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— Fique à vontade, rapaz. Eu acho que você deveria estar conosco. Esta é uma ocasião rara. Mas fique à vontade. — Struan recomeçou a caminhar pela estrada. Culum hesitou e, depois, alcançou-o.

A Estrada da Rainha saía diretamente do vale, a oeste, e marginava a praia. Uma milha atrás, passava pelas tendas dos fuzileiros navais que guardavam o número crescente de depósitos da Marinha. Uma milha adiante, estavam as tendas enfileiradas dos soldados, perto do Cabo Glessing, que era o ponto terminal da Estrada da Rainha.

E, acima do Cabo Glessing, ficava o Tai Ping Shan, ligado à praia por uma fila palpitante e interminável de chineses curvados ao peso de seus pertences. A fila permanecia em perpétuo movimento e era alimentada, constantemente, pela incessante chegada de juncos e de sampanas.

— Bom-dia, Excelência — disse Struan, tirando o chapéu, quando encontraram Longstaff e seu grupo.

— Ah, boa-tarde, Dirk. Bom-dia, Robb — Longstaff não parou. — Não está pronto para começar, Culum?

— Dentro de um momento, Excelência.

— Bom, apresse-se. Tenho de ir para bordo, sabe? — E ele acrescentou, para Struan, um insultante comentário tardio: — É bom ver você de volta, Dirk. — Continuou sua caminhada, cumprimentando outros.

— Ele vai mudar dentro de cerca de três minutos — disse Struan.

— Maldito idiota, estúpido e desprezível — a voz de Culum era áspera e baixa. — Graças a Deus, este é o último dia em que o servirei. Struan abanou a cabeça.

— Se eu fosse você, usaria o cargo de “Vice-Secretário Colonial” em vantagem própria.

— Como?

— Recuperamos o nosso poder. Mas é ainda a mão dele que assina os papéis, transformando-os em leis. E sua mão ainda tem de ser guiada, hein?

Suponho... suponho que sim. — respondeu Culum. Quando os Struans se aproximaram dos Brocks, um silêncio caiu sobre a praia e a excitação aumentou. Gorth e Nagrek Thumb estavam enfileirados ao lado de Brock, Liza e as meninas. Skinner começou a assobiar baixinho e se aproximou. Aristotle Quance hesitou, no meio de uma pincelada. Só os muitos jovens não sentiram a excitação, e não estavam espiando e nem escutando.

Boa-tarde, senhoras e cavalheiros — disse Struan, tirando o chapéu.

— Bom-dia, Sr. Struan — disse Liza Brock, com doçura. — Já conhecia Tess e Lillibet, não é mesmo?

— Claro. Bom-dia, senhoras — disse Struan, enquanto as meninas faziam mesuras, notando que Tess crescera consideravelmente, desde a última vez em que a vira. — Podemos acertar o nosso negócio? — disse a Brock.

— O momento é ótimo. Liza, você e as meninas voltem para o navio. E Lillibet, vê se não mete essas mãos no mar, senão você acaba morrendo. E não vá cair na água por cima da amurada. E você, Tess, amor, cuide de si e de Lillibet. Vão embora, agora, e façam o que sua mãe disser a vocês.

Elas fizeram mesuras rápidas e correram adiante da mãe, satisfeitas de serem mandadas embora.

— Crianças e a vida no mar não combinam, não é? — disse Brock. — Não se pode vigiar o tempo todo para onde estão indo. A pessoa fica louca.

— Sim. — Struan entregou a ordem de pagamento do banco-a Gorth. — Estamos quites agora, Gorth.

— Obrigado — disse Gorth. Examinou o papel, deliberadamente.

— Talvez você gostasse de dobrar a soma.

— Como?

— Mais vinte mil, digamos, se um de nossos navios derrotar você, na volta para nosso país.

— Obrigado. Mas dizem que o dinheiro do idiota acaba depressa. Eu não sou idiota... e nem gosto de apostar. — Olhou para a ordem de pagamento. — Chegou bem na hora. Talvez eu possa comprar um pedacinho do outeiro, do meu pai. A cor dos olhos de Struan ficou mais escura.

— Vamos até a tenda — disse ele, e seguiu adiante. Robb e Culum foram atrás, e Robb se sentia muito satisfeito por seu irmão ser o Tai-Pan da Casa Nobre. Seu velho medo voltou. Como é que vou lidar com Brock? Como?

Struan parou diante da tenda e fez um sinal com a cabeça para Cudahy.

— Vamos, rapazes — disse Cudahy a um pequeno grupo de marinheiros, à espera.

— Depressa. Para espanto de todos, os homens derrubaram a tenda.

— Nossas ordens de pagamento, por favor, Tyler. Brock cautelosamente, tirou as notas promissórias do bolso.

— Oitocentos e vinte e quatro mil libras.Struan deu as notas a Robb, que as conferiu cuidadosamente com as duplicatas.

— Obrigado — disse Struan. Quer assinar isto?

— Que é isso?

— Um recibo.

— E onde está a ordem de pagamento do seu banco? — perguntou Brock, suspeitosamente.

— Decidimos pagar à vista — disse Struan.

Os marinheiros arrastaram a tenda caída. Quase escondendo a massa dos barris vazios, estavam pilhas bem-arrumadas de tijolos de prata. Centenas e centenas de tijolos de prata, brilhando ao sol pálido. Brock olhou para eles, petrificado, e houve um silêncio monstruoso em Hong Kong.

— A Casa Nobre decidiu pagar à vista — disse Struan, descontraidamente.

Acendeu um fósforo e o encostou ao rolo de ordens de pagamento. Tirou três charutos, ofereceu um a Robb e outro a Culum e acendeu-os com o papel em chamas.

— Foi tudo bem pesado. Mas há uma balança, se você quiser verificar o total. O sangue subiu ao rosto de Brock.

— Vão para o inferno!Struan deixou cair o papel, queimado, que ficou na areia.

— Obrigado, Sr. Cudahy. Leve os homens para bordo do Thunder Cloud.

— Sim, sim, senhorrr — disse Cudahy, e os homens deram uma última e suada olhada para as barras de prata, correndo em seguida para seus botes.— Bom, este assunto está encerrado — disse Struan a Robb e a Culum. — Agora, podemos tratar da terra.

— Uma ocasião rara, na verdade, Dirk — disse Robb. — Foi uma idéia genial.

Culum examinou a praia. Viu a cobiça e a inveja, e os olhos que os examinavam disfarçadamente.

Obrigado, meu Deus, disse ele, silenciosamente, por me deixar fazer parte da Casa Nobre. Obrigado por me deixar ser Vosso instrumento.

Brock recuperou-se do choque.

— Gorth, mande seus guarda-costas para terra, e bem depressa.

— O quê?

— A toda pressa, maldição! — disse ele, com a voz baixa a violenta. — Armados. Dentro de alguns minutos, teremos atrás de nós todos os piratas pagãos da Ásia. Gorth saiu correndo. Brock puxou suas pistolas e as entregou a Nagrek.

— Se alguém chegar a uma distância de cinco jardas, acerte na cabeça. — Ele se aproximou depressa de Longstaff. — Posso pedir emprestados seus soldados, Excelência? Senão vamos ter muitos problemas.

— Hein? Soldados? Soldados? — Longstaff piscava diante das barras de prata. — Deus do céu, tudo isso é prata de verdade? Tudo? Nossa, vale oitocentas mil libras, você disse?

— Um pouco mais — disse Brock, com impaciência. — Os soldados. Fuzileiros, marinheiros. Todos os que estiverem armados. Para guardar a prata, por Deus.

— Ah, armados! Claro. Almirante, quer fazer o favor de tratar disso?

— Venham cá! — gritou o almirante, furioso com a cobiça que se mostrava em todos os rostos, inclusive dos oficiais da Marinha Real. Fuzileiros, soldados e marinheiros vieram às pressas. — Formem um círculo a cinqüenta passos de distância desse tesouro. Ninguém tem permissão para se aproximar. Entendem? — Ele olhou para Brock. — Serei o responsável pela segurança da prata por uma hora. Depois, eu a deixarei onde está.

— Muito obrigado, Almirante — disse Brock, contendo-se para não soltar uma praga.

Ele olhou em direção ao mar. O cúter de Gorth seguia rapidamente para o White Witch. Uma hora será suficiente, pensou ele, maldizendo Struan e as barras de prata. Como, em nome de Deus, poderei desfazer-me de tanta prata? Que papel ousarei receber? Com a guerra começando e talvez nenhum comércio, hein? Se houver comércio, então isto pagará o chá de toda a temporada. Mas, a menos que o comércio esteja garantido, ora, então todo o papel das companhias será sem valor. Exceto da maldita Casa Nobre.