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De volta à Escócia como você sempre quis. Eu para pôr em prática os planos de Ian, você para recobrar a saúde. Mas esta parte não aconteceria. Vendo você morrer. Vendo o sorriso doce que você usava para disfarçar o inferno que sentia por dentro, tão corajosa e delicada e sábia e amorosa, mas piorando aos poucos. Tão devagar, e no entanto tão depressa, tão inexoravelmente. Em 1968 numa cadeira de rodas, com a mente ainda cristalina, a voz clara, o resto uma casca, fora de controle e tremendo. Então chegou 1970.

Naquele Natal eles estavam no Castelo Avisyard. E no segundo dia do novo ano, depois que os outros já tinham partido e que Melinda e Scot estavam esquiando na Suíça, ela tinha dito:

— Andy, meu querido, eu não posso suportar um outro ano, um outro mês, um outro dia.

— Sim — ele disse simplesmente.

— Desculpe, mas eu vou precisar de ajuda. Eu preciso partir e eu, eu sinto muito que tenha demorado tanto... mas eu preciso partir agora, Andy. Eu tenho que fazer isso sozinha, mas vou precisar de ajuda. Sim?

— Sim, minha querida.

Eles tinham passado um dia e uma noite conversando, conversando sobre coisas boas e sobre os bons tempos e o que ele deveria fazer por Melinda e Scot, e que ela queria que ele se casasse de novo, e ela lhe disse como a vida com ele tinha sido maravilhosa e eles riram, juntos, e suas lágrimas só foram derramadas mais tarde. Ele segurou-lhe a mão paralítica com as pílulas de dormir e apoiou a cabeça dela em seu peito e ajudou-a com o copo d'água — com um pouco de uísque dentro para dar sorte — e só a soltou quando o tremor tinha parado.

O médico dissera delicadamente: "Eu não a culpo. Se eu fosse ela, já teria feito isso há anos, pobre mulher".

Então ele tinha ido até a Árvore de Gritar. Mas sem gritar nenhuma palavra — só lágrimas.

— Andy?

— Sim, Kathy?

Gavallan levantou os olhos e viu que era Genny, na porta com McIver, os dois observando-o.

— Oh, olá, Genny, sinto muito, eu estava a quilômetros de distância. — Ele se levantou. — Eu acho que foi o Avisyard que me fez meditar.

— Oh, um telex Avisyard? Nenhum aparelho caiu? — Perguntou Genny, ansiosamente.

— Não, não, graças a Deus, só a Imperial Helicópteros com mais um dos seus truques.

— Oh, graças a Deus — disse Genny, francamente aliviada. Ela estava usando um casaco pesado e um bonito chapéu. Sua mala estava na ante-sala onde Nogger Lane e Charlie Pettikin esperavam. — Bem, Andy — disse —, a menos que você passe por cima do sr. McIver, acho que temos que ir. Eu estou tão pronta quanto o possível.

— Vamos, Gen, não há neces... — McIver parou quando ela levantou a mão imperiosamente.

— Andy — ela disse docemente —, por favor, diga ao sr. McIver que a guerra foi declarada.

— Gen! Você...

— Declarada, por Deus! — Imperiosamente, ela afastou Nogger Lane, apanhou sua mala, tropeçou um pouco por causa do peso, e saiu dizendo com um ar mais imperioso ainda: — Eu posso carregar a minha própria mala, muito obrigada.

Houve um grande silêncio atrás dela. McIver suspirou. Nogger Lane teve dificuldade em conter uma gargalhada. Gavallan e Pettikin acharam melhor se manterem neutros.

— Bem, ahn, não há necessidade de você ir conosco, Charlie — disse Gavallan, rispidamente.

— Mas eu gostaria de ir se o senhor não se importar — disse Pettikin, sem muita vontade de ir, mas McIver tinha pedido a ele em particular para ajudá-lo com Genny. — Este chapéu é uma beleza, Genny — Pettikin tinha dito a ela logo depois de um maravilhoso café da manhã com Paula. Genny sorrira docemente.

— Não tente me amansar, Charlie Pettikin, ou você também vai se ver comigo. Eu já estou cheia dos homens em geral. De fato, eu estou mesmo de saco cheio...

Gavallan vestiu o casaco, apanhou o telex e enfiou-o no bolso.

— Na verdade, Charlie — disse, e mostrou um pouco da sua preocupação —, se você não se importar, eu preferiria que você não fosse. Tenho alguns assuntos inacabados para discutir com Mac.

— Claro, tudo bem. — Pettikin estendeu a mão e disfarçou o contentamento. O fato de não ir ao aeroporto lhe daria algumas horas a mais sozinho com Paula. Paula, a Loura, era como ele pensava nela desde o café, mesmo ela sendo castanha. Para McIver, ele disse: — Vejo você em casa.

— Por que não espera aqui? Quero me comunicar com todas as bases assim que escurecer e nós poderemos voltar juntos. Eu gostaria que assumisse o controle. Nogger, você pode ir. — Nogger Lane ficou radiante e Pettikin praguejou silenciosamente.

McIver foi guiando, com Gavallan ao seu lado e Genny atrás. — Mac, vamos falar sobre o Irã.

Eles enumeraram as suas opções. E todas as vezes chegaram à mesma conclusão melancólica: tinham que confiar que a situação voltaria ao normal, os bancos reabririam, eles receberiam o dinheiro que lhes era devido, a sociedade deles seria liberada e eles não seriam presos.

— Você tem que tocar adiante, Mac. Enquanto pudermos operar, você tem que ir tocando, sejam quais forem os problemas.

McIver estava igualmente sério.

— Eu sei. Mas como vou operar sem dinheiro? E os pagamentos do contrato?

— Eu vou dar um jeito de lhe conseguir dinheiro para operar. Dentro de uma semana vou trazer dinheiro vivo de Londres. Posso continuar a cobrir o pagamento dos contratos de arrendamento dos seus aparelhos e peças por mais alguns meses; talvez possa até fazer o mesmo com os X63 se conseguir reprogramar os pagamentos mas, bem, não tinha planejado perder tantos contratos para a IH... talvez eu consiga recuperar alguns. De qualquer maneira, vai ser complicado por algum tempo, mas nada de muito preocupante. Espero que Johnny consiga vir; eu tenho que voltar para casa agora, há tanto o que fazer...

McIver evitou por pouco uma colisão de frente com um carro que saiu de uma rua lateral, quase caiu na vala e tornou a voltar para a estrada.

— Maldito idiota! Você está bem, Gen? — ele olhou pelo espelho retrovisor e estremeceu ao ver a sua fisionomia fechada.

Gavallan também sentiu o ambiente gelado, começou a dizer alguma coisa mas pensou melhor e ficou calado. Fico imaginando se vou conseguir encontrar Ian. Talvez ele pudesse me ajudar a sair do abismo. Ao pensar nisso, lembrou-se da trágica morte de David MacStruan. Tantos dentre eles, os Struans, MacStruans, Dunrosses, seus inimigos os Gornts, Rothwells, Brocks, dos velhos tempos, tiveram mortes violentas ou desapareceram — perdidos no mar — ou mortos em estranhos acidentes. Até agora, Ian tem sobrevivido. Mas por quanto tempo mais? Não muito mais vezes.

— Acho que já estou vivendo a oitava, Andy — dissera Dunross, da última vez que eles se encontraram.

— O que foi agora?

— Nada demais. Um carro-bomba explodiu em Beirute logo depois que eu passei. Nada com que se preocupar, já disse isso antes, não há um padrão. Acontece, simplesmente, que eu tenho uma vida encantada.

— Foi como Macau?

Dunross era um corredor entusiástico e competira em muitos dos Grandes Prêmios de Macau. Em 1965 — a corrida na época ainda era de amadores — ele vencera a corrida, mas o pneu da frente, do lado direito, do seu modelo e, estourou na linha de chegada e atirou-o de encontro à barricada, fazendo-o dar cambalhotas pela pista, com os outros carros desviando, exceto um que se chocou contra ele. Retiraram-no dos destroços com tudo intacto, ileso, exceto pelo pé esquerdo, que ele perdeu.

— Como Macau, Andy — dissera Dunross, com um sorriso estranho. — Só um acidente. Ambas as vezes.

Da outra vez, seu motor explodira mas ele escapara ileso. Houve boatos de que seu motor fora sabotado, e apontavam para seu inimigo Quillan Gornt, mas não publicamente.

Quillan está morto e Ian está vivo, pensou Gavallan. E eu também. E Linbar também; aquele filho da mãe vai viver para sempre... Cristo, eu estou ficando mórbido e estúpido — tenho que parar com isto. Mac já tem preocupações suficientes. Tenho que encontrar uma saída.