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Culum abanou a cabeça.

— Você tem um bordel para o qual vai regularmente?

— Bom Deus, não!

— Não precisa se exaltar, rapazinho. Você esteve num bordel... isto é claro. Foi “depenado” é claro. Sua bebida foi drogada... é claro.

— Fui drogado?

— É o truque mais velho do mundo. Por isso, eu lhe disse para nunca ir a uma casa não recomendada por um homem em que você pudesse confiar. É a primeira vez que vai a uma casa em Macau?

— Sim, sim. Bom Deus, eu fui drogado?

— Agora, use sua cabeça. Pense, rapaz! Lembra-se da casa?

— Não, nada. Tudo um vazio.

— Quem escolheu a casa para você, hein?

Culum se sentou na cama.

— Estávamos bebendo e jogando e eu estava, ah... bastante bêbado. Então, ah... todos começaram a falar de... de garotas. E, ah... — ele olhou para Struan, expondo sua vergonha e seu tormento — eu estava — ah... com a bebida... eu me senti aceso por uma garota. Decidi, então, que tinha... de ir para um bordel.

— Não há perigo nisso, rapaz. Quem lhe deu o endereço?

— Acho... não sei... mas acho que todos me deram um endereço. Escreveram os endereços... ou me disseram os endereços, não consigo lembrar. Eu me lembro de ter saído do clube. Havia uma cadeira à espera e eu entrei. Espere um minuto... eu me lembro agora! Eu disse a ele para me levar ao “E & F”!

— Nunca iriam “depenar” você ali, rapaz. E nem colocar uma droga em sua bebida. E nem trazer você de volta desse jeito. Prezam mais a reputação da casa.

— Não. Tenho certeza. Foi o que eu disse ao homem. Sim. Tenho absoluta certeza!

— Por que caminho conduziram você? Pelo Chinatown?

— Não sei. Parece que me lembro... não sei.

— Você disse que se sentia “aceso”. Como assim?

— Bom, era como... Eu me lembro de me sentir muito quente e, bom... pela morte de Cristo, eu estou frenético de desejo por Tess e com a bebida e tudo... Não tenho paz, então... então eu fui para o bordel... — As palavras se arrastavam. — Ah, Deus, minha cabeça está explodindo. Por favor, deixe-me sozinho.

— Você levou protetores?

Culum abanou a cabeça.

— Aquele fogo. Aquela necessidade. Foi diferente, a noite passada?

Outra vez Culum abanou a cabeça.

— Não. Tem sido a mesma coisa há semanas, mas... bom, de certa maneira, suponho que sim... bom, não, não sei bem. Eu estava duro como ferro e meus rins ardiam como fogo e eu precisava de uma garota, e... não sei! Deixe-me sozinho! Por favor ... desculpe, mas por favor...

Struan foi até a porta.

— Lo Chum... ahhhh!

— Sim, patrão?

— Vá à casa de Chen Sheng. Traga médico da moça doente aqui, depressa! Entendido?

— Muito entendido! — Lo Chum disse, em tom rabugento. — Já tem bom dotô lá embaixo para a doença da cabeça doendo e tudo que é doença. O patrãozinho é como Tai-Pan, não se preocupe!

No andar inferior, Struan conversou com o médico, através de Lo Chum. E o médico disse que enviaria os remédios e alimentos especiais imediatamente, aceitando um pagamento generoso.

Struan voltou para o andar de cima.

— Consegue lembrar alguma outra coisa, rapaz?

— Não, nada. Desculpe. Eu não queria decepcioná-lo.

— Escute, rapaz! Vamos, Culum, é importante!

— Por favor, papai, não fale tão alto — disse Culum, abrindo os olhos desamparadamente. — O quê?

— Parece que fizeram você tomar um afrodisíaco.

— O quê?

— Sim, afrodisíaco. Há dúzias de afrodisíacos que poderiam ser colocados dentro de uma bebida.

— Impossível. Era apenas a bebida e minha necessidade... necessidade... é impossível!

— Só há duas explicações. Primeiro, que os cules levaram você para uma casa... e não foi a sede do “E & F” em Macau... onde eles conseguem mais dinheiro por um cliente rico e uma parcela do roubo. Lá, a moça ou as moças drogaram você, roubaram-no e o mandaram de volta. Para seu bem, espero que tenha sido só isso o que aconteceu. A outra possibilidade é a de que um de seus amigos tenha dado o afrodisíaco a você no clube, e combinado para que a cadeira ficasse à sua espera... e o levasse a uma determinada casa.

— Não faz sentido! Por que alguém faria isso? Por cem guinéus, um anel e um relógio? Um de meus amigos? Isso é loucura.

— Mas, vamos imaginar que alguém o odeie, Culum. Vamos dizer que o plano fosse colocar você com uma moça doente... com sífilis.

— O quê?

— Sim. Temo que tenha acontecido isso.

Culum morreu, por um instante.

— Você só está tentando me assustar.

— Por Deus, meu filho, não. Mas é uma possibilidade muito concreta. Mais provável do que a outra, porque você foi trazido de volta.

— Quem faria isso comigo?

— Essa pergunta você mesmo tem de responder, rapaz. Mas, mesmo que tenha sido o que aconteceu, nem tudo está perdido. Ainda. Mandei buscar remédios chineses. Você precisa beber tudo, sem faltar nada.

— Mas não existe cura para a sífilis!

— Sim. Quando a doença está instalada. Mas os chineses acreditam que se pode matar o veneno da sífilis, ou aquilo que a provoca, quando se toma precauções imediatas para purificar o sangue. Anos atrás, quando vim para cá pela primeira vez, a mesma coisa aconteceu comigo. Aristotle me encontrou numa sarjeta, no quarteirão chinês, mandou buscar um médico chinês e tudo acabou bem. Foi assim que o encontrei... e o motivo pelo qual é meu amigo há tanto tempo. Não posso ter certeza de que a casa ou a moça estavam contaminadas ou não, mas nunca peguei a sífilis.

— Ah, que Deus me ajude!

— Sim. Não teremos certeza por uma semana. Se, até daqui a uma semana, não houver inchação, dor ou supuração... desta vez você escapou. — Viu o terror nos olhos do filho e foi dominado pela compaixão. — Você tem uma semana do inferno em sua frente, rapazinho. Esperando para saber. Sei como é isso... procure não se torturar muito. Ajudarei no que puder. Como Aristotle me ajudou.

— Eu me matarei. Eu me matarei se... ah, Deus, como posso ter sido tão tolo? Tess! Ah, Deus, é melhor dizer...

— Você não vai fazer uma coisa dessas! Diga a ela que foi atacado por assaltantes, no caminho de casa. Nós daremos queixa como tal. Diga a mesma coisa a seus amigos. Que você acha que deve ter bebido demais... depois de estar com a moça. Que não consegue lembrar de nada, a não ser que se divertiu muito e acordou lá. E, durante a semana, comporte-se da maneira habitual.

— Mas Tess! Como é que eu posso...

— É o que você vai fazer, rapazinho! É o que vai fazer, por Deus!

— Não posso, papai, é simplesmente imp...

— De maneira alguma você contará a qualquer pessoa a respeito dos remédios chineses. Não vá a nenhum bordel até termos certeza, e não toque em Tess, até se casarem.

— Estou com tanta vergonha.

— Não precisa ter, rapaz. É difícil ser jovem. Mas, neste mundo, o homem deve ter cuidado com as costas. Há uma porção de cães loucos por aí.

— Quer dizer que foi Gorth?

— Não estou dizendo nada. Acha que foi?

— Não, claro que não. Mas é isso que você está pensando, não?

— Não esqueça, você tem de agir de maneira normal, senão perderá Tess.

— Por quê?

— Acha que Liza e Brock iriam permitir que se casasse com Tess, se descobrissem que você é tão imaturo e estúpido a ponto de ir a bordéis em Macau bêbado... e a um bordel desconhecido, encher-se de poções de amor e ser roubado? Se eu fosse Brock, diria que você não tem bom senso suficiente para ser meu genro!

— Desculpe.

— Descanse um pouco, rapaz. Voltarei mais tarde.

E, no caminho todo, até à casa de May-may, Struan ficou decidindo sobre a maneira de matar Gorth — se Culum tivesse sífilis. Da maneira mais cruel. Sim, ele pensou, friamente, eu posso ser muito cruel. Este não vai ser um assassinato simples — e nem rápido. Por Deus!