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Não tem banco e nem cofre ou segurança para garantir isso, até sair de suas mãos. Sua vida será um tormento. Você devia ter pensado, por Deus. Você devia ter pensado que era isso que aquele amaldiçoado iria fazer. Ele pegaria você numa armadilha.

Brock afastou seus pensamentos da prata, e olhou para Struan. Viu seu sorriso zombeteiro e a raiva cresceu dentro dele.

— O dia não acabou ainda, por Deus.

— Está certo, Struan. — Ainda falta uma coisa para acertar.

— Sim, por Deus — Brock abriu caminho entre a multidão silenciosa e se aproximou do estrado. Repentinamente, a ansiedade de Culum voltou, mais aguda do que antes.

— Escute, papai — disse ele, num ímpeto, com a voz baixa.

— Tio Robb tem razão. Brock só vai deixar você em paz quando os lances chegarem a...

— Não fale nisso outra vez, rapaz, por Deus. O outeiro pertence à Casa Nobre. Culum olhou para o pai, desamparadamente. Depois, afastou-se.

— Que diabo há com ele? — Struan perguntou a Robb.

— Não sei. Está nervoso como uma cadela no cio. Depois, Struan notou Sarah, em pé à frente da multidão — com Karen a seu lado — pálida, como uma estátua. Pegou no braço de Robb e começou a guiá-lo em direção a elas.

— Você não disse a Sarah ainda, não é Robb? A respeito de sua permanência aqui?

— Não.

— Este é um bom momento. Agora que você está rico outra vez. Chegaram perto de Sarah, mas ela não os notou.

— Olá, tio Dirk — disse Karen. — Posso brincar com seus lindos tijolos?

— São mesmo verdadeiros, Dirk? — perguntou Sarah.

— Sim, Sarah — respondeu Robb.

— Só Deus sabe como você conseguiu, Dirk, mas obrigada.

— Ela piscou, enquanto o bebê dava chutes em seu útero, e pegou os sais odoríferos. — Isto significa... isto significa que estamos salvos, não é?

— Sim — disse Struan.— Posso brincar com um daqueles, mãezinha? — disse Karen, com voz estridente.

— Não, querida, vá brincar por aí — disse Sarah. Ela se aproximou de Struan e o beijou, com as lágrimas escorrendo. — Obrigada.

— Não me agradeça, Sarah. O preço de tanto metal é alto. — Struan tocou no chapéu e se afastou deles.

— O que quis ele dizer, Robb? Robb contou-lhe.

— Eu vou embora, de qualquer maneira — disse ela. — Logo que puder. Logo que o bebê nascer.

— Sim. É melhor.

— Estarei rezando para você nunca encontrar com ela.

— Ah, não comece com isso outra vez, Sarah. O dia está lindo. Somos ricos, outra vez. Você pode ter tudo o que quiser no mundo.

— Talvez eu queira apenas um homem para ser meu marido. — Sarah caminhou pesadamente para a chalupa e, quando Robb começou a segui-la, disse: — Obrigada, mas posso chegar a bordo sozinha. Vamos, Karen, querida.

— Como quiser — disse Robb, e voltou à praia. Por alguns momentos, não conseguiu enxergar Struan, no meio da multidão. Depois, ao se aproximar do estrado, descobriu-o conversando com Aristotle Quance. Uniu-se a eles.

— Olá, Robb, meu caro amigo — disse Quance, expansivamente. — Gesto maravilhoso, eu estava dizendo ao Tai-Pan. Maravilhoso. Digno da Casa Nobre. — Depois, a Struan, com o rosto feio dançando de alegria: — Por falar nisso, você me deve cinqüenta guinéus.

— Não é verdade!

— O retrato de Culum. Está pronto para a entrega. Espero que não tenha esquecido.

— Eram trinta guinéus e lhe dei dez adiantados, por Deus!

— Ah, sim? Ora só! Tem certeza?

— Onde está Shevaun?

— Está gripada, pelo que ouvi dizer, pobre senhora. — Quance tomou um pouco de rapé. — Principesco, é o que você é, meu rapaz. Pode me emprestar algum dinheiro? É para uma boa causa.

— Gripada, como?Quance olhou em torno e baixou a voz.

— Na verdade, são problemas amorosos.

— Quem é o felizardo? Quance hesitou.

— Você, rapaz.

— Ah, vá para o inferno, Aristotle! — disse Struan, coro irritação.

— Acredite se quiser. Eu estou lhe dizendo. Ela perguntou por você várias vezes.

— Durante as poses?

— Que poses? — perguntou Quance, inocentemente.

— Você sabe que poses.

— Apaixonada, meu rapaz. — O homenzinho riu. — E agora que você está rico outra vez, pronto para ser arrastado para a cama! Imortais testículos de Júpiter! Ela, com certeza, será magnífica. Só cinqüenta guinéus, e não o incomodarei por um mês.

— Qual é a “boa causa”?

— Meu caro rapaz, eu preciso de uma cura. Tenho andado ruim.

— Sim, eu sei qual é seu problema. Ainda não criou juízo. É lamentável, num homem de sua idade!

— Você devia estar satisfeito, querido rapaz. Deve admitir que eu sou maravilhoso. Cinqüenta não é muito, para um pobre mortal.

— Você vai receber seus vinte guinéus quando eu tiver o quadro em minhas mãos.

— Struan se curvou e sussurrou de maneira significativa: — Aristotle, quer uma comissão? Digamos, cem libras? Em ouro? Imediatamente, Quance estirou a mão.

— Sou seu empregado. Aqui está minha mão. Quem tenho de matar?

Struan riu e lhe contou a respeito do baile e do julgamento.

— Com mil raios, por Deus! — explodiu Quance. — Sou um louco idiota? Quer que me cortem os testículos? Que morra antes do tempo? Caçado por todas as putas da Ásia? No ostracismo? Nunca!

— Só um homem com seu conhecimento, com sua estatura, seu...

— Nunca, por Deus! Você, meu ex-amigo... por umas miseráveis cem libras, você me coloca em perigo mortal. Sim, por Deus! Perigo mortal! Serei atormentado, odiado, arruinado, morto antes do tempo... Se ainda fossem duzentas!

— Feito! — disse Struan.

Quance atirou o chapéu para o alto e dançou uma giga, abraçando o estômago. Depois, ajustou seu colete de seda carmezim e pegou o chapéu, enfiando-o garbosamente na cabeça.

— Tai-Pan, você é um príncipe. Quem, senão eu, Aristotle Quance, ousaria fazer uma coisa dessas? Quem, senão eu, faria a escolha perfeita? Perfeita! Ah, maravilhoso Quance! Príncipe dos pintores! Duzeritas. Adiantadas.

— Depois do julgamento.

— Não confia em mim?

— Não. Você pode ir embora. Ou beber.

— Sairei do meu leito de morte para julgar esse concurso. Na realidade, eu teria me apresentado como voluntário. Sim, pelo sangue de Rembrandt... pagaria cem guinéus, nem que tivesse de me arrastar até Brock para pedir emprestado, a fim de ter esse privilégio.

— O quê? Quance atirou seu chapéu para o ar outra vez.

— Ah, dia feliz, muito feliz! Ah, perfeito Quance, imortal Quance. Você conseguiu seu lugar na história. Imortal, perfeito Quance.

— Não entendo você, absolutamente, Aristotle — disse Robb. — Quer realmente julgar? Quance pegou seu chapéu, limpou a areia, com os olhos reluzindo.

— Já considerou as vantagens que uma tarefa dessas me dará? Hein? Ora, todas as putas da Ásia estarão... como direi?... estarão prontas para comprar o juiz, hein? Antecipadamente.

— E você estará pronto para ser comprado! — disse Struan.

— Claro. Mas será uma escolha honesta. A escolha perfeita. Sei agora quem será a vencedora.

— Quem?

— Mais cem libras? Hoje?

— O que você fará com todo o dinheiro, hein? Cá entre Robb, Cooper e eu, estamos dando a você uma fortuna!

— Dar? Ora! Dar? É um privilégio seu apoiar a imortalidade. Privilégio, pela bunda de Lúcifer! Por falar nisso, haverá algum conhaque naqueles barris? Tenho uma sede imortal.

— Não tem nenhum. Absolutamente nenhum.

— Que falta de educação! É lamentável. — Quance cheirou um pouco mais de rapé e viu Longstaff, que se aproximava. — Bom, estou de saída. Bom-dia, rapazes. — Afastou-se assobiando e, ao passar por Longstaff, tirou o chapéu, cerimoniosamente.