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— Agora, não se aflijam, meninas — disse ela, fechando a porta pelo lado de fora.

Plantou-se no corredor, com uma pistola em cada mão e duas outras de prontidão, no bolso. Se o inimigo descesse o passadiço antes de terminar a luta, isto significaria que seu homem estava morto ou inconsciente. Mas quatro piratas morreriam, antes de passarem por ela.

Conduzidos por Scragger, os piratas atacaram a tripulação de Brock e foram mais uma vez repelidos. Um número maior de marinheiros lutava e conseguia sair do castelo de proa. Três se uniram a Brock, perto do passadiço, e eles investiram contra os piratas, fazendo-os recuar.

Uma malagueta bateu nas costas de Scragger e ele sentiu que a luta estava perdida. Imediatamente, gritou algo em chinês e seus homens abandonaram o combate, marinharam como ratos pelo costado, entraram nas sampanas e fugiram. Scragger pulou da proa e desapareceu na água. Brock agarrou o mosquete de um de seus homens e correu para o costado. Quando a cabeça de Scragger apareceu na superfície, por um instante, ele disparou, mas errou o alvo e a cabeça desapareceu. Brock praguejou e, depois, atirou fora

o mosquete descarregado, na escuridão.

Seus homens começaram a disparar nas sampanas, que se dissolveram rapidamente no nevoeiro. Quando não havia mais piratas em fuga para matar, Brock ordenou que os inimigos mortos e feridos fossem atirados por sobre a amurada, e voltou sua atenção para Gorth.

O sangue gotejava da ferida que Gorth cobria com o punho fechado. Brock afastou a mão do filho. A faca fizera um corte fundo debaixo do braço, em direção às costas.

— Você tossiu sangue, rapaz?

— Não, papai.

— Ótimo. — Brock limpou o suor do rosto e ficou em pé.

— Peguem piche. E grogue. Depressa, por Deus! E, quem estiver ferido, venha à popa. Os outros vão para os botes e nos desencalhem. A maré está cheia. Depressa! Nagrek tentou afastar a agonia de sua mente, enquanto fazia baixar os barcos. O sangue escorria do ferimento em seu ombro.

Brock deu a Gorth um canecão de rum e, logo que o piche começou a ferver no braseiro, ele mergulhou nele uma malagueta, e passou o piche na ferida. O rosto de Gorth se contorceu, mas ele não deu um só gemido. Depois, Brock medicou os demais com rum e piche.

— Eu senhorrr, o senhorrr se esqueceu de mim — gemeu um dos marinheiros. Ele segurava o peito. Havia sangue escumando-lhe nos lábios e o ar era sugado pela ferida em seu peito, e assobiava.

— Você está morto. É melhor fazer as pazes com o Criador. — disse Brock.

Não! Não, por Deus! Me dê o piche, senhorrr. Vamos por Deus! — E começou a gritar. Brock deu-lhe um soco e ele ficou imóvel onde caíra, com o ar assobiando e gorgolejando.

Brock ajudou Gorth a se levantar. Uma vez de pé, Gorth se agüentou nos próprios pés.

— Eu ficarei bom, por Deus!

Brock deixou-o e examinou a popa. Os barcos remavam fortemente. A água estava parada.

— Mais força! — gritou ele. — Prepare uma âncora dianteira, Nagrek!

Eles arrastaram o navio, resgatando-o, enquanto o prumador gritava ordens e, quando Brock teve certeza de que estavam em “segurança, mandou soltar a âncora. A embarcação balançou, com a maré que enchia e se endireitou.

— Mestre de velas!

— Sim, sim, senhorrr — disse o velho.

— Costure mortalhas para eles — disse, apontando os sete corpos. — Use as velas grandes gastas. Uma corrente nos pés e dos lados, ao amanhecer. Eu presidirei o culto, como sempre.

— Sim, sim senhorrr.Brock voltou as atenções para Gorth.

— Por quanto tempo, depois de você vir dar seu plantão, ficamos encalhados?

— Apenas por uns poucos minutos. Não. Foi quando o sino deu um toque. Eu me lembro muito bem. Brock pensou, por um momento.

— Não poderíamos estar à deriva, do ancoradouro até a costa, no período de um toque de sino. De maneira nenhuma. Então, cortaram a amarra e ficamos à deriva no turno anterior. — Brock olhou para Nagrek e ele titubeou. — Seu turno. Vinte chicotadas ao amanhecer, para os que estavam no convés.

— Sim, senhor — disse Nagrek, aterrorizado.

— Quanto a você, eu teria sido morto pela pistola daquele maldito pirata, então vou pensar no seu caso, Nagrek. Então ele desceu.

— Está tudo bem, amor — disse ele.

Liza estava dura como uma pedra, em frente da cabina das filhas.

— Obrigada, Tyler — disse ela, e guardou as pistolas. — Foi muito ruim?

— Mais ou menos. É a prata. Alvo de piratas, no porto! No porto! Havia ingleses entre os piratas. Matei um, mas o líder, maldito seja, escapou. As meninas estão bem?

— Sim, Estão lá dentro. — Dormem agora. — Liza hesitou. — Acho melhor falar com você.

— Estamos falando, não?

Caminhou pelo corredor, gravemente, até a cabina principal. Ele a seguiu e ela fechou a porta.

***

Quando o sino deu três toques, Brock foi para o convés, outra vez. O nevoeiro diminuíra, mas o vento amainara. Ele o farejou e percebeu que logo refrescaria de novo e, pela manhã, o nevoeiro desapareceria.

— Gorth, vamos para baixo, dar uma olhada na carga.

— Nenhum daqueles filhos da mãe foi até lá embaixo, papai!

— Vamos olhar, de qualquer jeito. Você vem também, Nagrek!

Brock pegou uma lanterna e eles foram para o porão.

— Veja! A porta ainda está trancada — disse Gorth, com a ferida atormentando-o.

Brock destrancou a porta e eles entraram. Ele colocou a lanterna sobre as barras de prata e tornou a trancar a porta.

— Está fora de si, papai? — perguntou Gorth. Brock olhava para Nagrek.

— O que está errado, Sr. Brock? — Nagrek estava petrificado.

— Parece que Nagrek andou metendo as mãos em sua irmã, Gorth. Em Tess.

— Eu não... eu não, por Deus — Nagrek exclamou. — Eu não, de jeito nenhum! Brock pegou o chicote que estava pendurado na parede do porão.

— Parece que ele foi até a cabina dela, enquanto ela dormia, e então a acordou, e ficou brincando com ela.

— Eu não a toquei, eu não fiz mal a ela, não fiz, por Deus — gritou Nagrek. — Ela me convidou para ir à sua cabina. Ela me convidou. Esta tarde ela me convidou. Ela convidou, por Deus!

— Então você foi à sua cabina!

Gorth se atirou sobre Nagrek e praguejou de dor quando se partiu o piche de sua ferida. Nagrek fugiu para a porta, mas Brock o empurrou para trás.

— Você é um homem morto, Nagrek!

— Não fiz mal a ela, juro por Deus, juro por Deus...

— Você pôs essas mãos fedorentas embaixo da camisola dela!

O açoite atingiu Nagrek repetidamente, enquanto Brock o levava cada vez mais para o fundo do porão.

— Você fez isso, não fez?

— Juro por Deus que não a toquei, Sr. Brock. Por favor. Não foi feito nenhum mal... desculpe... só toquei nela... não aconteceu nada mais... nada mais. Brock parou, com a respiração espasmódica.

— Então era verdade. Você ouviu, Gorth? — Ambos os homens pularam em cima de Nagrek, mas Brock foi mais rápido e um soco seu deixou Nagrek inconsciente. Ele afastou Gorth com um empurrão. — Espere!

— Mas, papai, esse miserável...

— Espere! Sua mãe contou que a pobre garota ficou com medo de dizer alguma coisa, no começo. Tess achava que, como ele a tocara, ela agora ia ter filho. Mas Liza disse que Tess ainda é virgem. Ele só a tocou, graças a Deus!

Quando Brock recuperou o fôlego, despiu Nagrek e esperou até ele estar consciente. Então o castrou. E depois espancou-o até morrer.

CAPÍTULO QUATORZE

— Você queria me ver, papai? — O rosto de Culum estava rígido.

Struan se achava em pé no alto do outeiro, com os binóculos em torno do pescoço, faca à cinta, um chicote de ferro amontoado no chão. Ele observara Culum desembarcar e caminhar pelo vale, subindo em seguida o outeiro. O vento limpara o céu, e o sol no horizonte prometia um belo dia.