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— Chegará.

— Gostaria de ser assim tão confiante — Robb respondeu, agressivamente. Struan sentou-se em sua escrivaninha.

— Qual é o verdadeiro problema, rapaz?

— Ah, não sei. Todo esse roubo, essa mendicância... e há coisas demais para fazer. E esse barulho maldito e constante. Estou cansado, eu acho. Não, não é verdade. Há duas coisas. Em primeiro lugar, Sarah. Ela está atrasada duas semanas e você não tem idéia de como uma mulher fica irritada, quando isto acontece, e a pobrezinha está com medo de morrer. Justificadamente. Não há nada que se possa fazer para ajudar, exceto dizer que tudo vai acabar bem. Além disso, há esse negócio de eu ter ficado. Não paramos de brigar. Ela está absolutamente decidida a ir embora, dentro de um ou dois meses... logo que estiver outra vez em condições.

— Você gostaria que eu conversasse com ela?

— Não. Nada poderá ajudar. Ela já decidiu e, quando Sarah decide, é definitivo. Claro que está encantada por termos ficado ricos de novo, mas vai embora assim mesmo. O baile não ajudou. .. ela está furiosa por se encontrar “grávida, gorda e feia”, como diz de si mesma. Nada que você disser fará a menor diferença.

— Isso é a “primeira” coisa. E a segunda?

— Culum. Você e Culum.

Struan olhou, através da porta da tenda, para o porto e os muitos navios ordenadamente ancorados.

— Ele parece estar muito bem.

— Não é isso que eu queria dizer.

— Deixe as coisas como estão, por enquanto.

— É uma situação muito ruim. Ruim para vocês dois e ruim para a casa.

— Deixe passar algum tempo, Robb.

— Eu estou lhe pedindo. Por favor, perdoe-o. Por favor.

— Deixe o tempo passar, Robb. — Struan virou-se. — Um tempinho.

— Muito bem, Dirk. — Robb enfiou as mãos nos bolsos. — O que aconteceu a noite passada em Aberdeen?

Struan contou-lhe e lhe deu os contratos e papéis de tutela. Mas nada disse a respeito de Wu Kwok, Quemoy e a noite do festival de verão. A noite iria acontecer enquanto ele ainda fosse Tai-Pan, e o que fazer com relação ao assunto era decisão do Tai-Pan — e só dele.

Robb ficou interessado.

— Onde estão os meninos, agora?

— A bordo do Resting Cloud. Deixei-os aos cuidados de Wolfgang. Os homens estão a bordo do China Cloud.

— É melhor mandarmos os meninos para nosso país, logo que possível. Se todos souberem que temos ligações com aqueles malditos piratas... bom, só Deus sabe que problemas teremos de enfrentar.

—O Thunder Cloud está quase cheio de carga. Dentro de quatro ou cinco dias, estará em condições de navegar. Irão nele.

— Vou mandá-los para Whampoa hoje.

— Não, rapaz. Eu mesmo os levarei, amanhã. É mais seguro. Tem muita coisa em jogo em Cantão, então é melhor eu voltar diretamente para lá. Quer ir também?

— Não posso, Dirk. Sarah está muito perto de ter criança. Por que não leva Culum?

— Há muita coisa para fazer aqui.

— Há muita coisa para ensinar a ele a respeito de chá, seda e navegação. Só faltam quatro meses.

— Está bem.

— Qual o seu plano, com relação aos homens?

— Em primeiro lugar, Wolfgang e Gordon vão ensinar-lhes inglês. Dentro de três meses, nós os colocaremos nos clíperes. Nunca mais de um no mesmo navio. E ponha sua esperta cabeça para funcionar, a fim de descobrir como conseguiremos que passem para o

nosso lado.

— Vou tentar. Fico imaginando que maldade Wu Kwok e Scragger estarão maquinando. Não confio neles, nem um pouquinho.

Sim, Struan pensou, imagino o que você faria, Robb, com relação à noite do festival... se soubesse. Você enviaria fragatas. Tendo certeza. E talvez as estivesse mandando para uma armadilha. Será que vou fazer isso? Não sei ainda.

Robb observou, através da porta da tenda, a atividade de construção.

— Se Deus ficar do nosso lado, nesta temporada, vamos alcançar uma grande dianteira, com relação a Brock.

— Sim. — Mas o que fazer com ele? E com Gorth?

— Acho que deveríamos aterrar um trecho de mar e estender os ancoradouros até águas profundas — disse Robb. — Tanto faz executar esses trabalhos agora como no próximo ano.

— Boa idéia, rapaz.

— Com licença, senhor — disse Cudahy, chegando às pressas — mas o senhor me disse para me apresentar imediatamente.

— Entre, Sr. Cudahy — disse Robb. — Como foram as coisas?

— Tudo num abrir e fechar de olhos, senhor. O paquete com a correspondência estava onde o senhor disse. Consegui uma lista dos passageiros, como o senhor queria. Interceptamos o navio ao largo de Pokliu Chau. Estará no porto dentro de três horas. — Cudahy sorriu e depôs um pequeno saco de correspondência. — Desculpe, senhor, mas como soube que o paquete estava chegando? Está adiantado um dia.

— Foi só um palpite, Sr. Cudahy — disse Robb. — Espere lá fora, por favor. — E começou a dar uma olhada em sua correspondência. Cudahy bateu continência e saiu.

— Foi uma idéia brilhante, essa sua — disse Robb — de colocar um vigia na montanha.

— Culum lembrou-se, não foi? — Struan ficou satisfeito, registrou a informação e ainda se sentiu mais satisfeito porque Robb e Culum haviam posto o plano em prática secretamente. — Como vocês trocam sinais?

— Escolhemos um dos funcionários, um sobrinho do velho Vargas, Jesus de Vargas, a fim de olhar para o topo da montanha, a cada quinze minutos. Com telescópio, naturalmente, e em segredo, é claro. Culum elaborou um sistema de sinais, com bandeiras. Agora, podemos dizer se o navio é um paquete, se é um dos nossos, ou de Brock ou de Cooper-Tillman.

Examinaram a correspondência. Os jornais e periódicos de três meses eles separaram, para desfrutar com calma. Livros, partituras musicais, peças de teatro, volumes sobre moda para Sarah, ou sobre aperfeiçoamentos náuticos, para Struan, papéis financeiros para Robb.

Em primeiro lugar, os negócios.

O preço das especiarias no mercado de Londres — gengibre, noz-moscada, pimenta e canela — subira apreciavelmente. O do melaço caíra. O preço para compra do chá, devido ao escasso abastecimento, aumentara cinqüenta por cento — o que significava, se

o Blue Cloud chegasse primeiro, que o lucro deles seria superior a duzentos e quarenta mil libras. Sérias perturbações cartistas haviam prejudicado a capacidade das fábricas de algodão do Lancashire e das minas de carvão galesas, o que significava que o custo do óleo de carvão para as lâmpadas iria subir, e o preço dos tecidos de algodão estaria mais alto do que o previsto. O preço do ópio em Calcutá baixara, porque havia supersafra. Então, Struan mudou as ordens dadas ao Sea Cloud, um de seus clíperes nas vias de Hong Kong, e enviou-o urgentemente para Manilha, a fim de receber uma carga de especiarias, em vez de ir a Whampoa, para pegar um carregamento de chá, e mandou em seguida o navio para a Inglaterra, a toda pressa, via Cabo da Boa Esperança. Robb deu instruções a Vargas para comprar todos os metros disponíveis de tecidos de algodão, de fio e linha de algodão, descarregar todos os seus estoques de melaço, e aumentar a encomenda de ópio a ser adquirido em Calcutá e descarregar seus estoques atuais, logo que possível,

E, antes do paquete de correspondência estar ancorado no porto, o Sea Cloud navegava para Manilha, enquanto em três horas de negócios já enriquecera potencialmente em quarenta mil guinéus. Pois em três horas haviam açambarcado o mercado, no tocante aos fornecimentos importados disponíveis de óleo para lâmpadas, mercadorias de algodão, fio e linha de algodão, e especiarias, além de contratarem antecipadamente todo espaço de carga disponível, em todos os navios americanos e ingleses — com exceção das embarcações de Brock e Filhos. Sabiam que, logo após o paquete ancorar e a notícia se espalhar, os compradores correriam às suas portas, a fim de obter algodão e especiarias e fretar navios para levarem tudo, às pressas, à Inglaterra. Ninguém sabia, a não ser os dois irmãos, que o Sea Cloud disparara com a vantagem de pelo menos um dia, e pegaria o melhor do mercado de Londres.— É uma pena que vá nos tomar dois dias, pelo menos, o atendimento às encomendas de todos os nossos clientes e o despacho dos navios para Manilha — disse Robb, alegremente.