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Mikael se perguntou se deveria entrar em contato com Peter Teleborian para convencê-lo a colaborar de alguma maneira. Mas conteve-se. Ponderou que Peter Teleborian teria muito tempo para ajudar Lisbeth Salander depois que ela fosse detida.

Por fim, foi até a copa pegar um café na caneca com o logotipo do Partido Moderado, e entrou na sala de Erika Berger.

—Estou com uma lista imensa de clientes sexuais e cafetões para entrevistar - disse.

Ela meneou a cabeça com ar preocupado.

—Vou levar uma semana, talvez duas, para dar conta da lista toda. Eles estão espalhados entre Strängnäs e Norrköping, não muito distantes de Estocolmo. Vou precisar de um carro.

Ela abriu a bolsa e pegou as chaves da sua BMW.

Posso?

Claro que sim. Eu posso vir trabalhar tanto de carro como de trem. Qualquer coisa, eu pego o carro do Lars.

—Obrigado.

—Só tem uma condição.

—Ah, é?

—Alguns desses caras são verdadeiros trogloditas. Se você está saindo numa cruzada contra os cafetões para desvendar o assassinato do Dag e da Mia, quero que leve sempre isto no bolso.

E colocou uma bomba de gás lacrimogêneo sobre a mesa.

—Onde você arranjou isso?

—Comprei nos Estados Unidos no ano passado. Já pensou uma mulher sozinha na rua, à noite, sem arma?

—E você imagina o bafafá que vai dar se eu usar isso aí e me prenderem por porte ilegal de arma?

—Melhor do que ter de escrever o seu necrológio. Mikael... não sei se deu para perceber, mas às vezes me preocupo muito com você.

—Ah, é?

—Você assume riscos e é tão metido que não consegue recuar depois que começou uma besteira.

Ele sorriu e deixou a bomba na mesa de Erika.

—Obrigado por sua preocupação. Mas não vou precisar.

—Micke, eu insisto.

—Pode insistir. Mas já estou preparado.

Enfiou a mão no bolso do paletó e tirou o cartucho de gás lacrimogêneo que tinha achado na bolsa de Lisbeth Salander e trazia consigo desde então. Erika suspirou.

Bublanski bateu à porta da sala de Sonja Modig e sentou-se na cadeira dos visitantes em frente à sua mesa.

—O computador do Dag Svensson - disse ele.

—Também pensei nisso - ela respondeu. —Fui eu que fiz a reconstituição das últimas vinte e quatro horas de Svensson e Bergman. Ainda há umas lacunas, mas o Dag Svensson não esteve na redação da Millennium naquele dia. Em compensação, andou pela cidade e, por volta das quatro da tarde, encontrou um antigo colega de escola. Um encontro casual num café da Drottninggatan. Esse colega afirma que Dag Svensson estava realmente com um laptop na mochila. Ele viu, e os dois inclusive falaram sobre o assunto.

—E por volta das onze da noite, depois que ele foi morto, o computador não estava na casa dele.

—Isso mesmo.

—Que conclusão a gente pode tirar?

—Ele pode ter ido a algum outro lugar e, por um motivo qualquer, ter deixado ou esquecido o computador lá.

—Faz sentido?

—Não muito. Mas ele pode ter deixado para uma revisão ou no conserto. E tem também a possibilidade de ele trabalhar em outro lugar que a gente não conhece. Ele já havia alugado uma vez uma sala numa agência de frilas em Sankt Eriksplan, por exemplo.

—Sei.

—E é claro que também existe a possibilidade de o assassino ter levado o computador.

—Segundo Armanskij, a Lisbeth Salander é perita em computação.

—É - Sonja Modig assentiu com a cabeça.

—Hmm. A teoria do Blomkvist é que Dag Svensson e Mia Bergman foram assassinados por causa da pesquisa que o Svensson estava fazendo. E que devia estar no computador.

—Estamos com vários trens de atraso. Três vítimas, são tantas pistas para retraçar que nos cria um problema de tempo, mas o fato é que ainda não efetuamos uma busca em regra no local de trabalho do Dag Svensson na Millennium.

—Falei com a Erika Berger agora de manhã. Diz ela que estão surpresos de ainda não termos ido lá dar uma olhada nas coisas dele. Ficamos muito concentrados na Lisbeth Salander, para prendê-la o quanto antes, e a verdade é que sabemos muito pouco sobre o motivo. Você poderia...

—Marquei com a Berger uma visita para amanhã.

—Obrigado.

Na quinta-feira, Mikael estava conversando com Malu Eriksson em sua sala quando ouviu o telefone da redação tocar. Avistou Henry Cortez pela fresta da porta e não prestou mais atenção. Então, no fundo de seu cérebro, registrou que era o telefone da sala de Dag Svensson que estava tocando. Interrompeu-se em meio a uma frase e levantou-se de um salto.

—Pare, não toque nesse aparelho! - gritou.

Henry Cortez acabava de pôr a mão no telefone. Mikael entrou correndo na sala. Como é que era mesmo a droga do nome que ele...

—Índigo Marketing, bom dia, quem fala é o Mikael. No que posso ajudá-lo?

—Hã... bom dia, meu nome é Gunnar Björck. Recebi uma carta dizendo que ganhei um celular.

—Meus parabéns - disse Mikael Blomkvist. —Trata-se de um Sony Ericsson, o último modelo.

—E é de graça?

—Inteiramente de graça. A única coisa é que, para receber seu prê­mio, o senhor precisa responder a uma pesquisa. Trabalhamos com análise de mercado e análises aprofundadas para diversas empresas. O senhor teria de gastar uma horinha respondendo a algumas perguntas. E, se aceitar, passa para a segunda etapa concorrendo a cem mil coroas.

—Entendi. E é possível fazer isso por telefone?

—Não, sinto muito. Parte da pesquisa inclui a identificação de diversos logotipos de empresas que precisamos lhe mostrar. Também iremos lhe perguntar que tipo de imagem publicitária lhe parece a mais atraente, mostrando-lhe várias alternativas. Um dos nossos colaboradores irá visitá-lo.

—Ah, sim... E por que eu fui escolhido?

—Realizamos esse tipo de pesquisa duas ou três vezes por ano. Neste estudo de agora, estamos dando ênfase a homens da sua idade com boa situação profissional. Depois, a escolha foi feita ao acaso, pelos registros de identidade.

Por fim, Gunnar Björck aceitou receber a visita de um colaborador da Índigo Marketing. Informou que estava em licença médica, em repouso numa casa de campo em Smädalarö. Explicou como ir até lá. Marcaram o encontro para sexta-feira de manhã.

—YES! - exclamou Mikael depois de desligar.

Deu um soco no ar. Malu Eriksson e Henry Cortez trocaram um olhar perplexo.

Paolo Roberto aterrissou em Arlanda às onze e meia da quinta-feira. Dormira a maior parte do voo procedente de Nova York e, pela primeira vez, não sentia os efeitos do fuso horário.

Tinha passado um mês nos Estados Unidos debatendo sobre boxe, assistindo a lutas amistosas e buscando idéias para uma produção que ele pretendia vender à Strix Television. Constatou nostálgico, que sua carreira agora estava definitivamente encerrada, em parte por causa de uma suave pressão da família, em parte porque estava passando da idade. Não havia muito mais que ele pudesse fazer a não ser tentar manter a forma, o que ele fazia por meio de intensas sessões de treinamento pelo menos uma vez por semana. Ainda era um nome importante no mundo do boxe e imaginou que de um jeito ou de outro continuaria trabalhando com esse esporte o resto da vida.

Apanhou sua mala na esteira. Foi detido para revista ao passar pela alfândega. Mas um dos agentes sabia das coisas e o reconheceu.

—Olá, Paolo. Imagino que só tenha luva de boxe na sua mala.

Paolo Roberto garantiu que não levava nenhum objeto contrabandeado e deixaram-no entrar no país.

Estava deixando o hall de desembarque e pegando a rampa em direção ao ônibus para Arlanda quando estacou de repente, ao deparar com o rosto de Lisbeth Salander nas manchetes dos jornais vespertinos. De início não entendeu o que estava vendo. Perguntou-se se, afinal, não estava sentindo o efeito do fuso horário. Então voltou a ler a manchete.