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— Muito bem.

— Agora, tudo que você tem de fazer é salvar Hong Kong, Will. Só você pode fazer isso — disse Struan rezando para que, mais uma vez, conseguisse fazer Longstaff executar o plano que afinal traçara, como único jeito para salvar todos eles. — Acho aconselhável que você ordene uma saída imediata do Vale Feliz.

— Deus do céu, Dirk — exclamou Longstaff — se eu fizer isso, bom... Será o equivalente a sair de Hong Kong!

— A Cidade da Rainha tem malária. Pelo menos, o Vale Feliz tem. Então, precisa ser abandonado. Longstaff, abalado, aspirou um pouco de rapé.

— Não posso ordenar a retirada. Isto me tornaria responsável por todas as perdas.

— Sim. Você decidiu usar os seis milhões de taéis para reembolsar a todos. — Meu Deus, não posso fazer isso! — Longstaff explodiu. — A prata pertence à Coroa. A Coroa, só a Coroa, pode decidir o que fazer com ela!

— Você decidiu que Hong Kong é valiosa demais para ser posta em risco. Sabe que precisamos nos mudar, depressa. É um gesto digno de um governador.

— Não posso absolutamente, Dirk! De maneira alguma. É impossível!

Struan aproximou-se do aparador e encheu dois copos de xerez.

— Todo seu futuro depende disso.

— Hein? Será? Como?

Struan deu-lhe um copo.

— Sua reputação na corte está ligada a Hong Kong. Toda sua política na Ásia, e isto significa a política da Coroa na Ásia, focaliza-se em Hong Kong. Com razão. Sem segurança para Hong Kong, o governador, que representa Sua Majestade, não poderá dominar a Ásia, como deveria. Sem uma cidade construída, não haverá segurança para você e nem para a Coroa. O Vale Feliz está morto. Então, uma nova cidade deverá ser construída, e depressa. — Struan bebeu o xerez, saboreando-o. — Se reembolsar imediatamente aqueles que construíram, restaurará imediatamente a confiança. Todos os negociantes se unirão em seu apoio... de que precisará, no futuro. Não esqueça, Will, muitos têm considerável influência na corte. É um gesto grandioso, digno de você. Além disso, o reembolso realmente estará sendo pago pelos chineses.

— Não entendo.

— Dentro de três meses, você estará nos portões de Pequim, comandante-chefe de uma força invencível. O custo da expedição será, digamos, de quatro milhões. Acrescente seis milhões pelos danos à Colônia. Dez milhões. Mas peça catorze milhões, que serão uma indenização justa. Os quatro milhões extras serão a base para o tesouro de seu governo em Hong Kong... um dos tesouros coloniais mais ricos do Império. Na realidade, em vez de catorze, você pedirá vinte milhões; os seis extras pagarão os seis que você, com sua astúcia, “investiu” em Hong Kong, em nome da Coroa. Não se esqueça, sem uma base segura, você não pode ousar fazer o ataque ao norte. Sem Hong Kong segura, a Inglaterra está morta na Ásia. Você estará pensando em todo o futuro da Inglaterra, Will. Os termos são esses!

Struan podia sentir a mente de Longstaff repassando as possibilidades. Esta era a única solução possível. O único caminho pelo qual todos poderiam salvar seu prestígio e salvar a ilha. E, no instante em que viu Longstaff abrir a boca para falar, disse:— Uma última coisa, Will. Você receberá o dinheiro de volta imediatamente, a maior parte dele.

— Hein?

— Faça logo uma venda de terras. Os lances pelos novos lotes serão frenéticos. Para onde vai o dinheiro? De volta ao seu tesouro governamental. Você ganha, de todas as maneiras. A terra que está vendendo não lhe custa nada. Você sabe como precisa desesperadamente de dinheiro, para todos os problemas do governo: salários, polícia, o palácio governamental, estradas, tribunais, instalações portuárias e mil outras coisas e, certamente, não pode usar o resgate para isso. Eu diria que seria a pincelada de gênio de um estadista. Você tem de tomar a decisão agora, porque é impossível para você esperar seis meses até um despacho chegar à Inglaterra e sua óbvia aprovação voltar para cá. Você salva Hong Kong, a preço de nada. Mas, acima de tudo, mostrará a Zergeyev, de maneira muito positiva, que a Inglaterra planeja ficar na Ásia, permanentemente. Eu acho, Will, que sua astúcia impressionaria todo o Gabinete. E, certamente, a Sua Majestade a Rainha. E honrarias permanentes resultariam dessa aprovação.

Soaram os oito toques de sino. Longstaff pegou seu relógio de pulso. Estava atrasado, e ele virou os ponteiros para o meio-dia, enquanto sua mente tentava encontrar uma falha no raciocínio de Struan. Não havia nenhuma, disse a si próprio. Sentiu-se contra-feito ao perceber que, se não fosse o Tai-Pan, nada teria feito, com relação à febre. A não ser ficar fora do vale, esperando que a cura chegasse. Ele também ficara perturbado com a epidemia, mas, bom, era mais importante ganhar a guerra em Cantão, primeiro.

Sim. Não há nenhuma falha. Diabo, você quase colocou em risco um futuro brilhante. Decerto, será ir além das instruções, mas os governadores e plenipotenciários têm poderes não escritos. Não podemos esperar até o próximo ano para implantar a vontade de Sua Majestade sobre os pagãos. Absolutamente, não. O esquema relativo às sementes de chá se enquadra muito bem no plano, e mostra um sentido de previsão em escala que até ultrapassa a do Tai-Pan.

Longstaff teve um fortíssimo impulso de contar a Struan a respeito das sementes. Mas se controlou.

— Acho que tem razão. Vou fazer uma comunicação, imediatamente.

— Por que não convoca uma reunião de tai-pans para amanhã? Dê-lhes dois dias para apresentar as contas da construção e da terra ao seu tesoureiro. Marque a nova venda de terras para daqui a uma semana. Isto lhe dará tempo para mandar demarcar os lotes. Suponho que desejará o novo local da cidade próximo ao Cabo Glessing

— Sim. É exatamente o que eu penso. Aquele será o melhor lugar. Afinal, nós o consideramos há muito tempo. — Longstaff ergueu-se e se serviu de mais xerez, depois puxou o cordão do sino. — Como sempre, estou satisfeito por ouvir os seus conselhos, Dirk. Vai ficar para o almoço, não?

— É melhor eu ir embora. Sarah está partindo para a Inglaterra com a maré de amanhã, a bordo do Calcutta Mahrajah, e há muita coisa a ser feita.

— Foi muita má sorte. O caso de Robb e sua sobrinha.

A porta se abriu.

— Sim, senhorrr? — perguntou o mestre-d’armas.

— Pergunte ao general se vem almoçar comigo.

— Sim, senhorrr. Desculpe, senhorrr, mas a Sra. Quance está esperando para vê-lo. E o Sr. Quance. E há todas essas pessoas — ele deu a Longstaff uma longa lista de nomes

— que vieram marcar encontros. Devo dizer que está ocupado à Sra. Quance?

— Não. É melhor eu vê-la agora. Por favor, não vá ainda, Dirk. Acho que vou precisar de apoio moral.

Maureen Quance entrou. Aristotle Quance seguiu-a. Havia círculos negros sob seus olhos sem vida. Agora, ele era simplesmente um homenzinho desmazelado. Pois até suas roupas estavam sujas e sem graça.

— Bom-dia, Sra. Quance — disse Longstaff.

— Que os santos protejam Sua Excelência.

— Bom-dia, Excelência — disse Aristotle, com a voz mal audível, os olhos fixos no chão da cabina.

— Bom-dia, Tai-Pan — disse Maureen. — Sua conta será paga, com a graça de São Patrício, dentro de alguns dias.

— Não há pressa. Bom-dia, Aristotle.

Aristotle Quance, devagar, ergueu os olhos para Struan. Eles se encheram de lágrimas, quando percebeu o afeto no rosto de Struan.

— Ela quebrou todos os meus pincéis, Dirk — desabafou. — Hoje de manhã. Todos, E ela... ela atirou minhas tintas ao mar.

— É a respeito disso que viemos ver o senhor, Excelência — disse Maureen, com voz rouca. — O Sr. Quance decidiu desistir de toda essa tolice de pintura, afinal. Ele quer se ajeitar num bom emprego fixo. E foi a respeito do emprego que viemos falar a Sua Excelência. — Olhou para o marido e seu rosto demonstrou aborrecimento. — Qualquer coisa. Desde que seja fixa e dê um bom salário. — Tornou a se virar para Longstaff. — Talvez um bom emprego de escritório. O pobre Sr. Quance não tem muita experiência.