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— Brock está encantado em tê-lo por genro. Você pode casar-se no próximo ano.

— Brock disse sim?

— Sim. Parabéns. — Struan calmamente examinou a gaveta de sua escrivaninha e a trancou, satisfeito por sua conversa com Brock ter decorrido como ele planejara.

— Quer dizer que ele diz sim? E você diz sim?

— Sim. Você terá de lhe fazer o pedido formalmente, mas ele disse que o aceitará.

Temos de discutir o dote e detalhes mas, segundo ele, você poderá casar no próximo ano. Culum abraçou impulsivamente os ombros de Struan.

— Ah, papai, obrigado, obrigado. — Ele não notou que dissera “papai”. Mas Struan, sim.

Uma explosão de disparos rompeu o silêncio da noite. Struan e Culum correram para a janela em tempo de ver os primeiros integrantes de uma turba, na entrada oeste da praça, cambaleando sob a fuzilaria. As centenas de pessoas atrás empurravam os que se encontravam na dianteira e os soldados eram pateticamente engolfados, enquanto a torrente de chineses, aos gritos, jorrava para a extremidade da praça.

A multidão carregava tochas, machados e lanças — e estandartes da Tríade. Eles se lançaram sobre a feitoria situada mais a oeste, que pertencia aos americanos. Uma tocha foi atirada através de uma janela e as portas foram forçadas. A multidão começou a pilhar, incendiar e saquear o prédio.

Struan agarrou seu mosquete.

— Nenhuma palavra a respeito de Tess... mantenha tudo em grande segredo, até encontrar com Brock. — Eles correram para o saguão. — Mande isso para o inferno, Vargas — gritou, ao vê-lo vergado ao peso de duplicatas de faturas. — Vamos para bordo!

Vargas saiu correndo.

A praça, em frente à feitoria de Struan, e o jardim estavam cheios de negociantes em plena fuga para as lorchas. Alguns dos soldados encontravam-se estacionados no muro do jardim, prontos para se entrincheirarem, como recurso final, e Struan uniu-se a eles, a fim de ajudar a cobrir a retirada. Pelo canto do olho, viu Culum correr de volta para a feitoria, mas se distraiu quando a vanguarda da segunda turba irrompeu na Rua Hog. Os soldados que protegiam a entrada de sua feitoria dispararam um tiro e se retiraram, em boa ordem, para o jardim inglês, onde assumiram suas posições junto aos outros soldados, na defesa dos últimos negociantes que corriam para as embarcações. Os que já se encontravam nos navios tinham mosquetes prontos, mas a multidão só se concentrava nas feitorias da extremidade da praça e, o que era espantoso, prestava pouca atenção aos negociantes.

Struan ficou aliviado ao ver Cooper e os americanos a bordo de uma das lorchas. Pensara que se encontravam ainda em sua feitoria.

— Puxa vida, olhem para aqueles malandros — disse Longstaff, sem se dirigir a ninguém em particular, enquanto permanecia em pé, fora do jardim, e espiava a multidão marchando, de porretes na mão. Sabia que isto significava o fim das negociações, a guerra era inevitável. — As forças de Sua Majestade logo colocariam um ponto final a esta loucura.

Ele voltou para o jardim, pisando forte, e encontrou Zergeyev observando o tumulto, com seus dois criados de libré armados e nervosos a seu lado.

— Talvez queira se unir a mim a bordo, Alteza — ele disse, falando alto por causa do barulho. Longstaff sabia que, se Zergeyev fosse ferido, isto representaria um incidente internacional, que daria ao tzar um pretexto perfeito para mandar belonaves e exércitos, em represália, às águas chinesas. E isto não vai acontecer, disse a si próprio.

— Só há uma maneira de lidar com essa carniça. Acha que sua democracia irá funcionar com eles?

— Claro. É preciso dar-lhes tempo, não é? — Longstaff respondeu, descontraidamente. — Vamos para bordo, agora. Temos sorte, a noite está amena.Um dos criados russos disse algo a Zergeyev, que simplesmente olhou para ele. O criado empalideceu e ficou em silêncio.

— Se quiser, Excelência. — disse Zergeyev, para não ser derrotado pelo óbvio desprezo de Longstaff diante da multidão. — Mas acho que prefiro esperar pelo Tai-Pan.

— Tirou sua caixa de rapé e ofereceu-o, ficando satisfeito ao ver que seus dedos não estavam tremendo.

— Obrigado. — Longstaff pegou um pouco de rapé. — Maldito negócio, não é? — Caminhou até Struan. — Que diabo fez tudo isso começar, Dirk?

— Foram os mandarins, com certeza. Nunca houve uma multidão como essa antes. Nunca. É melhor ir para bordo.

Struan observava a praça. Os últimos negociantes embarcavam. Só Brock não aparecia. Gorth e seus homens ainda estavam protegendo a porta de sua feitoria, do lado leste, e Struan ficou enfurecido ao ver Gorth disparar contra a multidão saqueadora, que não o ameaçava diretamente.

Ficou tentado a ordenar uma retirada imediata; e então, na confusão, erguer seu mosquete e matar Gorth. Sabia que ninguém notaria, em meio ao pandemônio. Isto iria poupar-lhe um assassinato, no futuro. Mas Struan não disparou. Queria o prazer de ver o terror nos olhos de Gorth, quando o matasse.

Aqueles que se encontravam nas lorchas desatracaram, apressadamente, e muitas das embarcações seguiram pela correnteza. Estranhamente, a multidão ainda os ignorava.

Jorrava fumaça da feitoria Cooper-Tillman. O prédio todo acendeu como um pavio, quando uma rajada de vento o varreu, e as chamas lamberam a noite.

Struan viu Brock sair correndo de sua feitoria, com um mosquete numa mão, uma espada na outra, os bolsos inchados de papéis. Seu principal funcionário, Almeida, corria em frente, na direção da embarcação, vergado ao peso dos livros, com Brock, Gorth e os outros homens a protegê-lo, e então outra multidão chegou à entrada leste, engolfando os soldados, e Struan percebeu que era hora de correr.

— Vamos para bordo! — rugiu, virando-se para o portão do jardim. Parou, no meio do caminho. Zergeyev estava encostado no muro do jardim, com uma pistola numa mão e sua espada na outra. Longstaff encontrava-se a seu lado.

— Está na hora de correr! — gritou, por sobre o tumulto. Zergeyev riu.

— Qual é o caminho?

Houve uma violenta explosão, quando as chamas chegaram ao arsenal americano, eo prédio se espatifou, a cuspir destroços inflamados sobre a multidão, matando alguns e mutilando outros. Bandeiras da Tríade cruzaram a Rua Hog, e a multidão enlouquecida que fazia a pilhagem seguiu-as, invadindo sistematicamente as feitorias situadas a leste. Struan atravessava o portão, quando se lembrou de Culum. Gritou para seus homens que dessem cobertura e voltou correndo.

— Culum! Culum!

Culum desceu velozmente as escadas.

— Esqueci uma coisa — disse, e disparou para a lorchas. Zergeyev e Longstaff ainda estavam à espera, com os homens junto ao portão. Sua fuga foi bloqueada por uma terceira multidão, que irrompeu através da praça e caiu sobre a feitoria ao lado da deles, Struan apontou para o muro, e o escalaram, Culum caiu, mas Struan agarrou-o e o ergueu, e correram juntos para os barcos, com Zergeyev e Longstaff bem próximos.

A multidão deixou-os passar mas, quando começaram a correr pela praça, deixando livre o caminho para a feitoria, os líderes invadiram o jardim. Muitos levaram tochas. E caíram sobre a Casa Nobre.

Agora jorravam chamas da maior parte das feitorias, um teto afundou, com um grande suspiro, e mais chamas caíram sobre milhares de pessoas na praça.

Brock se encontrava no convés superior de sua lorcha, exortando, com xingamentos, a tripulação. Todos estavam armados e seus canhões apontavam para terra.

Em pé, à popa, Gorth viu as amarras serem soltas, dianteiras e traseiras. Quando a lorcha começou a se afastar do cais, Gorth pegou um mosquete, fez pontaria para os chineses apinhados à entrada de sua feitoria, e puxou o gatilho. Viu um homem cair e sorriu, diabolicamente. Pegou outro mosquete; então viu Struan e os outros correndo para a lorcha — com os chineses rodopiando na frente e atrás. Certificou-se de que ninguém o observava e fez pontaria, cuidadosamente. Struan estava entre Culum e Zergeyev, Longstaff ao lado. Gorth puxou o gatilho.