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— Bom-dia, senhores.

— É ótimo que tenha vindo unir-se a nós, Dirk — disse Longstaff. — Sente-se, meu querido amigo. Achei que seu conselho seria precioso.

— O que há de errado, Excelência?

— Bom, ah, eu pedi ao Sr. Brock para vir unir-se a nós, também. O assunto pode esperar até ele chegar, pois então não precisarei repetir-me, está bem? Xerez?

— Obrigado.

A porta se abriu e Brock entrou. Sua cautela aumentou quando viu Struan e os resplandecentes oficiais.

— Queria falar comigo, Excelência?

— Sim. Sente-se, por favor.

Brock fez um cumprimento de cabeça para Struan.

— Bom-dia, Dirk. Bom-dia, cavalheiros — acrescentou, sabendo que enfureceria ogeneral. Ficou sombriamente divertido com os acenos frios de cabeça que recebeu de volta.

— Chamei os dois para se unirem a nós — começou Longstaff — bom, além do fato de serem os líderes dos negociantes, não?... bom, seu conselho seria valioso. Parece que um grupo de anarquistas se estabeleceu em Hong Kong.

— O quê? — exclamou o general.

— Ora essa! — disse Brock, igualmente surpreso.

— Desprezíveis anarquistas, pode imaginar isso? Parece que mesmo os pagãos estão contaminados por esses demônios. Sim, se não tivermos cuidado, Hong Kong se tornará um foco. Que aborrecimento, não?

— Que tipo de anarquistas? — perguntou Struan. Anarquistas representavam problemas. E problemas interferiam no comércio.

— Essa, ah, qual é mesmo o nome, Horatio? Tang? Tung?

— Tong, senhor.

— Bom, essa tal Tong já está operando sob nossos narizes. É terrível.

— Operando em que sentido? — Struan perguntou, com impaciência.

— Talvez seja melhor começar do início, senhor — disse o almirante.

— Boa idéia. No encontro de hoje, o Vice-rei Ching-so estava muito preocupado. Ele disse que as autoridades chinesas tinham acabado de saber que esses anarquistas, uma sociedade secreta, haviam instalado seu quartel-general naquela podre monstruosidade, o Tai Ping Shan. Os anarquistas têm muitos, muitos nomes e eles... bom, é melhor você explicar a eles, Horatio.

— Ching-so disse que esse é um grupo de fanáticos revolucionários, empenhados na derrubada do imperador — começou Horatio. — Ele deu a Sua Excelência meia centena de nomes adotados pela sociedade: Partido Vermelho, Irmandade Vermelha, Sociedade do Céu e da Terra e assim por diante... é quase impossível traduzir alguns dos nomes para o inglês. Alguns a Chamam apenas “Hung Mun”, ou “Hung Tong” — tong significa “irmandade secreta”. — Ele se concentrou. — De qualquer maneira, esses homens são anarquistas do pior tipo. Ladrões, piratas, revolucionários. Há séculos, as autoridades tentam eliminá-los, mas sem sucesso. Segundo se supõe, têm um milhão de membros do sul da China. Possuem sedes próprias e suas cerimônias de iniciação são bárbaras. Eles incentivam a rebelião a qualquer pretexto e se nutrem do medo de seus irmãos. Pedem “dinheiro para proteção”. Toda prostituta, todo camponês, dono de terras ou cule... todos estão sujeitos a lhes pagar impostos. Quando não é pago o imposto, então há mortes e mutilações. Todo membro paga taxas... como um sindicato. Toda vez em que há descontentamento, a Tong incita os descontentes à rebelião. São fanáticos. Estupram, torturam e se espalham como uma epidemia.

— Já tinham ouvido falar nas sociedades secretas chinesas? — perguntou Struan. — Antes de Ching-so falar nisso?

— Não, senhor.— Os anarquistas são demônios, é isso mesmo — disse Brock, cheio de preocupação. — Esse é o tipo de maldade que os chineses apreciam.

Longstaff empurrou uma pequena insígnia vermelha, triangular, através da mesa. Havia nela dois caracteres chineses.

— O vice-rei disse que o triângulo é sempre o símbolo deles. Os caracteres nesta bandeira significam “Hong Kong”. De qualquer jeito, estamos diante de problemas, isto é certo. Ching-so quer mandar soldados para o Tai Ping Shan e passar todo mundo na espada.

— Você não concordou, não é?

— Deus do céu, não. Não toleramos nenhuma interferência em nossa ilha, por Júpiter. Eu lhe disse que não temos nenhum trato com anarquistas sob nossa bandeira e cuidaríamos deles imediatamente, à nossa própria maneira. Agora, o que devemos fazer?

— Expulsar todos os orientais de Hong Kong e acabar com a sociedade — disse o almirante.

— Isso é impossível, senhor — disse Struan. — E não seria vantajoso para nós.

— Sim — disse Brock. — Precisamos de trabalhadores, cules, criados. Precisamos muito deles.

— Há uma solução simples — disse o general, tomando uma pitada de rape. Era um homem taurino, de faces vermelhas, cabelo grisalho, rosto gasto. — Emitir uma ordem no sentido de que todos os integrantes dessa... como a chamou, Tong?... sejam enforcados.

— Ele espirrou. — Cuidarei de executar a ordem.

— Não se pode enforcar um chinês, senhor, só por querer derrubar uma dinastia estrangeira. É contra a lei inglesa — disse Struan.

— Dinastia estrangeira ou não — disse o almirante — instigar a rebelião contra o imperador de uma “potência amiga”... e será amiga muito em breve, por Deus, se pudermos cumprir a missão que nos foi determinada aqui pelo Governo... é contra a lei internacional. E a lei inglesa. Veja aqueles patifes dos cartistas, por Deus.

— Nós não os enforcamos por serem cartistas. Só quando são apanhados em atos de rebeldia ou infringindo a lei; e aí está certo! — Struan franziu a testa para o almirante. — A lei inglesa diz que o homem deve ter liberdade de expressão. E liberdade de associação política.

— Mas não associações que promovem a rebelião! — disse o general. — Você aprova a rebelião contra a autoridade legal?

— Isto é tão ridículo que não vou ter nem a cortesia de responder.

— Senhores, senhores — disse Longstaff. — Claro que não podemos enforcar todos os que forem... seja lá o que for. Mas, do mesmo jeito, não podemos deixar Hong Kong infestada de anarquistas, não é? Ou de malditas idéias sindicalistas.

— Pode ser um truque de Ching-so, para nos colocar sem ação — Struan olhou para Brock. — Já ouviu falar nas tongs?

— Não. Mas estou pensando que, se os Triangs extorquem tributos de todos, então vão extorquir o comércio e logo estarão tirando dinheiro de nós.

O general, com petulância, deu um piparote em alguma poeira inexistente na imaculada túnica escarlate de seu uniforme.

— Isto, obviamente, está na jurisdição dos militares, Excelência. Por que não emitir uma proclamação colocando-os fora da lei? E faremos o resto. Ou seja, aplicaremos as regras que aprendemos na índia. Ofereceremos uma recompensa por qualquer informação. Os nativos estão sempre prontos para vender facções rivais, bastando atirar-lhes uma moeda. Castigaremos a primeira dúzia, para servir de exemplo, e então não mais haverá problemas.

— Não se pode aplicar as regras indianas aqui — disse Struan.

— O senhor não tem experiência em administração, meu caro, então não pode dar nenhuma opinião. Nativos são nativos, e apenas isso. — O general deu uma olhada em Longstaff. — Esta é uma questão simples para os militares, senhor. Como Hong Kong logo será estabilizada como acantonamento militar, ficará em nossa esfera. Emita uma proclamação colocando-os fora da lei e será feita justiça.

O almirante bufou.

— Já disse mil vezes que Hong Kong deveria ficar sob a jurisdição do serviço superior. Se não comandarmos as vias marítimas, Hong Kong estará morta. Portanto, a posição da Marinha é sem paralelo. Isto deveria ficar sob nossa jurisdição.