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— O imã decretou que a produção de petróleo deveria começar — eles tinham dito —, então ela vai começar.

Jean-Luc decolara em poucos minutos. Scot Gavallan sorriu consigo mesmo sabendo que a verdadeira razão pela qual Jean-Luc tinha dado três cambalhotas na cabine do 206 era porque agora ele ia poder dar uma fugida para ver Sayada. Scot a tinha visto uma vez. "Ela tem uma irmã?", perguntara esperançoso.

O líder escutou com impaciência, depois tornou a interromper e Nasiri encolheu-se.

— Ele, Ali-sadr, diz que no futuro todos os vôos serão autorizados por ele, ou por este homem — Nasiri apontou para o jovem Faixa Verde que estava anotando as respostas de Scot. — No futuro, todos os vôos terão que levar a bordo um dos seus homens. No futuro, não haverá decolagens sem autorização prévia. Dentro de uma hora, o senhor deverá levar a ele e aos seus homens a todas as plataformas da região.

— Explique a ele que não é possível fazer isso porque temos que entregar mais canos e cimento na plataforma Rosa. Do contrário, quando Jean-Luc voltar amanhã, eles não estarão prontos.

Nasiri começou a explicar. O líder interrompeu-o rudemente e se levantou.

— Diga ao infiel, o piloto, para estar pronto dentro de uma hora e então melhor ainda, diga-lhe para vir conosco até a aldeia onde eu posso vigiá-lo. Você vem também. E diga-lhe para ser muito obediente, pois embora o imã queira que a produção de petróleo comece imediatamente, todas as pessoas no Irã estão sujeitas à lei islâmica, sejam ou não iranianas. Nós não precisamos de estrangeiros aqui. — O homem olhou para Nitchak Khan. — Agora voltaremos para a aldeia — ele disse e saiu. Nitchak Khan enrubesceu. Ele e o mulá o seguiram.

— Capitão, nós temos que ir com ele — disse Nasiri —, para a aldeia.

— Para quê?

— Bem, o senhor é o único piloto aqui e conhece a região — disse Nasiri, prontamente, imaginando qual seria o motivo verdadeiro.

Ele estava com muito medo. Não tinha havido nenhum aviso de mudanças imediatas, nem eles sabiam na aldeia que a estrada já tinha sido aberta depois da última nevasca. Mas nesta manhã, o caminhão com doze Faixas Verdes chegara na aldeia. Imediatamente, o líder do komiteh apresentara o pedaço de papel assinado pelo Komiteh Revolucionário de Sharpur, dando-lhes jurisdição sobre Yazdek e "toda a produção da IranOil, instalações e helicópteros desta área". Quando, a pedido de Nitchak Khan, Nasiri dissera que se comunicaria pelo rádio com a IranOil para protestar, um dos homens começara a espancá-lo. O líder tinha feito o homem parar, mas não se desculpara, nem demostrara a Nitchak Khan o respeito que lhe era devido como calênder deste ramo dos kash'kai. Outro arrepio de medo percorreu Nasiri e ele desejou estar de volta a Sharpur com sua mulher e sua família. Que Deus amaldiçoe todos os komitehs e fanáticos e estrangeiros e o Grande Satã, a América, que causou todos os nossos problemas.

— É... é melhor nós irmos — disse.

Eles saíram. Os outros já estavam bem mais à frente no caminho que levava à aldeia. Quanto Scot passou pelo hangar, viu os seus seis mecânicos reunidos sob o olhar vigilante de um guarda armado. O guarda estava fumando e um arrepio o percorreu. Havia avisos em farsi e em inglês por toda parte. PROIBIDO FUMAR — PERIGO! De um lado, o segundo 212 estava na fase final da verificação das mil e quinhentas horas, mas sem os dois 206 que completavam sua frota atual de aviões, o hangar parecia vazio e deprimente.

— Aga — ele disse para Nasiri, fazendo um sinal na direção dos guardas que os acompanhavam —, diga-lhes que eu preciso tomar providências em relação ao helicóptero e diga àquele imbecil para não fumar no hangar.

— Eles disseram que está bem — traduziu Nasiri —, mas que é para o senhor se apressar. — O guarda que estava fumando atirou displicentemente o cigarro no concreto. Um dos mecânicos correu para apagá-lo. Nasiri gostaria de ficar, mas os guardas lhe fizeram sinal para continuar. Relutante, ele saiu.

— Encha o tanque do FBC e faça uma inspeção nele — disse Scot, cuidadosamente, sem saber se algum dos guardas entendia inglês. — Dentro de uma hora eu tenho que levar o nosso komiteh para uma visita a todos os campos. Parece que temos um novo komiteh vindo de Sharpur.

— Oh, merda — resmungou alguém.

— E quanto ao material para a plataforma Rosa? — perguntou Effer Jordon. Ao lado dele estava Rod Rodrigues. Scot podia ver sua ansiedade.

— Isso vai ter que esperar. Apenas encha o tanque do FBC, Effer, e faça todo mundo checá-lo. Rod — disse para animar o homem mais velho —, agora que estamos voltando à normalidade, você em breve vai ter a sua licença em Londres, capito!

— Claro, obrigado, Scot.

O guarda ao lado de Scot fez sinal para ele prosseguir.

— Baleh Agha, sim, está bem, Excelência — disse Scot, depois acrescentou para Rodrigues: — Rod, faça uma inspeção cuidadosa para mim.

— Claro.

Scot saiu, com os guardas seguindo-o. Jordon perguntou ansioso:

— O que está acontecendo e onde você vai?

— Vou dar uma volta — disse sarcasticamente. — Como é que eu vou saber? Estive voando a manhã inteira. — E continuou andando, sentindo-se cansado, impotente e ineficiente, desejando que Lochart ou Jean-Luc estivessem ali em seu lugar. Malditos filhos da mãe do komitehl Um bando de malditos idiotas.

Nasiri estava uns cem metros à frente, caminhando rapidamente, os outros já tinham desaparecido na curva do caminho que serpenteava através das árvores. A temperatura estava um pouco abaixo de zero e a neve rangia sob os pés, e embora Scot se sentisse aquecido em sua roupa de piloto, era difícil caminhar com as botas de vôo e ele se arrastava desanimado, querendo alcançar Nasiri mas não conseguindo. Havia montes de neve dos lados do caminho e muita neve nas árvores, mas o céu estava claro. Meio quilômetro adiante, no fim do caminho sinuoso, ficava a aldeia.

Yazdek ficava num pequeno platô, agradavelmente protegida dos ventos. As cabanas e casas eram feitas de madeira, pedra e tijolos de barro e agrupadas em volta da praça em frente à pequena mesquita. Ao contrário da maioria das aldeias, ela era próspera, com bastante lenha para dar calor no inverno, bastante caça nas redondezas, com rebanhos de carneiros e cabras pertencentes à comunidade, alguns camelos e trinta cavalos e éguas de raça que eram o seu orgulho. A casa de Nitchak Khan tinha dois andares, era uma habitação coberta de telhas, de quatro cômodos, ficava ao lado da mesquita e era maior do que as outras.

Ao lado ficava a escola, o edifício mais moderno. Tom Lochart projetara a estrutura simples e persuadira McIver a financiá-la no ano anterior. Até poucos meses, a escola fora dirigida por um jovem do Corpo de Professores do xá — a aldeia era quase toda analfabeta. Quando o xá partiu, o rapaz desapareceu. De vez em quando, Tom Lochart e outros da base faziam palestras lá — que eram mais sessões de perguntas e respostas — em parte para manter boas relações, e em parte para ter algo que fazer quando não havia vôos. As sessões eram bastante freqüentadas, tanto por adultos como por crianças, encorajados a comparecer por Nitchak Khan e sua esposa.

Ao descer a pequena elevação, Scot viu os outros entrarem na escola. O caminhão que trouxera os Faixas Verdes estava estacionado do lado de fora. Os aldeões reuniam-se em grupos, observando silenciosamente. Homens, mulheres e crianças, nenhum deles armado. As mulheres kash 'kai não usavam nem véus nem chador, e sim roupas coloridas.

Scot subiu a escada da escola. Da última vez que estivera lá, há poucas semanas, ele tinha feito uma palestra sobre a Hong Kong que ele conheceu quando seu pai ainda trabalhava lá e que ele costumava visitar durante as fé rias do colégio interno que freqüentava na Inglaterra. Fora difícil explicar como era Hong Kong, com suas ruas apinhadas de gente, tufões, pauzinhos e escrita em caracteres, e sua comida e seu capitalismo pirata, a imensidade de toda a China. Estou contente de termos voltado para a Escócia, pensou, e pelo velho ter iniciado a S-G que um dia eu vou dirigir.