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NA BASE AÉREA: 10:20H. Starke estava na torre da S-G observando a chegada do 125 com os flaps todos abertos para pousar, revertendo em seguida os motores para parar. Zataki e Esvandiary também estavam lá com dois Faixas Verdes. Zataki agora estava barbeado.

— Vire à direita no final da pista, Eco Tango Lima Lima — disse o sargento Wazari, o jovem controlador de tráfego aéreo, treinado na Força Aérea dos Estados Unidos, com voz rouca. Ele estava usando roupas civis grosseiras em vez do seu elegante uniforme. Seu rosto estava bem inchado, o nariz amassado, faltavam três dentes e as orelhas estavam inchadas da surra que Zataki dera nele em público. No momento, ele não podia respirar pelo nariz. — Estacione em frente à torre principal.

— Roger. — A voz de John Hogg saiu do alto-falante. — Repito que temos autorização para apanhar três passageiros e para entregar peças urgentes, partindo em seguida para Al Shargaz. Por favor, confirme.

Wazari virou-se para Zataki, nitidamente apavorado.

— Excelência, por favor, desculpe-me, mas o que devo responder?

— Não diga nada, verme. — Zataki apanhou a metralhadora. Para Starke ele disse: — Diga ao seu piloto para estacionar, para desligar os motores e depois colocar todo mundo que está no aparelho no meio da pista. O aparelho vai ser revistado e se for liberado por mim, vai poder prosseguir, se não for, não vai poder. Você vem comigo, e você também — acrescentou para Esvan diary. E saiu.

Starke obedeceu e virou-se para segui-lo, mas por um segundo ele e o sargento ficaram sozinhos. Wazari segurou-o pelo braço e murmurou pateticamente:

— Pelo amor de Deus, ajude-me a embarcar nesse aparelho, capitão, eu farei qualquer coisa, qualquer coisa..

— Eu não posso, é impossível — disse Starke, com pena dele. Há dois dias atrás Zataki tinha enfileirado todo mundo e tinha surrado o homem até ele perder os sentidos, por 'crimes contra a revolução', depois fez com que ele recobrasse os sentidos, obrigou-o a comer lixo e tornou a bater nele até ele perder os sentidos de novo. Só Manuela e os que estavam muito doentes tiveram permissão para não assistir. — Impossível!

— Por favor... Eu lhe imploro, Zataki é louco, ele vai me ma... Wazari voltou-se em pânico quando um Faixa Verde tornou a aparecer na porta Starke passou por ele, desceu as escadas e foi até a pista, disfarçando a inquietação. Freddy Ayre estava na direção de um jipe. Manuela estava lá dentro, junto com um dos pilotos britânicos, e também Jon Tyrer, com uma bandagem nos olhos. Manuela usava umas calças largas, um casaco comprido e seu cabelo estava amarrado sob um boné de piloto.

— Siga-nos, Freddy — disse Starke e entrou ao lado de Zataki no banco de trás do carro. Esvandiary engrenou e saiu para interceptar o 125 que agora estava saindo da pista principal, acompanhado por um enxame de caminhões cheios de Faixas Verdes e de dois motociclistas ziguezagueando perigosamente em volta deles. — Loucos! — resmungou Starke

— Entusiastas, piloto, não loucos. — E Zataki riu, mostrando os dentes muito brancos

— Seja o que Deus quiser

Zataki olhou para ele, sem caçoar mais.

— Você fala a nossa língua, você já leu o Corão e você conhece os nossos costumes. Já era tempo de você recitar o Shahada diante de duas testemunhas e se tornar muçulmano. Eu ficaria honrado em ser uma testemunha.

— Eu também — disse imediatamente Esvandiary, também querendo ajudar a salvar uma alma, embora não pelas mesmas razões: A IranOil iria precisar de pilotos experientes para manter a produção enquanto substitutos iranianos estivessem sendo treinados e um Starke muçulmano poderia ser um deles

Eu também ficaria honrado de servir de testemunha

— Obrigado — respondeu-lhes Starke, em farsi. Ao longo dos anos, essa idéia lhe ocorrera. Uma vez, quando o Irã estava calmo e só o que ele tinha que fazer era pilotar o máximo que podia e tomar conta dos seus homens e rir com Manuela e as crianças. Será que foi mesmo só há seis meses atrás? Ele dissera a Manuela: — Sabe, Manuela, há muita coisa interessante no islamismo.

— Você estaria pensando em quatro esposas, querido? — ela tinha perguntado com uma voz bem doce e no mesmo instante ele se pôs em guarda.

— Vamos, Manuela, eu estava falando sério. Há muita coisa boa no islamismo.

— Para os homens, não para as mulheres. O Corão não diz:' 'E os fiéis'', aliás todos homens, "deitar-se-ão em almofadas de seda e haverá huris que nem homens nem djins jamais tocaram"? Conroe, meu bem, eu nunca consegui entender isso. Por que elas devem ser perpetuamente virgens? Será que isso é muito importante para um homem? E será que as mulheres conseguem a mesma coisa, juventude e tantos jovens com chifres quanto queiram?

— Quer prestar atenção, pelo amor de Deus! Eu estava querendo dizer que se você vivesse no deserto, no deserto da Arábia Saudita ou do Saara — você se lembra da vez que estivemos no Kuwait e fomos, só nós dois, para o deserto, com as estrelas grandes como ostras e o silêncio tão vasto, a noite tão límpida e infinita, e nós tão insignificantes, você se lembra como ficamos tocados pelo infinito? Você se lembra que eu disse que podia entender como um nômade, nascido numa tenda podia ser possuído pelo Islã?

— E você se lembra, querido, que eu disse que nós não tínhamos nascido em nenhuma tenda?

Ele sorriu, lembrando-se de como a havia abraçado e beijado e eles tinham se amado sob as estrelas. Mais tarde ele dissera:

— Eu me referia ao ensinamento de Maomé, ao fato de que num espaço tão grande, tão aterrador na sua vastidão, você precisa de um abrigo seguro e que o Islã pode ser esse abrigo, talvez o único, o seu ensinamento original, não as interpretações distorcidas dos fanáticos.

— Ora, é claro, querido — ela respondera na sua voz mais doce —, mas nós não moramos no deserto, nunca o faremos, e você é Conroe 'Duke' Starke, piloto de helicóptero, e no momento em que começar a pensar nessas quatro esposas eu estou fora, eu e as crianças, e nem o Texas vai ser suficientemente grande para você escapar da lição que vai levar de Manuela Rosita Santa de Cuellar Perez, meu amorzinho querido...

Ele viu Zataki olhando para ele e sentiu o cheiro forte de gasolina, neve e inverno.

— Talvez eu o faça um dia — disse a Zataki e Esvandiary. — Talvez eu o faça. Mas no tempo determinado por Deus, não por mim.

— Que Deus apresse esse tempo. Você está se desperdiçando como infiel. Mas agora toda a atenção de Starke estava no 125 que se aproximava do estacionamento, e em Manuela, que devia partir hoje. Seria difícil para ela, tremendamente difícil, mas ela tinha que ir.

Naquela manhã bem cedo, McIver dissera a Starke, de Teerã, pelo HF, que tinham conseguido autorização para o 125 pousar em Kowss, desde que Kowiss também autorizasse, que o aparelho estaria trazendo peças de reposição e que haveria lugar para três passageiros. No fim, o major Changiz e Esvandiary concordaram, mas só depois de Starke dizer, irritado, na frente de Zataki:

— Vocês sabem que a nossa substituição de pessoal está muito atrasada. Um dos nossos 212 está esperando por peças e dois dos 206 estão prontos para a revisão das mil e quinhentas horas. Se eu não conseguir novas tripulações e peças, não vou poder operar, e serão vocês os responsáveis por não obedecermos às ordens do aiatolá Khomeini, não eu.

O carro parou ao lado do 125, que desacelerava os motores. A porta ainda não estava aberta e ele pôde ver John Hogg espiando pela janela da cabine. Caminhões e armas cercaram o aparelho, com os excitados Faixas Verdes se movimentando em volta.

Zataki tentou fazer-se ouvir, então, exasperado, atirou para o ar.

— Afastem-se do avião — ordenou. — Por Deus e pelo Profeta, só os meus homens irão revistá-lo! Afastem-se! — Mal-humorados, os outros Faixas Verdes recuaram um pouco. — Piloto, diga a ele para abrir a porta depressa, e faça todo mundo sair logo, antes que eu mude de idéia!