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— Então, por que não se encontra aqui?

— Posso receber meu navio de volta, agora? Por Thor, Olhos Verdes, estou mortalmente cansado de ser um capitão-lacaio. Deixe-me ser um capitão do chá, ou um capitão do ópio, deixe-me levar o navio para águas do Ártico. Conheço cinqüenta lugares onde posso pegar uma carga de peles... mais prata para cevar seus cofres. Não é pedir demais.

— Preciso de você aqui. — Struan riu, e remoçou anos.

— Pode rir, pelo prepúcio de Odin! — O rosto de Orlov se retorceu, com o seu próprio sorriso. — Foi para o mar, enquanto eu estava preso num pontão ancorado. Você parece um deus, Olhos Verdes. Pegou tempestade? Tufão? E por que minha vela grande está mudada, como também a sobre de proa, e de mezena, a giba? Há novas adriças, estais e estingues por toda parte. Por que, hein? Você arrancou o coração de meu lindo navio, só para limpar sua alma?

— Que tipos de pele, Capitão?

— De foca, zibelina, vison... dê o nome de qualquer pele e lhe direi que há, desde que eu possa dizer a qualquer um: “Saia do meu navio e vá para o inferno”, até a você.

— Em outubro, você viaja para o norte. Sozinho. Será que isso o satisfaz? Peles para a China, hein?

Orlov deu uma espiada em Struan e percebeu, imediatamente, que não navegaria para o norte em outubro. Um calafrio o percorreu e ele detestou o dom da profecia, que o atormentava. O que irá acontecer comigo entre junho e outubro?

— Posso pegar meu navio agora? Sim ou não, por Deus? Outubro é um mês ruim e está muito longe. Posso pegar meu navio agora, sim ou não?

— Sim.

Orlov marinhou por sobre a amurada e caiu ruidosamente em pé no tombadilho.

— Soltem a amarra dianteira — gritou.

Depois, acenou para Struan e riu, estrepitosamente. O China Cloud afastou-se da nave-mãe e serpenteou, elegantemente, em direção à sua amarração de tempestade, ao largo do Vale Feliz.

Struan desceu para os alojamentos de May-may. Ela estava profundamente adormecida. Ele disse a Ah Sam para não acordá-la; voltaria mais tarde. Depois, foi para o convés acima, para seus próprios alojamentos particulares, tomou banho, fez a barba e vestiu roupas limpas. Lim Din trouxe-lhe ovos, frutas e chá. A porta da cabina se abriu e Culum entrou às pressas.

— Onde esteve? — começou, num ímpeto. — Há mil coisas que precisam ser feitas e a venda de terras é hoje à tarde. Você poderia ter me avisado, antes de desaparecer. Isso aqui está um verdadeiro torvelinho e...

— Você não bate nas portas, Culum?

— Claro, mas estava com pressa. Desculpe.

— Sente-se. Que mil coisas são essas? — perguntou Struan. — Pensei que você pudesse resolver tudo.

— Você é o Tai-Pan, eu não sou — disse Culum.

— Sim. Mas diga o que teria feito, se eu não voltasse hoje. Culum hesitou.

— Teria ido para a venda de terras. Comprado terras.

— Fez algum acordo com Brock sobre os lotes pelos quais não faríamos lances um contra o outro? Culum ficou constrangido com o olhar de seu— pai.

— Bom, de certa forma, sim. Fiz um acerto provisório. Sujeito à sua aprovação.

Puxou um mapa e estendeu-o sobre a escrivaninha. O local da nova cidade cercava o Cabo Glessing, duas milhas a oeste do Vale Feliz. O lugar plano para construção era restrito pelas montanhas que o cercavam, e tinha pouco menos de meia milha de largura, ficando afastado da praia apenas meia milha. O Tai Ping Shan elevava-se acima do local e bloqueava a expansão para leste.

— Esses são todos os lotes. Escolhi o oito e o nove. Gorth disse que eles queriam o catorze e o vinte e um.

— Você confirmou isso com Tyler?

— Sim.

Struan deu uma olhada no mapa.

— Por que escolher dois lotes um junto do outro?

— Bom, nada sei a respeito de terra e nem de feitorias ou ancoradouros, então fiz perguntas a George Glessing. E a Vargas. E depois, em particular, a Gordon Chen. E...

— Por que Gordon?

— Não sei. Pensei que era uma boa idéia. Ele parece ser muito inteligente.

— Continue.

— Bom, todos concordaram que os melhores lotes marinhos eram o oitavo, o nono, o décimo, o décimo quarto e o vigésima primeiro. Gordon sugeriu que os dois fossem juntos para o caso de querermos nos expandir e, então, um cais serviria para as duas feitorias. Por sugestão de Glessing, mandei o Capitão Orlov medir a profundidade ao largo da praia. Ele disse que há um bom fundo de rochedos, mas a plataforma é rasa. Teremos de aterrar e colocar nosso cais bem afastado.

— Que lotes suburbanos você escolheu? Culum, nervosamente, apontou-os.

— Gordon achou que deveríamos fazer lances para aquela propriedade ali. É... bom, é um morro, e... bom, acho que seria um lugar ótimo para a Grande Casa.

Struan levantou-se, foi até às vigias da popa e olhou o morro pelo binóculo. Ficava a oeste do Tai Ping Shan, em frente ao local.

— Teremos de construir uma estrada para lá, hein?

— Vargas disse que, se pudermos comprar os lotes suburbanos 9A e 15B, teremos ahn... acho que ele chamou de “uma servidão”, ou algo parecido, e isto protegeria nossa propriedade. Mais tarde, poderíamos construir no local e alugar os prédios se quiséssemos. Ou os revenderíamos, em outra ocasião.

— Discutiu isso com Brock?

— Não.

— Com Gorth?

— Não.

— Com Tess?

— Sim.

— Por quê?

— Sem nenhuma razão especial. Gosto de conversar com ela. Conversamos a respeito de uma porção de coisas.

— É perigoso conversar com ela a respeito de um assunto desses. Queira você ou não, submeteu-a a um teste.

— O quê?

— Se Gorth ou Brock fizerem lances para o 9A e o 15B, você saberá que ela não é digna de confiança. Sem os lotes menores, o morro fica arriscado.

— Ela nunca diria nada — afirmou Culum, beligerantemente. — Foi em particular, entre nós. Talvez os Brocks tenham a mesma idéia. Não provará nada, se eles fizerem lances contra nós.

Struan examinou-o. Depois, disse:

— Quer um drinque, ou chá?

— Chá, obrigado. — As palmas das mãos de Culum estavam pegajosas. Ele ficou imaginando se Tess realmente conversara com Brock, ou com Gorth. — Para onde você foi?

— Que outras coisas precisam de decisões? Culum se concentrou, com um esforço.

— Há uma porção de correspondência, tanto para você como para o tio Robb. Não sabia o que fazer com ela e então coloquei tudo no cofre. Vargas e Chen Sheng calcularam nossas despesas no Vale Feliz e eu... bom... eu assinei pela prata. Longstaff pagou a todos, como você disse. Assinei pela prata e contei as barras. Ontem, um homem chegou da Inglaterra no navio de Zergeyev. Roger Blore. Disse que pegou a embarcação em Cingapura. Quer ver você com urgência. Não me falou o que deseja mas, bom... de qualquer jeito eu o instalei no pontão pequeno, Quem é ele?

— Não sei, rapaz — disse Struan, pensativamente.

Tocou a campainha na escrivaninha e o camaroteiro entrou. Struan mandou que um escaler fosse buscar Blore.

— Que mais, rapaz?

— As encomendas para a compra de materiais e abastecimentos de navios se amontoam. Temos de encomendar novos estoques de ópio... mil coisas. Struan brincou com seu caneco de chá.

— Brock já lhe deu resposta?

— Hoje é o último dia. Ele me convidou para ir a bordo do White Witch esta noite.

— Tess não deu indicação a respeito de qual será a decisão do pai?

— Não.

— E Gorth?

Outra vez, Culum abanou a cabeça.

— Vão partir para Macau amanhã. Exceto Brock. Fui convidado a ir com eles.

— E vai?

— Agora que você voltou, eu gostaria. Por uma semana... ; disser que poderemos casar-nos logo. — Culum bebeu um pouco de chá. — Vai ser preciso comprar mobília e... bom, esse tipo de coisa.

— Você se encontrou com Sousa?

— Sim, encontramos. A terra é maravilhosa, e o projeto já está traçado. Jamais poderemos agradecer-lhe o suficiente. Estarmos pensando... bom, Sousa nos contou a respeito do quarto separado para o banho e toalete que você mandou projetar para sua casa. Nós... bom... nós pedimos a ele para construir a mesma coisa para nós.