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Ela o pusera a par de tudo, e em particular, principalmente a respeito de Lochart.

— Deus do céu! — dissera, chocado com a rapidez com que as operações estavam se desintegrando e com que a revolução os estava envolvendo pessoalmente. — Pobre velho Tom.

— Tom devia ter chegado de Bandar Delam na véspera da minha partida, mas não chegou, e não sabemos ainda o que realmente aconteceu. Eu, pelo menos, não sei — ela disse. — Scrag, só Deus sabe quando vamos poder conversar em particular outra vez, mas há outra coisa: só entre nós dois, sim?

— Prometido.

— Eu não acho que o governo volte ao normal algum dia. Eu queria perguntar a você: mesmo que volte, será que os sócios, com ou sem ajuda oficial, ou a IranOil poderiam forçar-nos a sair e ficar com os nossos aparelhos e equipamentos?

— Por que eles fariam isso? Eles precisam dos helicópteros... mas, se quisessem, é claro que poderiam — respondera, dando um assovio de espanto, pois esta possibilidade jamais lhe ocorrera antes. — Maldição, se eles decidissem que não precisavam de nós, Genny, isso seria muito fácil, muito fácil. Eles podiam conseguir outros pilotos, iranianos ou mercenários, não é isso que nós somos? É claro que eles poderiam nos expulsar e ficar com o nosso equipamento. E se perdermos tudo o que temos aqui, adeus S-G.

— Foi o que Duncan pensou. Será que poderíamos partir com os nossos aviões e peças, se eles decidissem fazer isso?

Ele tinha rido.

— Seria um roubo perfeito. Mas não poderia ser feito, Genny. Se nós tentássemos e eles nos apanhassem, eles nos mandariam para a cadeia. Não há nenhuma maneira de fazer isso. Não sem a aprovação do DAC do Irã.

— E se fosse a Sheik Aviation?

— Não faria nenhuma diferença, Genny.

— Então você simplesmente os deixaria roubar tudo o que lutou a vida inteira para conseguir, Scrag? Eu não acredito.

— Nem eu — ele disse na mesma hora —, embora só Deus saiba o que eu faria.

Ele viu o rosto bondoso observando-o, com os óculos escuros empoleirados na cabeça, com os olhos cheios de ansiedade, sabendo que sua preocupação não era só por McIver e tudo o que ele construíra, não só pelas suas próprias economias que, como as dele, estavam presas à S-G, mas também por Andy Gavallan e por todos os outros.

— O que eu faria? — disse vagarosamente. — Bem, nós temos quase tanto em peças no Irã quanto em aparelhos. Nós teríamos que começar a retirá-las, embora não saiba como fazer isso sem que as pessoas fiquem desconfiadas. Nós não poderíamos tirar todas elas, mas poderíamos diminuir o prejuízo. Então nós todos teríamos que partir ao mesmo tempo, todo mundo, todos os helicópteros, de Teerã, Kowiss, Zagros, Bandar Delam e daqui. Nós... — Ele pensou um pouco. — Nós teríamos que vir para cá, Al Shargaz... Mas, Genny, nós todos teríamos que percorrer distâncias diferentes e alguns teriam que parar uma ou duas vezes para reabastecer e mesmo que chegássemos a Al Shargaz, eles ainda poderiam apreender os aparelhos por falta de autorizações apropriadas. — Ele a examinou. — Andy acredita que é isso que os sócios pretendem fazer?

— Não, não, ainda não, e nem Duncan, ele não tem certeza. Mas é uma possibilidade e o Irã está piorando dia a dia. É por isso que estou aqui, para perguntar a Andy. Não se pode colocar isso numa carta ou num telex.

— Você telefonou para Andy?

— Sim, e disse tanto quanto ousei. Duncan me pediu para tomar cuidado; e Andy me disse que tentaria se informar em Londres e que quando chegasse, dentro de uns dois dias, decidiria o que deveríamos fazer. — Ela tornou a colocar os óculos. — Nós devemos estar preparados, você não acha, Scrag?

— Eu estava imaginando por que você tinha deixado o Dunc sozinho. Ele mandou você?

— É claro. Andy vai estar aqui dentro de uns dois dias.

A mente de Scragger trabalhava furiosamente. Se tentarmos enganá-los, alguém vai se machucar. O que eu faria com os radares de Kish, Lavan e Lengeh, que podem lançar vinte aviões de combate atrás de nós em questão de minutos, antes de termos alcançado céus amigos, caso decolássemos sem permissão?

— Dunc acha que eles vão nos passar a perna?

— Não — ela respondera. — Ele não, mas eu acho.

— Neste caso, Genny, aqui entre nós, é melhor pensarmos num plano.

Ele recordou como o seu rosto se iluminara, e tornou a pensar no quanto Duncan McIver era sortudo, embora fosse o mais intratável e dogmático dos homens.

Seus olhos estavam observando o mar quando ele ouviu o 206 levantar vôo. Ed é um grande piloto, pensou.

— Ei, Scrag!

— Sim, Willi?

— Você nada e eu fico olhando. — Willi subiu para a plataforma.

— Está bem, companheiro.

Além da grande quantidade de peixes comestíveis, havia também predadores, tubarões e arraias e outros e, às vezes, águas-vivas venenosas, mas eram raros em águas pouco profundas como aquelas, e desde que se conservasse os olhos abertos, podia-se ver a sombra deles a tempo de alcançar a plataforma. Scragger bateu na madeira, como sempre, antes de mergulhar na água morna.

Willi Neuchtreiter também estava nu. Ele era um homem baixo e atarracado de 48 anos, de cabelos castanhos e mais de cinco mil horas de vôo em helicópteros, dez anos com o exército alemão e oito com a S-G — trabalhando na Nigéria, no mar do Norte, em Uganda e aqui. O seu boné estava na plataforma e ele o colocou e também os óculos escuros, espiou o 206 que ia na direção do golfo, e depois observou Scragger. Em poucos minutos, o sol já o secara. Ele gostava do sol, do mar e de estar em Lengeh.

Tão diferente de casa, pensou. Sua casa era em Kiel, no norte da Alemanha, no mar Báltico, onde o clima era severo e quase sempre frio. Sua mulher e seus três filhos tinham ido para casa no ano anterior por causa da educação das crianças, e ele resolvera ficar dois meses aqui e um em Kiel, e conseguira uma transferência para voltar para o mar do Norte, para ficar mais perto de casa. No próximo mês, depois que terminasse a sua licença, ele não voltaria mais para Lengeh.

Droga de mar do Norte com seu clima terrível e constante perigo, preso nos alojamentos vagabundos, tendo que suportar a chateação de passar duas semanas voando numa plataforma a cem milhas da costa, para ter direito a uma semana em casa, em Kiel, ganhando apenas o suficiente para pagar a hipoteca e o colégio e guardar um pouco para as férias. Mas você vai estar perto das crianças e de Hilda e da mãe e do pai, e a sua terra é sempre a sua terra. Sim, é verdade, e com um pouco de sorte, em breve, todos os alemães poderão misturar-se livremente uns com os outros. A mãe vai poder visitar a sua família em Schwerin sempre que quiser. E Schwerin e todas as outras Schwerins não estarão mais ocupadas. Deus permita que eu viva para ver este dia.

— Scrag, tem uma sombra se aproximando.

Scrag a vira quase ao mesmo tempo, e nadou de volta para a plataforma. A sombra se aproximou depressa. Era um tubarão.

— Papagaio — ele disse. — Olhe o tamanho dele!

O tubarão diminuiu a velocidade e começou a nadar em círculos, com o dorso cortando a superfície calma da água. Cinza claro, mortal e sem pressa. Os dois homens observaram silenciosamente, fascinados. Então Scragger riu.

— Que tal, Willi?

— Sim, Nossa Senhora, ele não é o Tubarão, mas é o maior que eu já vi. Acho que podemos pegá-lo. — Alegremente, ele apanhou a vara de pesca que estava no barco. — E quanto à isca? O que você acha que devemos usar?

— A perca, aquela grande.

Rindo, Willi enfiou a mão na gaiola e tirou o peixe que se debatia e enfiou-o no anzol de aço próprio para tubarões. Havia sangue em suas mãos e ele lavou-as na água, vigiando a presa. Depois ele se levantou, verificou a corrente presa ao anzol, amarrou-a cuidadosamente à grossa linda de náilon que estava no carretei.