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— Então, por que diabo enfiar um mosquete em minha barriga?

— Só queria lhe dar uma boa acolhida. — Brock tomou uns goles de rum. — Só queria que você soubesse que estávamos acordados.

— Alguém sabe por que os criados foram embora?

— Não. — Brock se aproximou do portão. Os bandeireiros se preparavam para voltar a dormir. Um nervoso amanhecer hesitava no horizonte. — O negócio parece muito ruim — disse ele, com o rosto sombrio. — Não gosto disso aqui nem um pouquinho. Esses filhos da mãe não fazem nada, mas ficam ali sentados e, de vez em quando, batem seus tambores. Acho melhor nos retirarmos, enquanto ainda podemos.

— Estamos seguros por uns poucos dias. Brock abanou a cabeça.

— Tenho um mau pressentimento. Alguma coisa está completamente errada. Melhor a gente ir embora.

— É uma manobra, Brock. — Struan arrancou um pedaço da camisa e enxugou com ele o suor do rosto.

— Talvez. Mas tenho esse pressentimento e, quando eu tenho um pressentimento assim, é melhor dar o fora. — Brock apontou com o polegar os bandeireiros. — Nós os contamos. Cento e cinqüenta. How-qua disse que deve ter mais uns mil, espalhados em torno da Colônia.

— Eu vi talvez duzentos ou trezentos. A leste.

— Onde você esteve?

— Fora. — Struan teve a tentação de contar a ele. Mas isso não vai ajudar, pensou. Brock fará tudo a seu alcance para impedir as barras de chegarem em segurança. E, sem as barras, você está mais morto do que nunca. — Tem uma garota ali do outro lado — ele disse em tom petulante.

— Maldita seja uma garota! Não pensei que você fosse tão estúpido a ponto de sair por causa de alguma putinha. — Brock puxou a barba, mal-humorado. — Pode me substituir, dentro de uma hora?

— Sim.

— Ao meio-dia, vamos embora.

— Não.

— Ao meio-dia, estou dizendo.

— Não.

Brock franziu a testa.

— O que está segurando você aqui?

— Se sairmos antes de haver algum problema concreto, perdemos muito prestígio.

— Sim, eu sei. Não me agrada fugir. Mas alguma coisa me diz que é melhor.

— Vamos esperar alguns dias.

Brock estava cheio de suspeitas.

— Você sabe que eu nunca me enganei a respeito da hora de fugir. Por que quer ficar?

— É apenas mais um dos velhos truques de Ti-sen. Desta vez, você está errado. Venho substituir você dentro de uma hora — disse Struan, e foi para dentro.

Ora, em que Dirk estará metido? Brock ficou matutando. Ele pigarreou alto, odiando o fedor de perigo que parecia vir da noite agonizante.

***

Struan subiu a escadaria de mármore até seus aposentos. As paredes estavam cheias de pinturas de Quance e rolos de seda chineses. Nos patamares, havia gigantescos dragões Ming em teca e arcas de teca. Os corredores que começavam no primeiro patamar tinham pinturas de navios e batalhas navais e, sobre um pedestal, estava um modelo bem proporcionado do H.M.S. Victory. Struan encontrou trancada a sua porta.

— Abram a porta — disse ele, e esperou. Ah Gip conduziu-o para dentro.

— Onde diabo esteve você, May-may? — disse ele, tentando não demonstrar seu alívio.

Ela estava em pé, nas sombras próximas à janela. Falou com Ah Gip e depois fezlhe sinal para sair. Struan aferrolhou a porta.

— Onde diabo estava você?

Ela se movimentou para a luz da lanterna e ele ficou chocado com a sua palidez.

— O que há de errado?

— Há muitos boatos, Tai-Pan. Dizem que todos os bárbaros vão ser mortos a espada.

— Não há nenhuma novidade nisso. Onde você esteve?

— Os bandeireiros são uma novidade. Há rumores de que Ti-sen caiu em desgraça. De que ele foi condenado à morte.

— Isso é tolice. Ele é primo do imperador e o segundo homem mais rico da China.

— Dizem os boatos que o imperador ficou tão aborrecido, porque Ti-sen fez um tratado, que Ti-sen vai ser torturado publicamente.

— Isso é loucura. — Struan ficou em pé junto ao fogo e tirou o casaco e a camisa.

— Onde você esteve?

— O que aconteceu com você? — ela exclamou, vendo o corte.

— Fui atacado por salteadores de estrada.

— Você se encontrou com Jin-qua?

Struan ficou pasmo.

— Como sabe a respeito de Jin-qua?

— Fui prosternar-me, e apresentar meus respeitos, diante de sua Suprema Senhora. Ela me disse que ele acabara de voltar e mandara chamar você.

Struan esquecera que May-may conhecia a primeira mulher de Jin-qua, mas ficou tão furioso que tirou isso da cabeça.

— Por que diabo você não me disse para onde ia?

— Porque você teria proibido — retrucou May-may. — Eu queria encontrar com ela. Também tinha de fazer meu cabelo e consultar o astrólogo.

— O quê?

— Há uma cabeleireira ótima, à qual vão as mulheres de Jin-qua. Ela é maravilhosa para fazer o cabelo. Essa mulher é famosa em toda Kwangtung. Muito cara. Já o astrólogo disse que o pagode era bom. Muito bom. Mas para ter cuidado com a construção das casas.

— Você arrisca a vida para falar com adivinhos e tratar do cabelo? — ele bradou.

— Que diabo há com seu cabelo? Está ótimo, como sempre!

— Você não entende dessas coisas, Tai-Pan — ela disse, com frieza. — Foi lá que ouvi os rumores. No cabeleireiro. — Ela pegou na mão dele, e o fez tocar em seu cabelo.

— Veja. Está muito mais macio, não?

— Não! Não está! Deus do céu, se você tornar a sair sem primeiro me dizer para onde vai, eu lhe dou uma surra tão forte que você vai ficar sem poder se sentar por uma semana.

— Ah, experimente só, Tai-Pan — disse ela, e devolveu o olhar que ele lhe lançava.

Ele a agarrou depressa e a carregou, lutando, para a cama, arrancou-lhe o vestido e a anágua e lhe deu uma palmada nas nádegas que lhe fez doer a mão, atirando May-may, em seguida, na cama. Ele jamais lhe batera antes. May-may pulou da cama e investiu contra ele, arranhando-lhe perversamente o rosto, com suas longas unhas. Uma lanterna caiu no chão, quebrando-se, quando Struan a ergueu outra vez e recomeçou seu espancamento. Ela lutou para se libertar de seu braços e suas unhas projetaram-se em direção aos olhos dele, errando o alvo por uma fração de polegada e cortando-lhe o rosto. Ele prendeu-lhe os pulsos, virou-a de costas, rasgou-lhe o vestido e a roupa interna, e bateu em suas nádegas nuas com a palma da mão. Ela lutou ferozmente, dando-lhe uma cotovelada na virilha e arranhando outra vez o rosto dele. Reunindo todas as suas forças, ele a prendeu na cama, mas ela livrou a cabeça e afundou os dentes em seu braço. Ele arquejou de dor e lhe bateu nas nádegas outra vez, com a palma da mão livre. Ela mordeu com mais força.

— Por Deus, nunca mais me morda outra vez — disse ele, através dos dentes cerrados.

Os dentes dela afundaram mais, porém ele, deliberadamente, não retirou o braço. A dor fazia seus olhos lacrimejarem, mas ele batia em May-may cada vez com mais força, sempre nas nádegas, até sua mão doer. Finalmente, ela abriu os dentes.

— Pare... não bata mais... por favor, por favor — ela soluçou e abriu em prantos, com o rosto enfiado no travesseiro, indefesa. Struan recuperou o fôlego.

— Agora, peça desculpas por ter saído sem permissão.

As nádegas dela, sarapintadas e avermelhadas, endureceram-se, e ela se retraiu como quem se protege da esperada pancada, mas ele não levantara a mão. Sabia que o temperamento de um puro-sangue deve ser apenas domado, nunca quebrado.

— Eu lhe dou três segundos.

— Desculpe... desculpe. Você está me magoando... você está me magoando — ela soluçou.

Ele saiu da cama e, segurando o braço sob a luz, examinou a ferida. Os dentes de May-may tinham penetrado profundamente, e o sangue escorria.