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— Excelente.

— Por que você está zangado?

— Sem razão. Estão bons — ele disse, comendo outro dos pastéis. Depois, sorriu para ela. — Você é linda e não posso imaginar uma maneira mais agradável de tomar chá.

— Você também é lindo.

— A casa já tem feng-shui?

— Quando é o julgamento dos vestidos?

— À meia-noite. Por quê? Ela encolheu os ombros.

— Meia hora antes da meia-noite, você voltará para cá?

— Por quê?

— Gosto de ver meu homem. De tirá-lo daquela descarada com peitos de vaca. — O pé dela escorregou por baixo d’água. Struan recuou diante do ataque íntimo e quase deixou cair seu chá. — Não faça isso, e tenha cuidado, por Deus. — Ele lhe interceptou a mão e riu. — Seja uma menina boazinha.

— Sim, Tai-Pan. Se você também tiver cuidado. — May-may sorriu docemente e deixou a mão descansar, tranqüila, na dele. — Você não olha para mim como olha para aquela mulher diabólica, nem mesmo quando estou sem roupa nenhuma. O que está errado com o meu busto?

— Seu busto é perfeito. Você é toda perfeita. Claro que é. Agora, pare de me aborrecer.

— Então você volta, meia hora antes?

— Faço qualquer coisa, em troca de paz. — Struan bebeu um pouco mais de chá. — Ah, sim. Você não me respondeu. A casa já tem feng-shui?

— Sim. — Ela pegou o sabão e começou a se ensaboar. Mas não disse mais nada.

— Tem ou não tem?

— Sim. — Outra vez ficou silenciosa, com uma exasperante e bela doçura a envolvê-la.

— O que aconteceu?

— Sinto muitíssimo, Tai-pan, mas estamos bem no globo ocular do dragão e precisamos nos mudar.

— Não vamos nos mudar e não se fala mais nisso.

Ela trauteou uma cançãozinha, enquanto terminava de usar o sabão. Lavou a espuma e olhou para ele, com os olhos muito abertos, toda gentil.

— Vire-se. Vou ensaboar suas costas — disse.

— Não vou me mexer — ele disse, com suspeita.

Marrr-rry veio aqui hoje à tarde, e conversamos bastante.

— Não vou me mexer! Não se fala mais nisso.

— Realmente, Tai-Pan, não sou surda. Ouvi você muito bem, da primeira vez. Quer que eu esfregue suas costas ou não?

Ele virou as costas e ela começou a ensaboá-lo.

— Vamos nos mudar e não se fala mais nisso. Porque sua velha mãe decidiu — disse ela, em cantonês.

— O quê? — ele disse, movimentando um pouco o pescoço, apreciando o toque insinuante dela, enquanto suas mãos lhe massageavam deliciosamente os músculos dos ombros.

— Um velho provérbio cantonês: “Quando as andorinhas fazem seus ninhos, o sol sorri.”

— O que isto quer dizer?

— Exatamente o que diz. — Ela estava satisfeita consigo mesma. — É apenas um pensamento feliz, só isso. — Pegou um pouco de água e lavou a espuma de sabão. — Ah Sam, ahhhh!

Ah Sam entrou correndo, a carregar grandes toalhas. May-may se levantou e Ah Sam enrolou uma delas em torno de seu corpo e segurou a outra para Struan.

— Diga-lhe que farei isto eu próprio, por Deus! — disse ele. May-may traduziu e Ah Sam depôs a toalha, deu uma risadinha e saiu correndo. Struan saiu do banho e May-may embrulhou-o na toalha. Para surpresa sua, ele descobriu que estava aquecida.

— Disse a Ah Sam para “cozinhar” um pouco as toalhas, de hoje em diante -falou May-may. — É bom para a saúde.

— Ê muito agradável — ele disse, e se esfregou até ficar enxuto. Abriu a porta e descobriu que a cama havia sido arrumada e suas roupas novas postas sobre a cômoda.

— Você tem tempo para descansar um pouco — disse May-may e, quando ele começou a discutir, acrescentou, imperiosamente: Você vai descansar! Struan deu uma olhada em seu relógio. Há bastante tempo, pensou, e então subiu na cama e se estirou, voluptuosamente.

May-may acenou para Ah Sam, que entrou no banheiro e fechou a porta. Ajoelhando-se, Ah Sam desatou os pés de May-may e os enxugou. Ela colocou pó nos pés e substituiu as ataduras por outras, limpas e secas, e calçou-lhes sandálias novas, bordadas.

— São tão lindas, mamãe — disse.

— Obrigada, Ah Sam. — May-may beliscou com ternura a bochecha de Ah Sam. — Mas, por favor, não faça tantas observações sobre os apêndices de papai.

— Eu só estava sendo cortês, e são muito dignos de respeito.

— Ah Sam soltou os cabelos de May-may e começou a escová-los.

— Normalmente, um pai ficaria muito satisfeito por ser elogiado. Realmente, não entendo nosso pai bárbaro, nem um pouquinho. Ele não me levou para a cama, nem uma só vez. Sou assim tão pouco atraente?

— Eu já lhe disse várias vezes que os pais bárbaros não levam para a cama todas as mulheres da casa — disse May-may, cansadamente. — Ele, simplesmente, não faria uma coisa dessas. É contra sua religião.

— É realmente muito mau pagode — fungou Ah Sam — ter um pai assim, tão dotado, e isso ser contra sua religião. May-may riu, e entregou-lhe a toalha.

— Vá embora, sua bajuladora. Traga chá, dentro de uma hora. Se chegar atrasada vou dar em você umas boas chicotadas!

Ah Sam fugiu.

May-may perfumou-se e, pensando no baile e em sua outra surpresa, cheia de excitação, entrou no quarto.

***

Liza Brock abriu a porta da cabina e foi para o beliche. Sentia suor frio escorrendo de suas axilas. Sabia que, para Tess, era agora ou nunca.

— Vamos, amor — disse ela, sacudindo Brock outra vez. — Está na hora de se levantar.

— Me deixe em paz. — Brock virou-se para o outro lado outra vez, suavemente embalado pela maré que balançava o casco do White Witch. — Quando chegar a hora eu me visto.

— Você dizendo isso faz meia hora. Levante, senão vai chegar atrasado. Brock bocejou e se estirou, erguendo-se no beliche.

— O sol nem se pôs ainda — ele disse, com os olhos turvos de sono, a espiar através da vigia.

— Gorth vai chegar logo e você queria estar pronto cedo. Vai ser preciso examinar os livros com o compradore. Você me pediu para lhe acordar.

— Está bem, chega, Liza.

Ele bocejou outra vez e olhou para Liza. Ela usava um vestido novo, de brocado de seda vermelho-escuro, com um grande pufe, deixando aparecerem muitas anáguas. Seu cabelo estava preso num coque.

— Você está muito elegante — disse ele, automaticamente, e se estirou outra vez.

Liza brincou com o grande chapéu de plumas que estava era suas mãos e, em seguida, o depôs.

— Vou ajudar você a se vestir — disse ela.

— Ora, o que é isso! Eu disse que minha roupa velha estava ótima — ele explodiu, ao ver suas roupas novas sobre a cadeira. — Você acha que o dinheiro é tão fácil de ganhar que pode ser gasto assim à vontade?

— Não, amor, você precisava de roupas novas e é necessário que esteja com seu melhor aspecto.

Ela ofereceu o pequeno espartilho que, segundo decretava a moda, o homem precisava usar para ficar com a cintura fina. Brock praguejou e saiu da cama. Depois de apertar o espartilho sobre sua roupa de baixo comprida, de lã, queixosamente, deixou-se ajudar a vestir suas roupas.

Mas, ao olhar para si próprio ao espelho, ficou satisfeitíssimo. A nova camisa pregueada crescia-lhe no peito e o casaco de veludo marrom, com lapelas bordadas a ouro, caía-lhe à perfeição — grande nos ombros e apertado na cintura. Suas calças brancas apertadas eram mantidas em caimento suave por correias, sob botas de festa negras, macias e lustrosas. Colete bordado em tom laranja, corrente de ouro e relógio no bolsinho.

— Meu Deus, você está parecendo o Rei da Inglaterra, amor!

Ele escovou a barba, deixando-a bem eriçada.

— Bom — disse ele, rudemente, tentando esconder seu prazer — talvez você tivesse razão. — Virou-se de perfil e alisou o veludo, para fazê-lo assentar bem sobre seu peito.