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— Sim — disse Brock, expansivamente, com um pouco de seu bom humor voltando. Agora que a Coroa se arrisca, junto conosco.

— Então, acho que não há necessidade de adiar o casamento. Proponho que Tess e

Culum se casem nó próximo mês.

Houve um silêncio impressionante.

O tempo pareceu parar, para todos eles. Culum ficou imaginando o que havia por trás do sorriso que Gorth ostentava com tanta dificuldade e por que o Tai-Pan escolhera o próximo mês — Ó Deus, permiti que seja no próximo mês.

Gorth sabia que o próximo mês eliminaria seu poder sobre Culum e que, por Deus, isto não deveria ser aceito. Diga papai o que disser, jurou, não haverá casamento rápido. No próximo ano, talvez. Sim, talvez. O que haverá na mente desse demônio?

Brock também tentava adivinhar o objetivo de Struan — porque deveria haver um objetivo, e não augurava nada de bom para ele e nem para Gorth. Seu instinto lhe disse, imediatamente, para retardar o casamento. Mas ele jurara diante de Deus dar aos dois um porto seguro — como também Struan — e sabia que um juramento assim seria cumprido por Struan, como por ele.

— Poderíamos mandar ler os primeiros proclamas no próximo domingo — disse Struan, rompendo deliberadamente a tensão. — Acho que o próximo domingo seria ótimo. — Sorriu para Tess: — Hein, garota?

— Ah, sim. Sim — ela disse, e segurou a mão de Culum.

— Não — disse Brock.

— É rápido demais — retrucou Gorth.

— Por quê? — perguntou Culum.

— Eu estava justamente pensando em você, Culum — disse Gorth apaziguadoramente — e na triste perda de seu tio. Seria uma pressa inconveniente, muito inconveniente.

— Liza, amor — disse Brock com voz rouca — damos licença a você e Tess. Iremos encontrar as duas depois do vinho do Porto.

Tess atirou os braços em torno de seu pescoço e sussurrou:

— Ah, por favor, papai — e os quatro homens foram deixados a sós.

Brock levantou-se, pesadamente, e pegou a garrafa de Porto. Encheu quatro copos e os entregou a todos. Struan bebeu o vinho, apreciativamente.

— Muito bom Porto, Tyler. — É do ano de 31.

— Um grande ano para o Porto. Fez-se outro silêncio.

— Não será conveniente adiar sua partida por alguns dias, Sr. Brock? — perguntou Culum, constrangido. — Quero dizer, se for possível... mas eu, decerto, gostaria que Tess visse a terra e conversasse com o arquiteto.

— Com o abandono do vale, a venda de terras e todo o resto, não vamos partir agora. Pelo menos — disse Brock — Gorth e eu não iremos. Liza e Tess e Lillibet deverão ir, logo que possível.Macau é mais saudável neste período do ano. E mais fresco, não é, Dirk?

— Sim. Macau está ótima agora — disse Struan, acendendo um charuto. — Ouvi dizer que o inquérito sobre o acidente sofrido pelo arquiduque será na próxima semana.

— Olhou inquisitiva-mente para Gorth.

— Foi mau pagode — disse Brock.

— Sim — repetiu Gorth. — Armas estavam sendo disparadas por toda parte.

— Sim — disse Struan. — Logo depois que ele foi atingido alguém disparou no cabeça da multidão.

— Fui eu — disse Brock.

— Obrigado, Tyler — disse Struan. — Você também estava na luta Gorth?

— Eu estava lá na frente, cuidando da navegação.

— Sim — disse Brock. Tentou lembrar se vira alguém disparando. Só recordou ter mandado Gorth para a frente. — Mau pagode. Essas multidões desenfreadas são uma coisa terrível, numa ocasião dessas ninguém sabe o que pode acontecer.

— Sim — disse Struan. Sabia que, se a bala fora disparada intencionalmente, Gorth era o culpado. E não Brock. — Uma dessas coisas que acontecem.

As lâmpadas a óleo pendentes do caibro do telhado oscilaram suavemente para bombordo do navio, enquanto o vento mudava um pouco de posição. Os homens do mar, Gorth, Brock e Struan, ficaram repentinamente alertas. Brock abriu uma vigia e cheirou a brisa. Gorth foi espiar o mar pelas vigias da popa e Struan se pós à escuta dos ruídos do navio.

— Não é nada — disse Brock. — O vento mudou de posição alguns graus, nada mais.

Struan foi até o passadiço, onde estava pendurado um barômetro. Marcava 29.8 firme. A pressão do ar só variara uma fração, em semanas.

— Está bastante firme — disse.

— Sim — replicou Brock. — Mas logo não estará mais firme e, então, teremos de usar reforços. Já reparei que você colocou bóias de tempestade ao largo do seu ancoradouro, em águas profundas.

— Sim. — Struan serviu-se de mais Porto e ofereceu a garrafa a Gorth. — Quer um pouco mais?

— Obrigado — disse Gorth.

— Está farejando tempestade para breve, Dirk?

— Não, Tyler. Mas gosto de ter algumas bóias prontas, para qualquer eventualidade. Glessing ordenou que sejam postas as da frota.

— Sim.

— Ouvi boatos de que ele vai casar com a jovem irmã de Sinclair.

— Parece que o casamento está no ar.

— Acho que serão muito felizes — disse Culum. — George a idolatra.

— Vai ser muito duro para Horatio — disse Gorth — ela deixá-lo assim de repente. É a única parente que ele tem. E ela é jovem, não tem a idade mínima para o consentimento.

— Quantos anos ela tem? — perguntou Culum.

— Dezenove — respondeu Struan. A tensão aumentou na cabina.

— Tess é muito jovem — disse Culum, com a voz angustiada. — Eu não queria magoá-la de nenhuma maneira. Muito embora... bom, será que podemos... O que acha, Sr. Brock? A respeito do casamento? No próximo mês? O que for melhor para Tess está bom para mim.

— Ela é muito jovem, rapaz — disse Brock, tonto, com o vinho — mas estou satisfeito por você dizer isso.

Gorth manteve a voz em tom gentil e firme. — Alguns poucos meses não vão perturbar vocês dois, hein, Culum? O próximo ano está a menos de seis meses de distância.

— Janeiro é daqui a sete meses, Gorth — disse Culum, com impaciência.

— Não cabe a mim decidir. O que for bom para vocês dois é bom para mim, eu digo. — Gorth esvaziou seu copo e se serviu de um pouco mais. — O que você diz, papai? — perguntou ele, deliberadamente colocando Brock em evidência.

— Vou pensar a respeito — disse Brock, examinando seu copo com cuidado. — Ela é muito menina. A pressa seria imprópria. Vocês se conheceram há menos de três meses e...

— Mas eu a amo, Sr. Brock — insistiu Culum. — Três meses ou três anos não fariam nenhuma diferença.

— Eu sei, rapaz — disse Brock, com benevolência. Ele se lembrou da alegria que tomara conta de Tess, quando lhe disse que aceitaria Culum. — Só estou pensando em seu bem, no bem dela. Preciso de tempo para decidir. — Para descobrir o que você tem em mente, Dirk, disse a si mesmo.

— Acho que seria muito bom para eles e para nós. — Struan sentia a felicidade que irradiava de Culum. — Tess é jovem, sim. Mas Liza era jovem também e, igualmente, a mãe de Culum. Casar jovem é bom. Eles têm dinheiro bastante. E um futuro de riqueza. Com pagode. Então eu digo que vai ser bom. Brock esfregou a testa com as costas da mão.

— Vou pensar. Depois lhe digo, Culum. É uma idéia inesperada, por isso preciso de tempo.

Culum sorriu, tocado pela sinceridade que havia na voz de Brock. Pela primeira vez, gostava dele, confiava nele.

— Claro — disse.

— De quanto tempo você acha que precisará, Tyler? — perguntou Struan, abruptamente. “Viu que Culum estava amolecendo, diante da falsa amabilidade deles, e sentiu que uma pressão os faria mostrar as verdadeiras intenções. — Não devemos manter os jovens como peixes no anzol, e haverá muita coisa a planejar. Temos de fazer deste casamento o maior que a Ásia já viu.

— Pelo que me lembro — disse Brock, rispidamente — é o pai da noiva quem a dá em casamento. E eu tenho plena competência para saber o que está certo e o que não está. — Sabia que Struan o tinha no anzol, e brincava com ele. — Então, qualquer plano para o casamento será nosso.