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— Hong Kong ainda não está segura — disse ele.

A mão dela começou a se mover sobre ele.

— Com o comércio deste ano, não estará? Então, a segunda logo se cumprirá.

— Com pagode.

A mão dele começou a abrir a camisola dela, sem pressa, e sua mão começou a se mover sobre May-may. Ela ajudou-o a tirar a camisola e acendeu a vela, afastando os lençóis de seda. Olhou para ela, maravilhado — sua suave luminosidade, como porcelana em fusão.

— É excitante... você olhar para mim, e eu saber que lhe agrado — disse ela. E então eles fizeram amor, sem pressa. Mais tarde ela disse:

— Quando você volta para Hong Kong?

— Dentro de dez dias. — Dez dias, pensou ele. Então, haverá a escolha dos homens de Wu Kwok em Aberdeen e, na noite seguinte, o baile.

— Eu irei com você?

— Sim.

— A nova casa estará pronta, então?

— Sim. E você estará segura lá. — O braço dele repousava sobre o dorso dela e ele passou a ponta da língua sobre sua face e até o pescoço.

— Será bom viver em Hong Kong. Então eu poderei ver mais o meu professor. Há meses não tenho uma boa conversa com Gordon. Quem sabe não poderemos ter aulas semanais outra vez? Preciso aprender mais palavras, e melhores. Como está ele?

— Muito bem. Eu o vi pouco antes de partir. Depois de uma pausa, ela disse, gentilmente:

— Não é bom ter brigas com seu filho número um.

— Eu sei.

— Queimei três velas para que sua raiva voe para Java e você o perdoe. Quando você o perdoar, eu gostaria de conhecê-lo.

— Isto acontecerá, no devido tempo.

— Posso ir a Macau, antes de Hong Kong? Por favor. Eu seria muito cuidadosa. Deixaria as crianças aqui. Estariam seguras aqui.

— Por que Macau é tão importante?

— Preciso de algumas coisas e... tenho um segredo, um bom segredo, uma surpresa. Só uns poucos dias? Por favor. Você poderia mandar Mauss e alguns homens, se quiser.

— É perigoso demais.

— Não é perigoso agora — disse May-may, sabendo que seus nomes estavam fora da lista e cheia de pasmo, outra vez, por Struan não ter batido palmas, encantado, como ela fizera, quando ele lhe contara sobre a solução de Jin-qua para a lista. Ayeee yah, pensou ela, os europeus são muito estranhos. Muito. — Não há perigo agora. Mesmo assim, eu serei muito cuidadosa.

— O que é tão importante? Qual é o segredo?

— É uma surpresa. Eu lhe direi, muito em breve. Mas é segredo agora.

— Vou pensar a respeito. Agora, durma.

May-may relaxou, contente, sabendo que, em poucos dias, iria para Macau, sabendo que há muitas maneiras de uma mulher conseguir o que quer com seu homem — bom ou ruim, inteligente ou estúpido, forte ou fraco. Meu vestido de baile será o melhor de todos, ela disse a si mesma, cheia de excitação. Meu.Tai-Pan ficará orgulhoso de mim. Orgulhosíssimo. Orgulhoso o bastante para se casar comigo e fazer de mim a Suprema Senhora.

E seu último pensamento, antes que o doce sono a dominasse, foi sobre a criança que germinava em seu útero. Com apenas algumas semanas. Meu filho será homem, prometeu a si mesma. Um filho, para ele se orgulhar. Duas maravilhosas surpresas, para ele se orgulhar.

***

— Não entendo, Vargas — disse Struan, mal-humorado. — É melhor você tratar disso com Robb. Ele conhece as cifras melhor do que eu.

Os dois estavam no escritório particular de Struan, estudando o livro-mestre de escrituração. As janelas do escritório estavam abertas para o burburinho de Cantão e as moscas pululavam. Era um dia quente de primavera e o mau cheiro já aumentara consideravelmente, em comparação com seu baixo nível do inverno.

— Jin-qua está muito ansioso para receber o nosso pedido final, senhor, e...

— Eu sei disso. Mas até ele nos dar seu pedido final de ópio, não poderemos fazer isso com exatidão. Estamos oferecendo o melhor preço para o chá e o melhor para o ópio, então qual o motivo da demora?

— Não sei, senhor — disse Vargas. Ele não perguntou, como gostaria de ter feito, por que a Casa Nobre estava pagando dez por cento mais para o chá de Jin-qua, em comparação com o dos outros comerciantes, e vendendo o melhor ópio indiano Padwa para Jin-qua a dez por cento menos do que o preço corrente do mercado.

— Com mil demônios! — disse Struan.

Ele se serviu de um pouco de chá. Desejaria não ter permitido a May-may ir para Macau. Ele mandara com ela Ah Sam, Mauss e alguns de seus homens, para vigiá-los. Ela deveria ter voltado ontem, mas ainda não retornara. Claro que o fato não era incomum — o tempo necessário para a travessia de Macau à Colônia de Cantão não poderia jamais ser avaliado com precisão.E nem o de nenhuma viagem marítima. Tudo depende do vento, ele pensou, sardonicamente. Se ela estivesse num vapor fedorento, então seria diferente. Os vapores podem cumprir programas e esquecer ventos e marés, malditos sejam.

— Sim — ele respondeu, com rispidez, a uma batida na porta.

— Desculpe-me, Sr. Struan — disse Horatio, abrindo a porta. — Sua Excelência gostaria que o visitasse.

— O que há de errado?

— Talvez Sua Excelência queira dizer-lhe ele próprio, senhor. Está em seus alojamentos. Struan fechou o livro de escrituração.

— Vamos tratar disso com Robb, logo que voltarmos, Vargas. Você vai ao baile?

— Eu não teria paz nos próximos dez anos, senhor, se minha senhora, meu filho e minha filha mais velha não fossem.

— Vai buscá-los em Macau?

— Não, senhor. Irão para Hong Kong acompanhados por amigos. Eu irei diretamente daqui.

— Logo que Mauss voltar, mande-me notícia. — Struan saiu e Horatio acompanhou-o.

— Não posso agradecer-lhe suficientemente, Sr. Struan, pelo presente a Mary.

— O quê?

— O vestido de baile, senhor.

— Ah. Já viu o vestido que ela mandou fazer?

— Ah, não, senhor. Ela partiu para Macau no dia seguinte à venda de terras. Recebi uma carta sua ontem. Ela lhe manda os melhores votos.

Horatio sabia que o presente do vestido dava a Mary uma oportunidade muito boa de ganhar o prêmio. Embora existisse Shevaun. Se, pelo menos, Shevaun adoecesse! Nada sério, só para afastá-la, no dia. Então, Mary poderia ganhar os mil guinéus. Com esse dinheiro, eles poderiam fazer coisas maravilhosas! Voltar para sua terra, a fim de passar aquela estação. Viver esplendidamente. Ah, Deus, fazei com que ela ganhe o prêmio! Estou satisfeito por ela se encontrar fora de Hong Kong, enquanto eu estou aqui, disse a si mesmo. Assim fica fora do alcance de Glessing. Maldito. Fico imaginando se ele realmente pedirá a mão dela! Que topete! Ele e Culum... ah, Culum... pobre Culum.

Horatio permaneceu um passo atrás de Struan, enquanto subiam as escadas, de modo que não precisou esconder sua inquietação. Pobre, bravo Culum. Ele se lembrou de como Culum estava estranho, no dia seguinte à venda de terras. Ele e Mary procuraram e o encontraram a bordo do Resting Cloud. Culum os convidara para jantar e, toda vez que ele tentava levar a conversa para o Tai-Pan, esperando fazer as pazes entre eles, Culum mudava de assunto. Então, finalmente, Culum dissera:

— Vamos esquecer meu pai? Eu esqueci.

— Você não deve, Culum — dissera Mary. — Ele é um homem maravilhoso.

— Somos inimigos agora, Mary, por pior que isto seja. Não creio que ele vá mudar e, até ele mudar, eu não mudarei.

Pobre, bravo Culum, Horatio pensou. Eu sei o que é odiar um pai.

— Tai-Pan — ele disse, ao chegarem ao cais. — Mary e eu sentimos terrivelmente o

que aconteceu com relação ao outeiro. Mas ainda sentimos mais o que aconteceu entre o senhor e Culum. Culum, bom, tornou-se um grande amigo e...

— Obrigado pelo pensamento, Horatio, mas eu ficaria satisfeito se você não se referisse outra vez ao assunto.

Horatio e Struan atravessaram o cais em silêncio e entraram na ante-sala de Longstaff. Era ampla e rica. Um grande candelabro dominava o teto enfeitado e a reluzente mesa de conferências embaixo. Longstaff estava sentado à cabeceira da mesa, tendo ao lado o Almirante e o General Lord Rutledge-Cornhill.