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Lars Faulsson, de quarenta e sete anos e conhecido pelo apelido de Fa-lun, iniciara sua carreira aos dezessete anos com roubos de carro. Nos anos 1970 e 1980, fora interrogado duas vezes e acusado de arrombamento, roubo agravado e receptação. Fora condenado uma primeira vez a uma pena moderada, e na segunda, a três anos de prisão. Na época, era considerado um indivíduo com um futuro promissor no meio da delinqüência, e fora interrogado como suspeito de pelo menos mais três assaltos, um deles envolvendo a quebra de um cofre bastante complexo e intrincado numa loja de departamentos de Vàsteras. Depois de cumprir a pena, mantivera-se na unha — ou, pelo menos, não cometera nenhuma infração que o levasse a ser detido e julgado. Em compensação, convertera-se — por coincidência — em chaveiro e, em 1987, abrira seu próprio negócio, o Chaves e Fechaduras Lars Faulsson, situado em Norrtull.

Identificar a mulher desconhecida que filmara Mártensson e Faulsson se revelou mais fácil do que Rosa imaginara. Ela simplesmente ligou para a recepção da Milton Security e alegou que estava procurando uma de suas funcionárias, que conhecera algum tempo atrás mas cujo nome esquecera Podia, no entanto, fornecer uma boa descrição da mulher. A recepção lhe in formou que parecia se tratar de Susanne Linder, e passou a ligação. Quando Susanne Linder atendeu, Rosa Figuerola se desculpou dizendo que discara o número errado.

Entrou nos arquivos do registro civil e constatou que existiam dezoito Susanne Linder na região de Estocolmo. Três tinham em torno de trinta e cinco anos. Uma residia em Norrtálje, a outra em Estocolmo, a terceira em Nacka. Pediu as fotos e identificou de imediato a mulher que ela seguira naquela manhã como sendo a Susanne Linder que residia em Nacka.

Resumiu as atividades do dia num relatório e foi até a sala de Torsten Edklinth.

Por volta das cinco da tarde, Mikael Blomkvist fechou o arquivo da pesquisa de Henry Cortez. Christer Malm largou o texto, que ele já lera quatro vezes. Henry Cortez estava sentado no sofá da sala de Malu Eriksson, aparentando um ar de culpa.

— Café? — perguntou Malu, levantando-se. Voltou com quatro canecas e a cafeteira.

Mikael suspirou.

— É uma puta de uma história — disse. — Pesquisa impecável. Documentada do início ao fim. Muito bem narrada, com um calhorda que extorque os suecos utilizando o sistema — o que é absolutamente legal —, mas que é suficientemente ganancioso e maléfico para recorrer a uma empresa que explora crianças no Vietnã.

— E ainda por cima está muito bem escrita — disse Christer Malm. — No dia seguinte à publicação, o Borgsjõ será persona non grata na vida econômica do país. A tevê vai reagir a esse texto. Ele vai ficar na mesma situação que os diretores da Skandia e outros tubarões. Um verdadeiro furo da Millennium. Boa, Henry.

Mikael assentiu com a cabeça.

— Só tem esse problema com a Erika para estragar a festa — disse ele. Christer Malm meneou a cabeça.

— E por que isso seria um problema? — perguntou Malu. — A escroque é a Erika. A gente tem o direito de investigar qualquer presidente de conselho administrativo, mesmo que, por acaso, ele seja o chefe da Erika.

- Mesmo assim, é um problema e tanto — disse Mikael.

- A Erika Berger não foi embora totalmente — disse Christer Malm.

- Ela ainda detém trinta por cento da Millennium e faz parte do nosso conselho administrativo. É inclusive presidente do conselho administrativo, até a gente poder eleger a Harriet Vanger na próxima assembléia, que vai ser em agosto. E a Erika trabalha para o SMP, também participa do conselho de lá, e nós vamos denunciar o presidente dela.

Silêncio morno.

— Bem, o que a gente faz? — perguntou Henry Cortez. — Esquecemos o texto?

Mikael fitou Henry Cortez, olho no olho.

— Não, Henry. Não vamos esquecer o texto. Não é assim que a gente trabalha aqui na Millennium. Mas isso vai nos custar um bocado de tarefas ingratas. Não dá simplesmente para jogar isso em cima da Erika sem falar com ela antes.

Christer Malm fez um gesto de concordância com a cabeça e balançou um dedo.

— Vamos colocar a Erika numa encrenca daquelas. A única saída para ela vai ser vender a sua parte e se demitir de imediato do conselho administrativo da Millennium, ou, no pior dos casos, ser demitida do SMP. Seja como for, ela vai ficar num tremendo conflito de interesses. Francamente, Henry... concordo com o Mikael sobre publicar o artigo, mas talvez a gente tenha que adiar por um mês.

Mikael meneou a cabeça.

— Pois a gente também está com um conflito de lealdades — disse.

— Quer que eu ligue para ela? — perguntou Christer Malm.

— Não — disse Mikael. — Eu ligo e marco um encontro. Tipo hoje à noite.

Torsten Edklinth escutou com atenção Rosa Figuerola resumir todo o Clrco armado em torno do prédio de Mikael Blomkvist no número 1 da Bell-niansgatan. Sentiu o chão balançar ligeiramente.

— Com que então um funcionário da Sapo entrou no prédio do Mikael Blomkvist acompanhado de um ex-arrombador de cofres-fortes reconvertido em chaveiro.

— Exato.

— Na sua opinião, o que eles fizeram depois que atravessaram a porta?

— Não sei. Mas ficaram lá dentro quarenta e nove minutos. E de se supor que o Faulsson abriu a porta e o Mârtensson entrou no apartamento de Blomkvist.

— Para fazer o quê?

— Dificilmente seria só para instalar material de escuta, pois isso não leva mais que um minuto. O Mârtensson deve ter vasculhado os papéis do Blomkvist, ou o que quer que ele guarde em casa.

— Mas o Blomkvist está escaldado... já roubaram o relatório do Bjõrck da casa dele.

— Isso mesmo. Ele sabe que está sendo vigiado, e está vigiando os que o vigiam. Ele está impassível.

— Como assim?

— Ele tem um plano. Está reunindo provas e pretende denunciar o Gõran Mârtensson. É a única explicação.

— E aí aparece essa mulher, a tal Linder.

— Susanne Linder, trinta e quatro anos, que mora em Nacka. E uma ex-policial.

— Policial?

— Ela cursou a Escola de Polícia e trabalhou seis anos nas Brigadas de Intervenção em Sõdermalm. Então, de repente, pediu demissão. Nada na ficha dela explica por quê. Ficou alguns meses desempregada até ser contratada pela Milton Security.

— Dragan Armanskij — disse Edklinth, pensativo. — Quanto tempo ela ficou no prédio?

— Nove minutos.

— Que ela ocupou de que maneira?

— Eu diria, já que ela estava filmando o Mârtensson e o Faulsson na rua, que ela está reunindo provas das atividades deles. Isso quer dizer que a Milton Security está trabalhando com o Blomkvist e instalou câmeras de vigilância apartamento ou na escada. Ela provavelmente foi até lá recolher as informações das câmeras.

Edklinth suspirou. Aquele caso Zalachenko estava começando a ficar altamente complicado.

- Bem. Obrigado. Vá para casa. Preciso pensar sobre tudo isso.

Rosa Figuerola foi até a academia da Praça Sankt Erik e fez uma aula de spinning.

Mikael Blomkvist usou seu telefone extra Ericsson TIO azul para ligar para Erika Berger no SMP. Interrompeu-a em meio a uma discussão com os redatores sobre a orientação a ser dada a um texto sobre terrorismo internacional.

— Que surpresa! Oi... espere um pouquinho.

Erika tapou o aparelho com a mão e olhou em redor.

— Acho que terminamos — disse, e passou umas últimas instruções. Quando ficou sozinha no aquário, voltou ao telefone.

— Oi, Mikael. Lamento não ter dado notícias. Estou abarrotada de trabalho e com mil coisas para assimilar.

— Eu também não ando muito parado — disse Mikael.

— Como vai o caso Salander?

— Vai bem. Mas não é por isso que estou ligando. Preciso ver você. Hoje à noite.

— Eu adoraria, mas vou ficar aqui até as oito horas. E estou exausta. Estou trabalhando desde as seis.