— Freddy! — O dr. Nutt estava no meio dos destroços com dois mecânicos, tentando retirar as vigas e o resto e acenou chamando-o. Os Faixas Verdes estavam em volta, vigiando. — Dê-nos uma ajuda aqui, sim?
Todos foram ajudar. E nenhum deles queria ser o primeiro a ver Esvandiary.
Eles o encontraram desmaiado numa abertura sob um dos lados do tanque. O dr. Nutt agachou-se ao lado dele, examinando-o com dificuldade.
— Ele está vivo — gritou, e Sandor sentiu o estômago revirar. Rapidamente todos ajudaram a retirar os pedaços de viga e os restos da escrivaninha de Starke e arrastaram gentilmente o homem.
— Acho que ele está bem — disse o dr. Nutt, com a voz rouca. — Levem-no para a enfermaria. Ele está com um galo feio na cabeça mas os braços e pernas parecem direitos e não há nada esmagado. Alguém vá buscar uma maca.
As pessoas se apressaram em cumprir as suas ordens, sentindo-se mais aliviadas, todas odiando 'Pé-quente' mas desejando que ele estivesse bem. Sem ninguém ver, Sandor foi para trás do edifício, tão aliviado que podia até chorar, e vomitou violentamente.
Quando voltou, só Ayre e Nutt estavam esperando.
— Sandy, é melhor você vir também, deixe-me dar uma olhada em você disse Nutt. — Maldita ala de acidentados, é o que nós temos agora
— Tem certeza de que 'Pé-quente' vai ficar bom?
— Tenho certeza absoluta. — Os olhos do médico estavam lacrimejando, de um azul pálido e um tanto injetados. — O que houve de errado, Sandy? — perguntou calmamente.
— Não sei, doutor. Tudo o que eu queria era apanhar aquele desgraçado e na hora, largar o tanque me pareceu a coisa perfeita para fazer
Você sabe que isso seria assassinato? Ayre disse, inquieto:
— Doutor, o senhor não acha que é melhor deixar as corsas corno estão? Não, não acho. — A voz de Nutt tornou-se mais severa. — Sandy, você sabe que isso foi uma tentativa de assassinato.
— Sim. — Sandor olhou para ele. — Sim, eu compreendo e sinto muito.
— Você sente que ele não esteja morto?
— Juro por Deus, doutor. Eu agradeço a Deus que ele esteja vivo. Eu ainda acho que ele se tornou uma pessoa má e covarde e tudo que eu detesto e não posso perdoá-lo por... por ordenar a surra em Freddy, mas isso não é desculpa para o que fiz. O que eu fiz foi uma loucura, não há desculpa para isso, e eu realmente agradeço a Deus por ele estar vivo.
— Sandy — disse Nutt, com a voz mais calma —, é melhor você não voar por um dia ou dois. Você sofreu uma pressão forte demais. Não precisa preocupar-se, rapaz, desde que compreenda. Apenas vá com calma por um ou dois dias. Você vai ter uma tremedeira esta noite, mas não se preocupe. Você também, Freddy. É claro que isso fica entre nós três e a carga se desequilibrou. Eu vi. — Ele ajeitou os tufos de cabelo sobre a cabeça calva, que o vento tinha despenteado. — A vida é estranha, muito estranha, mas aqui entre nós três, Deus estava com você hoje, Sandy, se é que existe um Deus. — Ele se afastou, curvado como um velho saco de batatas.
Ayre ficou olhando para ele.
— O doutor é boa pessoa, sabe, nós tivemos muita sorte, tão próximos de um desastre, tão...
Houve um grito e eles olharam naquela direção. Um dos pilotos perto do portão principal gritou de novo e apontou. O coração deles deu um salto. Starke caminhava pela estrada vindo da cidade. Estava sozinho. Tanto quanto podiam ver dali, ele estava ileso, andando com passos largos. Acenaram excitadamente e ele acenou de volta, e a notícia se espalhou pelo campo e Ayre saiu correndo para recebê-lo, esquecido da dor. Talvez exista um Deus no céu afinal de contas, pensava alegremente.
36
EM LENGEH: 14:15H. Scragger estava tomando sol na grande plataforma de madeira ancorada a cem metros da praia, com uma pequena balsa de borracha presa a ela. A plataforma consistia em pranchas de madeira presas em tambores vazios de petróleo. Na balsa havia equipamento de pesca e um walkie-talkie, e sob ela estava pendurada uma gaiola de arame com os doze peixes que ele e Willi Neuchtreiter já tinham apanhado para o jantar — o golfo estava cheio de camarões, cavalas, atuns, percas, robalos e dúzias de outras espécies.
Willi, um outro piloto, nadava preguiçosamente nas águas rasas e mornas ali perto. Na praia ficava a base deles — meia dúzia de trailers, cozinha, dormitórios para a turma de iranianos, um trailer-escritório com torre de rádio e antena, hangares com espaço para uma dúzia de 212 e 206.
Atualmente, a tripulação completa compunha-se de cinco pilotos, inclusive ele, sete mecânicos, 15 empregados iranianos, diaristas, cozinheiros e serventes, e o gerente da IranOil, Kormani, que estava doente. Dos outros pilotos, dois eram britânicos e o último, Ed Vossi, americano.
Na base estavam três 212 — no momento com trabalho suficiente para apenas um — e dois 206 Jet Rangers, sem trabalho praticamente nenhum. Fora o Consórcio Francês com os seus contratos de Siri de Georges de Plessey, todos os outros contratos tinham sido cancelados ou suspensos até o fim das agitações. Ainda havia rumores de muita agitação na grande base naval de Bandar Abbas, que ficava a leste, e de lutas ao longo de toda a costa. Há dois dias, a agitação tinha alcançado a base pela primeira vez. Agora eles tinham um komiteh permanente de Faixas Verdes, polícia e um mulá:
— Para proteger a base contra os esquerdistas, capitão Excelência.
— Mas mulá Excelência, meu velho, nós não precisamos de proteção.
— Seja como Deus quiser, mas as nossas importantes instalações de petróleo da ilha de Siri foram atacadas e avariadas por aqueles cães. Os nossos helicópteros nos são vitais e não serão estragados. Mas não se preocupem, nada será mudado por nós. Nós compreendemos o nervosismo de vocês em voar com armas, portanto nenhum dos nossos irá armado, embora um de nós vá voar sempre com vocês. Para a sua proteção.
— Scragger e os outros tinham ficado mais tranqüilos com a presença no komiteh do sargento da polícia local, Qeshemi, com quem eles tinham sempre mantido boas relações. Os problemas de Teerã, Qom e Abadan mal os tinham alcançado aqui no estreito de Ormuz. As greves foram poucas e muito ordeiras. De Plessey estava pagando as contas da EPF, portanto estava tudo ótimo, exceto pela falta de trabalho.
Scragger olhou preguiçosamente em direção à praia. A base estava em ordem, e ele podia ver os homens cumprindo as suas tarefas, limpando, consertando, com alguns membros do komiteh sentados descansadamente na sombra. Ed Vossi estava perto do 206 fazendo a revisão.
— Não há trabalho suficiente — murmurou Scragger. Tinha sido assim nos últimos meses e ele sabia muito bem o quanto isso podia ser desastroso. A falta de vôos regulares e a necessidade de comprar equipamento moderno é que o tinham convencido a vender a Sheik Aviation para Andrew Gavallan há muitos anos trás.
Mas não me arrependo, pensou. Andy é fantástico, ele tem sido correto comigo. Eu tenho um pedacinho da companhia e posso pilotar enquanto estiver em forma. Mas o Irã é terrível para Andy no momento. Ele não está sendo pago nem pelo trabalho que já foi feito nem pelo que está sendo feito agora, exceto aqui, o que é uma pena. Os bancos já estão fechados há uns quatro ou cinco meses, e ele vem sustentando as operações no Irã com o dinheiro do seu próprio bolso. Alguma coisa tem que acontecer. Com apenas Siri funcionando, não há o suficiente para pagar nem a metade dos nossos compromissos.
Há três dias, quando Scragger trouxe Kasigi de volta do canteiro de obras da Iran-Toda perto de Bandar Delam, Kasigi perguntara a de Plessey se podia fretar um 206 para ir para Al Shargaz ou Dubai.
— Eu tenho que entrar em contato imediatamente, por telefone e telex, com o meu escritório principal no Japão para confirmar os acordos feitos com você a respeito dos seus preços e sobre a elevação dos preços dos futuros fornecimentos. — De Plessey concordara imediatamente. Scragger decidira que ele mesmo ia pilotar e estava satisfeito por isso. Em Al Shargaz, ele estivera com Manuela e Johnny Hogg. E com Genny.