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Não foi um grande combate, pensou Rudi, zangado e desgostoso. Mísseis e canhões contra nada, mas suponho que ordens são ordens e o HBC estava errado, seja quem for que estivesse pilotando, seja quem for que estivesse a bordo. Ele devia ter parado — eu teria parado. Teria mesmo? Se eu fosse o piloto do avião de combate e aqui fosse a Alemanha e o helicóptero estivesse fugindo em direção a uma fronteira controlada pelo inimigo, sabe Deus com quem a bordo, e eu recebesse ordens de... Espere um minuto, será que Hushang fez isto no espaço aéreo iraquiano? Bem, eu não vou perguntar. Tão certo quanto Deus não fala com Khomeini, Hushang não me diria se o tivesse feito. Eu não diria.

Melancolicamente, encheu o bule com a água da chaleira e lembrou-se da outra da sua infância, depois olhou pela janela. Um velho ônibus estava parando na estrada, do lado de fora do perímetro do aeroporto. Ele viu o homem alto saltar. Por um momento, não o reconheceu. Então, com um sobressalto de alegria, reconheceu-o e disse apressadamente.

— Dê-me licença um momento..

Eles se encontraram no portão, com os Faixas Verdes observando-os curiosamente.

— Tom, Wiegeht'sl Como vai? Que diabo você está fazendo aqui? Por que você não nos avisou que estava vindo? Como vai Zagros, e Jean-Luc? — Estava tão feliz que não notou o cansaço de Lochart e nem o estado das suas roupas: sujas, rasgadas e manchadas da viagem.

— Há um bocado que contar, Rudi — disse Lochart. — Um bocado que contar, mas estou exausto. Preciso de um pouco de chá e de um pouco de sono. Está bem?

— É claro. — Rudi sorriu para ele. — É claro. Venha, vou abrir a minha última garrafa secreta de uísque, que eu finjo até para mim mesmo que não existe e então nós... — De repente, ele notou o estado em que o amigo se encontrava e seu sorriso desapareceu. — Que diabo aconteceu com você? Você parece que foi arrastado de costas por um matagal. — Ele viu Lochart olhar imperceptivelmente para os guardas que estavam ali perto escutando.

— Nada, Rudi, nada. Primeiro um banho, hein?

— Claro, sim, é claro. Você, ahn, pode usar o meu trailer. — Muito perturbado, ele caminhou ao lado de Lochart, em direção ao aeroporto. Nunca o tinha visto tão envelhecido e tão vagaroso. Ele parece muito abalado, quase., quase como se tivesse sofrido um acidente grave...

Lá no hangar, viu Yemeni espiando para eles de uma das janelas do escritório. Fowler Joines e o outro mecânico tinham parado de trabalhar e estavam começando a dar uma volta. Então, do outro lado do acampamento, viu Hushang chegar na escada do seu trailer e a cabeça de Rudi pareceu explodir

— Oh, Cristo — exclamou. — Não o HBC?

Lochart parou bruscamente, sem um pingo de cor no rosto

— Como é que você sabe a respeito dele?

— Mas ele disse que o HBC tinha sido destruído, que tinha explodido no ar! Como você conseguiu escapar? Como?

— Destruído? — Lochart estava em choque. — Jesus, quem... quem disse isso?

Os reflexos ajudaram Rudi, e sem dar muito na vista, ele virou as costas para Hushang.

— O oficial iraniano que está na porta. Não olhe, pelo amor de Deus. Ele pilotou o aparelho interceptador, um F14. Ele explodiu o helicóptero! — Colocou um sorriso forçado nos lábios, agarrou Lochart pelo braço, e mais uma

vez tentando não dar na vista, conduziu-o para o trailer mais próximo. — Você pode ficar no quarto de Jon Tyrer — disse com uma jovialidade forçada, e assim que fechou a porta atrás deles, cochichou depressa: — Hushang disse que abateu o HBC perto da fronteira do Iraque ontem, ao pôr-do-sol. Destruiu-o completamente. Como você escapou? Quem estava a bordo? Rápido, conte-me o que aconteceu. Rápido!

— Eu... eu não pilotei na última parte da viagem, eu não estava lá — disse Lochart, tentando fazer a cabeça trabalhar e também mantendo a voz baixa, pois as paredes do trailer eram muito finas. — Eles me deixaram em Dez Dam. Eu caminhei...

— Dez Dam? Que diabo você estava fazendo lá? Quem deixou você? Lochart hesitou. Tudo estava acontecendo muito depressa.

— Eu não sei se deveria... se deveria contar por...

— Pelo amor de Deus, eles estão atrás do HBC, nós temos que fazer alguma coisa depressa. Quem estava pilotando, quem estava a bordo?

— Eram todos iranianos fugindo do Irã. Todos da Força Aérea de Isfahan: general Seladi, oito coronéis e majores de Isfahan, eu não sei o nome deles, e o general Valik, sua mulher e... — Lochart mal conseguiu dizer — e seus dois filhos.

Rudi ficou horrizado. Ele tinha ouvido falar em Annoush e nas duas crianças e tinha encontrado Valik várias vezes.

— Isso é terrível, terrível. Que diabo eu vou dizer?

— O quê? A respeito de quê? As palavras jorraram:

— O major Qazani e Hushang, eles chegaram há menos de meia hora atrás. O major acabou de sair, mas mandou que eu descobrisse se o HBC é da S-G, onde estava sediado e quem estava a bordo. Eu recebi ordens de ligar para Kowiss para saber e Hushang vai estar escutando e ele não é nenhum idiota, nenhum idiota, ele tinha certeza de ter visto o emblema da S-G antes de explodir o aparelho. Kowiss vai ter que dizer que o pássaro era nosso e eles vão chamar Teerã e fim.

Lochart sentou-se numa das camas. Apatetado.

— Eu os avisei. Eu os avisei para esperar até a noite! Que diabo eu posso fazer?

— Saia correndo. Talvez vo... — Houve uma batida na porta e eles ficaram paralisados.

— Skipper, sou eu, Fowler. Trouxe-lhe um pouco de chá, achei que Tom podia estar precisando.

— Obrigado, só um instante, Fowler — disse, e então baixou a voz. — Tom, qual é a sua história? Você tem alguma?

— A melhor que eu pude inventar é que eu estava voltando de umas férias, pegando carona, em Luristan, ao sul de Kermanshah. Fiquei preso numa aldeia por causa de uma nevasca, durante aproximadamente uma semana e no fim consegui uma carona para sair.

— Serve. Onde é a sua base?

— Em Zagros.

— Bom. Alguém já pediu para ver a sua identidade?

— Sim. O vendedor de passagens em Ahwaz e alguns Faixas Verdes.

— Scheissel — Rudi abriu a porta. Fowler Joines entrou com a bandeja de chá.

— Como vai, Tom? — disse com o seu sorriso desdentado.

— É bom ver você, Fowler. Praguejando muito?

— Não tanto quanto Effer Jordon. Como vai o meu velho companheiro? O cansaço tomou conta de Lochart e ele se recostou na parede. Zagros e Effer Jordon, Rodrigues, Jean-Luc, Scot Gavallan e os outros pareciam estar muito distantes.

— Ainda está usando o seu chapéu — disse com grande esforço, aceitou o chá, agradecido, e engoliu-o. Quente, forte, com leite condensado, o maior estimulante do mundo. O que foi que Rudi disse? Sair correndo? Eu não posso, pensou enquanto o sono tomava conta dele. Não sem Xarazade...

Rudi terminou de contar a Fowler a história inventada por Lochart.

— Espalhe por aí.

— Férias pedindo carona? — O mecânico pestanejou. — Tom Lochart? Sozinho? Com você sabe quem em Teerã? Você ficou maluco, meu velho?

Rudi olhou para ele.

— Como quiser, meu velho. — Fowler virou-se para falar com Lochart, mas este já estava dormindo, com o rosto marcado de cansaço. — Puxa! Ele... — Seus astutos olhos azuis, enfiados na sua cara torta, tornaram a olhar para Rudi. — Eu vou espalhar esta história como se fosse o maldito Gênesis. — E saiu.

Pouco antes da porta fechar-se, Rudi viu Hushang esperando ao lado do trailer e arrependeu-se de tê-lo deixado tanto tempo sozinho. Olhou para Lochart. Pobre Tom. Que diabo ele estaria fazendo em Isfahan? Deus do céu, que confusão! Que diabo eu vou fazer agora? Cuidadosamente, tirou a xícara da mão de Tom, mas o canadense acordou assustado.

— Por um momento, Lochart não soube se estava acordando ou sonhando. Seu coração disparara, sentia uma dor de cabeça terrível e estava de volta à represa na beira da água, com Rudi em pé contra a luz, exatamente como Ali, e Lochart sem saber se pulava em cima dele ou se se arriscava a mergulhar, com vontade de gritar: Não atire, não atire...