Ele a ouviu suspirar e imaginou o que significaria aquele suspiro, sentindo o seu calor de encontro a ele, odiando a raiva de que estava possuído. Será que ela tinha sorrido para o seu amante do modo como o fez porque está arrependida? Ou está furiosa comigo — ela deve ter notado o meu ciúme. Ou ela está triste porque esqueci a minha promessa, ou está me odiando porque eu odeio o homem? Eu juro que vou exorcizá-la dele...
Ah, Johnny Olhos Claros, ela estava pensando, quanto êxtase eu desfrutei em seus braços, mesmo da primeira vez quando dizem que dói, mas nunca doeu. Só uma dor que se transformou num fogo que se transformou numa fusão que me arrancou a vida e tornou a devolvê-la, melhor do que antes, oh, muito melhor do que antes! E então Erikki...
Estava muito mais quente agora debaixo das cobertas. Sua mão foi até o sexo dele. Ela sentiu que ele se mexia ligeiramente e ocultou um sorriso, certa de que o seu calor o estava atingindo agora, seria tão fácil excitá-lo ainda mais. Mas desaconselhável. Muito desaconselhável, pois ela sabia que ele a tomaria com Johnny na cabeça, tomando-a para se vingar de Johnny e não para amá-la — talvez até pensando que, concordando, ela estaria se sentindo culpada e tentando expiar a culpa. Oh, não, meu amor, eu não sou uma criança boba, é você o culpado, não eu. E embora você fosse ser mais forte do que o normal e mais violento, o que normalmente aumenta o meu prazer, desta vez não aumentaria, pois, querendo ou não, eu iria resistir ainda mais do que você, consciente do meu outro amor. Então, meu querido, é dez mil vezes melhor esperar. Até o amanhecer. Até lá, meu querido, se eu tiver sorte, você já terá se convencido de que está errado em odiar e ter ciúmes e será o meu Erikki de novo. E se não tiver? Então eu recomeçarei — há dez mil maneiras de curar o meu homem.
— Eu o amo, Erikki — disse e beijou a coberta sobre o seu peito, virou-* se e ajeitou as costas de encontro a ele e adormeceu, sorrindo.
35
NA BASE AÉREA DE KOWISS: 8:11H. Freddy Ayre cerrou os punhos. Por Deus, não! Você ouviu as ordens de McIver: Se Starke não estiver de volta ao amanhecer, todos os vôos estarão cancelados. Já passa das oito horas e Starke ainda não voltou, portanto todos os..
— Você vai obedecer às minhas ordens! — Esvandiary, o gerente da IranOil, gritou, e sua voz ecoou por toda a base da S-G. — Eu ordenei que você entregasse um novo tanque de lama e um cano, do contrato com a Guerney, na Plataforma S.,
— Não haverá nenhum vôo enquanto o capitão Starke não estiver de volta — disse Ayre. Eles estavam na pista de decolagem, perto dos três 212 que Esvandiary escalara para as operações do dia, com os três pilotos equipados e prontos desde o amanhecer, com o resto dos estrangeiros observando, nos mais variados graus de nervosismo e raiva. Em volta deles havia um caminhão com Faixas Verdes hostis e empregados da base que tinham acabado de chegar com Esvandiary. Quatro dos homens de Zataki estavam agachados perto dos helicópteros, mas nenhum deles se movera desde o início da discussão, embora todos eles observassem com atenção.
— Todos os vôos estão cancelados! — repetiu Ayre. Furiosamente, Esvandiary gritou em farsi.
— Esses estrangeiros se recusam a obedecer a ordens legítimas da IranOil.
— Um murmúrio de raiva elevou-se entre os asseclas de Esvandiary que apontaram as armas para os estrangeiros, e ele apontou para Ayre. — Eles precisam de um exemplo.
Sem nenhum aviso, mãos rudes agarraram Ayre e a surra começou. Um dos pilotos, Sandor Petrofi, correu para impedir, mas foi empurrado para trás, escorregou e foi chutado de volta para onde estavam os outros, impotentes, sob a mira das armas.
— Pare com isso! Pop Kelly, o capitão alto, gritou, com o rosto lívido.
— Deixe Ayre em paz, nós vamos executar as missões.
— Ótimo. — Esvandiary disse aos seus homens para parar. Eles puseram Ayre em pé. — Decolem todos. Imediatamente!
Quando os aparelhos estavam no ar, ele ordenou que todos os estrangeiros se afastassem.
— Não haverá motins contra o Estado islâmico nunca mais. Por Deus, todas as ordens da IranOil serão... serão... cumpridas instantaneamente. — Muito satisfeito consigo mesmo por ter terminado com o motim, conforme prometera ao comandante da base, ele entrou no prédio principal, foi até o escritório de Starke, do qual se apossara, e ficou em pé na janela, observando os seus domínios.
Ele viu dois helicópteros bem afastados agora, o terceiro flutuava a vinte pés de altura sobre o tanque de lama, esperando que o pessoal de terra prendesse o gancho na grande corrente de aço que estava presa ao reboque. Em frente ao edifício, Ayre, cercado por outros estrangeiros, estava sendo socorrido pelo dr. Nutt. Maldito filho da mãe, tinha que me dar tanto trabalho, pensou Esvandiary, e deu uma olhada no seu relógio, admirando-o. Era um rolex de ouro que ele comprara no mercado negro naquela manhã, conforme convinha à sua importância, com o dinheiro do pishkesh dado por um lojista do bazar que queria que o filho trabalhasse na IranOil.
— O senhor precisa de alguma coisa, Excelência? — Pavoud perguntou servilmente da porta. — Posso dar-lhe os parabéns pelo modo como lidou com os estrangeiros? Há anos que eles precisavam levar uma boa surra para serem colocados nos seus lugares; como o senhor foi inteligente.
— Sim. De agora em diante a base vai funcionar perfeitamente. Assim que haja um problema, qualquer um que esteja como responsável será usado como exemplo. Graças a Deus que aquele filho de um cão do Zataki vai partir dentro de uma hora, com os seus assassinos, para Abadan.
— Este vôo vai partir na hora, Excelência. — Os dois homens riram.
— Sim, traga-me um pouco de chá, Pavoud. — Deliberadamente, Esvandiary não usou as regras normais de educação e notou que o servilismo do homem aumentou. Ele tornou a olhar pela janela. O dr. Nutt estava tratando de um corte no supercílio de Ayre. Eu me diverti vendo Freddy apanhar, ele pensou. Sim, foi muito divertido.
Sob o vento gelado, o dr. Nutt tinha envolvido Ayre com um outro casaco.
— É melhor você vir até a enfermaria, rapaz.
— Eu estou bem — disse Ayre, com dor em todo o corpo. — Acho... acho que não há nada quebrado.
— Filhos da mãe — alguém disse. — Freddy, é melhor nós pensarmos numa maneira de darmos o fora daqui.
— Eu vou sair no primeiro avião... Não vou me arriscar a...
Todos eles olharam para cima quando os motores a jato do helicóptero que estava flutuando se aceleraram. Era muito arriscado levantar um peso daqueles — especialmente com este vento — mas isso não era nenhum problema para um profissional como Sandor. O gancho prendeu logo da primeira vez e assim que o pessoal de terra ficou com as mãos livres, ele aumentou a força, os motores gemeram com força total, agüentando a tensão, e depois helicóptero e carga subiram para o céu. O guarda que estava no banco da frente ao lado de Sandor acenou nervosamente, bem como o que estava na cabine.
— Você está indo muito bem, capitão... nenhum problema — Sandor ouviu Wazari dizer da torre nos fones de ouvido. Sandor calculou a distância, ganhando altura, com mãos e pés perfeitamente coordenados, vendo apenas Esvandiary na janela do escritório, sentindo-se furioso pela surra violenta levada por Ayre, dada por um bando de homens armados comandados por um covarde. Isso o levou de volta à sua infância em Budapeste, durante a Revolução Húngara. Ele era impotente então — mas não agora.
— Você está indo bem, HFD, mas um pouco perto demais. — A voz de Wazari avisou-o. — Você está um pouco perto, vá mais para o sul...