Выбрать главу

— E quem são os superiores dele?

— Ele se recusa a dizer.

— O que vai acontecer com ele então?

— Eu o indiciei por remuneração de serviços sexuais. Graças ao Dag Svensson, dispomos de uma excelente documentação. Isso tirou o Ekstrõm do sério, mas como eu tinha feito um relatório ele pode se complicar se abandonar a investigação — disse Curt Bolinder.

— Ahã. Infração à lei sobre remuneração de serviços sexuais. Isso dá o quê, imagino que uma multa?

— Provavelmente. Mas com essa ele fica no nosso sistema e pode ser chamado outra vez para um interrogatório.

— Mas aí já estamos invadindo a praia da Sapo. Isso pode causar turbulências.

— O problema é que nada do que está acontecendo hoje teria acontecido se a Sapo não estivesse envolvida, de um jeito ou de outro. E possível que o Zalachenko seja de fato um espião russo que pendurou as chuteiras e pediu asilo político. Também é possível que ele tenha trabalhado para a Sapo como agente, ou fonte, não sei bem como dizer, e que haja um bom motivo para terem fornecido a ele uma identidade falsa e o anonimato. Mas existem três poréns. Primeiro, a investigação realizada em 1991 que levou à internação da Lisbeth Salander é ilegal. Segundo, a atividade do Zalachenko a partir dessa data não tem absolutamente nada a ver com segurança nacional. O Zalachenko é um gângster muito do ordinário e provavelmente cúmplice de uma série de homicídios e outros crimes. Terceiro, não resta a menor dúvida de que atiraram na Lisbeth Salander e a enterraram nas terras do Zalachenko em Gosseberga.

— Falando nisso, eu gostaria muito de ler esse famoso relatório — disse Jerker Holmberg.

A expressão de Bublanski se turvou.

— O Ekstrõm pôs as mãos nele na sexta-feira. Quando pedi de volta, ele disse que ia fazer uma cópia, mas nada. Em vez disso, me ligou dizendo que tinha falado com o Ministério Público e que havia um problema. Segundo o procurador-geral da nação, como é um dossiê considerado segredo de segurança nacional, o relatório não pode circular ou ser copiado. O procurador exigiu que lhe fossem entregues todas as cópias até que o caso seja esclarecido. E, portanto, a Sonja foi obrigada a devolver a cópia que ela tinha.

— Quer dizer que não temos mais esse relatório?

— Não.

— Droga — disse Holmberg. — Isso não é um bom sinal.

— Não é mesmo — disse Bublanski. — Mas significa, principalmente, que alguém está agindo contra nós, e o que é pior: agindo rápido e com eficiência. Foi essa investigação que tinha nos posto na pista certa.

— Então vamos precisar descobrir quem está agindo contra nós — disse Holmberg.

— Outra coisa — disse Sonja Modig. — Também tem o Peter Teleborian. Ele colaborou com a nossa investigação apresentando um perfil da Lisbeth Salander.

— Exato — disse. Bublanski com uma voz ainda mais sombria. — E o que ele diz?

— Que estava muito preocupado com a segurança dela, que só queria o bem dela. Mas depois desse blá-blá-blá, acrescentou que ela era muito perigosa e capaz de resistir. E nós baseamos boa parte do nosso raciocínio no que ele falou.

— E ele também deixou o Hans Faste um tanto assustado — disse Holmberg. — Por sinal, alguém tem notícias dele?

— Está de férias — respondeu Bublanski secamente. — A questão é o que a gente vai fazer agora.

Passaram as duas horas seguintes discutindo diferentes possibilidades. A única decisão prática que resultou disso foi que Sonja Modig retornaria a Góteborg no dia seguinte para ouvir Lisbeth Salander, ver se ela tinha algo a dizer. Quando finalmente encerraram a reunião, Sonja Modig e Curt Bolinder desceram juntos até a garagem.

— Estava pensando numa coisa... — Curt Bolinder se interrompeu.

— Sim? — perguntou Sonja Modig.

— É que, quando a gente consultou o Teleborian, você foi a única da equipe que fez algumas perguntas e até discordou dele.

— Foi.

— Foi... pois é. Boa intuição — disse ele.

Curt Bolinder não tinha fama de jogar confete, e de fato era a primeira vez que ele dizia algo positivo ou estimulante para Sonja Modig. Então saiu, deixando-a surpresa ao lado do carro...

5. DOMINGO 10 DE ABRIL

Mikael Blomkvist passara a noite de sábado para domingo na cama com Erika Berger. Não fizeram amor, ficaram apenas conversando. Grande parte da conversa girou em torno dos detalhes do caso Zalachenko. A confiança entre eles era tal que Mikael não se importava nem um pouco com o fato de Erika ir trabalhar num jornal concorrente. E Erika não tinha nenhuma intenção de roubar a matéria dele. Aquele furo era da Millennium, e ela só sentia certa frustração por não participar daquele número. Teria gostado de encerrar com ele seus anos na Millennium.

Conversaram também sobre o futuro e o que a nova situação iria acarretar. Erika estava decidida a manter suas ações na Millennium e permanecer no conselho administrativo. Em compensação, ambos entendiam que ela obviamente não poderia estar à par do trabalho da redação.

— Me dê alguns anos no SMP e... quem sabe? Talvez eu ainda volte para a Millennium quando a minha aposentadoria estiver chegando.

E conversaram sobre sua própria relação complicada. Não tinham a menor vontade de modificar seus hábitos, mas parecia claro que não iam poder se ver com a mesma freqüência. Ia ser como era nos anos 1980, antes de surgir a Millennium, quando ainda trabalhavam em lugares diferentes.

— A solução vai ser a gente marcar um ponto de encontro — concluiu Erika com um sorrisinho.

No domingo de manhã, despediram-se às pressas antes de Erika voltar para junto do marido, Lars Beckman.

— Não sei o que dizer — disse Erika. — Mas estou vendo todos os sinais de que você está totalmente absorvido por uma matéria, e o resto fica em segundo plano. Sabia que você se comporta como um psicopata quando está trabalhando?

Mikael sorriu e lhe deu um beijo.

Depois que Erika saiu, ele passou a manhã ligando para o Hospital Sahlgrenska para tentar obter alguma informação sobre o estado de Lisbeth Salander. Como todos se negavam a fornecê-la, acabou ligando para o inspetor Marcus Ackerman, que ficou com pena dele e contou que, considerando as circunstâncias, o estado de Lisbeth era satisfatório e que os médicos estavam relativamente otimistas. Mikael perguntou se podia visitá-la. Ackerman respondeu que Lisbeth Salander estava detida por decisão do procurador-geral da nação e que não estava autorizada a receber visitas, mas que, por enquanto, a questão ainda era teórica. Devido a seu estado, não pudera sequer ser interrogada. Mikael conseguiu que Ackerman prometesse avisá-lo caso o estado de Lisbeth piorasse.

Mikael verificou as chamadas recebidas em seu celular e encontrou quarenta e duas ligações e mensagens de texto de vários jornalistas tentando contatá-lo com urgência. A notícia de que, além de estar intimamente envolvido nos acontecimentos, fora ele quem encontrara Lisbeth Salander e acionara o sos-Brigada vinha sendo objeto de intensas especulações na mídia nas últimas vinte e quatro horas.

Mikael apagou todas as mensagens dos jornalistas. Depois ligou para a sua irmã, Annika Giannini, e combinou almoçarem juntos naquele dia.

Em seguida ligou para Dragan Armanskij, presidente da empresa de segurança Milton Security. Conseguiu encontrá-lo, no celular, na sua residência em Lidingõ.

— Cara, você tem o dom de produzir belas manchetes — disse Armanskij secamente.

— Desculpe não ter ligado durante a semana. Recebi o recado de que você estava tentando falar comigo, mas não tive tempo...

— Fizemos nossa própria investigação aqui na Milton. E o Holger Palmgren me disse que você tinha umas informações. Mas parece que você está centenas de quilômetros à nossa frente.