Выбрать главу

— Eu não acho... Eu não sei. O komiteh não poderia fazer o que o senhor está pedindo assim tão depressa.

— Eu sei que é difícil, mas se o senhor interceder por nós junto ao seu komiteh, eles certamente vão ouvir. Isto nos ajudaria imensamente e nós ficaríamos em débito com o senhor — Gavallan acrescentou, usando a expressão consagrada pelo tempo que, em qualquer língua, significava: o que o senhor deseja em troca? Ele viu McIver trocar para a freqüência da torre e oferecer-

lhe o microfone. — O senhor aperta o botão para falar, Excelência. Se o senhor nos quiser honrar com a sua ajuda...

O mulá Tehrani hesitou, sem saber o que fazer. Enquanto ele olhava para o microfone, McIver lançou um olhar significativo para Sabolir.

Sabolir compreendeu imediatamente, com os reflexos perfeitos.

— É claro que o seu komiteh vai concordar com qualquer decisão sua, Excelência Tehrani — disse, com sua voz untuosa. — Mas amanhã, pelo que eu entendi, o senhor tem que visitar os outros campos de aviação para se certificar de quantos helicópteros civis estão na sua área, que compreende toda Teerã, e onde eles estão. Não é?

— Minhas ordens são essas, sim — concordou o mulá. — Eu e alguns membros do meu komiteh temos que visitar os outros campos de aviação amanhã.

Sabolir suspirou profundamente, fingindo decepção, e McIver teve dificuldade em prender o riso, tão forçada era a sua performance.

— Infelizmente, não seria possível o senhor visitar todos eles de carro ou a pé e ainda estar de volta para supervisionar, pessoalmente, a chegada e o retorno imediato deste aparelho que, sem nenhuma culpa, foi recusado por causa de controladores de tráfego arrogantes, em Kish e em Isfahan, que ousaram não consultá-lo primeiro.

— É verdade — concordou o mulá. — A culpa foi deles!

— Sete horas seria conveniente para o senhor, Excelência Tehrani? — disse imediatamente McIver. — Nós teríamos prazer em ajudar o seu komiteh de aeroportos. Eu lhe darei o meu melhor piloto e o senhor estará de volta com tempo de sobra para, ahn, para supervisionar a operação. Quantos homens iriam com o senhor?

— Seis... — disse distraidamente o mulá, radiante com a idéia de ser capaz de executar as suas ordens, trabalho de Deus, de uma forma tão conveniente e confortável, como um verdadeiro aiatolá. — Isto... isto poderia ser feito?

— É claro! — disse McIver. — Às sete horas, aqui. O capitão, ahn, o capitão Nathaniel Lane terá um 212 pronto. Sete pessoas incluindo o senhor, e no máximo sete esposas. O senhor, evidentemente, voará na cabine junto com o piloto. Considere tudo combinado.

O mulá só tinha voado duas vezes na vida: para a universidade na Inglaterra e de volta para casa, apertado num vôo especial de estudantes da Iran Air. Ele sorriu e estendeu a mão para o microfone:

— Às sete horas.

McIver e Gavallan não demostraram o seu alívio pela vitória. Nem Sabolir.

Sabolir estava satisfeito pelo mulá ter sido enrolado. Como Deus quiser! Agora, se eu for acusado falsamente, terei um aliado, disse a si mesmo. Este idiota, este falso mulá filho de um cão, não aceitou um suborno? Não um pishkesh , mas dois: óculos novos e uma viagem aérea desnecessária e não autorizada. Ele não permitiu deliberadamente que esses ingleses mentirosos, que ainda pensam que podem seduzir-nos com quinquilharias e roubar as nossas riquezas por uns poucos riais, o fizessem de bobo? Escutem só o idiota, dando aos estrangeiros o que eles desejam!

Ele olhou para McIver, significativamente. E encarou-o. Depois, mais uma

vez, tornou a olhar para o chão. Agora, você, seu ocidental arrogante, filho de um cão, ele pensou, qual o favor que me prestará em troca da minha ajuda?

NO CLUBE FRANCÊS: 19:10H. Gavallan aceitou o copo de vinho tinto e McIver o de vinho branco, que o garçom francês, uniformizado, ofereceu-lhes.

Brindaram e beberam satisfeitos, cansados depois da viagem de volta do aeroporto. Estavam sentados com outros convidados, na maioria europeus, homens e mulheres, no salão que dava para os jardins cobertos de neve e para as quadras de tênis, cheio de cadeiras modernas e confortáveis, com um bar completo. Havia muitas outras salas para banquetes, bailes, jantares, jogos, e sauna em outras partes deste edifício que ficava na melhor região de Teerã. O clube francês era o único clube de estrangeiros que ainda estava em funcionamento. O clube americano, com seu enorme complexo de diversões, campos de esporte e de beisebol, bem como os clubes britânico, alemão e muitos outros tinham sido fechados, seus bares e estoques de bebida destruídos.

— Meu Deus, isso é bom — disse McIver, com o vinho branco gelado livrando-o do cansaço. — Não conte a Gen que paramos aqui.

— Não é preciso, Mac, ela vai saber.

— Você tem razão, não faz mal. Consegui reservar lugar para jantar aqui esta noite. Custa os olhos da cara, mas vale a pena. Antes, só havia lugar em pé, a esta hora da noite... — Ele virou a cabeça ao ouvir uma gargalhada de algum francês do outro lado da sala. — Por um instante, pensei que fosse Jean-Luc. Parece que já se passaram anos desde a festa natalina que ele deu aqui. Eu me pergunto se algum dia teremos outra.

— É claro que sim — disse Gavallan, para animá-lo, preocupado porque o amigo parecia ter perdido toda a animação. — Não deixe aquele mulá entristecê-lo.

— Ele me deu arrepios. E Armstrong também, pensando bem. E Talbot. Mas você tem razão, Andy, não devo deixar isso me abater. Estamos em melhor situação do que estávamos há dois dias atrás... — Mais risadas o distraíram e ele começou a pensar em todas as vezes que tinha se divertido ali com Genny, Pettikin e Lochart... não vou pensar nele agora... e com todos os outros pilotos e seus muitos amigos, ingleses, americanos, iranianos. Todos tinham partido, a maioria deles. Costumava ser assim: "Gen, vamos até o clube francês, as finais de tênis são hoje à tarde"... Ou: "Valik está dando um coquetel, a partir das oito horas, no clube de oficiais iranianos"... Ou: "Há um jogo de pólo, um jogo de beisebol, uma competição de natação, uma competição de esqui"... Ou: "Sinto muito, este fim-de-semana nós não podemos, vamos para a casa do embaixador, no Cáspio"... Ou: "Eu adoraria, mas Genny não pode ir, ela está comprando tapetes em Isfahan"...

— É que nós tínhamos tanta coisa para fazer aqui, Andy, a vida social era a melhor possível, quanto a isso não há dúvida. Agora é duro ficar só tentando entrar em contato com os nossos operadores.

— Mac — disse bondosamente —, responda francamente: você quer sair do Irã e deixar uma outra pessoa assumir?

— Meu Deus, onde você foi buscar essa idéia? Não, absolutamente. Só porque eu estava um pouco deprimido você pensou que... Meu Deus, não — ele disse, mas sua mente foi subitamente sacudida pela mesma indagação, impensável há alguns dias atrás: você está perdendo a força de vontade, o controle, a necessidade de seguir em frente. Está na hora de largar? Não sei, pensou, dolorosamente abalado pela verdade, mas seu rosto sorriu. — Está tudo bem, Andy. Nada que não possamos resolver.

— Ótimo. Desculpe, espero que não tenha se importado com a pergunta. Acho que me senti encorajado pelo mulá. A não ser quando ele falou a respeito "dos nossos aparelhos iranianos".

— A verdade é que Valik e os sócios agiram como se os aparelhos fossem deles desde a assinatura do contrato.

— Graças a Deus é um contrato britânico, que vigora sob leis britânicas. — Gavallan olhou por sobre o ombro de McIver e arregalou os olhos. A moça que estava entrando na sala tinha vinte e tantos anos, cabelos e olhos escuros e era estonteante. McIver seguiu-lhe o olhar, animou-se e levantou-se.

— Alô, Sayada — disse, acenando para ela. — Posso apresentar-lhe Andrew Gavallan? Andy, esta é Sayada Bertolin, uma amiga de Jean-Luc. Você gostaria de se sentar conosco?