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— Sim — disse Pettikin, apressadamente, rabiscando algumas anotações.

— Isso foi tudo o que ele disse, mas pareceu perturbado.

— Vou informar ao capitão McIver e chamá-lo de volta o mais depressa possível. — Jean-Luc inclinou-se para a frente e Pettikin deixou que ele tomasse o microfone.

— Aqui é Jean-Luc, Freddy, por favor comunique-se com Scot e diga a ele que estarei de volta, conforme o planejado, amanhã, antes do meio-dia. Foi bom falar com você, obrigado. Charlie vai falar. — E devolveu o microfone, tendo perdido todo o bom humor.

— Farei isso, capitão Sessonne. Foi bom falar com você. Outra coisa: o 125 recolheu o nosso pessoal bem como a sra. Starke, inclusive o capitão Jon Tyrer que tinha sido ferido num contra-ataque mal sucedido de grupos de esquerda, em Bandar Delam...

— Que ataque? — murmurou Jean-Luc.

— E a primeira vez que ouço falar nisso. — Pettikin ficou tão perturbado quanto ele.

— ...e, de acordo com o planejado, trará de volta equipes de substituição dentro de poucos dias. Outra coisa: o capitão Starke... — Todos eles perceberam a hesitação e a ansiedade, e a transmissão curiosamente artificial, como se a informação estivesse sendo lida: — O capitão Starke foi levado para Kowiss para ser interrogado por um komiteh ...— Os dois homens prenderam a respiração. — ...para esclarecer fatos relativos a uma fuga em massa num helicóptero, de oficiais da Força Aérea, pró-xá, de Isfahan, no dia 13, terça-feira passada, que se acredita estivesse sendo pilotado por um europeu. E mais: as operações aéreas continuam a melhorar sob a estrita supervisão da nova gerência. O sr. Esvandiary agora é o nosso novo gerente de área da IranOil e quer que assumamos todos os contratos da Guerney. Para fazer isso, precisaríamos de mais três 212 e um 206. Por favor, envie instruções. Nós precisamos de peças de reposição para HBN, HGX e HKJ, e de dinheiro para pagamento de salários atrasados. Isso é tudo, por enquanto.

Pettikin continuou a escrever, com o cérebro mal funcionando.

— Eu, ahn, anotei tudo e vou informar ao capitão McIver assim que ele voltar. Você disse, ahn, você disse "um ataque em Bandar Delam". Por favor, informe os detalhes.

Só se ouvia o barulho da estática. Eles esperaram. Então mais uma vez ouviu-se a voz de Ayre, agora não mais artificiaclass="underline"

— A única informação que tenho é que houve um ataque anti-aiatolá Khomeini, que o capitão Starke e o capitão Lutz ajudaram a sufocar. Depois, o capitão Starke trouxe os feridos para cá para tratamento. Do nosso pessoal, só Tyrer foi ferido. Isso é tudo.

Pettikin sentiu um filete de suor no rosto e enxugou-o.

— O que... o que aconteceu com Tyrer? Silêncio. Então:

— Um ligeiro ferimento na cabeça. O dr. Nutt diz que ele vai ficar bom.

— Charlie, pergunte a ele o que significa isso sobre Isfahan — disse Jean-Luc.

Como num sonho, Pettikin viu os seus dedos apertarem o botão de transmissão.

— O que significa isso sobre Isfahan? Eles esperaram em silêncio. Então:

— Não possuo nenhuma outra informação além da que dei a vocês.

— Tem alguém dizendo-lhe o que falar — murmurou Jean-Luc. Pettikin apertou o botão de transmissão, depois mudou de idéia. Havia tanta coisa a perguntar que Ayre não poderia responder.

— Obrigado, capitão — ele disse, satisfeito de que sua voz soasse mais firme. — Por favor, peça a 'Pé-quente' para enviar por escrito o seu pedido de helicópteros extras, sugerindo a duração do contrato e o plano de pagamento. Mande pelo 125 quando ele for levar o pessoal substituto. Mantenha-nos... mantenha-nos informados a respeito do capitão Starke. McIver se comunicará com você o mais cedo possível.

— Entendido. Desligo.

Agora só havia estática. Pettikin mexeu nos botões. Os dois homens olharam um para o outro, sem se lembrarem de Sayada, que ficou sentada, quieta, no sofá, sem perder nada.

— Estrita supervisão? Isso parece mau, Jean-Luc.

— Sim. Provavelmente significa que eles têm que voar com Faixas Verdes armados. — Jean-Luc praguejou, com o pensamento em Zagros e em como o jovem Scot reagiria sem a sua liderança. — Merde! Quando eu parti, hoje de manhã, estava tudo ótimo, com a torre de Shiraz tão prestativa quanto um hoteleiro suíço fora da estação. Merde!

Pettikin lembrou-se subitamente de Rakoczy e de como ele estivera perto de um desastre. Por um segundo, pensou em contar a Jean-Luc, depois resolveu não fazê-lo. Notícias velhas!

— Talvez devêssemos contatar o controle de Shiraz para pedir ajuda?

— Mac pode ter alguma idéia. Mon Dieu, as coisas também não parecem boas para o lado de Duke: esses komitehs estão se espalhando como praga. É melhor Bazargan e Khomeini lidarem com eles depressa, antes que sejam engolidos. — Jean-Luc levantou-se, muito preocupado, e espreguiçou-se, então viu Sayada enroscada no sofá, com sua xícara de chá intacta na mesinha ao lado e sorrindo para ele.

Imediatamente, o seu bom humor voltou. Não há nada mais que eu possa fazer pelo jovem Scot no momento, ou por Duke, mas há algo que posso fazer por Sayada.

— Sinto muito, chérie, disse com um sorriso. — Você está vendo, sempre acontecem problemas em Zagros quando eu não estou lá. Charlie, nós vamos agora. Eu tenho que dar uma olhada no apartamento, mas voltamos aqui antes do jantar. Digamos às oito horas; nessa altura Mac já deve ter chegado, não?

— Sim. Vocês não querem um drinque? Sinto muito, mas não temos vinho. Uísque? — Ele ofereceu meio sem vontade, porque era a última garrafa.

— Não, obrigado, mon vieux. —Jean-Luc vestiu o casaco, certificou-se no espelho de que estava tão elegante como sempre, e pensou nos caixotes de vinho e nas latas de queijo que tivera o bom senso de mandar a esposa estocar no apartamento. — À bientôt, vou trazer-lhes uma garrafa de vinho.

— Charlie — disse Sayada, controlando-se cuidadosamente, como vinha fazendo desde que o HF começou a se manifestar —, o que Scotty quis dizer a respeito de uma fuga de helicóptero?

Pettikin deu de ombros.

— Há todo o tipo de boatos a respeito de fugas, por terra, mar e ar. E sempre dizem que os 'europeus' estão envolvidos — ele respondeu, esperando parecer convincente. — Nós levamos a culpa de tudo.

E por que não?, vocês são responsáveis, pensou Sayada Bertolin, sem malícia. Politicamente, ela estava encantada por vê-los suando. Pessoalmente, não. Ela gostava dos dois e da maioria dos pilotos, especialmente de Jean-Luc, que lhe dava enorme prazer e sempre a divertia. Eu tenho sorte em ser palestina, disse a si mesma, e cristã copta, de uma linhagem antiga. Isso me dá forças que eles não têm, a consciência de uma herança que remonta aos tempos bíblicos, uma compreensão da vida que eles nunca poderiam alcançar, bem como a capacidade de dissociar política de amizade e cama — enquanto for necessário e prudente. Nós não tivemos trinta séculos de treinamento de sobrevivência? Gaza não existe há três mil anos?

— Existe um boato de que Bakhtiar fugiu do país e foi para Paris.

— Eu não acredito nisso, Charlie — disse Sayada. — Mas há outro boato em que acredito — acrescentou, notando que ele não tinha respondido à sua pergunta sobre o helicóptero de Isfahan. — Parece que o general Valik e sua família fugiram para se juntar aos outros sócios em Londres. Parece que eles ficaram com milhões de dólares.

— Sócios? — Jean-Luc disse desdenhosamente. — Ladrões, todos eles, seja aqui ou em Londres, a cada ano que passa ficam piores.

— Nem todos são assim tão maus — disse Pettikin.

— Aqueles crétins roubam o suor da nossa testa, Sayada. Eu estou estarrecido com o velho Gavallan por tê-los deixado fazer isso — retrucou Jean-Luc.

— Deixe disso, Jean-Luc — disse Pettikin. — Ele os enfrenta passo a passo.

— Passo a passo do nosso caminho, meu velho. Somos nós que pilotamos, não ele. Quanto a Valik... — Jean-Luc deu de ombros com um exagero gaulês. — Se eu fosse um iraniano rico, teria partido há meses atrás, com tudo que pudesse juntar. Há meses já era óbvio que o xá perdera o controle da situação. Agora é a Revolução Francesa e o Terror se repetindo de novo, mas sem o nosso estilo, inteligência, civilização ou educação. — Ele sacudiu a cabeça, desgostoso. — Que desperdício! Quando se pensa em todos os séculos de ensinamentos e riqueza que nós, franceses, empregamos tentando ajudar este povo a sair da Idade Média, e o que foi que eles aprenderam? Nem mesmo a fazer um pão decente.