— Não seja tolo, Duncan querido! — Ela estava tão solícita. — E não grite, é muito ruim para a sua pressão. — Ela viu Gavallan se aproximando e perdeu um pouco da confiança. Em volta havia uma neve desagradável e um céu desagradável e uns garotos azedos olhando para ela. — Você sabe como eu adoro este lugar — disse animadamente —, como poderia partir?
— Você... você vai partir agora mesmo — McIver estava tão zangado que mal podia falar e por um segundo Genny teve medo de ter ido longe demais
— Eu irei se você for, Duncan. Agora mesmo. Eu não vou, repito, não vou sem você e se você tentar me obrigar, vou fazer um escândalo tão grande que vai explodir o 125, o aeroporto e o país inteiro! Andy, explique a esse... a essa pessoa! Oh, eu sei que vocês dois podem arrastar-me para dentro do avião mas se fizerem isto vão ficar totalmente desautorizados e eu conheço vocês muito bem! Andy!
— Mac, você perdeu! — Gavallan riu.
Apesar da raiva, McIver riu também, e o mulá balançou a cabeça, espantado com a maluquice dos infiéis.
— Gen, você... você planejou isso o tempo todo — McIver explodiu.
— Quem, eu? — Ela era o próprio retrato da inocência. — Nem pense nisso!
— Está bem, Gen — disse McIver, ainda com a expressão carregada de raiva. — Está bem, você ganhou, mas vai se arrepender.
— A bordo! — ordenou o mulá.
— E quanto a Armstrong? — perguntou McIver.
— Ele conhece as regras e a hora. — Gavallan deu um abraço em Genny e trocou um aperto de mão com McIver.
— Vejo vocês em breve, cuidem-se. — Ele subiu a bordo, o jato decolou e durante a longa viagem de volta ao escritório nem Genny nem Duncan McIver notaram o tempo passar. Ambos estavam preocupados. Genny sentou-se na frente. Ela estava muito cansada mas muito satisfeita.
— Você é uma boa mulher, Gen — ele tinha dito assim que ficaram sozinhos —, mas não está perdoada.
— Sim, Duncan — ela respondera humildemente, como uma boa esposa costuma fazer. De vez em quando.
— Você não está absolutamente perdoada.
— Sim, Duncan.
— E não fique dizendo sim Duncan! — Ele continuou dirigindo por algum tempo, depois disse severamente: — Eu preferia vê-la em segurança em Al Shargaz, mas estou contente por você estar aqui.
Ela não disse nada, sabiamente. Apenas sorriu. E pôs a mão no joelho dele. Ambos em paz agora.
Foi outra viagem terrível, com muitos desvios, tiroteios, e mais corpos e cachorros e multidões enfurecidas, e lixo, pois havia meses que as ruas não eram limpas, e as valas há muito tempo estavam entupidas. A noite caiu rapidamente e o frio aumentou. Um ou outro carro e alguns caminhões do exército passaram por eles, sem ligar para a segurança da estrada, cheios de soldados.
— Você está cansado, Duncan. Quer que eu dirija?
— Não, eu estou bem, obrigado — ele respondeu, sentindo-se muito cansado, e ficando muito contente quando finalmente entraram na rua do escritório, escura e ameaçadora como todo o resto, sendo que a única luz vinha da cobertura. Ele teria preferido deixar o carro na rua, mas tinha certeza de que quando voltasse a gasolina teria sido roubada, embora houvesse um cadeado no tanque; isso se o próprio carro não tivesse sido levado. Ele entrou na garagem, trancou o carro, trancou a garagem e eles subiram as escadas.
Charlie Pettikin recebeu-os no patamar, com o rosto pálido.
— Oi, Mac. Graças a Deus você.. — Então ele viu Genny e parou. — Oh, Genny! O que, o que aconteceu? O 125 não conseguiu pousar?
— Ele pousou — disse McIver. — O que foi que aconteceu, Charlie? Pettikin fechou a porta do escritório, e lançou um olhar a Genny que disse, cansada:
— Está bem, eu vou ao banheiro.
Cristo, ela pensou, isso tudo é tão estúpido. Será que eles nunca vão aprender? Duncan vai me contar assim que estivermos sozinhos, então eu vou ficar sabendo de qualquer maneira e seria muito melhor ouvir em primeira mão. Fatigada, ela se arrastou até a porta.
— Não, Gen — disse McIver e ela parou, assustada. — Você escolheu ficar, então... — Ele deu de ombros. Ela notou algo de diferente nele e não soube se era para melhor ou para pior. — Diga, Charlie.
— Rudi falou pelo HF há menos de meia hora atrás — disse Pettikin, rapidamente. — O HBC foi derrubado, explodiu no céu, não há nenhum sobrevivente, m...
Tanto Genny quanto McIver ficaram brancos.
— Oh, meu Deus! Ela se agarrou numa cadeira.
— Eu não entendo o que está acontecendo — Pettikin disse, perplexo. — É tudo uma loucura, parece um sonho, mas Tom Lochart não teve nada, ele está em Bandar Delam com Rudi. E...
— Tom está bem? — Exclamou McIver, revivendo. — Ele escapou?
— Ninguém escapa de um helicóptero que explode no céu. Nada faz sentido, a menos que seja um disfarce. Tom estava transportando peças, sem passageiros, mas o oficial disse que ele estava cheio de gente, e Rudi disse: "Diga ao sr. McIver que o capitão Lochart voltou de licença". Eu cheguei até a falar com ele!
McIver olhou para ele, pasmo.
— Você falou com ele? Ele está bem? Você tem certeza? Voltou de que licença, pelo amor de Deus?
— Eu não sei, mas falei com ele.
— Espere um minuto, Charlie. Como foi que Rudi conseguiu se comunicar conosco? Ele está em Kowiss?
— Não, ele disse que estava falando do Controle de Trafego Aéreo de Abadan.
McIver resmungou uma obscenidade, muitíssimo aliviado por causa de Lochart, mas ao mesmo tempo horrorizado por causa de Valik e sua família. Cheio de gente? Só devia haver quatro pessoas! Havia mais de cinqüenta perguntas que ele queria que fossem respondidas imediatamente, e sabia que não havia saída para a enrascada em que ele e Tom estavam metidos. Ele não tinha contado a ninguém sobre a verdadeira missão de Tom nem sobre o seu próprio dilema em autorizá-la, a não ser a Gavallan.
— Vamos começar desde o princípio, Charlie, palavra por palavra. Você está bem, Gen?
— Sim, sim. Eu... eu vou preparar um chá. — Os dois notaram a fraqueza da sua voz e ela foi para a quitinete.
Abalado, Pettikin sentou-se na beirada da escrivaninha.
— Vou contar o mais exatamente possível. Rudi disse: "Estou com um oficial da Força Aérea Iraniana aqui e preciso saber oficialmente". Então uma outra voz apareceu no alto-falante. "Aqui é o major Qazani, do Serviço Secreto da Força Aérea! Exijo uma resposta imediata. O HBC é ou não é um 212 da S-G?" Para ganhar tempo, eu disse: "Espere um momento, vou apanhar a pasta". Eu esperei, torcendo para Rudi me dar uma dica, mas isso não ocorreu, então eu calculei que não havia problema. "Sim, o EP-HBC é um dos nossos 212." Imediatamente, Rudi explodiu e praguejou como eu nunca tinha visto antes e disse algo como "Por Deus, isso é terrível, por que o HBC tentou fugir para o Iraque e a Força Aérea Iraniana derrubou o aparelho, explodiu-o com todos os que estavam a bordo, mandando-os para o inferno que é o que eles merecem, quem estava pilotando e quem estava a bordo, com os diabos!" Pettikin enxugou um filete de suor.
— Acho que eu também praguejei um pouco, fiquei um tanto abalado, não posso me lembrar exatamente, Mac, depois disse algo como: "Isso é terrível! Espere um momento, vou apanhar o livro de vôo", esperando que a minha voz soasse mais ou menos normal. Apanhei o livro e vi o nome de Nogger riscado, com 'alegou doença' escrito ao lado, e então o de Tom Lochart, e a sua assinatura autorizando o vôo. — Ele levantou os olhos para McIver, de-samparadamente. — Era óbvio que Rudi não queria que eu dissesse Tom, então eu disse apenas: "De acordo com o nosso livro, ele não foi entregue a ninguém"...
McIver ficou vermelho.
— Mas se você...
— Foi o melhor que eu pude fazer na hora, pelo amor de Deus. Eu disse. "Ele não foi entregue a ninguém". Rudi começou a praguejar de novo mas eu achei que a voz dele estava diferente, mais aliviada. "Que diabo você está dizendo?" Ele disse. "Estou-lhe dizendo, capitão Lutz, de acordo com os nossos registros, o HBC ainda está guardado num hangar em Doshan Tappeh. Se ele saiu, deve ter sido seqüestrado", eu disse, esperando que a minha voz fosse convincente. Mac, eu estava improvisando e ainda não entendo qual é o problema. Então aquela outra voz disse: "Esta questão vai ser entregue imediatamente aos canais competentes. Quero verificar imediatamente o seu livro de vôo". Eu disse a ele que estava bem, para onde deveria mandá-lo? Isto o abalou um pouco porque é claro que não há nenhuma maneira de entregar o livro a ele imediatamente. No fim, ele disse para guardarmos os nossos registros com cuidado e que receberíamos instruções mais tarde. Então Tom entrou na linha e disse algo como: