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Mas ele tinha dado atenção a Zala. Bem pensado, Super-Blomkvist. Perguntou-se se ele teria se interessado por Zala caso ela não tivesse lhe mandado o nome.

Em seguida, notou com ligeira surpresa que Paolo Roberto aparecia de repente nos documentos. Boa notícia. Abriu um sorriso. Gostava daquela garganta. Era machista até o último fio de cabelo. Quando se enfrentavam no ringue, não hesitava em dar porrada. Desde que ela deixasse, claro.

Súbito, pulou da cadeira ao ler o último e-mail de Mikael Blomkvist para Erika Berger.

Gunnar Björck, da Säpo, detém informações sobre Zala.

Gunnar Björck conhecia o Bjurman.

O olhar de Lisbeth se turvou ao traçar mentalmente um triângulo. Zala. Bjurman. Björck. Damned, não é que faz sentido! Ela nunca tinha considerado o problema por esse ângulo. Mikael Blomkvist talvez não fosse tão bobo assim, afinal. Só que ele, obviamente, não entendia o contexto. Nem ela entendia, embora estivesse mais por dentro do que tinha acontecido. Pensou um pouco sobre Bjurman e se deu conta de que o fato de ele ter conhecido Björck o transformava numa peça um pouco mais importante do que ela imaginara.

Concluiu que provavelmente seria obrigada a fazer uma visita a Smádalarõ.

Em seguida, entrou no disco rígido de Mikael e criou um novo arquivo dentro da pasta [LISBETH SALANDER]. Chamou-o de [Canto do ringue]. Ele o veria na próxima vez que abrisse o iBook.

1. Fique longe de Teleborian. Esse cara é um sanguessuga.

2.Miriam Wu não tem absolutamente nada a ver com essa história.

3. Você está certo em se concentrar em Zala. Ele é a chave. Mas não vai encontrá-lo em nenhum registro.

4. Existe um elo entre Bjurman e Zala. Não sei qual é, mas estou trabalhando nisso. Björck?

5. Importante. Existe um relatório de polícia constrangedor a meu respeito, datado de fevereiro de 1991. Não sei o número do cadastro e não estou encontrando em lugar nenhum. Por que Ekström não o divulgou para a imprensa? Resposta: não está no PC dele. Conclusão: ele desconhece sua existência. Como é possível?]

Pensou um pouco e acrescentou mais um parágrafo.

[P. S. Mikael, eu não sou inocente. Mas não matei o Dag e a Mia nem tenho nada a ver com o assassinato deles. Estive com eles na noite da matança, mas fui embora antes de eles serem mortos. Obrigada por acreditar em mim. Diga ao Paolo que ele tem um esquerdo de mulherzinha.]

Pensou mais um pouco e percebeu que era realmente doloroso demais não saber, para uma viciada em informações do seu calibre. Acrescentou mais uma linha.

[P. S. 2. Como é que você sabe sobre o Wennerstrôm?]

Mikael Blomkvist viu o arquivo de Lisbeth três horas depois. Leu a mensagem, linha por linha, cinco vezes ou mais. Pela primeira vez, ela afirmava claramente alguma coisa. Dizia que não tinha matado Dag e Mia. Ele acreditou e sentiu um alívio imenso. Finalmente ela estava falando com ele, ainda que, como sempre, de forma misteriosa.

Reparou também que ela negava apenas o assassinato de Dag e Mia, sem mencionar Bjurman. Mikael preferiu achar que era porque ele só falara em Dag e Mia no seu e-mail. Depois de refletir um pouco, criou o [Canto do ringue 2].

[Olá, Sally,

Obrigado por finalmente dizer que é inocente. Acreditei em você, mas também fui influenciado por toda a tempestade da mídia e cheguei a sentir alguma dúvida. Me fez bem ouvir isso diretamente do seu teclado.

Então só nos resta encontrar o verdadeiro assassino. É algo que nós dois já fizemos. Avançaríamos mais depressa se você não fosse tão misteriosa. Imagino que esteja lendo o meu diário de investigação. Então sabe mais ou menos o que ando fazendo e como tenho raciocinado. Acho que o Björck sabe de alguma coisa e vou conversar de novo com ele um dia desses.

Estou na pista errada ao me focar nos clientes sexuais?

Essa história de relatório policial me intriga. Vou instruir a Malu, minha colaboradora, para que o encontre. Na época, você tinha doze ou treze anos, é isso? Do que se trata?

Registrei seu conselho quanto ao Teleborian. M.

P.S. Você deixou passar um troço no golpe do Wennerstrôm. Eu já sabia o que você tinha feito quando estivemos em Sandhamm no Natal, mas não perguntei nada porque você não tocou no assunto. E não pretendo dizer qual foi o seu erro, a menos que você me convide para um café.]

A resposta chegou três horas depois.

[Esqueça os clientes. O que interessa é o Zala. E um gigante loiro. Mas o relató­rio da polícia é interessante porque parece que alguém está querendo escondê-lo. Não pode ser por acaso.]

O procurador Ekström estava aborrecido quando juntou a equipe de Bublanski para uma reunião na segunda-feira de manhã. Mais de uma semana perseguindo um suspeito identificado e com uma aparência física bastante singular não dera nenhum resultado.

O humor de Ekström não melhorou quando Curt Bolinder, que estivera de plantão no fim de semana, relatou os últimos acontecimentos.

—Intrusão? - exclamou Ekström, sem disfarçar sua surpresa.

—O vizinho me ligou no domingo à noite quando percebeu que o lacre na porta de Bjurman tinha sido rompido. Fui até lá verificar.

—E no que deu sua verificação?

—Os lacres foram cortados em três lugares. Provavelmente com gilete ou estilete. Um bom trabalho. Mal dava para notar.

—Assalto? Existem bandidos especializados em defuntos...

—Não foi assalto. Examinei o apartamento. Estavam lá todos os objetos de valor corriqueiros, videocassete e coisas assim. Em compensação, a chave do carro de Bjurman estava em cima da mesa da cozinha.

—A chave do carro? - disse Ekström.

—O Jerker Holmberg esteve no apartamento na quarta passada para dar uma revisada, vai que a gente tivesse deixado escapar alguma coisa. Entre outras coisas, conferiu o carro. Ele jura que não tinha nenhuma chave de carro na mesa da cozinha quando saiu do apartamento, e que ele repôs o lacre.

—Ele pode ter esquecido de guardar a chave. Todo mundo pode se enganar.

—O Holmberg não usou aquela chave. Ele usou uma cópia do chaveiro do Bjurman que estava com a gente.

Bublanski passou a mão no queixo.

—Ou seja, não foi um assalto no sentido usual?

—Intrusão. Alguém entrou no apartamento do Bjurman para bisbilhotar. E só pode ter sido entre a quarta-feira e o domingo à noite, quando o vizinho notou que os lacres estavam rompidos.

—Em outras palavras, alguém foi procurar alguma coisa... Jerker?

—Não havia nada lá que a gente já não tivesse apanhado.

—Pelo menos que a gente saiba. O motivo dos assassinatos ainda não está muito claro. Partimos da hipótese de que a Salander é uma psicopata, mas até os psicopatas precisam de um motivo.

—O que você sugere?

—Não sei. Que alguém dedique um tempo passando o apartamento do Bjurman a pente-fino. Precisamos responder a duas perguntas. Primeira: quem? Segunda: por quê? O que deixamos passar?

Fez-se silêncio por alguns instantes.

—Jerker...

Jerker Holmberg deu um suspiro resignado.

—Está bem. Vou voltar lá no Bjurman passar um pente-fino no apartamento.

Eram onze horas de segunda-feira quando Lisbeth Salander acordou. Ficou meia hora preguiçando na cama antes de se levantar, ligar a cafeteira e tomar um banho. Feito isso, preparou dois sanduíches e sentou-se diante do Powerbook para se atualizar sobre o que se passava no computador do procurador Ekström e ler as edições on-line de vários jornais. Observou que o interesse pelos assassinatos de Enskede diminuía. Então abriu a pasta de investigação de Dag Svensson e leu atentamente suas anotações sobre o confronto com o jornalista Per-Áke Sandström, o cliente que fazia o jogo da máfia do sexo e sabia de alguma coisa sobre Zala. Ao terminar a leitura, serviu-se de mais um café e sentou-se no canto da janela para refletir.