Выбрать главу

— Então você aprova, de maneira geral?

— Ah, sim... mas jamais me ocorreu que... bom, no devido tempo, quando ela tiver idade, tenho certeza de que receberá bem o seu pedido e ficará honrada com ele.

— Você acha que eu deveria esperar até ela ter vinte e um aos?

— Bom, só tenho em meu coração os interesses dela. É minha única irmã e, bom, somos muito unidos. Desde que papai morreu, eu a criei.

— Sim — disse Glessing, sentindo-se lisonjeado. — Foi um ótimo trabalho que você fez. E é muito decente de sua parte me considerar, ela é tão... bom, eu acho que ela é maravilhosa.

— Ainda assim, é melhor ser paciente. O casamento é um ato tão definitivo. Particularmente para alguém como Mary.

— Sim. Tem toda razão. Bom, vamos brindar ao futuro, hein? Não tenho pressa de... bom, mas gostaria de uma resposta formal. É preciso fazer planos, não?

— Claro. Vamos brindar ao futuro.

***

— Diabo — disse Brock, quando Gorth se aproximou dele. — Struan vai ficar com todos os centímetros de espaço de carga fora dos nossos navios. Como eles conseguiram isso? Esta manhã? Não é razoável!

— É quase como se ele tivesse sabido as notícias com antecipação... mas isto é impossível.

— Bom, não importa, por Deus — disse Brock, enfatuado por saber que tinha um navio viajando velozmente para Manilha, mas ignorando que o navio de Struan estava com horas de vantagem.

— Que dança, hein?

— Culum está muito encantado com a nossa Tess, papai.

— Sim... também notei isso. Está na hora de ela ir para casa.

— Não antes do julgamento. — Os olhos de Gorth arderam dentro dos de seu pai.

— Uma união entre eles seria muito boa para nós.

— Nunca, por Deus — disse Brock, severamente, com o rosto avermelhando-se.

— Eu digo sim, por Deus! Ouvi um boato... um de nossos funcionários portugueses escutou a notícia entre os Struans, o Tai-Pan vai voltar para a Inglaterra dentro de seis meses.

— O quê?

— Vai embora para sempre.

— Eu não acredito.

— Com aquele demônio fora, quem será o Tai-Pan, hein? Robb? — Gorth cuspiu, acintosamente. — Podemos engolir Robb. Antes do leilão de terras, eu diria que poderíamos mastigar Culum como porco salgado. Agora, não tenho certeza. Mas se Tess fosse a mulher dele... então seria Brock-Struan e Companhia. Depois de Robb. Culum será o Tai-Pan.

— Dirk nunca irá embora. Nunca. Você está louco. Só porque Culum dançou com ela, isto não quer dizer...

— Meta isto em sua cabeça, papai — interrompeu Gorth. — Um dia, Struan irá embora. Todo mundo sabe que ele quer ir para o Parlamento. Como você vai querer se aposentar. Um dia.

— Haverá tempo suficiente para isso, por Deus!

— Sim, mas um dia você vai se aposentar, não? Então, eu serei o Tai-Pan. — A voz de Gorth não era rude, mas calma e determinada. — Serei o Tai-Pan da Casa Nobre, por Deus, e não da segunda casa. O casamento de Culum e Tess ajeitará tudo de uma maneira inteligente.

— Dirk jamais irá embora — disse Brock, odiando Gorth por deixar implícito que ele falhara, onde Gorth seria bem-sucedido.

— Estou pensando em nós, papai! E em nossa casa. E em como você e eu andamos trabalhando noite e dia para derrotá-lo. E a respeito do futuro. Culum e Tess, seria perfeito — acrescentou Gorth, inflexivelmente.

Brock eriçou-se, com o desafio. Ele sabia que, no devido tempo, teria de passar as rédeas. Mas não tão rapidamente, por Deus! Porque, sem a casa, e sem ser o Tai-Pan da Brock, ele feneceria e morreria.

— O que faz você pensar que seria Brock-Struan? Por que não Struan-Brock, e ele sendo Tai-Pan, e você de fora?

— Não se preocupe, papai. Com você e aquele demônio Struan, é como a luta de hoje. Vocês são páreo, um para o outro. Ambos igualmente fortes e espertos. Mas eu e Culum? É diferente.

— Vou pensar a respeito do que você disse. E então decidirei.

— Claro, papai. Você é o Tai-Pan. Com pagode, será o Tai-pan da Casa Nobre antes de mim. — Gorth sorriu e caminhou em direção a Culum e Horatio.

Brock afrouxou o penso sobre o olho e observou o filho, tão alto, dinâmico e forte. Olhou para Culum e, depois, deu uma olhada em torno, procurando Struan. Viu o Tai-Pan em pé, sozinho, lá na praia, observando o porto. O amor de Brock por Tess e seu desejo de que ela fosse feliz estava contraposto à verdade do que Gorth dissera. E ele sabia, com igual verdade, que Gorth devoraria Culum, se surgisse um conflito entre eles — Gorth forçaria a disputa, no devido tempo. E isto era certo? Deixar Gorth devorar o marido que talvez Tess amasse?

Ficou imaginando o que realmente faria, se o amor florescesse — o que Struan faria. Isto resolveria nossa situação, disse a si mesmo. E não seria uma coisa errada, não é mesmo? Sim. Mas você sabe que o velho Dirk jamais sairá de Cathay — e nem você — e haverá um acerto de contas entre vocês dois.

Endureceu o coração, odiando Gorth por fazê-lo sentir-se velho. Sabendo que, mesmo assim, deveria acertar contas com o Tai-Pan. Porque Gorth contra Culum, com Struan vivo, não era páreo. Sabendo que, mesmo assim, deveria acertar contas com o Tai-Pan.

***

Struan dançou primeiro com Mary e ela gostou muito; sua força a acalmava e lhe dava coragem.

Em seguida, escolheu Shevaun. Ela se comprimia contra ele, para excitá-lo, mas não ao ponto de ser indelicada. Seu calor e perfume cercavam-no. Ele notou distraidamente que Mary era conduzida para fora da pista por Horatio e, quando se virou outra vez, viu que eles caminhavam em direção à praia. Então, ouviu as sinetas do navio. Onze e meia.

Hora de ver May-may. Quando a dança terminou, ele acompanhou Shevaun de volta à mesa.

— Você me desculpa por um momento, Shevaun?

— Claro, Dirk. Mas volte logo.

— Voltarei — ele disse.

***

— É uma bela noite — disse Mary, desajeitadamente.

— Sim. — Horatio segurava-lhe levemente o braço. — Queria dizer-lhe algo divertido. George me puxou de lado e pediu, formalmente, sua mão em casamento.

— Você está espantado por alguém querer casar comigo? — ela perguntou, friamente.

— Claro que não, Mary. Quero dizer que é absurdo ele pensar que você iria considerar um idiota como ele, é isso. Ela examinou seu leque e, depois, olhou para a noite, perturbada.

— Eu disse que achava que ele...

— Eu sei o que você disse, Horatio. — Ela o interrompeu, bruscamente. — Você foi gentil e se livrou dele falando em “tempo” e “minha querida irmã”. Acho que vou casar com George.

— Você não pode fazer isso! Você não pode gostar daquele chato o suficiente para pensar nele nem um só momento.

— Acho que vou casar com George. No Natal. Se houver um Natal.

— O que você quer dizer com isso... se houver um Natal?

— Nada, Horatio. Gosto dele o suficiente para casar com ele e eu... bom, acho que é tempo de partir. . — Não acredito nisso.

— Eu também não acredito. — Sua voz tremeu. — Mas, se George quer casar comigo... decidi que George é uma boa escolha para mim.

— Mas, Mary, eu preciso de você comigo. Eu a amo e você sabe...

Os olhos dela tiveram um relâmpago repentino e toda a amargura e a agonia contida há anos sufocaram-na.

— Não fale de amor comigo!

O rosto dele se tornou mortalmente pálido e seus lábios tremeram.

— Eu já pedi a Deus um milhão de vezes para nos perdoar.

— É um pouco tarde para pedir a Deus para “nos” perdoar, não?

Tudo começara depois de uma surra de chicote, quando ele era um menino e ela muito criança. Os dois subiram juntos na cama, agarrando-se um ao outro, para apagar o horror e a dor. Ela ficou confortada pelo calor de seus corpos e sentiu uma nova dor, que a fez esquecer o espancamento. Houve outras ocasiões, ocasiões felizes — ela criança demais para entender, mas Horatio, não. Depois, ele partira, para estudar na Inglaterra. Quando voltou, jamais se referiram ao que acontecera. Pois ambos já sabiam o significado daquilo.