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— Claro — disse Struan. — Quando dará a notícia a Culum?

— Breve. — Brock se levantou. — Vamos para a companhia das senhoras.

— Breve, mas quando, Tyler?

— Você ouviu o que papai disse — falou Gorth, acaloradamente. — Por que o irritar, hein?

Mas Struan ignorou-o, e continuou a olhar para Tyler.

Culum teve medo de que houvesse uma briga e isto mudasse completamente a

maneira de pensar de Brock, em relação a seu casamento. Ao mesmo tempo, queria saber quanto teria de esperar e ficou satisfeito por Struan estar pressionando Brock.

— Por favor — disse. — Tenho certeza de que o Sr. Brock não... de que ele considerará a idéia com cuidado. Vamos esquecer o assunto, por enquanto.

— O que você quer fazer é com você, Culum! — disse Struan, com fingida raiva. — Mas eu quero saber agora. Quero saber se você está sendo usado, ou se estão brincando de gato e rato com você, por Deus!

— Você disse uma coisa terrível — comentou Culum.

— Sim. Mas não tenho mais nada para tratar com você, no momento, então fique calado. — Struan tornou a se virar para Brock, sabendo que, ao repreender Culum, satisfizera tanto Brock como Gorth. — Quanto tempo, Tyler?

— Uma semana. Uma semana, nem mais, nem menos. — Brock olhou para Culum e, outra vez, sua voz era benevolente.— Não há mal em pedir tempo, rapaz, e nem mal em pedir uma resposta de homem para homem. Isto é correto. Uma semana, Dirk. Será que o prazo acalmará seus maus modos?

— Sim. Obrigado, Tyler. — Struan caminhou para a porta e abriu-a, amplamente.

— Passe primeiro, Dirk.

***

Seguro, no recolhimento de seus alojamentos a bordo do Resting Cloud, Struan disse a May-may tudo que acontecera. Ela ouviu com atenção, deliciada.

— Ah, bom, Tai-Pan. Muito bom. Ele tirou o casaco e ela o pendurou no armário. Um pergaminho enrolado caiu da manga de sua túnica. Ele o apanhou e olhou-o.

O pergaminho tinha uma delicada pintura chinesa, uma aquarela, com muitos caracteres. Era uma bela paisagem marinha e havia um homenzinho a se curvar diante de uma mulherzinha, abaixo de grandes montanhas enevoadas. Uma sampana flutuava ao largo da praia pedregosa.

— De onde veio isso?

— Ah Sam trouxe do Tai Ping Shan — disse ela.

— É bonito — ele disse.

— Sim — disse May-may, calmamente, de novo maravilhada com a sutileza de seu avô.

Ele enviara o pergaminho para um de seus agentes no Tai Ping Shan, de quem May-may comprava jade, às vezes. Ah Sam aceitara-o sem suspeitas, como um presente casual para sua patroa. E, embora May-may tivesse certeza de que Ah Sam e Lim Din haviam examinado a pintura e os caracteres muito cuidadosamente, sabia que jamais descobririam a existência de uma mensagem secreta. Estava muito bem oculta. Mesmo o carimbo particular, da família de seu avô, estava inteligentemente coberto com outro. E o verso — Seis ninhos sorriem para as águias, o verde fogo faz parte do amanhecer. E a flecha prenuncia filhotes de esperança — era tão simples e tão belo. Quem iria saber que ele lhe agradecia pela informação referente aos seis milhões de taéis; que “fogo verde” significava o Tai-Pan; e que ele lhe enviaria um mensageiro levando alguma forma de flecha como identificação, para ajudá-la de todas as maneiras possíveis.

— O que significam os caracteres? — perguntou Struan.

— É difícil traduzir, Tai-Pan. Não sei todas as palavras, mas está escrito — Seis ninhos de passarinhos sorriem para grandes Pássaros, o fogo verde está no amanhecer, flecha traz — ela franziu a testa, procurando a palavra em inglês — traz pequenos pássaros de esperança.

— Isto não faz sentido, por Deus! — Struan riu. Ela suspirou, toda feliz.

— Adoro você, Tai-Pan.

— E eu adoro você, May-may.

— Da próxima vez em que construir uma casa para nós, quer fazer o favor de chamar primeiro um cavalheiro do feng shui?

CAPÍTULO TRINTA

Ao amanhecer, Struan foi a bordo do Calcutta Mahrajah, o navio mercante que ia levar Sarah para a Inglaterra. A embarcação pertencia à Companhia das Índias Orientais. Deveria partir com a maré, dentro de três horas, e os marinheiros faziam os preparativos finais.

Struan desceu e bateu à porta do camarote particular de Sarah.

— Entre — ele a ouviu dizer.

— Bom-dia, Sarah.

Ele fechou a porta. A cabina era grande e confortável. Brinquedos, roupas, malas e sapatos estavam espalhados por toda parte. Lochlin encontrava-se lamentosamente semiadormecido, num pequeno berço perto da vigia.

— Você já aprontou tudo, Sarah?

— Sim.

Ele pegou um envelope.

— É uma ordem de pagamento de cinco mil guinéus. Você receberá outro igual a cada dois meses.

— Você é muito generoso.

— O dinheiro é seu... pelo menos, é dinheiro de Robb, não meu. — Ele colocou o envelope sobre a mesa de carvalho. — Estou apenas cumprindo seu testamento. Já escrevi para que seja organizado o fundo de crédito que ele queria, e você receberá os papéis referentes a isso. Também pedi a papai para ir esperar o navio. Você gostaria de ocupar minha casa em Glasgow, até encontrar outra parecida?

— Não quero nada seu.

— Escrevi aos nossos banqueiros para aceitarem sua assinatura, mais uma vez seguindo as instruções de Robb, para a retirada de até cinco mil guinéus uma vez por ano, além do seu quinhão. Deve ter consciência de que é uma herdeira, e eu devo aconselhá-la a ser cuidadosa, pois muitos tentarão tomar-lhe a fortuna. Você é jovem e tem a vida pela frente...

— Não quero nenhum conselho seu, Dirk — disse Sarah em tom fulminante. — Quanto a tomarem o que é meu, sei cuidar de mim mesma. Sempre cuidei. E, a respeito de minha juventude, a olhei no espelho. Estou velha e feia. Sei disso, e você também. Estou gasta! E você fica sentado em seu maldito pedestal, jogando homem contra homem, mulher contra mulher. Está satisfeito por Ronalda ter morrido... ela deu tudo que podia, e ainda mais. E isto abre caminho maravilhosamente, para a próxima. Quem será? Shevaun? Mary Sinclair? Quem sabe a filha de um duque? Você sempre teve objetivos ambiciosos. Mas, quem quer que seja, será jovem e rica, e você a sugará até o bagaço, como fez com todos. Você se alimenta dos outros e nada dá em troca. Eu o amaldiçôo diante de Deus, e rezo para viver até cuspir em seu túmulo.

A criança começou a chorar, pateticamente, mas nenhum dos dois ouviu os gritos, enquanto olhavam um para o outro.

— Você se esquece de uma verdade, Sarah. Toda sua amargura vem de você achar que escolheu o irmão errado. E você tornou a vida de Robb um inferno, por causa disso. Struan abriu a porta e foi embora.

— Odeio a verdade — Sarah chorava para o vazio em torno dela.

***

Struan estava afundado, soturnamente, atrás de sua escrivaninha, no escritório da feitoria, odiando Sarah, mas compreendendo-a, e atormentado com a maldição dela.

— Será que me alimento dos outros? — disse alto, inadvertidamente. Olhou para o retrato de May-may. — Sim, suponho que sim. Será que é um erro? Eles não se alimentam de mim? O tempo todo? Quem está errado, May-may? Quem está certo?

Lembrou-se de Aristotle Quance.

— Vargas!

— Sim, senhor.

— Como vai o Sr. Quance?

— Está muito triste, senhor. Muito triste.

— Mande ele vir aqui, por favor.

Dentro em pouco, Quance aparecia à porta.

— Entre, Aristotle — disse Struan. — Feche a porta.

Quance fez como lhe fora ordenado e, depois, ficou em pé com um jeito infeliz, diante da escrivaninha. Struan falou, rapidamente.

— Aristotle, você não tem tempo a perder. Saia escondido da feitoria e vá até o cais. Há uma sampana esperando você. Embarque no Calcutta Mahrajah... vai partir dentro de uns poucos minutos.