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— Numa emergência, Mac, enviarei mensagens através de Talbot, e você faça o mesmo. Estarei de volta dentro de poucos dias, sem falta, e então terei as respostas. Enquanto isso, vou usar o 125 como base até segunda ordem. Johnny pode servir de mensageiro para nós. Isso é o melhor que posso fazer por ora...

Genny, que não pronunciara nenhuma palavra e se recusara, educadamente, a ser incluída na conversa, embora ouvisse atentamente, também estava bastante preocupada. É óbvio que não há nenhum futuro aqui para nós, e eu ficaria contentíssima em partir — desde que Duncan fosse também. No entanto, nós não podemos simplesmente fugir com o rabo entre as pernas e deixar que todo o trabalho de Duncan e todos as suas economias sejam roubadas, isso o mataria da mesma forma que uma bala de revólver. Ugh! Como eu gostaria que ele me ouvisse. Ele deveria ter-se aposentado no ano passado quando o xá ainda estava no poder. Homens! Uns idiotas, todos eles! Cristo! Como os homens são tolos!

O trânsito estava muito lento. Por duas vezes eles tiveram que desviar por causa de barricadas erguidas no meio da rua, guardadas por homens armados, não Faixas Verdes, que fizeram sinal para eles se afastarem. Havia cadáveres no meio do lixo, carros queimados e um tanque. Cachorros fuçavam no meio do lixo. Uma hora, houve um súbito tiroteio ali por perto e eles entraram numa rua lateral, evitando uma batalha feroz entre facções que nunca puderam identificar. Uma cápsula perdida de bazuca encravou-se num edifício próximo, mas sem nenhum perigo para eles. McIver contornou devagar a carcaça queimada de um ônibus, mais satisfeito do que nunca ter insistido para que Genny saísse do Irã. Mais uma vez ele olhou para ela pelo espelho retrovisor e viu-lhe o rosto branco debaixo do chapéu e seu coração se comoveu. Ela é tão boa, pensou orgulhosamente, tão corajosa. É maravilhosa, mas bem teimosa. Odeio aquele maldito chapéu. Ela não fica bem de chapéu. Por que diabo ela não faz o que eu mando sem discutir? Pobre Gen, vou ficar aliviado quando ela estiver em segurança.

Perto do aeroporto, o trânsito praticamente parou, havia centenas de carros apinhados de gente, muitos europeus, homens, mulheres e crianças, indo para lá por causa do boato de que o aeroporto tinha sido reaberto. Faixas Verdes enraivecidos mandando todo mundo embora, avisos rabiscados em farsi e num inglês mal escrito pendurados nas árvores e nos muros: AEROPORTO PROIBIDO; AEROPORTO ABERTO SEGUNDA-FEIRA — COM PASSAGEM E VISTO DE SAÍDA.

Eles levaram meia hora para conseguir passar pela barreira. Foi Genny quem finalmente conseguiu. Como a maioria das esposas, que tinham que fazer compras e lidar com os empregados e com o dia-a-dia da casa, ela falava um pouco de farsi — e embora não tivesse dito uma só palavra durante toda a viagem, ela se debruçou para a frente e falou com os Faixas Verdes amavelmente. Imediatamente, eles os deixaram passar.

— Meu Deus, Gen, foi maravilhoso — disse McIver. — O que foi que você disse aos desgraçados?

— Andy — ela disse altivamente —, por favor, diga ao sr. McIver que eu disse a eles que ele era um caso suspeito de varíola que estava sendo retirado do país.

Havia mais Faixas Verdes no portão que levava à área de carga e aos escritórios da companhia, mas desta vez foi mais fácil e tornou-se evidente que eles eram esperados. O 125 já estava na pista, cercado por Faixas Verdes armados e caminhões. Dois Faixas Verdes de motocicleta fizeram sinal para que eles os seguissem e saíram roncando pela pista.

— Por que vocês estão atrasados? — perguntou o mulá Tehrani, irritado, descendo os degraus do 125, seguido por dois revolucionários armados. Tanto Gavallan quanto McIver notaram que ele estava usando óculos novos. Viram, de relance, que John Hogg estava dentro da cabine e que havia um revolucionário no alto da escada com uma submetralhadora apontada.

— O aparelho tem que decolar imediatamente. Por que vocês estão tão atrasados?

— Sinto muito, Excelência, o trânsito. Insha'Allah\ Sinto muito — McIver disse cautelosamente. — Eu entendi, pelo que disse o capitão Lane, que sua missão para o aiatolá, que ele viva eternamente, foi satisfatória?

— Não houve tempo necessário para completar todo o trabalho. Seja como Deus quiser. É, ahn, é necessário tornar a ir amanhã. O senhor, por favor, providencie isso. Para as nove horas.

— Com prazer. Aqui está a relação dos passageiros. — McIver entregou-lhe o papel. Gavallan, Genny e Armstrong estavam nele. Armstrong ia de licença.

Tehrani leu o papel com facilidade desta vez, visivelmente extasiado com os óculos.

— Onde está esse Armstrong?

— Oh, eu supus que ele estivesse a bordo.

— Não há ninguém a bordo além da tripulação — disse o mulá, irritado, o grande prazer de ser capaz de enxergar superando o seu nervosismo por ter permitido que o 125 aterrissasse. Mas ele estava contente de ter permitido, os óculos eram um presente de Deus e o segundo par prometido pelo piloto para a próxima semana seria uma proteção caso o outro quebrasse e o terceiro par apenas para ler... Oh, Deus é grande. Deus é grande, muito obrigado a Deus por ter posto esta idéia na cabeça do piloto e por ter-me deixado enxergar tai) bem. — O aparelho tem que partir imediatamente.

— O sr. Armstrong não costuma se atrasar, Excelência — Gavallan disse, franzindo a testa. Nem ele nem McIver tinham tido notícias de Armstrong desde a véspera, e ele não tinha ido ao apartamento na noite anterior. Naquela manhã, Talbot tinha dado de ombros, dizendo que Armstrong se atrasara, mas que não precisavam se preocupar que ele estaria no aeroporto na hora marcada. — Talvez ele esteja esperando no escritório — disse Gavallan.

— Não há ninguém lá além dos empregados. O aparelho vai partir e não vai esperar. Subam a bordo, por favor! O aparelho vai partir imediatamente.

— Perfeito — disse Gavallan. — Seja como Deus quiser. Por falar nisso, gostaríamos de uma autorização para o 125 voltar no sábado e de uma autorização para mandar um 206 a Tabriz amanhã. — Com grande formalidade, ele estendeu-lhe os papéis, caprichosamente preenchidos.

— O, ahn, o 125 pode voltar, mas nada de vôos para Tabriz. Talvez no sábado.

— Mas, Excelência, o senhor não..

— Não — disse o mulá, consciente dos outros observando-o. Ele ordenou que o caminhão que estava bloqueando a pista se afastasse e olhou para Genny quando ela saltou do carro, balançando a cabeça aprovadoramente. Gavallan e McIver ficaram surpresos ao notar que ela tinha enfiado o cabelo para dentro do lenço que fazia parte do chapéu, de modo que o cabelo não aparecia e, com o casaco comprido, ela dava a impressão de estar usando um chador. — Por favor, suba a bordo.

— Obrigada, Excelência — disse adequadamente em farsi, depois de ter ensaiado a manhã inteira com a ajuda de um dicionário, e com a dose certa de seriedade, — mas com sua permissão eu vou ficar. Meu marido não está tão bem da cabeça quanto deveria, temporariamente, mas o senhor, sendo um homem de tão grande inteligência, o senhor deve compreender que embora uma esposa não possa ir contra os desejos do marido, está escrito que até o próprio Profeta precisou de cuidados.

— É verdade — disse o mulá e olhou Pensativamente para McIver. McIver devolveu o olhar, perplexo, sem entender. — Fique se desejar.

— Obrigada — disse Genny, com grande deferência. — Então vou ficar Obrigada, Excelência, por sua permissão e sua sabedoria. — Ela disfarçou o contentamento por sua esperteza e disse em inglês: Duncan, o mulá Tehrani concorda que eu devo ficar. — Ela viu a fúria nos olhos dele e acrescentou apressadamente: — Eu vou esperar no carro.

Ele estava lá antes dela.

— Você trate de entrar naquele avião — disse —, ou eu mesmo ponho você lá dentro.