Выбрать главу

Agora, o futuro está garantido, exultou Robb, interiormente. Agora, haverá o suficiente até para os gastos extravagantes de Sarah. Agora, eu posso ir para casa imediatamente. Talvez Dirk mude de idéia e nunca parta, nunca vá para nosso país, esqueça o Parlamento. Não haverá mais preocupações. Posso comprar um castelo e viver como um proprietário de terras, em paz. As crianças se casarão e viverão bem e haverá o suficiente para os filhos de seus filhos. Roddy pode terminar a universidade, ingressar no setor bancário e jamais se preocupará com o Oriente.

— Deus o abençoe, Dirk! Culum também ficou extasiado. Sua mente gritava. Isto não é prata, é poder. Poder para comprar armas ou para comprar votos, a fim de dominar o Parlamento. Aqui está a resposta para a Carta e para os cartistas. Como Tai-Pan, posso usar o poder de toda essa riqueza — e mais — com finalidades positivas. Agradeço-lhe, ó Senhor, ele rezava ardorosamente, por nos ajudar em nosso momento de necessidade.

Culum via o pai de maneira muito diferente, agora. Nas últimas semanas, pensara muito a respeito do que seu pai dissera a respeito da riqueza, do poder, e de seus usos. Ficando próximo de Glessing e à beira do poder de Longstaff, e sentindo os sorrisos escondidos e o divertimento evidente com a morte da Casa Nobre, ele percebera que um homem sozinho, sem nascimento nobre e nem poder, estava indefeso.

Struan podia sentir a avareza de Robb e de Culum. Sim, ele disse a si próprio. Mas sejam honestos. Isto é o que a prata causaria a qualquer pessoa. Examine a si próprio. Você matou oito, dez homens para protegê-la. Sim, e mataria mais cem. Veja lá o que ela está forçando você a fazer com seu filho e seu irmão.

— Existe uma coisa que quero deixar bem clara a vocês dois — disse ele. — Esta prata foi emprestada a mim. Dei a minha palavra, como garantia. Sou responsável por ela perante Jin-qua. Eu sou. Não a Casa Nobre.

— Não compreendo, Dirk — disse Robb.

— O que disse, papai? Struan pegou uma Bíblia.

— Primeiro, jurem sobre o Livro Sagrado que minhas palavras serão um segredo entre nós três.

— Será necessário jurar? — perguntou Robb. — Claro que eu jamais contarei a ninguém.

— Você vai jurar, Robb?

— Claro.Ele e Culum juraram segredo. Struan colocou a Bíblia sobre a prata.

— Estas barras serão usadas para salvar a Casa Nobre apenas com a condição de que, quando algum de vocês se tornar Tai-Pan, se isto acontecer, concordará, em primeiro lugar, em comprometer a companhia totalmente no apoio ao comércio com Hong Kong e com a China; em segundo lugar, o quartel-general da companhia será permanentemente em Hong Kong; em terceiro, deverão assumir minha responsabilidade e minha palavra para com Jin-qua e seus sucessores; em quarto, garantirão que o sucessor que escolherem para Tai-Pan fará o mesmo; finalmente — Struan apontou a Bíblia — concordarão que só um cristão, um parente, poderá algum dia ser Tai-Pan. Jurem sobre o Livro Sagrado, e concordem em fazer seu sucessor jurar sobre o Livro Sagrado, com relação às mesmas condições, antes de lhe passarem o controle.

Houve um silêncio. Depois Robb disse, sabendo como funcionava a mente de seu irmão.

— Podemos saber todas as condições que Jin-qua impôs?

— Não.

— Quais são as outras?

— Direi, depois que jurarem. Podem confiar em mim ou não, como preferirem.

— Isso não é lá muito correto.

— A prata não é lá muito correta, Robb. Preciso ter certeza. Não se trata de nenhuma brincadeira para crianças. E não estou pensando em nenhum de vocês dois como parente, neste momento. Lidamos agora com centenas de anos. Com duzentos anos. — Os olhos de Struan estavam de um verde luminoso, à meia-luz da lanterna balouçante. — Estou comprometendo a Casa Nobre com uma medida de tempo chinesa. E isto será feito com ou sem algum de vocês dois.

A atmosfera tornou-se perceptivamente mais carregada. Robb sentiu que seus ombros e o pescoço estavam úmidos. Culum olhou para o pai, espantado. Robb disse:

— O que significa para você “comprometer a companhia totalmente no apoio a Hong Kong”?

— Defendê-la, protegê-la, torná-la uma base permanente para o comércio. E o comércio significa abrir a China. Toda a China. Trazer a China para a família das nações.

— Isso é impossível — disse Robb. — Impossível!

— Sim, talvez. Mas é o que a Casa Nobre vai tentar fazer.

— Você quer dizer, ajudar a China a se tornar uma potência mundial? — perguntou Culum.

— Sim.

— Isso é perigoso! — replicou Robb. — É loucura! Já existem problemas suficientes na terra sem se ajudar a essa massa paga da humanidade! Eles vão nos engolir. Todos nós. A Europa inteira!

— Uma entre quatro pessoas na terra é chinesa, Robb. Temos a maior chance de ajudá-los, agora. A aprender nosso estilo de vida. O estilo de vida inglês. Lei, ordem, justiça. Cristianismo. Eles vão sair aos bandos um dia, por conta própria. Acho que precisamos mostrar-lhes nossa maneira de ser.

— É impossível. Você jamais conseguirá modificá-los, É inútil.

— São essas as condições. Dentro de cinco meses, você será Tai-Pan. Culum irá substituí-lo no devido tempo... se for digno disso.

— Deus do céu! — Robb explodiu. — Foi para isso que você lutou, todos esses anos?

— Sim.

— Eu sempre soube que você tinha sonhos, Dirk. Mas esse ... é demais. Não sei se é monstruoso, ou maravilhoso. Está além de mim.

— Talvez — disse Struan, com voz severa. — Mas é uma condição para sua sobrevivência, Robbie, e de sua família, e o futuro deles. Você será Tai-Pan dentro de cinco meses. Durante um ano, pelo menos.

— Eu já lhe disse antes, acho que essa é outra decisão pouco aconselhável — explodiu Robb, com o rosto contorcido. — Eu não tenho o conhecimento e nem a astúcia para lidar com Longstaff, ou manter a Casa Nobre na dianteira de toda essa intriga, de guerra. E nem para tratar com os chineses.

— Eu sei. E sei o risco que estou assumindo. Mas Hong Kong é nossa, agora. A guerra vai terminar tão depressa quanto a última. — Struan fez um aceno de mão em direção às barras de prata. — Tudo isso é uma defesa que não pode ser dissipada facilmente. De agora em diante, é uma questão de comércio. E você é um bom comerciante.

— Não é apenas comércio. Há navios para navegarem, piratas a serem combatidos, Brock para ser enfrentado e milhares de outras coisas.

— Cinco meses vão limpar as importantes. O resto é problema seu.

— Será?

— Sim. Porque, de toda essa prata, você terá mais de três milhões. Quando eu sair, pegarei um. E vinte por cento do lucro para o resto de minha vida. Você fará o mesmo. — Olhou para Culum. — No fim de seu período, estaremos merecendo dez milhões, porque vou proteger você e a Casa Nobre, no Parlamento, e torná-la mais rica do que você jamais sonhou. Não vamos mais precisar depender de Sir Charles Crosse, Donald MacDonald, McFee, Smythe, Ross, ou de todos os outros que apoiamos, para os nossos lances... eu vou fazer isso pessoalmente. E ficarei indo e vindo para Hong Kong, de maneira que vocês dois não vão precisar se preocupar.

— Quero apenas o dinheiro suficiente para sonhar tranqüilamente e acordar em paz

— disse Robb. — Na Escócia. Não no Oriente. Não quero morrer aqui. Vou embora no navio seguinte.

— Um ano e cinco meses não é tanto tempo assim para se pedir.

— É uma exigência, não um pedido, Dirk.

— Não estou obrigando você a nada. Há um mês, Robb, você estava disposto a aceitar cinqüenta mil e partir. Muito bem. Essa oferta ainda está de pé. Se você desejar o que é seu de direito, mais de um milhão, você conseguirá, dentro de dois anos. — Struan virou-se para Culum — De você, rapaz, quero dois anos de sua vida. Se você se tornar Tai-Pan, mais três anos. Cinco anos, no total.