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— O que você quer, seu demônio do inferno? — gritou Struan.

Houve uma torrente gutural de frases em chinês e Fong empalideceu. Gritou algo, em resposta, com a voz tensa.

— O que ele disse?

— Ele... Wu Kwok disse para eu ir... até lá.

— Fique onde está — disse Struan. — O que quer, Kwok? — ele gritou em direção às sampanas.

— Quero você vivo! Por Quemoy, por Deus! Você e suas malditas fragatas!

Vultos saíram aos bandos das sampanas e subiram a encosta furiosos, com lanças e espadas. Struan esperou até poder ver claramente o primeiro dos piratas e então derrubouo, com um tiro. Imediatamente, mosquetes chamejaram nas mãos dos tripulantes de Struan, emboscados. Houve grito, e a primeira onda de vinte ou trinta piratas foi aniquilada.

Outra onda de bandidos, aos gritos, subiu o caminho. Novamente, os mosquetes fizeram-nos em pedaços, mas quatro conseguiram chegar ao poço. Struan derrubou um deles a faca, Fong outro, e balas de mosquete mataram os outros dois.

Houve novo silêncio.

— Maldito seja, camarada!

— Maldito seja você, Wu Kwok! — gritou Struan.

— Minhas frotas vão lutar contra o Leão e o Dragão!

— Saia do seu buraco de rato e me enfrente, e eu o matarei agora. Patife!

— Quando eu pegar você, essa vai ser sua maneira de morrer, camarada. Um membro por semana. Aquele malandro viveu cinco, seis semanas, mas você vai levar um ano para morrer, aposto. Nós nos encontraremos dentro de um ano, ou antes! — Outra vez, a risada maligna e, depois, silêncio. Struan ficou tentado a atirar em direção às sampanas, mas sabia que havia a bordo centenas de homens, mulheres e crianças.

Olhou para o saco entreaberto.

— Apanhe isso, Fong. — E gritou para seus homens, que se encontravam em torno, na escuridão: — Voltem para a lorcha, rapazes!

Cobriu Fong, e os dois se retiraram. Quando estava no meio do mar, colocou uma corrente em torno do saco, leu um serviço fúnebre e atirou-o nas profundezas. Observou-o desaparecer, num pequeno círculo de espuma do mar.

Struan teria gostado de contar a Scragger a despedida de seus filhos.

Ele os colocara aos cuidados do capitão em Whampoa, com cartas para agentes da Casa Nobre em Londres, aos quais conferiu a responsabilidade pelos meninos e seu aprendizado escolar.

— Bom, boa sorte, rapazes. Quando voltar para a Inglaterra, eu irei visitar vocês.

— Posso falar com Vossa Senhoria em particular? — o pequeno Fred perguntara, tentando não chorar.

— Sim, rapaz. Vamos. — Struan levara-o para uma cabina, e Bert, o eurasiano, ficara triste, por ser deixado só, e Wu Pak segurara-lhe a mão.

— Sim, Fred? — perguntara, quando os dois se encontravam sozinhos.

— Meu papai disse que devíamos ter um nome decente antes de partimos, Excelência.

— Sim, rapaz. Está nos documentos de vocês. Eu lhe disse, a noite passada. Não se lembra?

— Desculpe, Excelência. Eu esqueci. Será que podia dizer de novo, por favor?

— Você é Frederick MacStruan — ele dissera, pois gostara do menino e o nome do clã era um bom nome. — E Bert é Bert Chen.

— Ah — dissera o menino. — Sim, agora eu me lembro. Mas, por que temos nomes diferentes? Eu e meu mano?

— Bom — dissera Struan, esfregando a mão na cabeça do menino, a lembrar, com dor pungente, a perda de seus próprios filhos — vocês têm mães diferentes, não é? O motivo é este.

— Sim. Mas somos irmãos, Excelência — dissera Fred, com os olhos enchendo-se de lágrimas. — Desculpe, mas não podemos ter o mesmo nome? Chen é um bom nome, e bonito. Frederick Chen está ótimo, Tai-Pan.

Então Struan mudara os documentos e o capitão testemunhara sua assinatura.

— Veja, rapazes, agora vocês são ambos MacStruan. Albert e Frederick MacStruan. Então os dois choraram, muito felizes, e o abraçaram.

***

Struan foi para baixo e tentou dormir. Mas não conseguia. O fim de Scragger atormentava-o. Sabia que era uma tortura favorita de Wu Fang Choi, o pai de Wu Kwok e avô do pequeno Wu Pak. A vítima a ser desmembrada tinha três dias para escolher qual o membro que seria cortado primeiro. E, na terceira noite, um amigo do homem era mandado secretamente até ele, a fim de sussurrar-lhe que ia receber ajuda. Então o homem escolhia o membro que achava ser menos necessário, até a ajuda chegar. Depois que o alcatrão selara o toco, o homem era forçado a escolher ainda outro membro e, mais uma vez, havia a promessa de uma ajuda iminente, que jamais chegaria. Só os muito fortes sobreviviam a duas amputações.

Struan saiu do beliche e foi para o convés. As nuvens se achavam inchadas e mais espessas: o brilho do luar desaparecera. A maré estava cheia, mas não apresentava perigo.

— Chuva, amanhã, Sr. Struan — disse Cudahy.

— Sim — respondeu. Espiou em direção a leste, para onde soprava o vento. Sentia o mar a observá-lo.

***

— Suprema Senhora — disse Ah Sam, tocando em May-may para acordá-la. — O escaler do Papai se aproxima.

— Lim Din preparou o seu banho?

— Sim, Mamãe. Ele subiu para dar as boas vindas ao Papai.

— Você pode voltar para a cama, Ah Sam.

— Devo acordar a Segunda Mãe? — Yin-hsi estava encolhida numa cama, a uma canto da cabina.

— Não. Volte para a cama. Mas primeiro dê-me a minha escova e o pente e veja se Lim Din preparou o desjejum, para o caso de Papai querer comer.

May-may ficou deitada um momento, lembrando-se do que Gordon Chen lhe dissera. Aquele assassino sujo! Imagine acusar meu filho de estar ligado a uma sociedade secreta! Ele foi mais do que suficientemente pago para ficar com a bom fechada e morrer em silêncio. Que loucura!

Saiu da cama, cautelosamente. Nos primeiros segundos, suas pernas estavam fracas e trêmulas. Depois, parou de sentir fraqueza e ficou em pé, ereta.— Ah — disse alto — agora estou melhor. — Caminhou para o espelho e se examinou, criticamente. — Você está velha — disse, para seu reflexo.

— Não está, não. E não devia sair da cama — disse Yin-hsi, sentando-se em seu leito. — Deixe-me escovar seu cabelo. Papai voltou? Fico tão satisfeita de ver como está melhor. Seu aspecto é realmente ótimo.

— Obrigada, Irmã. O barco dele se aproxima. — May-may deixou Yin-hsi escovar e entrançar seu cabelo. — Obrigada, querida.

Perfumou-se e voltou para a cama, sentindo-se reanimada. A porta se abriu e Struan entrou, na ponta dos pés.

— O que você está fazendo acordada? — perguntou.

— Queria ver você voltar a salvo. Seu banho está pronto. E o desjejum. Estou muito feliz por você voltar são e salvo!

— Acho que vou descansar, por algumas horas. Volte a dormir, garota, e tomaremos o desjejum quando eu acordar. Disse a Lim Din para me deixar dormir, a não ser que aconteça alguma coisa urgente. Ele a beijou rapidamente, um pouquinho embaraçado com a presença de Yin-hsi.

May-may notou isso e sorriu para si mesma. Como os bárbaros eram engraçados! Struan fez vagamente um aceno de cabeça para Yin-hsi e saiu do quarto.

— Ouça, querida Irmã — disse May-may, quando teve certeza de que Struan já não podia ouvir. — Tome um banho com água perfumada e, quando Papai estiver profundamente adormecido, vá para sua cama e durma com ele.

— Mas, Suprema Senhora, tenho certeza de que Papai não indicou, de maneira nenhuma, que queria minha presença. Eu estava observando, com muito cuidado. Se eu for sem ser convidada, ele... ele pode ficar muito zangado e me mandar embora, e então eu perderia muito prestígio diante da senhora e diante dele.

— Você precisa entender que os bárbaros são muito diferentes de nós, Yin-hsi. Não têm a mesma idéia de prestígio que nós. Agora, faça o que eu digo. Ele vai tomar banho e irá para a cama. Espere uma hora. Depois, vá para junto dele. Se ele acordar e lhe ordenar que saia, tenha paciência e diga — ela mudou para inglês: — A Suprema Senhora mandou que eu viesse.