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Voltou a se instalar em sua cadeira e deixou essas facetas de si mesmo discutirem uma com a outra. E ficou a escutá-las.

CAPÍTULO TRINTA E QUATRO

Struan subiu as escadas de mármore da residência da companhia, fatigado mas, estranhamente, em paz. Fiz tudo que podia, pensou.

Antes de tocar na porta, esta foi amplamente aberta, com um floreio. Lo Chum, o mordomo dos funcionários da Casa Nobre de Macau, exibiu-lhe um sorriso desdentado. Era um velho baixinho, com um rosto que parecia de marfim antigo e um sorriso de duende, e estava a serviço de Struan desde que este pudera pagar a um criado. Usava uma limpa bata branca, calças negras e sandálias de corda.

Hallo-ah, Tai-Pan. O banho está pronto, o desjejum está pronto, as roupas estão prontas, tudo que o Tai-Pan quiser. Não se preocupe.

— Olá, Lo Chum. — Struan nunca deixava de se maravilhar diante da rapidez com que circulavam as notícias. Sabia que, se tivesse, logo ao desembarcar, corrido pelo desembarcadouro diretamente para a mansão, a porta teria sido aberta rapidamente, do mesmo jeito, e Lo Chum ali estaria, como estava agora.

— Quero banho e roupas — disse Struan.

Compradore Chen Sheng foi embora. Diz que volta às nove horas, pode?

— Pode — respondeu Struan, cansado.

Lo Chum fechou a porta e disparou na frente de Struan, subiu a escadaria de mármore e abriu a porta do quarto de dormir do patrão. A grande banheira de assento, de ferro, estava cheia de água fumegante, como sempre, um copo de leite se encontrava sobre uma mesinha, como sempre, seus aparelhos de barbear se achavam separados a um canto, a camisa e as roupas limpas sobre a cama — como sempre. É bom estar em casa, pensou Struan.— Tai-Pan quer moça no banho, hein? — uma risada, como um relincho.

Ayeee yah, Lo Chum. Sempre disse que moça no banho traz muitos problemas. Acorde o Senhor Culum... diga para vir aqui. — Struan falou, tirando as roupas sujas.

— Senhor Culum não dormiu.

— Onde o Senhor Culum foi? — perguntou Struan. Lo Chum pegou as roupas e deu de ombros.

— Passou a noite toda fora, senhor.

Struan franziu a testa.

— A mesma coisa toda noite, hein?

Lo Chum abanou a cabeça.

— Não, senhor. Uma, duas noites dormiu aqui. — Saiu, afobado.

Struan mergulhou no banho, perturbado pelo relato das ausências de Culum. Espero em Deus que Culum tenha suficiente bom senso para não ir a Chinatown.

***

Pontualmente, às nove horas, uma rica liteira parou diante da mansão. Chen Sheng, compradore da Casa Nobre, fez uma pesada curvatura. Seu traje era escarlate e o chapéu cravejado de jóias, e ele tinha muita consciência de sua majestade.

Subiu os degraus e a porta foi aberta por Lo Chum. pessoalmente — como sempre. Isto dava a Chen Sheng grande prestígio, pois Lo Chum só abria a porta pessoalmente para o Tai-Pan e para ele.

— Ele está à minha espera? — perguntou, em dialeto cantonês.

— Claro, Excelência. Sinto muito ter marcado seu encontro para tão cedo, mas achei que iria desejar ser o primeiro.

— Ouvi dizer que ele partiu de Hong Kong com uma pressa frenética. Sabe qual é o problema?

— Ele foi diretamente ao Tai-Pan dos saias-compridas e...

— Sei disso — disse Chen Sheng, com petulância. Não podia adivinhar por que Struan correra ao mosteiro. — Realmente, não sei por que sou tão paciente com você, Lo Chum, ou por que continuo a lhe pagar uma soma mensal, a fim de me manter informado, nesses tempos difíceis. Eu já sabia que o navio estava no porto, antes de você mandar me avisar. É uma desagradável falta de interesse por meus assuntos.

— Realmente, sinto muito, Excelência — disse Lo Chum. — Claro, o Tai-Pan trouxe sua concubina, no navio.

— Ah! — Ótimo, pensou. Estou satisfeito de devolver as crianças e me livrar dessa responsabilidade. — Isso é um pouco melhor, embora eu fosse receber esta informação, por parte de outras pessoas, em menos de uma hora. Que outras maravilhosas informações tem você para merecer um pagamento tão alto. todos esses anos?

Lo Chum mostrou o branco dos olhos.

— Que sabedoria poderia ter eu, um miserável escravo, diante de um mandarim como o senhor? — falou muito tristemente. — Atravessamos tempos difíceis, Excelência. Minhas esposas me aborrecem, pedindo dinheiro, e meus filhos gastam taéis no jogo, como se a prata crescesse como arroz. É terrível. Só tendo conhecimentos prévios de grande importância a pessoa pode defender-se contra o destino. É terrível pensar que tais conhecimentos podem cair nos ouvidos errados.

Chen Sheng brincava com o rabicho, imediatamente cônscio de que Lo Chum tinha uma informação muito especial.

— Concordo. Em tempos difíceis como esses, é muito importante... os deuses assim decretaram... assistir os pobres — disse ele, com gravidade. — Eu estava pensando em lhe enviar um presente sem valor, em nome de seus ilustres ancestrais: três porcos assados, catorze galinhas poedeiras, duas peças de xantungue de seda, uma pérola no valor de dez taéis da mais pura prata, uma bela fivela de cinto de jade do início da dinastia Ch’ing, no valor de cinqüenta taéis e alguns doces e pastéis sem importância completamente inadequados para seu paladar, talvez você prefira dá-los aos seus criados.

— Uma dádiva de tal magnificência eu dificilmente poderia aceitar — disse Lo Chum, com grande deferência. — Isto me colocaria como seu devedor para sempre.

— Se recusar, então só posso supor que é uma oferta inadequada para seus ilustres ancestrais e perderei prestígio.

Finalmente, Lo Chum permitiu-se ser persuadido a aceitar, e Chen Sheng se permitiu ser persuadido de que o presente era principesco.

— Ouvi dizer que o Tai-Pan procura algo — sussurrou Lo Chum — porque sua concubina está muito doente. Doente com a febre venenosa de Hong Kong. — O quê? — Chen Sheng ficou horrorizado com a notícia, mas satisfeito porque o montante do presente fora bem gasto. — Por favor, continue.

Lo Chum lhe contou a respeito do médico e do estranho remédio — e tudo que Ah Sam sussurrara aquela manhã a um proprietário de sampana que Lo Chum enviara até ela.

— Há também boatos de que o Tai-Pan ofereceu vinte mil taéis como recompensa. O filho dele, filho ilustre de sua terceira esposa e seu filho de criação, iniciou uma busca frenética da droga em Hong Kong.

A mente de Chen Sheng mergulhou nas implicações. Fez sinal a Lo Chum e foi conduzido até o gabinete de Struan.

Hallo-ah, Tai-Pan — ele disse, expressivamente. — É bom vê-!o em Macau. -. Hallo-ah, Chen Sheng — disse Struan. Fez sinal em direção a uma cadeira. — Sente-se.

— O navio Blue Cloud chegou primeiro à Inglaterra?

— Não sei. Digo-lhe depressa, quando souber. Chen Sheng queria me ver?

Chen Sheng estava preocupado, Ele, o líder das Tríades de Macau, recebera de Jin-qua a responsabilidade pessoal da segurança de Tchung May-may e das suas crianças. Só ele, entre todos os associados de Jin-qua, sabia que ela era neta de Jin-qua e que, como concubina do Tai-Pan, seu valor para eles, pessoalmente, era enorme, e seu valor para a futura causa da Tríade — que era a causa da China — inestimável. A notícia de que a frota voltaria imediatamente a Cantão, em vez de ir direto a Pequim, poupara-lhes quase quatro milhões de taéis — cem vezes o custo da educação de May-may. Abençoara seu pagode por May-may existir; sem ela, teria tido de encontrar ele próprio um montante substancial daquele resgate.