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E, agora, a estúpida e inútil mulher tivera o mau pagode de pegar uma doença incurável. Pelo menos, emendou depressa, incurável a menos que nos seja possível encontrar a droga. E se pudermos, ela melhorará, e nosso investimento nela — e no Tai-Pan será garantido e haverá vinte mil taéis de recompensa. Então, outro fragmento de informação se encaixou no lugar e ele pensou, então isto explica por que Gordon Chen mandou chamar a Macau ontem, secretamente, quarenta membros da Tríade, da sede Hong Kong. Deve haver um pouco da droga aqui. Ficou imaginando o que Gordon Chen diria se lhe contasse que seu “Professor” secreto lhe fora enviado por ordens de Jin-qua — que Jin-qua era o líder da Tríade de toda Kwangtung e que ele, Chen Sheng, era o vice de Jin-qua. Ah, disse a si próprio, é muito aconselhável manter em segredo muitas coisas; nunca se sabe quando alguém vai escorregar.

— Crianças de Tai-Pan lá em casa muito bem, muito felizes — Disse, jovialmente.

— Quer ver eles, hein? Levar de volta a Hong Kong?

— Vejo hoje. Levo de volta logo. Digo quando. — Struan ficara imaginando se deveria contar a Chen Sheng a respeito de May-may.

— Tai-Pan. Suas crianças muito boas. — Começou Chen Sheng. — Acho que é melhor levar crianças para mamãe. Fazer feliz mamãe. Médico importante aqui diz que pode. Não tem problemas. Acho que tem remédio aqui em Macau. Chen Sheng dá um jeito.

— Como sabia que ela está aqui, e com malária?

— O quê? Não entendo.

— Como sabia que minha mulher tem doença grave?

Chen Sheng deu uma risadinha para si próprio e encolheu os ombros.

— Sabia de qualquer jeito, não se preocupe.

— Tem remédio aqui? Verdade?

— Se tiver aqui, consigo. Mando junco depressa para o China Cloud, Traga mulher para terra. Chen Sheng ajeita.

Ele fez uma curvatura cortês e saiu.

Struan foi para bordo do China Cloud e deu à tripulação licenças para desembarcar por turnos. Logo o junco de Chen Sheng se aproximou. May-may foi cuidadosamente levada para terra, aos cuidados de um médico chinês, e carregada para sua casa, encravada no morro de Santo Antônio.

A casa estava limpa e os criados se encontravam de prontidão, havendo chá preparado. Ah Sam deu uma volta, solicitamente, e abraçou as crianças que esperavam na casa, com sua ama, ajeitou May-may na grande cama e levou os filhos até ela. Houve lágrimas de felicidade, novas corridas de um lado para outro, gritos, e Ah Sam e May-may ficaram satisfeitas por estarem em casa, afinal.

O médico trouxera alimentos e remédios especiais para fortalecer May-may e manter a força da criança em seu útero, e lhe ordenara para ficar na cama.

— Voltarei logo — disse Struan.

— Ótimo. Obrigada, Tai-Pan, obrigada.

— Vou para a sede e, depois, talvez para a casa de Brock.

— Ele estão em Macau?

— Sim. Todos, com exceção de Tyler. Pensei que lhe havia dito. Não se lembra? Culum e Tess estão aqui também.

— Ah, sim — ela respondeu. Lembrou-se do que fora combinado com Gordon Chen. — Sinto muito. Eu tinha esquecido. Minha cabeça está como uma peneira. Claro que me lembro, agora. Estou muito feliz de ter saído do navio e de me encontrar em casa. Obrigada.

Ele voltou para a sede da companhia. Culum não voltara, então caminhou pela praia, até à casa de Brock. Mas nem Tess e nem Liza sabiam onde se encontrava Culum. Gorth disse que os dois haviam jogado na noite da véspera, no English Club, mas ele, Gorth, saíra cedo.

— Vou levá-lo até à porta — disse Gorth. Quando estavam sozinhos, junto à porta, sorriu sardonicamente, exultando na doçura da vingança. — Sabe como é... eu estava visitando uma senhora. Talvez ele estivesse fazendo a mesma coisa. Não há perigo nenhum nisso, não é? Ele estava ganhando no jogo quando eu o deixei, se é isto que o está preocupando.

— Não, Gorth, não estou preocupado com isso. Sabe que há boas leis britânicas relativas a assassinato... um julgamento rápido e uma rápida forca, seja quem for a vítima. Até mesmo uma prostituta.

Gorth empalideceu.

— O que quer dizer com isso?

— Se alguém se tornar merecedor da forca, eu serei alegremente o carrasco.

— Está me ameaçando? Há leis contra isso também, por Deus!

— Se houver morte... então haverá acusação de homicídio, por Deus!

— Não sei o que quer dizer! — explodiu Gorth. — Está me acusando falsamente!

— Não estou acusando você de nada, Gorth. Só lembrando você de fatos. Sim. Ouvi dizer que há duas possíveis testemunhas para uma possível morte... que estariam preparadas para falar no tribunal.

Gorth controlou seu pânico. Foi aquela maldita cadela Fortheringill, e também o patife do Quance. Ela foi paga o suficiente para manter o bico calado. Bom, vou cuidar dos dois imediatamente, se for necessário, mas não será, porque a cadela não vai morrer, de qualquer jeito.

— Não tenho medo de falsas acusações como as suas.

— Não estou acusando você, Gorth — disse Struan.

Ficou fortemente tentado a provocar agora a inevitável luta. Mas sabia que teria de esperar que Gorth cometesse seu primeiro erro, insultá-lo imperdoavelmente em público. Só assim poderia, aberta e livremente, mandar ajudantes com um desafio formal e matá-lo diante de uma platéia. Só dessa maneira poderia impedir a ruptura do casamento de Culum e Tess e evitar dar a Brock um meio de destruí-lo nos tribunais de justiça. Porque May-may estava certa — todos na Ásia sabiam que ele estava louco para matar Gorth.

— Se encontrar Culum, por favor diga-lhe que estou procurando por ele.

— Dê os seus próprios recados! Não sou seu lacaio. Você não será por muito tempo mais o Tai-Pan da Casa Nobre, por Deus.

— Cuidado — disse Struan. — Não tenho medo de você.

Gorth engoliu a isca.

— Nem eu, Dirk. Eu lhe digo de homem para homem tenha cuidado, ou vou atrás de você. Struan caminhou de volta para a sede da companhia, encantado consigo mesmo. Você está fisgado, Gorth.

Culum ainda não voltara. E não havia notícia alguma do bispo. Struan disse a Lo Chum para tentar encontrar Culum. E foi para a praia, subiu o morro em direção à catedral, em seguida entrou em ruas menos transitadas, passando por graciosos restaurantes na calçada e sombrinhas coloridas. Cruzou uma extensa praça e atravessou um grande pórtico.

A freira, à escrivaninha, ergueu os olhos.

— Bom-dia. Fala inglês? — perguntou Struan.

— Um pouco, senhor.

— Tem uma paciente. Srta. Mary Sinclair. Sou amigo dela.

Uma longa pausa.

— Quer vê-la?

— Por favor.

Ela fez sinal para uma freira chinesa e lhe falou rapidamente, em português. Struan seguiu a freira chinesa por um corredor e subiu algumas escadas que davam no quarto de Mary.

Era pequeno, sujo e rançoso, e tinha as janelas totalmente cerradas. Um crucifixo pendia sobre a cama. O rosto de Mary estava abatido, seu sorriso era fraco. E o sofrimento a envelhecera.

— Olá, Tai-Pan.

— Qual é o problema, Mary? — ele perguntou brandamente.

— Nada que eu não mereça.

— Eu vou tirar você deste maldito lugar — disse Struan.

— Estou ótima, Tai-Pan. Eles são muito bons para mim.

— Sim, mas isto não é lugar para uma moça inglesa protestante.

Um monge magro e tonsurado entrou. Usava uma batina simples — suja de manchas de sangue e remédios derramados — e um crucifixo simples de madeira.

— Bom-dia — disse o monge, com um inglês cultivado e sem sotaque. — Sou Padre Sebastião. O médico desta paciente.

— Bom-dia. Acho que a tirarei de seus cuidados.

— Eu não aconselharia isso, Sr. Struan. Ela não deve ser movimentada por um mês, pelo menos.