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Não sei exatamente. Mandei Gueng espionar depois que o seu helicóptero chegou. Ele se escondeu atrás de uma janela dos fundos. Conte a eles, Gueng.

— Foi depois que eles acabaram de almoçar, sahib, o khan e o soviético, e eles estavam ao lado do carro do soviético na hora que ele ia embora. Eu estava atrás de um arbusto ali perto e pude ouvir muito bem. No início, não consegui entender o que eles diziam, mas depois ouvi o khan dizer: "Vamos falar inglês; há criados por perto." O soviético respondeu: "Obrigado pela informação e pela oferta." Então o khan disse: "Quer dizer que estamos de acordo? Com relação a tudo, Patar?" O soviético disse: "Sim, eu vou recomendar tudo o que você deseja. Vou providenciar para que o piloto não o incomode nunca mais. Quando ele tiver terminado aqui, ele será levado para o norte..." Gueng parou por causa do ruído feito por Azadeh. — Sim, memsahibi

— Nada.

Gueng concentrou-se, querendo transmitir a mensagem perfeitamente para eles:

— O soviético disse: "Vou providenciar para que o piloto não torne a incomodá-lo. Quando ele tiver terminado aqui, será levado para o norte, em caráter permanente". E... — Ele pensou por um minuto. — Ah, sim! E ele disse: "O mulá não vai incomodá-lo mais e em troca você vai prender os sabotadores ingleses para mim? Vivos, eu gostaria de tê-los vivos, se for possível". O khan respondeu: "Sim, eu os apanharei, Patar, você..."

— Petr — disse Azadeh, com a mão no ombro de Erikki — Seu nome é Petr Mzytryk.

— Cristo! — murmurou Ross, entendendo.

— O quê? — perguntou Erikki.

— Eu lhe contarei mais tarde. Termine, Gueng.

— Sim, sahib. O khan disse: "Eu os pegarei, Patar, vivos, se puder. Qual será o meu prêmio se eles estiverem vivos?" O soviético riu. "Qualquer coisa, dentro do razoável, e o meu?" O khan disse: "Eu a levarei comigo na próxima visita." Sahib, isso foi tudo. Então o soviético entrou no carro e partiu.

Azadeh estremeceu.

— O que foi? — disse Erikki.

— Ele estava se referindo a mim — ela disse num fio de voz.

— Não estou entendendo — disse Ross.

Erikki hesitou, com uma pressão ainda maior na cabeça. Ela lhe contara que fora chamada pelo pai para participar do almoço e que Petr Mzytryk a convidara para ir a Tbilisi — "Junto com o seu marido, é claro, se ele estiver livre; eu adoraria mostrar-lhe o nosso campo..." — e como o soviético tinha sido atencioso.

— Isso... isso é uma coisa pessoal. Não é importante — disse ele. — Parece que você me fez um grande favor. Como eu posso ajudar? — Ele sorriu fatigado e estendeu a mão. — Meu nome é Yokkonen, Erikki Yokkonen, e esta é minha esposa, Az...

— Sahib! — Gueng sussurrou, alertando-o.

Ross imobilizou-se. Ele viu a outra mão de Erikki debaixo do travesseiro.

— Não mova um músculo — disse, com o kookri subitamente fora da bainha. Erikki percebeu o tom de voz e obedeceu. Cautelosamente, Ross puxou o travesseiro, mas a mão não estava perto da faca. Ele apanhou a faca. A lâmina brilhou ao luar. Pensou por um momento, depois entregou-a a Erikki.

— Sinto muito, mas é preciso tomar cuidado. — Ele apertou a mão esticada que não se movera e sentiu a sua enorme força. Sorriu para ele e virou-se ligeiramente, com a luz caindo no seu rosto pela primeira vez. — Meu nome é Ross, capitão John Ross, e este é Gueng...

Azadeh prendeu a respiração e se ergueu de um pulo. Todos olharam para ela e agora Ross a viu claramente pela primeira vez. Era Azadeh, a sua Azadeh de dez anos atrás, Azadeh Gorden, como ele a conhecera então, Azadeh Gorden do High Country olhando para ele, mais linda do que nunca, com os olhos maiores do que nunca, ainda uma visão do paraíso.

— Meu Deus, Azadeh, eu não tinha visto o seu rosto...

— Nem eu o seu, Johnny.

— Azadeh... Meu Deus — gaguejou Ross. Ele estava radiante e ela também, e então ele ouviu a voz de Erikki e viu que ele o olhava, com a enorme faca na mão, e uma onda de medo percorreu-o e também a ela.

— Você é Johnny Olhos Claros? — disse Erikki numa voz neutra.

— Sim, sim, sou eu... Eu tive o privilégio de conhecer a sua esposa há anos, muitos anos... Meu Deus, Azadeh, como é bom vê-la de novo!

— Eu também... — Sua mão não havia deixado o ombro de Erikki.

Erikki podia sentir a mão e ela o queimava, mas não se moveu, hipnotizado pelo homem que estava diante dele. Ela lhe contara a respeito de John Ross e do verão que passaram juntos e do resultado do verão, que o homem não soubera nada a respeito da criança, e ela nunca tentara encontrá-lo para contar-lhe, nem queria que jamais soubesse.

— A culpa foi minha, Erikki, não dele — ela dissera com simplicidade.

— Eu estava apaixonada, eu só tinha 17 anos e ele 19. Eu costumava chamá-lo de Johnny Olhos Claros; eu nunca tinha visto um homem com olhos tão azuis antes. Nós estávamos perdidamente apaixonados, mas foi só uma paixão de verão, não como o nosso amor que é para sempre, o meu é e eu me casarei com você se meu pai permitir, oh, sim, por favor, meu Deus, mas só se você puder ser feliz mesmo sabendo que um dia, há muito tempo atrás, eu estava crescendo. Você precisa prometer-me, jurar que pode ser feliz como homem e como marido, pois talvez um dia nós o encontremos. Eu ficarei feliz em encontrá-lo e sorrirei para ele, mas a minha alma será sua, meu corpo será seu, minha vida será sua, e tudo o mais que possuo...

Ele tinha jurado conforme ela queria, sinceramente e de todo o coração, afastando a inquietação. Ele era moderno, compreensivo e finlandês — a Finlândia não foi sempre progressista, a Finlândia não foi o segundo país no mundo, depois da Nova Zelândia, a conceder às mulheres o direito de votar? Não havia nenhuma inquietação nele. Nenhuma. Ele só estava triste por ela, por ela não ter sido mais cuidadosa, pois ela lhe contara a respeito da ira do pai — uma ira que ele podia entender.

E agora ali estava o homem, forte, jovem e bonito, de um tamanho muito mais próximo do dela, de uma idade muito mais próxima da dela. Ele se sentiu despedaçado pelo ciúme.

Ross estava tentando recobrar a calma, dominado pela presença dela. Tirou os olhos dela e da lembrança dela e tornou a olhar para Erikki. E leu tudo claramente em seus olhos.

— Eu conheci sua mulher há muito tempo atrás, na Suíça... eu estive num colégio lá por algum tempo.

— Sim, eu sei — disse Erikki. — Azadeh me contou. Eu... eu... é um encontro repentino para todos nós. — Ele saiu da cama, muito mais alto do que Ross, com a faca ainda na mão, todos eles bem conscientes da faca. Ele viu que Gueng, do outro lado da cama, ainda estava com o seu kookri na mão. — Bem. Mais uma vez obrigado, capitão, pelo aviso.

— Você disse que estava sendo obrigado a pilotar para os soviéticos?

— Azadeh está como refém para que eu me comporte — disse Erikki, com simplicidade.

Ross balançou a cabeça Pensativamente.

— Não há muito que você possa fazer a respeito disso se o khan lhe é hostil. Cristo, que confusão! A minha idéia era que já que você estava sendo ameaçado, também iria querer fugir e que nos daria uma carona no helicóptero.

— Se eu pudesse daria, sim... sim, é claro. Mas há vinte guardas comigo toda vez que estou voando e Azadeh... minha esposa e eu somos vigiados muito de perto quando estamos aqui. Há um outro soviético chamado Cimtarga que é como se fosse a minha sombra, e Abdullah Khan é... muito cauteloso. — Ele ainda não tinha decidido o que fazer a respeito de Ross. Ele olhou para Azadeh e viu que o seu sorriso era sincero, que o toque no seu ombro era sincero, e que este homem não significava nada mais do que um velho amigo para ela agora. Mas isso não afastou o seu impulso quase cego de atacar. — Nós temos que ter cuidado, Azadeh.

— Muito cuidado.

Ela tinha sentido a tensão sob sua mão quando ele dissera "Johnny Olhos Claros" e sabia que, dos três, só ela podia controlar esse perigo extra. Ao mesmo tempo, o ciúme de Erikki, que ele estava tentando com todas as forças esconder dela, a excitava, bem como a evidente admiração do seu antigo amor. Oh, sim, pensou, Johnny Olhos Claros, você está mais maravilhoso do que nunca, mais esbelto do que nunca, mais forte do que nunca — mais excitante, com a sua faca curva e o seu rosto mal barbeado, as suas roupas imundas e o seu cheiro de homem — como pude não reconhecê-lo?