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Sandor aumentou a potência, dirigindo-se para a torre que ficava no alto do edifício.

— A carga está direita? — perguntou. — Parece um pouco estranha.

— Parece direita, sem problemas, mas vá mais para o sul à medida que subir. Está tudo perfeito... vá mais para o sul, está me ouvindo?

— Você tem certeza, pelo amor de Deus? O aparelho está parecendo muito lento...

A agulha subiu até trinta metros. Sandor fechou a cara e sua mão jogou o comando para a direita, ao mesmo tempo em que empurrava o leme para a direita. No mesmo instante, o helicóptero oscilou perigosamente, o guarda que estava ao lado dele perdeu o equilíbrio, bateu de encontro à porta e depois agarrou Sandor, tentando equilibrar-se e deu um encontrão nos controles. Mais uma vez Sandor corrigiu, xingando o guarda como se o homem apavorado fosse um verdadeiro risco.

Por um momento pareceu que o balanço faria o helicóptero despencar do céu, então Sandor empurrou o guarda que estava aterrorizado.

— Mayday. Carga fora de controle — ele gritou, com os ouvidos surdos a Wazari, os olhos concentrados embaixo, esquecido de tudo que não fosse a necessidade de vingança. — A carga está fora de controle!

Sua mão puxou o liberador de carga de emergência, o gancho soltou-se e o tanque de aço despencou do céu diretamente sobre o escritório. Aquela tonelada e meia de aço caiu sobre o telhado, pulverizando alicerces, paredes, vidro, metal, mesas, fazendo desmoronar todo aquele canto, e parou encravada nos destroços da parede interior.

Um momento de silêncio horrorizado tomou conta de toda a base, depois o barulho dos motores encheu o céu quando, livre da carga, o helicóptero ficou fora de controle. Os reflexos de Sandor lutaram para recuperar o domínio do aparelho, mas sua mente não estava se importando se ia conseguir dominá-lo ou não, se conseguiria pousar ou não, sabendo apenas que ele se vingara de um dos bandidos. Ao lado dele, o guarda estava vomitando e pelos fones ele ouvia "Jesus Cristo... Jesus Cristo..." vindo da torre.

— Cristo, cuidadoooo! — alguém gritou quando o helicóptero desabou em cima deles. Todo mundo saiu correndo, mas os reflexos de Sandor cortaram os motores e tentaram um pouso de emergência impossível. As pás foram se arrastando pela neve, não se vergaram, e o helicóptero deslizou para frente até parar, intacto, a quarenta metros de distância.

Ayre foi o primeiro a chegar à cabine. Ele abriu a porta violentamente. Sandor estava lívido, abobalhado, olhando para a frente.

— A carga ficou fora de controle... — disse com voz rouca.

— Sim.

Foi tudo o que Ayre pôde dizer, sabendo que era mentira, depois outros foram chegando e ajudaram Sandor, que estava com as pernas bambas, a descer da cabine. Atrás dele, perto do edifício, Ayre viu Faixas Verdes olhando estarrecidos para os destroços, depois Pavoud e o outro funcionário saíram cambaleando pela porta da frente, em estado de choque. A janela e o canto onde Esvandiary estivera tinham virado pó. O dr. Nutt abriu caminho no meio das pessoas e correu em direção às ruínas, enquanto Wazari descia a escada de emergência, saindo da torre que oscilava perigosamente, com metade dela solta no ar. Cristo, pensou Ayre, Wazari deve ter visto tudo. Ele se ajoelhou ao lado do amigo.

— Você está bem, Sandy?

— Não — disse Sandor, abalado. — Acho que enlouqueci. Eu não podia parar.

Wazari abria caminho no meio das pessoas em direção à cabine, ainda em pânico por ter visto o tanque caindo em cima dele, sabendo que o piloto desobedecera propositalmente às suas instruções.

— Você está louco, porra? — Ele explodiu com Sandor por cima do barulho dos motores.

Ayre enfureceu-se.

— Porra, a carga ficou fora de controle! Nós todos vimos e você também.

— Você tem toda a razão, eu vi e você também. — Wazari olhou, apavorado, para todos os lados, à procura de Faixas Verdes, mas não havia nenhum por perto. Então ele viu Zataki se aproximando, vindo de um dos bangalôs. Seu terror aumentou. Ele ainda estava muito machucado da surra que levara de Zataki, seu nariz amassado, sua boca doendo, de onde tinham sido arrancados três dentes, e ele sabia que admitiria qualquer coisa para evitar outra surra. Ele se ajoelhou ao lado de Sandor, arrastando Ayre com ele. — Ouça — sussurrou, desesperado — você jura por Deus que vai me ajudar? Você promete?

— Eu já disse que faria o que pudesse! — Ayre livrou-se dele, furioso, sentindo muita dor por ter-se abaixado. Ele se ergueu e deu de cara com Zataki. O susto o paralisou... e os olhos do homem. Todos os outros tinham recuado para longe deles.

— Piloto, você fez isto para matar Esvandiary, não foi? Sandor levantou os olhos para ele.

— A carga ficou fora de controle, coronel.

Zataki pôs os olhos em Ayre, que se lembrou do que o dr. Nutt dissera a respeito do homem, com a cabeça doendo, o saco, o corpo inteiro.

— A... ahn, a operação é muito difícil, foi o vento. A carga ficou fora de controle. Foi um Ato de Deus, Excelência...

Wazari deu um passo para trás quando Zataki se virou para ele.

— É verdade, Excelência, disse imediatamente. — Os ventos lá em cima são muito perigosos. — Ele gritou quando o punho de Zataki golpeou o seu estômago e se dobrou de dor, depois Zataki agarrou-o e atirou-o de encontro ao helicóptero.

— Agora diga-me a verdade, verme!

— É verdade — Wazari murmurou, no meio da náusea, quase sem poder falar. — É verdade! Foi Insha'Allah! — Ele viu o punho de Zataki preparado e gritou numa mistura de farsi e inglês: — Se você me bater, eu vou dizer qualquer coisa que queira ouvir, qualquer coisa. Eu não posso suportar outra surra e vou jurar qualquer coisa que você queira, mas a carga fugiu ao controle. Por Deus, eu juro por Deus que a carga fugiu ao controle.

Zataki olhou fixamente para ele.

— Deus o mandará para o fogo do inferno por toda a eternidade se você tiver dito uma mentira em Seu Nome. Você jura que foi só a Vontade de Deus? Que a carga ficou fora de controle? Você jura que foi um Ato de Deus?

— Sim, sim, eu juro! — disse Wazari, tremendo, ainda seguro por ele. E tentou demonstrar sinceridade no olhar, sabendo que sua única chance de viver estava com Ayre, provando-lhe o seu valor. — Eu juro por Deus e pelo Profeta que foi um acidente, um... um Ato de Deus. Insha'Allah...

— Como Deus quiser. — Zataki balançou a cabeça, absolveu-o e soltou-o. Wazari escorregou para a neve, vomitando, e todos os outros agradeceram a Deus, aos céus ou ao carma o fato de que, por enquanto, a crise tivesse passado. Zataki fez um sinal para os destroços. — Tirem de lá o que restar de Esvandiary.

— Sim... sim, imediatamente — disse Ayre.

— A menos que o capitão volte, você levará a mim e a meus homens para Bandar Delam. — Zataki se afastou. Seus Faixas Verdes foram com ele.

— Cristo! — alguém murmurou, todos eles imensamente aliviados. Eles ajudaram Sandor a se levantar e também Wazari.

— Você está bem, sargento? — perguntou Ayre.

— Não, maldição, não, não estou! — Wazari cuspiu um pouco de vômito. Quando ele viu que os Faixas Verdes tinham ido embora com Zataki, seu rosto contorceu-se de ódio. — Aquele maldito filho da mãe! Espero que ele vá para o inferno!

Ayre puxou Wazari para um lado e baixou a voz.

— Eu não me esquecerei que prometi tentar ajudá-lo. Quando Zataki partir você estará bem. Eu não me esquecerei.

— Nem eu — disse Sandor, com voz fraca. — Obrigado, sargento.

— Você me deve a sua maldita vida — disse o homem e tornou a cuspir, com os joelhos fracos e o peito ardendo. — Você poderia ter-me matado também com aquele maldito tanque.

— Sinto muito. — Sandor estendeu a mão. Wazari olhou para a mão estendida e depois para o seu rosto.

— Eu apertarei a sua mão quando estiver em segurança, fora deste maldito país. — E saiu mancando.