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— Sim — Struan replicou. — Serão três meses, então. Sim, ele disse a si mesmo, três meses. Você assinou uma sentença de morte, Tyler. Talvez duas.

— E, Dirk, talvez possa me dar um pouco do seu tempo amanhã? — Podemos fixar

o dote.

— Ao meio-dia?

— Sim. Ao meio-dia. E agora acho que podemos nos reunir às senhoras, lá embaixo. Vai ficar para a ceia, Dirk?

— Obrigado, mas tenho de resolver algumas coisas.

— Como as corridas, hein? Tenho de lhe dar os parabéns. Foi uma ótima idéia trazer aquele sujeito, o Blore, lá da Inglaterra. É mesmo um jovem galã. A última corrida de cada rodada será a Parada Brock. Nós daremos o dinheiro do prêmio.

— Sim. Ouvi dizer. É conveniente que a melhor pista da Ásia fique aqui.

Blore fizera o anúncio durante a venda de terras. Longstaff concordara em ser o primeiro presidente do Jóquei Clube. A taxa anual para se ser sócio foi estipulada em dez guinéus, e todo europeu na ilha entrou imediatamente. Blore foi assediado por voluntários para montar os animais que o general concordara em fornecer.

— Sabe montar, Dirk?

— Sim. Mas nunca corri a cavalo.

— Estou no mesmo caso. Mas talvez nós devêssemos praticar um pouco, hein? Você monta, Culum?

— Sim. Mas não sou um perito. Gorth deu-lhe uma palmada nas costas.

— Podemos conseguir montadas em Macau e Culum praticará um pouco. Talvez a gente possa vencer nossos pais, hein? Culum sorriu, com constrangimento.

— Sim, podemos ver isso, Gorth — disse Struan. — Bom, boa-noite. Verei você ao meio-dia, Tyler.

— Sim. Boa-noite. Dirk.Struan partiu. Durante o jantar, Culum tentou amenizar o antagonismo que existia entre Gorth e Brock. Achou estranho que gostasse de ambos, pudesse entender os dois — porque Gorth queria ser Tai-Pan, e Brock não passaria o controle, por algum tempo. E, estranho, porque ele se sentia mais sensato com relação a isso do que Gorth. Não é tão estranho, realmente, pensou. Gorth não tinha sido deixado de repente sozinho por sete longos dias, com toda a responsabilidade. No dia em que eu me casar com Tess, vou jogar fora as vinte moedas de Brock. Não é direito guardá-las, agora. Aconteça o que acontecer, vamos começar da estaca zero. Só três meses. Ah, meu Deus, obrigado.

Depois do jantar, Culum e Tess foram para o convés sozinhos. Ambos estavam sem fôlego sob as estrelas, segurando as mãos um do outro e sentindo uma dor. Culum roçoulhe os lábios, numa primeira tentativa de beijo, e Tess se lembrou da aspereza do beijo de Nagrek e do fogo que suas mãos lhe despertaram e a dor por ele causada — não uma dor, realmente, mas uma agonia-prazer cuja lembrança sempre a fazia arder outra vez. Ela estava satisfeita de logo poder apagar o fogo que havia dentro dela. Só três meses e, depois, a paz.

Eles voltaram para a fétida cabina abaixo, e depois que Culum partiu ela ficou deitada em seu beliche. Seu anseio lhe doía e ela chorou. Porque sabia que Nagrek a tocara de uma maneira como só Culum deveria tê-la tocado, e sabendo que este fato deveria ser mantido secreto para ele, por toda a eternidade. Mas como? Ah, meu amor, meu amor.

***

— Eu lhe digo, papai, foi um erro — dizia Gorth, na cabina grande, mantendo a voz baixa. — Um erro terrível!

Brock bateu o canecão sobre a mesa e a cerveja se espalhou, chegando a cair no chão.

— Foi minha decisão, Gorth, e o assunto está encerrado. O casamento deles será em setembro.

— E foi outro erro não fazer lances para o morro. Aquele demônio nos passou para trás outra vez, por Deus.

— Use seu cérebro, Gorth — sibilou Brock. — Se tivéssemos feito isso, então o jovem Culum saberia com certeza que Tess andava contando a mim, inocentemente, coisas que não deveria contar. O morro não tem importância. Talvez chegue uma ocasião em que ela diga algo importante, que vá destruir Dirk, e é isso que eu quero saber, nada além disso. Brock desprezou a si mesmo por ouvir a conversa de Tess, por usá-la, sem ela saber, para espionar Culum e como um instrumento contra Dirk Struan. Mas detestou Gorth mais do que nunca, e confiou nele ainda menos. Porque sabia que Gorth tinha razão. Mas desejava a felicidade de Tess acima de qualquer outra coisa e saber disso fazia com que ele se tornasse perigoso. Agora o descendente do maldito Struan ia unir-se a sua adorada Tess.

— Juro por Cristo que matarei Culum, se ele lhe arrancar um fio de cabelo — disse, com voz terrível.

— Então, por que deixar que Culum se case com ela tão depressa, por tudo que é sagrado? Claro que ele vai magoá-la, e vai usá-la contra nós, agora.

— E o que fez você mudar de idéia, hein? — exclamou Brock. — Você era a favor, entusiasticamente, do casamento.

— Ainda sou, mas não dentro de três meses, por Deus! Isto vai arruinar tudo.

— Por quê?

— Claro que vai arruinar tudo — ele disse. — Quando eu era a favor, Robb estava vivo, hein? E o Tai-Pan ia partir este verão para sempre e passar seu cargo de Tai-Pan para Robb... e depois para Culum, em um ano. É verdade. Se eles se casassem no próximo ano, seria perfeito. Mas agora o Tai-Pan vai ficar. E agora você concorda que eles se casem em três meses, e o Tai-Pan vai tirá-la de você e vai exercitar Culum contra nós, e agora eu acho que ele nunca irá embora. Com certeza jamais, enquanto você for Tai-Pan de Brock e Filhos!

— Ele nunca iria sair da Ásia, dissesse o que dissesse a Culum. Ou a Robb. Eu conheço Dirk.

— E eu conheço você!

— Quando ele partir, ou morrer, então eu estarei partindo.

— Então, é melhor que ele morra logo.

— É melhor você se munir de paciência.

— Sou paciente, papai.

Estava na ponta da língua de Gorth contar a Brock a vingança que ele planejara para Struan — através de Culum — em Macau. Mas não contou. Seu pai estava mais preocupado com a felicidade de Tess do que em se tornar Tai-Pan da Casa Nobre. Seu pai não tinha mais a necessária inflexibilidade devoradora que Struan possuía numa medida capaz de lhe possibilitar ser o Tai-Pan.

— Lembre-se, papai, ele enganou você com a prata, com a casa dos dois, o casamento, e até no baile. Tess é a sua fraqueza — ele vociferou. — Ele sabia disso e você está agindo com ela como se ela fosse o guia para o seu carrasco, e marcha para um desastre!

— Não é verdade! Não é verdade! Sei o que estou fazendo — disse Brock, tentando manter a voz baixa, com as veias de suas têmporas grossas como os nós de um chicote. — E eu avisei você antes. Não vá atrás daquele demônio. Ele vai lhe cortar os colhões e se alimentar com eles. Eu conheço aquele demônio!

— É, conhece mesmo, papai! — Gorth farejava a idade de seu pai e sabia que, na verdade, pela primeira vez poderia esmagá-lo, de homem para homem. — Então saia do caminho e deixe um homem cumprir sua tarefa de homem, por Deus!

Brock ficou em pé de um pulo e a cadeira caiu. Gorth também ficou em pé, esperando que o pai pegasse sua faca, sabendo que agora, e para sempre, já podia esperar, porque sabia a medida do outro.

Brock viu claramente que aquela era sua última chance de dominar Gorth. Se não pegasse a faca, estava perdido. Se pegasse a faca, teria de matar Gorth. Sabia que poderia — mas só com esperteza, não mais apenas usando a força. Gorth é seu filho, seu filho mais velho. Não é um inimigo, ele disse a si mesmo.

— Não é direito — ele disse, sufocando seu desejo de matar.

— Não é direito para você, nem para você e nem para mim, agir assim. Não, por Deus! Eu lhe digo pela última vez vá, vá atrás dele e encontrará seu Criador. Gorth sentiu a emoção da vitória.

— Só com pagode nós vamos sair dessa confusão. — Deu um chute em sua cadeira, tirando-a do caminho. — Vou para terra.

Brock ficou sozinho. Terminou o canecão, mais outro e ainda outro. Liza abriu a porta, mas ele não a notou e ela o deixou bebendo, foi para a cama e rezou pela felicidade do casamento. E pelo seu homem.