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— Eu o chequei para você. Ele parece ser um anticomunista fanático, fanático por Khomeini, mas na realidade ele é um agente da CIA.

— O quê?

— Sim — disse Rakoczy, com a informação errada perfeitamente justificada. — Ele passou alguns anos nos Estados Unidos, mandado pelo xá, fala inglês fluentemente e foi secretamente aliciado por eles quando era estudante. O seu antiamericanismo é tão falso quanto o seu fanatismo.

— Como é que você consegue fazer isso, Dimitri? Como consegue descobrir tanta coisa tão depressa... sem telefones, telex, nem nada?

— Você se esquece que cada ônibus leva alguns dos nossos, cada táxi, caminhão, aldeia, agência de correios. Não se esqueça — ele acrescentou com convicção —, não se esqueça de que as massas estão do nosso lado. Nós somos as massas.

— Sim.

Ele viu a dedicação do rapaz e compreendeu que Ibrahim era o instrumento correto e que estava pronto.

— O mulá Hussein ordenou que os Faixas Verdes matassem seu pai, acusando-o de ser um fantoche dos estrangeiros.

A cor fugiu do rosto de Kyabi.

— Então... então eu quero pegá-lo. Ele é meu.

— Isso deveria ser deixado para profissionais. Eu vou providenciar.

— Não. Por favor. Eu tenho que me vingar.

Rakoczy fingiu pensar a respeito, disfarçando a satisfação. Hussein Kowissi já fora marcado para morrer há algum tempo.

— Dentro de poucos dias eu vou arranjar armas, um carro e um grupo para ir com você.

— Obrigado. Mas eu só vou precisar disto. — Kyabi tirou uma faca do bolso, com as mãos tremendo. — Isto e uma ou duas horas, e um pouco de arame farpado e eu mostro a ele até onde vai a vingança de um filho.

— Ótimo. Agora a Marcha das Mulheres. Está definitivamente marcada para daqui a três dias. O qu... — Ele parou horrorizado, deu um pulo repentino em direção à parede lateral, puxando um nó meio disfarçado. Uma parte da parede se abriu dando acesso à escada de incêndio às escuras. — Venha — ele ordenou e saiu correndo pelas escadas, com Kyabi seguindo-o às cegas, aterrorizado.

Nesse momento, sem nenhum aviso, a porta foi violentamente aberta, sendo quase arrancada das dobradiças, e os dois homens que a haviam arrombado quase caíram dentro do quarto, seguidos por outros. Eram todos iranianos, todos usavam faixas verdes e saíram correndo atrás deles, com as armas prontas.

Eles desceram as escadas pulando os degraus, perseguidores e perseguidos, tropeçando e quase caindo, tornando a se equilibrar e correndo para o meio da rua e para o meio da noite para o meio da multidão, e então Rakoczy foi direto para a armadilha e para os braços deles. Ibrahim Kyabi não hesitou, apenas mudou de direção e atravessou a rua voando, entrou numa ruazinha apinhada de gente e foi engolido pela escuridão.

Num velho carro estacionado em frente à saída de incêndio, Robert Armstrong tinha visto os seus homens entrarem, Rakoczy ser apanhado e Kyabi escapar. Rakoczy fora rapidamente enfiado num caminhão que estava esperando, antes que as pessoas que estavam na rua percebessem o que estava acontecendo. Dois dos Faixas Verdes caminharam na direção de Armstrong, ambos mais bem vestidos do que comumente. Ambos possuíam cartucheiras no cinto para as suas Máusers. As pessoas se afastavam deles, inquietas, olhando-os disfarçadamente, querendo evitar problemas. Os dois homens entraram no carro e Armstrong se afastou, e os Faixas Verdes restantes se misturaram com os pedestres.

Em poucos minutos, Robert Armstrong era parte do tráfego engarrafado. Os dois homens tiraram as suas faixas verdes e as guardaram no bolso.

— Sinto muito termos perdido aquele filho da mãe, Robert — disse o mais velho dos dois, num inglês fluente, com sotaque americano. Era um homem de cara raspada, de uns cinqüenta anos, coronel Hashemi Fazir, superintendente-chefe do Serviço Secreto, treinado nos Estados Unidos e membro da Savak antes da formação do Serviço Secreto.

— Não se preocupe, Hashemi — disse Armstrong. O mais jovem, sentado no banco de trás, disse:

— Nós temos Kyabi no filme tirado durante o tumulto na embaixada, aga. E na universidade. — Ele estava na casa dos vinte, tinha um vasto bigode e seus lábios se curvavam cruelmente. — Nós o apanharemos amanhã.

— Agora que ele está fugindo, se eu fosse você não teria tanta certeza, tenente — disse Armstrong, dirigindo cuidadosamente. — Já que ele está marcado, apenas siga-o. Ele pode levá-lo a peixes mais graúdos. Ele o levou a Dimitri Yazernov. Os outros riram.

— Sim. Sim, é verdade.

— E Yazernov vai nos levar a todo tipo de pessoas e lugares interessantes.

— Hashemi acendeu um cigarro, oferecendo-o. — Robert?

— Obrigado. — Armstrong deu uma tragada e fez uma careta. — Meu Deus, Hashemi, estes cigarros são horríveis. Eles vão matá-lo.

— Como Deus quiser. — Então Hashemi citou em farsi: — "Lave-me com vinho quando eu morrer, / No meu funeral, leia um texto que se refira a vinho, / Se quiser me encontrar no dia do Juízo Final, / Procure por mim na poeira da loja de vinho."

— São os cigarros que vão matá-lo, não o vinho — disse Armstrong secamente, com a bela melodia das palavras em farsi ecoando.

— O coronel estava citando um trecho do Rubãiyãt de Ornar Khayyám — o rapaz falou lá de trás, em inglês. — Isso quer dizer...

— Ele sabe o que significa, Muhammad — interrompeu-o Hashemi. — O sr. Armstrong fala perfeitamente o farsi. Você ainda tem muito o que aprender. — Ele fumou por algum tempo, observando o tráfego. — Pare o carro um momento, sim, Robert?

Quando o carro parou, Hashemi disse:

— Muhammad, volte para o QG e espere por mim lá. Certifique-se de que ninguém. Ninguém! Chegue a Yasernov antes de mim. Diga à equipe para verificar, somente, se está tudo pronto. Eu quero começar à meia-noite.

— Sim, coronel. — O homem mais moço deixou-os. Hashemi observou-o desaparecer no meio da multidão.

— Eu bem que gostaria de um uísque com soda bem grande. Continue dirigindo mais um pouco, Robert.

— Claro. — Armstrong saiu com o carro, e olhou para ele, percebendo alguma coisa. — Problemas?

— Muitos. — Hashemi observou o trânsito e os pedestres com a fisionomia fechada. — Eu não sei até quando vamos poder operar, até quando estaremos seguros, nem em quem confiar.

— O que há de novo nisso? — Armstrong sorriu sombriamente. — Esta é uma das contingências do ofício — disse, com a lição bem aprendida depois de 11 anos como consultor do Serviço Secreto, tendo passado antes disso vinte anos na polícia de Hong Kong.

— Você quer estar presente quando Yazernov for interrogado, Robert?

— Sim, se não for atrapalhar.

— O que é que o MI6 quer com ele?

— Eu sou apenas um ex-membro da Divisão Especial da CID, contratado para ajudá-los a montar um serviço equivalente, lembra-se?

— Eu me lembro muito bem. Dois contratos de cinco anos, o último prolongado até o próximo ano, quando você se aposentará com uma pensão.

— Grande esperança! — disse Armstrong, desgostoso. — Khomeini e o governo vão pagar a minha pensão? Grande esperança. — Ele estava bem consciente de que todo o seu trabalho no Irã fora desperdiçado, e com a desvalorização do dólar de Hong Kong, desde que ele se aposentara em 1966, sua verdadeira aposentadoria não valeria nada. — Minha pensão foi por água abaixo. Os olhos escuros endureceram.

— Robert, o que é que o MI6 quer com este desgraçado?

Robert Armstrong franziu a testa. Havia algo muito errado esta noite. O jovem Kyabi não deveria ter escapado da rede e Hashemi está mais nervoso do que um novato no seu primeiro trabalho.

— Pelo que eu sei, eles não querem nada. Sou eu que estou interessado nele. Eu — disse despreocupadamente.

— Por quê?

É uma história tão longa, pensou Armstrong. Será que eu deveria contar-lhe que Dimitri Yasernov é um disfarce para Fedor Rakoczy, o islâmico-marxista russo que vocês estão tentando apanhar há meses? Será que eu deveria contar-lhe que o verdadeiro motivo pelo qual me mandaram ajudá-lo a agarrá-lo hoje à noite é que, inteiramente por acaso, o MI6 descobriu através de um desertor tcheco que o seu verdadeiro nome é Igor Mzytryk, filho de Petr Oleg Mzytryk, que nos meus dias de Hong Kong costumava ser conhecido como Gregor Suslev, o grande espião, que julgávamos morto há muito tempo?