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— Você está bem? Está aquecida? — E sorriu para ela.

— Oh, sim, Erikki. A aldeia nos deu muita sorte, não? — Ela conservou a mão no ombro dele. O contato agradava a ambos.

Logo eles puderam ver o aeroporto e a estrada de ferro que ia para o norte, para o Azerbeijão soviético que ficava a poucos quilômetros de distância, e depois até Moscou. A sudeste ela fazia uma curva e voltava a Teerã, que ficava a seiscentos quilômetros de distância. A cidade era grande. Agora eles podiam ver a cidadela e a mesquita azul, as fábricas de aço poluidoras, as cabanas e casas dos seiscentos mil habitantes.

— Olhem ali! — Parte da estação estava pegando fogo, com a fumaça subindo em ondas. Havia mais incêndios perto da cidadela e nenhuma resposta da torre de Tabriz e nenhuma atividade na pista do aeroporto, embora houvesse alguns pequenos aviões parados lá. Havia um bocado de atividade na base militar, com caminhões e carros indo e vindo, mas pelo que eles podiam ver, não havia tiroteios nem lutas nem multidões nas ruas. Toda a região próxima à mesquita estava estranhamente vazia.

— Não quero descer muito — ele disse —, não quero tentar nenhum maníaco do gatilho.

— Você gosta de Tabriz, Erikki? — perguntou Nogger, para disfarçar a inquietação. Ele nunca estivera ali antes.

— E uma cidade e tanto, velha e sábia, aberta e livre — a mais cosmopolita do Irã. Passei momentos maravilhosos aqui, comida e bebida do mundo todo barata e fácil de encontrar: caviar e vodca da Rússia e salmão defumado da Escócia e uma vez por semana, nos bons tempos, a Air France trazia pão fresco e queijos franceses. Mercadorias turcas e caucasianas, inglesas, americanas, japonesas, qualquer coisa. Ela é famosa pelos seus tapetes, Nogger, e pela beleza das suas mulheres... — Azadeh puxou-lhe a orelha e ele riu. — É verdade, Azadeh, você não é de Tabriz? É uma ótima cidade, Nogger. Eles falam um dialeto do farsi que é mais turco do que qualquer outra coisa. Durante séculos ela tem sido um grande centro comercial, parte iraniano, mas também russo, turco, curdo e armênio, sempre rebelde e independente e sempre desejada pelos cazares e agora pelos soviéticos...

Aqui e ali grupos de pessoas olhavam para eles.

— Nogger, você está vendo alguma arma?

— Muitas, mas ninguém está atirando em nós. Ainda. Cautelosamente, Erikki contornou a cidade e dirigiu-se para leste. Lá, a cidade se elevava em colinas próximas umas das outras e no alto de uma delas ficava o palácio dos Gorgons, com uma estrada que ia até lá. Não havia nenhum trânsito na estrada. No interior dos altos muros, havia muitos acres de terra: pomares, uma fábrica de tapetes, garagens para vinte carros, abrigos para rebanhos de ovelhas durante o inverno, cabanas e acomodações para cerca de cem empregados e guardas, e o enorme edifício principal de cinqüenta cômodos, com a pequena mesquita e o minarete. Alguns carros estavam estacionados perto da entrada principal. Ele fez um círculo a duzentos metros.

— Que lugar! — disse Nogger Lane, maravilhado.

— Foi construído para o meu bisavô pelo príncipe Zergeyev, por ordem dos czares Romanovs, Nogger, como um pishkesh — disse distraidamente Azadeh, observando o local. — Foi em 1890, quando os czares já tinham roubado as nossas províncias caucasianas e estavam, mais uma vez, tentando separar o Azerbeijão do Irã e queriam a ajuda dos kans Gorgons. Mas a nossa linhagem foi sempre leal ao Irã, embora tenham procurado manter um certo equilíbrio. — Ela estava observando o palácio lá embaixo. Havia pessoas saindo da casa principal e das outras casas: empregados e guardas armados. — A mesquita foi construída em 1907 para celebrar a assinatura de um novo acordo entre a Rússia e a Inglaterra, a respeito da divisão do nosso território, e algumas esferas de infl... Oh, olhe, Erikki, aqueles não são Najoud e Fazulia e Zadi... e, oh, olhe, Erikki, aquele não é o meu irmão Hakim? O que Hakim está fazendo lá?

— Onde? Oh, estou vendo. Não, eu não...

— Talvez... talvez Abdullah Khan o tenha perdoado — ela disse excitadamente. — Oh, isso não seria maravilhoso?

Erikki olhou para as pessoas lá embaixo. Ele só tinha visto o irmão dela uma vez, no dia do seu casamento, mas tinha gostado muito dele. Abdullah Khan permitira que ele viesse só por esse dia e depois o mandara de volta para Khoi, na parte setentrional do Azerbeijão, perto da fronteira da Turquia, onde tinha grandes negócios de exploração de minério.

— A única coisa que Hakim sempre desejou foi ir para Paris estudar piano — Azadeh tinha dito a ele. — Mas meu pai não quis ouvi-lo, simplesmente amaldiçoou-o e expulsou-o por traição.

— Não é Hakim — disse Erikki, pois seus olhos eram muito melhores do que os dela.

— Oh — Azadeh apertou os olhos por causa do vento. — Oh. — Ela ficou desapontada. — Sim, tem razão, Erikki.

— Lá está Abdullah Khan! — Não havia nenhuma dúvida sobre o homem imponente e corpulento, com a longa barba, que saíra pela porta principal e parara na escada, com dois guardas armados atrás. Havia dois outros homens com ele. Todos vestiam pesados sobretudos por causa do frio. — Quem são eles?

— Desconhecidos — ela respondeu, tentando superar a decepção. — Eles não têm armas e não há nenhum mulá, logo não são Faixas Verdes.

— Eles são europeus — disse Nogger. — Você tem um binóculo, Erikki?

— Não.

Erikki parou de circular, desceu para 150 metros e ficou pairando, observando atentamente Abdullah khan. Ele o viu apontar para o helicóptero e depois falar com os outros homens, voltando a observar o helicóptero outra vez. Outras irmãs de Azadeh e pessoas da família, algumas usando chador, bem como alguns empregados, tinham-se juntado, protegendo-se do frio. Erikki desceu mais trinta metros. Ele tirou os óculos escuros e os fones e abriu a janela, perdendo o fôlego quando o ar gelado o atingiu, pôs a cabeça para fora para que o pudessem ver claramente, e acenou. Todos os olhos se voltaram para Abdullah Khan. Depois de uma pausa, o khan acenou de volta. Sem nenhum prazer.

— Azadeh! Tire os fones e faça a mesma coisa.

Ela obedeceu na mesma hora. Algumas das suas irmãs acenaram animadamente, falando umas com as outras. Abdullah Khan ignorou-a, apenas esperou. Matyeryebyets, pensou Erikki, depois inclinou-se para fora da cabine e apontou para o amplo espaço ao lado da piscina gelada, em mosaico, que havia no pátio, obviamente pedindo permissão para pousar. Abdullah Khan concordou com a cabeça e apontou para lá, falou brevemente com os guardas, depois virou-se e entrou na casa. Os outros homens o seguiram. Um dos guardas ficou. Ele desceu a escada em direção ao local de pouso, verificando o seu rifle.

— Nada como um comitê de recepção amigável — resmungou Nogger.

— Não precisa se preocupar, Nogger — disse Azadeh, com uma risada, nervosa. Eu vou saltar primeiro, Erikki, é mais seguro eu ser a primeira.

Eles pousaram imediatamente. Azadeh abriu a porta e foi cumprimentar suas irmãs e a madrasta, a terceira esposa de seu pai, que era mais moça do que ela. A primeira mulher, Khanan, tinha a mesma idade que ele, mas agora estava enferma e nunca saía do quarto. Sua segunda mulher, mãe de Azadeh, morrera há muitos anos.

O guarda interceptou Azadeh. Educadamente. Erikki respirou mais forte. Estava muito longe para ouvir o que eles estavam falando e, de qualquer modo, nem ele nem Nogger falavam farsi ou turco. O guarda fez um sinal em direção ao helicóptero. Ela balançou a cabeça e acenou para eles, chamando-os. Erikki e Nogger completaram o pouso, observando o guarda que os olhava com ar sério.

— Você detesta armas tanto quanto eu, Erikki? — perguntou Nogger.

— Mais ainda. Mas pelo menos esse homem sabe usar uma arma. São os amadores que me assustam. — Erikki desligou os motores e guardou a chave da ignição no bolso.