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Fizera cópias e em seguida repusera os originais no lugar. Depois, esperou cinco meses antes de vendê-las a um tabloide inglês. Tinham-lhe pagado nove mil libras. As fotos deram o que falar.

Ele até hoje não sabia como Lisbeth Salander tinha feito. Pouco depois de as fotos serem publicadas, ela o procurou. Sabia que era ele quem vendera as fotos. Ameaçou denunciá-lo a Dragan Armanskij se voltasse a fazer coisas daquele tipo. Ela o teria denunciado se pudesse se fundamentar em documentos - o que aparentemente ela não estava em condições de fazer. Mas, a partir daquele dia, sentiu que ela o vigiava. Assim que ele se virava, deparava com seus olhinhos suínos.

Ele se sentira acuado e frustrado. O único revide possível tinha sido minar a credibilidade dela alimentando fofocas a seu respeito na sala dos funcionários, mas sem muito êxito. Não ousava chamar muita atenção, pois sabia, como todos na empresa, que por algum motivo incompreensível ela era protegida pelo próprio Armanskij. Eriksson se perguntava que espécie de poder ela tinha sobre o presidente da Milton, ou se era o caso de pensar que o velho safado a comia escondido. Embora ninguém na Milton gostasse muito de Lisbeth Salander, os funcionários respeitavam Armanskij e aceitavam a presença daquela garota estranha. Niklas Eriksson experimentara um alívio enorme com sua progressiva saída de cena e o cessar de suas atividades na Milton.

Uma oportunidade de lhe dar o troco acabava de surgir. Finalmente, sem risco algum. Ela poderia acusá-lo do que quisesse - ninguém iria acreditar. Nem Armanskij daria crédito a uma assassina psicopata.

O inspetor Bublanski viu Hans Faste sair do elevador na companhia de Bohman e Eriksson, da Milton Security. Faste tinha ido buscar os novos colaboradores na entrada de segurança. Bublanski não se entusiasmava muito com a idéia de abrir os arquivos de uma investigação por homicídio para pessoas de fora, mas era decisão de seus superiores e... afinal, Bohman era um policial de verdade, já com bons quilômetros rodados. E Eriksson, egresso da escola de polícia, não podia ser um total imbecil. Bublanski indicou a sala de reuniões.

A caçada a Lisbeth Salander estava em seu sexto dia e era hora de fazer um balanço. O procurador Ekström não participava da reunião. Estavam presentes os inspetores Sonja Modig, Hans Faste, Curt Bolinder e Jerker Holmberg, reforçados por quatro colegas da unidade de investigação da Criminal Nacional. Bublanski começou apresentando os novos colaboradores da Milton Security e perguntou se um deles gostaria de dizer algumas palavras. Bohman clareou a garganta.

— Já faz algum tempo que deixei esta casa, mas alguns de vocês me conhecem e sabem que fui um dos seus durante muitos anos, antes de passar para o setor privado. O motivo da nossa presença aqui é que a Salander trabalhou vários anos para nós e, de certa forma, nos sentimos um pouco responsáveis. Nossa missão é colaborar no que for possível para a rápida prisão de Salander. Podemos fornecer algumas informações pessoais sobre ela. Portanto, não estamos aqui para atrapalhar a investigação nem para aprontar com vocês por baixo do pano.

—Que tipo de colega ela era? - perguntou Faste.

—Não exatamente uma pessoa que dava vontade de abraçar  respondeu Niklas Eriksson.

Ele se calou quando Bublanski levantou a mão.

—Teremos oportunidade de abordar mais detalhes durante a reunião. Mas vamos analisar as coisas dentro de uma certa ordem, para obtermos uma visão coerente da situação. Terminada a reunião, vocês dois vão se encontrar com o procurador Ekström para assinar um juramento de segredo profissional. Agora, vamos começar com Sonja.

—É frustrante. Apenas fizemos progresso poucas horas depois do assassinato, quando identificamos Salander. Localizamos seu domicílio, ou o que pensamos ser seu domicílio. Depois, nem uma mínima pista sequer. Recebemos umas trinta ligações de pessoas que a teriam visto, mas até agora todas se revelaram falsas. Ela parece ter evaporado.

—O que é meio incompreensível - disse Curt Bolinder. —Ela tem uma aparência física bem característica, usa tatuagens, não deveria ser difícil encontrá-la.

—A polícia de Uppsala fez uma blitz ontem, dessas com fanfarra e banda de música, baseada numa informação dessas. Tudo isso para pôr as mãos num garoto de catorze anos parecido com a Salander, que levou um susto daqueles. Os pais não ficaram lá muito contentes, posso garantir.

—Imagino que não ajude estarmos buscando uma pessoa que aparenta ter catorze anos. Ela pode sumir no meio de turmas de jovens.

—Mas com a publicidade que a mídia vem fazendo em torno dela, alguém teria que ter visto alguma coisa - objetou Bolinder. —Ela vai passar no Procura-se desta semana, vamos ver se dá em alguma coisa.

—Custo a acreditar, quando penso que ela foi manchete de todos os jornais suecos - disse Hans Faste.

—Isso significa que a gente talvez tenha que mudar o raciocínio - disse Bublanski. —Ela pode ter conseguido fugir para o exterior, mas é mais provável que esteja escondida em algum lugar, esperando.

Bohman levantou a mão. Bublanski lhe fez um sinal com a cabeça.

—A imagem que temos dela não indica que ela seja autodestrutiva. É uma fina estrategista e planeja suas ações como um jogador de xadrez. Não faz nada sem analisar as conseqüências. Esta é, pelo menos, a opinião de Dragan Armanskij.

—É também a opinião do ex-psiquiatra dela. Mas vamos deixar de lado, por enquanto, a personalidade dela - disse Bublanski. —Mais cedo ou mais tarde ela vai ter que fazer algum movimento. Jerker, quais são os recursos financeiros dela?

—Esta vocês vão adorar - disse Jerker Holmberg. —Há muitos anos ela tem uma conta no Handelsbanken. Esse é o dinheiro que ela declara. Ou melhor, que o doutor Bjurman declarava. Há um ano, essa conta acusava um saldo de cem mil coroas. No outono de 2003, ela sacou toda essa quantia.

—Ela precisou de dinheiro líquido no outono de 2003. Segundo Armanskij, foi quando ela parou de trabalhar na Milton Security - disse Bohman.

—Pode ser. A conta ficou zerada por duas semanas. Depois, a mesma quantia voltou a ser depositada.

—Ela pode ter achado que ia precisar do dinheiro para alguma coisa, acabou não usando e pôs o dinheiro de volta no banco.

—Faz sentido. Em dezembro de 2003, ela usou essa conta para pagar algumas faturas, inclusive às taxas de condomínio do ano seguinte. O saldo ficou em setenta mil coroas. Depois disso, nenhuma movimentação durante um ano, com exceção de um depósito de nove mil coroas e alguma coisa. Verifiquei, era a herança da mãe dela.

—Certo.

—Em março deste ano, ela sacou o dinheiro da herança, a quantia exata era de 9312 coroas. Foi à única vez que ela mexeu nessa conta.

—Mas então do que é que ela vive caramba?

—Escutem esta. Em janeiro deste ano, ela abriu outra conta. Desta vez no SEB. Depositou dois milhões de coroas.

—O quê?

—De onde saiu esse dinheiro? - perguntou Modig.

—Foi transferido para a conta dela a partir de um banco das ilhas anglo-normandas.

O silêncio tomou conta da sala de reuniões.

—Não estou entendendo - disse Sonja Modig por fim.

—Quer dizer que esse dinheiro ela não declarou? - perguntou Bublanski.

—É, mas tecnicamente ela não precisa declarar antes do próximo ano. Observe que essa quantia não consta no relatório mensal de Bjurman sobre a situação financeira de Salander.

—Você quer dizer que ou ele não estava a par, ou eles estavam tramando alguma coisa juntos. Jerker, em que pé estamos no aspecto técnico?

—Ontem à noite fiz um balanço com o chefe do inquérito preliminar. 0 que sabemos é o seguinte. Primeiro: temos condições de estabelecer a ligação entre Salander e os dois locais dos crimes. Achamos suas impressões digitais na arma do crime e nos estilhaços de uma xícara de café quebrada em Enskede. Estamos aguardando a resposta sobre as amostras de DNA que colhemos... mas não há quase nenhuma dúvida de que ela esteve no apartamento.