de Ah Sam e mais pragas.

Alegremente, ele saiu nas pontas dos pés.

***

O Vale Feliz inteiro pulsava de atividade e, enquanto Struan descia o leve declive que levava de sua casa em direção à praia, sentiu um grande orgulho. Muitas edificações estavam em início. As duas maiores eram as grandes feitorias de três andares da Casa Nobre e de Brock e Filhos uma em frente à outra na Estrada da Rainha — prédios enormes contendo armazéns, escritórios e apartamentos, do tipo preferido pelos comerciantes na China e parecidos com os existentes na Colônia de Cantão. No momento, eram apenas carcaças de andaimes externos de bambu, erguendo-se em direção ao céu, com centenas de trabalhadores chineses apinhados em torno. E, ao redor dessas estruturas dominantes, havia dúzias de outros prédios, moradias e desembarcadouros.

À distância, no meio do caminho até o Cabo Glessing, Struan via que o trabalho já começara no estaleiro; uma torrente interminável de cules empilhava pedras e rochas para formar o primeiro dos ancoradouros de águas profundas. Em frente à casinha do capitão de porto, já toda pronta, com exceção do telhado, estavam as muralhas de pedra da prisão, com mais da metade dos trabalhos concluídos. E ao lado do estaleiro, estava o primeiro quartel do exército, com seus andaimes.Struan virou-se em direção oeste, onde estava a série de grandes tendas que abrigavam a sede temporária da companhia. Haviam sido montadas nas imediações do vale. A igreja ainda não tivera sua construção iniciada embora Struan visse homens examinando o topo do outeiro.

— Bom-dia, Robb — disse ele, entrando na tenda.

— Bem-vindo à casa. — Robb não fizera a barba e havia manchas negras sob seus olhos. — Resolveu os problemas lá em Aberdeen?

— Sim. E por aqui, como vão as coisas?

— Bem e mal. Não se pode caminhar pela Estrada da Rainha sem que um montão de mendigos malcheirosos caia em cima da pessoa. E, pior do que isso, estamos trazendo dez mil tijolos de Macau por dia, em sampanas e juncos, e mais de dois mil somem, na manhã seguinte. — Atirou as mãos para cima, violentamente. — E não apenas tijolos... madeira, escrivaninhas, cimento, penas, papel... roubam tudo. Assim, nossos custos de construção vão dobrar. — Jogou uma lista de números — um presente para você... as cifras de custos de sua casa, até agora. Três vezes mais do que Vargas calculou.

— Por que tanto?

— Bom, você quis que fosse construída em três semanas.

— Por mil libras eu quase poderia comprar o quinto de um clíper, ora bolas!

— Se o Blue Cloud não chegar a Londres, estaremos com um terrível problema. Outra vez.