— Não senhor. No momento não. Estamos ansiosos pela sua visita e ficaremos na escuta como sempre
Entendido e desligo.
— Isso deve resolver as coisas, Mac, isso vai colocar um marimbondo nos seus rabos — disse Pettikin.
— Talvez sim, talvez não. Nós não podemos interromper as emergências Além das razões humanitárias, isso nos coloca numa posição ilegal e eles podem nos tirar tudo. — McIver terminou o seu drinque e deu uma olhada no relógio.
— Vamos, Tom, não vamos esperar por Jean-Luc, vamos procurar Xarazade.
O trânsito tinha diminuído um pouco mas ainda se arrastava, com a neve grudando no pára-brisa. A estrada estava escorregadia e cheia de neve suja dos lados.
— Vire a direita na próxima esquina — disse Lochart
— Certo, Tom. — Eles continuaram em silêncio. McIver virou a esquina — Tom, você assinou a nota do combustível em Isfahan?
— Não, não assinei
— Alguém o entrevistou, perguntou o seu nome, alguma coisa desse tipo? Faixas Verdes? Alguma pessoa?
Lochart desviou a mente de Xarazade
— Não, não que eu me lembre. Eu era só o "capitão" e parte do cenário. Até onde posso me lembrar, não fui apresentado a ninguém. Valik e... Annoush e as crianças foram almoçar assim que nós pousamos com o outro general. Cristo, eu não consigo nem mesmo me lembrar do nome dele — ah, sim, Seladi. Todo mundo me chamava de''capitão". Eu era apenas uma parte do cenário. Aliás, eu fiquei no hangar com o helicóptero durante todo o tempo em que estivemos lá, vigiando o reabastecimento e checando o aparelho. Eles até me trouxeram comida numa bandeja e eu comi sentado na cabine. Fiquei lá o tempo todo até que aqueles malditos Faixas Verdes caíram em cima de mim e me arrastaram para fora e me trancaram num quarto. Não houve nenhum aviso, Mac. Eles simplesmente cercaram a base; devem ter tido muita ajuda de dentro. Os desgraçados que me agarraram estavam frenéticos, gritando que eu era da CIA, americano. Eles insistiram nisso o tempo todo, mas estavam mais preocupados em tomar a base do que comigo. Entre à esquerda, Mac. Não está muito longe agora.
McIver continuou a dirigir, inquieto, a região era muito pobre e os transeuntes os observavam atentamente.
— Talvez a gente consiga fazer essa história colar: fingir que o HBC foi seqüestrado de Doshan Tappeh por algum desconhecido. Talvez eles não sigam o rastro dele a partir de Isfahan.
— Então por que eles agarraram Duke Starke?
— Rotina. — McIver suspirou profundamente. — Sei que é muito arriscado, mas pode dar certo. Talvez a história do "americano da CIA" continue valendo e pronto. Deixe crescer um bigode ou uma barba, por via das dúvidas.
Lochart sacudiu a cabeça.
— Isso não vai adiantar. Meu nome está na primeira licença. Nós dois estamos... este é que é o problema.
— Quando você decolou de Doshan Tappeh, quem o viu sair? Lochart pensou por um momento.
— Ninguém. Eu acho que foi Nogger quem supervisionou o abastecimento do aparelho na véspera. O...
— Está certo. Agora eu me lembro, ele estava uma fera, disse que eu estava dando trabalho demais para ele com a jovem Paula na cidade. Havia algum empregado iraniano ou guardas por lá? Você pagou baksheesh para alguém?
— Não, não havia ninguém. Mas eles podem ter gravado a minha voz nos seus gravadores automáticos... — Lochart espiou pela janela. Sua excitação aumentou e ele apontou. — Lá está a curva, estamos perto.
McIver entrou na rua estreita, que só dava para dois carros passarem. Havia neve dos lados subindo pelos muros altos — e portas e portões dos dois lados. McIver nunca tinha estado ali antes e estava surpreso de que Bakravan, tão rico, morasse numa região tão pobre. Ele era rico, lembrou, estremecendo involuntariamente, e agora está morto por "crimes contra o Estado" — e o que constitui um crime contra o Estado? Mais uma vez ele estremeceu.
— Lá está a porta, ali à esquerda.
Eles pararam ao lado de um monte de neve cheio de lixo. Uma porta indescritível estava cavada no muro alto e mofado. A porta tinha uma faixa de ferro coberta de ferrugem.
— Vamos entrar, Mac.
— Vou esperar um momento, se tudo estiver bem eu vou embora. Estou exausto. — Só há uma solução, pensou McIver, e esticou o braço fazendo Lochart parar. — Tom, nós temos permissão para retirar três 212. Você leva um. Amanhã. Zagros que vá para o diabo. Jean-Luc pode lidar com isso. Quanto a Xarazade, eu não sei se eles vão deixá-la ir ou não, mas é melhor você sair o mais depressa possível. É a única coisa a fazer; saia enquanto pode. Nós a poremos no próximo vôo do 125.
— E quanto a você, Mac?
— Eu? Não precisa se preocupar. Você sai, e se eles a deixarem ir, leve-a também. Jean-Luc pode cuidar de Zagros. Parece que vamos ter que fechar, de qualquer maneira. Está bem?
Lochart olhou para ele.
— Deixe-me pensar a respeito, Mac. Mas obrigado. — Ele saiu. — Eu estarei lá antes do amanhecer. Não deixe Jean-Luc partir sem mim. Podemos decidir lá, está bem?
— Sim. — McIver viu o amigo usar a aldrava antiquada. O som era alto. Os dois homens esperaram, Lochart doente de ansiedade, preparando-se para ser cercado pela família, para as lágrimas de boas-vindas e para as perguntas, tendo que ser gentil quando tudo o que queria era levá-la para o quarto deles e abraçá-la e se sentir seguro, vendo todo aquele pesadelo acabar. Esperando em frente à porta. Depois batendo de novo, mais alto. Esperando. McIver desligara o motor para economizar gasolina, o silêncio fazia a espera ainda pior. Flocos de neve se amontoavam no pára-brisa. Pessoas passavam como fantasmas, todo mundo desconfiado e hostil.
Passos abafados se aproximaram e a vigia abriu só um pedacinho. Os olhos que espiaram Lochart eram frios e duros e ele não reconheceu o pequeno pedaço de rosto que conseguiu ver.
— Sou eu, Excelência Lochart — disse em farsi, tentando parecer normal. — Minha mulher, a senhora Xarazade, está aqui.
Os olhos o examinaram com mais atenção para ver se ele estava sozinho ou acompanhado, examinando o carro atrás dele e McIver sentado na direção
— Espere por favor, aga.
A vigia foi fechada. Mais uma vez esperando, batendo com os pés por causa do frio, esperando, depois batendo impacientemente na porta de novo, com vontade de arrombá-la, sabendo que não podia. Mais passos. A vigia tornou a abrir-se. Olhos e rosto diferentes.
— Qual é o seu nome, aga!
Lochart teve vontade de gritar com o homem, mas não o fez.
— Meu nome é aga piloto Thomas Lochart, marido de Xarazade. Abra a porta. Está frio, eu estou cansado e vim ver minha mulher.
Silenciosamente, a vigia foi fechada. Um momento de espera angustiante, depois para o seu alívio ele ouviu a porta sendo destravada. A porta se abriu. O empregado segurava uma lamparina a óleo bem no alto. Mais adiante estava o pátio cercado de muros altos, com uma fonte delicada no meio, árvores e plantas protegidas contra o frio. Do outro lado havia uma outra porta, guarnecida com ferro. Esta porta estava aberta e ele a viu, com sua silhueta se destacando contra a luz. Ele correu e tomou-a nos braços, gemendo e chorando.
A porta da rua foi fechada e as trancas recolocadas.
— Espere! — Lochart gritou para o empregado, lembrando-se de McIver. Então ele ouviu o carro sendo ligado e se afastando.
— O que é, aga! — perguntou o empregado.
— Nada — respondeu e ajudou Xarazade a entrar em casa. Quando ele a viu na luz, seu estômago encheu-se de gelo e sua felicidade desapareceu. O rosto dela estava inchado e sujo, seu cabelo sujo e despenteado, seus olhos vagos, suas roupas amassadas.
— Jesus Cristo... — murmurou, mas ela não prestou nenhuma atenção, apenas continuou agarrada nele, fora de si, gemendo numa mistura de farsi e inglês, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. — Xarazade, está tudo bem agora... — ele disse, tentando acalmá-la. Mas ela continuou com aquele lamento monótono. — Xarazade, Xarazade, minha querida, eu estou de volta... está tudo bem... — Ele parou. Era como se não tivesse dito nada e, de repente, ficou apavorado de que ela tivesse enlouquecido. Começou a sacudi-la gentilmente, mas isso também não teve nenhum efeito. Então ele notou o velho empregado em pé perto da escada, esperando suas ordens. — Onde... onde está Sua Alteza Bakravan? — perguntou, com Xarazade agarrada ao seu pescoço.