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—Parece ser uma história pesada - disse Ekström, cumprimentando-o. —O casal assassinado era um jornalista e uma criminologista. E não é só isso. Foi também um jornalista quem os encontrou.

Bublanski meneou a cabeça. Era praticamente uma garantia de que o caso seria acompanhado de perto e esmiuçado pela mídia.

—E, para completar, o jornalista que encontrou o casal é Mikael Blomkvist, da Millennium.

—Uau! - exclamou Bublanski.

—Conhecido por todo aquele barulho em torno do caso Wennerström.

—Já se tem alguma idéia de qual foi o motivo?

—Até o momento, nenhuma. As vítimas não são conhecidas nos nossos serviços. Tudo indica que era um casal tranqüilo. A mulher estava para defender a tese em breve. Resumindo: prioridade máxima para esse caso.

Bublanski meneou a cabeça. Para ele, qualquer homicídio sempre tinha prioridade absoluta.

—Vamos destacar uma equipe para o caso. Você vai ter que trabalhar depressa e eu vou cuidar para que disponha de todos os recursos. O Hans Faste e o Curt Bolinder vão te auxiliar. Também vamos chamar o Jerker Holmberg. Ele está trabalhando no assassinato de Rinkeby, mas parece que o culpado fugiu para o exterior. O Holmberg é um investigador sem igual nas cenas dos crimes. Se for preciso, você também pode apelar para os investigadores da Criminal Nacional.

—Eu queria a Sonja Modig.

—Ela não é meio jovem?

Bublanski ergueu uma sobrancelha e encarou Ekström, surpreso.

—Tem trinta e nove anos, ou seja, só alguns anos menos que você, e além disso é espertíssima.

—Está bem, escolha quem quiser para a sua equipe, mas seja rápido. A direção já se manifestou.

Isso Bublanski considerou um exagero descarado. Àquela hora da manhã, a direção nem sequer tinha tido tempo de sair da mesa do café da manhã.

A investigação policial começou de fato com uma reunião, pouco antes das nove horas, em que o inspetor Bublanski reuniu sua tropa numa sala da Criminal regional. Bublanski contemplou a equipe. Não estava inteiramente satisfeito com sua composição.

Das pessoas presentes, Sonja Modig era em quem ele mais confiava. Ela estava na polícia havia doze anos, dos quais quatro na Brigada de Crimes Violentos, onde participara de várias investigações dirigidas por Bublanski. Era minuciosa e metódica, mas Bublanski percebera rapidamente que também possuía a qualidade que ele considerava mais preciosa nas investigações difíceis: imaginação e capacidade de fazer associações. Em pelo menos dois casos complexos, Sonja Modig estabelecera ligações estranhas e um pouco forçadas que os demais haviam deixado passar e que trouxeram novas possibilidades à investigação. Além disso, Sonja Modig possuía um humor espirituoso que Bublanski apreciava.

Bublanski também estava satisfeito em ter Jerker Holmberg na equipe. Com cinquenta e cinco anos, Holmberg era originário de Angermanland. Era um homem direto e tedioso, totalmente desprovido dessa imaginação que tornava Sonja Modig tão preciosa. Em compensação, talvez fosse, na opinião de Bublanski, o melhor investigador de cenas do crime de toda a polícia sueca. Haviam trabalhado juntos em várias investigações ao longo dos anos, e Bublanski estava convicto de que se havia alguma coisa para ser encontrada no local do crime, Holmberg a encontraria. Sua primeira tarefa, portanto, seria assumir o comando das operações no apartamento de Enskede.

Bublanski conhecia muito pouco seu colega Curt Bolinder. Era um homem forte e taciturno, de cabelo loiro tão curto que de longe parecia totalmente calvo. Bolinder tinha trinta e oito anos e acabava de chegar à Brigada depois de passar vários anos na polícia de Huddinge investigando gangues criminosas. Tinha fama de ter pavio curto e pulso de ferro, o que era um eufemismo para dizer que ele talvez empregasse com sua clientela métodos não totalmente conformes ao regulamento. Dez anos antes, Curt Bolinder fora indiciado por golpes e ferimentos, mas a investigação o inocentara inteiramente.

A reputação de Curt Bolinder se baseava em outro incidente. Em outubro de 1999 ele estivera em Alby, juntamente com um colega, para prender um delinquente da região para interrogatório. O sujeito já era conhecido da polícia. Fazia vários anos que vinha espalhando o terror entre os vizinhos de seu prédio, e seu comportamento ameaçador resultara em algumas queixas contra ele. Graças a uma informação recebida pela polícia, ele agora era suspeito de ter assaltado uma loja em Norsborg. A intervenção, relativamente simples, desandou por completo quando o sujeito puxou uma faca em vez de acompanhar docilmente os policiais. O colega ficara com vários ferimentos nas mãos ao tentar enfrentá-lo, e com o polegar esquerdo decepado, antes que o malfeitor voltasse a atenção para Curt Bolinder, que pela primeira vez em sua carreira foi obrigado a usar sua arma de serviço. Deu três tiros. O primeiro foi um aviso. O segundo, disparado com o objetivo de atingir o malfeitor, errara o alvo, o que era um feito, considerando-se que a distância não chegava a três metros. O terceiro tiro, em compensação, atingiu o sujeito rompendo sua aorta, e em poucos minutos o homem sucumbira a uma hemorragia interna. A investigação que se seguiu eximiu Curt Bolinder de qualquer responsabilidade, mas o fato deu ensejo a uma polêmica na mídia que focalizava o monopólio estatal da violência e na qual Curt Bolinder foi citado no mesmo nível que os dois policiais espancadores do caso Osmo Vallo.

De início Bublanski se mostrara reticente em relação a Curt Bolinder, mas passados seis meses ainda não descobrira o que quer que fosse que merecesse sua crítica direta ou sua ira. Pelo contrário, Bublanski aos poucos passara a nutrir certo respeito por sua competência taciturna.

O último membro da equipe de Bublanski era Hans Faste, quarenta e sete anos e veterano da Brigada de Crimes Violentos havia quinze anos. Faste era o motivo direto da insatisfação de Bublanski com a composição da equipe. Faste tinha um lado positivo e outro negativo. O positivo era sua grande experiência e o fato de estar acostumado a investigações complexas. O negativo, segundo Bublanski, era ele ser egocêntrico, adepto de um humor meio pesado capaz de aborrecer qualquer pessoa normal, em particular o próprio Bublanski. O caráter e as atitudes de Faste simplesmente não lhe agradavam. Ainda assim, quando bem controlado, era um investigador competente. Além disso, tornara-se uma espécie de mentor para Curt Bolinder, que não parecia se incomodar com seu lado reclamão. Não raro trabalhavam em dupla nas investigações.

Também tinham sido convidados para a reunião a inspetora Anita Nyberg, da Criminal de plantão, para relatar o interrogatório de Mikael Blomkvist que ela conduzira na noite anterior, e o delegado Oswald Mârtensson, para informar sobre todos os acontecimentos, desde que tinham recebido o chamado. Estavam ambos esgotados e queriam ir para casa dormir o quanto antes, mas Anita Nyberg já obtivera fotos do local do crime e as fez circular pela equipe.

Meia hora depois, já tinham uma idéia do desenrolar dos fatos. Bublanski resumiu a situação:

—Ainda no aguardo da análise técnica do local, que está em andamento, os fatos parecem ser os seguintes... uma pessoa desconhecida, que não foi vista por nenhum vizinho ou testemunha, entrou num apartamento em Enskede e matou o casal Svensson e Bergman.

—Ainda não sabemos se a arma encontrada é a arma do crime, mas já foi para o laboratório - disse Anita Nyberg. —Prioridade absoluta. Encontramos também, na parede, relativamente intacto, um fragmento da bala que atingiu Dag Svensson. Em compensação, a bala que matou Mia Bergman está tão espedaçada que duvido que dê para aproveitar alguma coisa.

—Obrigado por esse pouco. Um Colt Magnum, um maldito revólver de caubói que devia ser totalmente proibido. Já temos o número de série?

—Ainda não - disse Oswald Mârtensson. —Mandei a arma e o fragmento da bala direto para o laboratório por um portador especial. Achei melhor eles olharem em vez de eu começar a mexer na arma.