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— Aqui está, Scrag.

— Nada disso! Foi você quem viu primeiro!

Excitadamente, Willi enxugou o sal da testa com as costas da mão, ajeitou o boné e olhou para o tubarão que ainda nadava em círculos a uns vinte metros de distância. Com muito cuidado, ele atirou a isca diretamente no caminho dele, esticando delicadamente a linha. O tubarão passou pela isca e continuou a circular. Os dois homens praguejaram. Willi recolheu a linha. A perca se debatia espasmodicamente, morrendo. Havia uma fina trilha de sangue no mar. Mais uma vez Willi atirou a isca com perfeição. Mais uma vez nada aconteceu.

— Maldição — disse Willi. Desta vez ele deixou a isca onde estava, vendo-a afundar cada vez mais até chegar ao fundo, mantendo apenas uma ligeira tensão na linha. O tubarão se aproximou, passou por cima dela, quase tocando-a com a barriga e continuou a circular.

— Talvez ele não esteja com fome.

— Esses filhos da puta estão sempre com fome. Talvez ele saiba que estamos esperando por ele. Ou esteja nos preparando uma cilada. Scrag, pegue um peixe menor e atire exatamente onde está a isca quando ele estiver passando.

Scragger escolheu um robalo. Ele o atirou com destreza. O peixe caiu no mar dez metros na frente do tubarão, pressentiu o perigo e escapuliu para o fundo. O tubarão não deu a menor atenção a ele, nem à perca que estava tão pertinho, simplesmente deu uma rabanada e continuou a circular.

— Deixe a isca ficar onde está — disse Scragger. — Não é possível que esse desgraçado não tenha sentido o cheiro dela.

Agora eles podiam ver os olhos amarelos e os três peixinhos pilotos flutuando sobre a sua cabeça, a linha fina da enorme boca sob o nariz rombudo, a pele escorregadia e o poder do enorme rabo. Mais uma volta. Um pouco mais perto desta vez.

— Aposto que ele tem mais de dois metros, quase três, Willi.

— Aquele filho da puta está nos vigiando, Scrag — disse Willi apreensivo, perdendo toda a animação.

Scragger franziu a testa, com a mesma sensação. Ele afastou os olhos do tubarão e olhou para o barco. Não havia nenhuma arma aproveitável lá, só um canivete pequeno, um arpão leve de alumínio e alguns remos. Mesmo assim, ele puxou o barco mais para perto, ajoelhou-se e esticou a mão para apanhar a faca e o arpão. Gostaria de ter um revólver, pensou.

Um grito súbito de Willi o fez dar um pulo para trás e ele mal teve tempo de ver o tubarão vindo diretamente na direção dele em grande velocidade. Ele bateu contra o barco de borracha, com a feia cabeça fora da água, as mandíbulas se abrindo ao se lançar contra ele, batendo de encontro aos tambores de petróleo, fazendo a popa do barco sair da água. E então foi embora, deixando os dois homens apavorados.

— Meu Deus, Harry... — Willi gritou e apontou. O tubarão estava atacando a isca. Eles o viram engolir a isca e o anzol e se afastar, com a linha cantando no carretel. Willi prendeu o fôlego; depois, segurando a vara com as duas mãos, puxou com força.

— Pegueiiii eleeeee! — gritou, agüentando a pressão, com o carretel chiando enquanto a linha corria, com o anzol bem preso.

— O maldito filho da mãe quase me pegou — disse Scragger, com o coração disparado, observando a linha esticada. — Não deixe o desgraçado enganá-lo.

Willi pôs mais pressão na linha e começou a enfrentá-lo, com a linha esticada.

— Preste atenção nele, Willi, ele vai virar e voltar rapidamente... — Mas o tubarão não fez isso, ele simplesmente diminuiu a velocidade e lutou freneticamente para se livrar da linha e do anzol, enchendo a água à sua volta de bolhas, com metade do corpo para fora, rolando e girando. Mas o anzol agüentou e a linha era bastante forte e Willi deu ao peixe liberdade suficiente, permitindo que ele se afastasse, e depois mais uma vez começando a recolher a linha. Os minutos foram passando. O esforço de lutar contra um peixe desses sem um arreio ou uma cadeira, sem poder usar as pernas para se apoiar, era enorme. Mas Willi ficou firme. Repentinamente, o tubarão parou de lutar, começando a nadar em círculos novamente. Mais devagar.

— Boa, Willi, você o pegou, Willi.

— Scrag, se ele se aproximar depressa, veja se pode evitar que a linha se embarace, e quando eu o trouxer para uma distância suficiente, dê-lhe um golpe com o arpão. — Willi sentia dor nas costas e nas mãos, mas agora ele estava motivado, esperando pela próxima jogada. Ela veio rapidamente.

O tubarão virou-se e nadou para cima deles. Willi começou a recolher a linha freneticamente para diminuir a folga, caso o tubarão tornasse a virar e partisse a linha, mas ele continuou avançando e foi para baixo da plataforma. Milagrosamente, a linha não se embaraçou e quando o tubarão saiu do outro lado para se lançar em direção a águas mais profundas, Willi deu bastante linha e aos poucos voltou a recolher. Mais uma vez o tubarão tentou livrar-se do anzol num paroxismo de raiva, fazendo a água ficar branca de espuma, e mais uma vez Willi agüentou. Mas os seus músculos estavam se enfraquecendo, ele sabia que não poderia segurá-lo sozinho e praguejou baixo.

— Dê-me uma mão, Scrag.

— Está bem, companheiro.

Juntos, os dois homens seguraram a vara, com Willi manejando o carretel, puxando o tubarão, manobrando-o, cada vez mais perto. O tubarão estava mais lento.

— Ele está ficando cansado, Willi. — Eles o foram puxando, centímetro por centímetro. Agora o tubarão estava a trinta metros da plataforma, quase sem avançar, com o grande rabo balançando vagarosamente para frente e para trás, quase se espojando na água. Para respirar, um tubarão precisa se movimentar para a frente. Se parar, ele se afoga.

Pacientemente, eles continuaram a combatê-lo, com o seu peso enorme machucando-os. Agora eles podiam ver o seu tamanho, os olhos amarelos, as mandíbulas cerradas, os peixes pilotos. Vinte e cinco metros, vinte, dezoito, dezessete...

Então aconteceu. O tubarão criou forças e saiu nadando numa velocidade incrível por cinqüenta metros, com a linha do carretel correndo, depois fez uma curva de noventa graus em alta velocidade e ia fugir mas Willi conseguiu controlar a tensão da linha, obrigando o peixe a circular, mas sem conseguir trazê-lo mais para perto. Mais uma volta, com Willi usando toda a sua força no carretel, sem nenhum resultado. Na volta seguinte ele recuperou um pouco de linha. Mais um centímetro. Mais um, então os dois homens perderam o equilíbrio e quase caíram dentro d'água quando a linha se soltou.

— Nós o perdemos, Harry...

Os dois estavam sem fôlego, cheios de dores e muito desapontados. Não havia nem sinal do tubarão.

— Maldita linha — disse Willi, enrolando-a, praguejando em duas línguas. Mas não foi a linha. Foi a corrente. Os elos próximos ao anzol estavam amassados.

— Aquele desgraçado deve ter mastigado a corrente! — disse Scragger, fascinado.

— Ele estava brincando conosco, Scrag — disse Willi desgostoso. — Ele poderia ter escapado quando quisesse. Ele nos estava passando a perna. — Eles examinaram a água em volta, mas não havia sinal dele. — Ele pode estar no fundo esperando — disse Pensativamente.

— E mais provável que esteja a dois quilômetros de distância, louco como um cão raivoso.

— Aposto como ele é louco, Scrag. Aquele anzol não serviu de nada contra ele. — Os dois homens examinaram o mar. Nada. Então eles notaram que o barco de borracha estava pendurado pela proa e meio submerso. Scragger abaixou-se e examinou-o cuidadosamente, com o olho no mar e debaixo da plataforma.

— Olhe — disse. Havia um grande rasgão numa nas câmaras de ar. — O desgraçado deve ter feito isso quando nos atacou. — O ar estava escapando depressa. — Não há problema. Nós podemos nadar até a praia facilmente. Vamos.

Willi olhou para a plataforma, depois para o mar.

— Você vai, Scrag. Eu vou esperar pelo barco de madeira com alguém sentado na frente com uma metralhadora.