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O coronel Hashemi Fazir tinha dado de ombros.

— Um pouco de crueldade faz bem à alma. Por Alá, você viu os arquivos, você viu o que a KGB fez com alguns dos nossos cidadãos que nem mesmo eram espiões?

— Isso não é desculpa.

— Nós precisamos desta informação depressa, por Deus. Nós precisamos alcançar o terceiro nível que você está sempre repisando. Eu não tenho tempo para a sua ética distorcida, Robert. Se você não quiser ficar, saia.

Armstrong tinha ficado. Ele tinha tapado os ouvidos para não ouvir os gritos, odiando aquela brutalidade. Não há mais necessidade disso hoje em dia, ele dissera para si mesmo, sabendo que ele já teria morrido há muito tempo.

Ele observou os dois homens através do espelho de uma só face enquanto eles trabalhavam em Rakoczy na câmara pequena e bem equipada, sentindo pena dele de uma certa forma — afinal, Rakoczy era um profissional como ele, um homem corajoso que tinha resistido de uma forma extraordinária.

Repentinamente os gritos cessaram e Rakoczy estava outra vez inerte. Hashemi falou no microfone que estava ligado aos fones do homem lá embaixo.

— Ele está morto? Eu disse a vocês, seus cães estúpidos, para terem cuidado.

Um dos dois homens era um médico. Os fones que ele usava cortavam todos os sons exceto as instruções dos inquiridores. Irritado, ele ergueu as pálpebras de Rakoczy e examinou os seus olhos, e com o estetoscópio ouviu o seu coração.

— Ele está vivo, coronel. Ele... ainda há uma forma de lidar com ele.

— Dê-lhe cinco minutos e depois acorde-o. E não o mate até que eu mande. — Furioso, Hashemi desligou o microfone e xingou o homem. — Não quero ele morto agora que estamos tão perto de saber de tudo. — Ele olhou para Armstrong, com os olhos brilhando. — Ele é o melhor que já tivemos, hein? Por Deus, Robert, ele é uma mina de ouro.

Rakoczy já balbuciara as suas duas camuflagens há muito tempo atrás e depois o seu nome verdadeiro, o seu número na KGB, onde tinha sido educado, onde tinha nascido, se casado, onde morava, seus superiores em Tbilisi, o seu envolvimento no Irã, o Tudeh, os mujhadins, como e onde eles apoiaram o movimento de independência dos curdos, quem eram os seus contatos.

— Quem é o agente principal da KGB no Azerbeijão?

— Eu... pare por favor... por favor pareeee... é Abdullah Khan de Tabriz. .. ele, só ele de importância e ele... ele era... ele é para ser o primeiro presidente quando o Azer... Azerbeijão se tornar independente mas agora ele ficou importante demais e inde... independente então... então ele agora é uma Seção 16/a...

— Você não está nos dizendo toda a verdade. Dêem-lhe uma lição!

— Oh eu estoueuestouporfavor...

Depois tornando a reanimá-lo e mais uma vez ele balbuciando, a respeito de Ibrahim Kyabi, do pai de Ibrahim, do mulá Kowissi, quem eram os líderes estudantis do Tudeh, sobre a sua própria esposa, seu pai e onde ele morava em Tbilisi, e sobre seu avô que esteve na polícia secreta do czar antes de ser membro fundador da Cheka, depois GPU, NKVD e finalmente KGB — fundada em 1954 por Kruchev depois de Beria ter sido fuzilado como espião ocidental.

— Você acredita que Beria era um espião nosso, Mzytryk?

— Sim... sim... ele era, a KGB tem provas oh sim... por favor paree... pareeee eu vou contar tudoooo...

— Como eles poderiam ter provas dessa mentira?

— Sim, era uma mentira mas nós tínhamos que acreditar nisso... nós tínhamos tínhamos tínhamos... por favor pareeeee eu implorooooo...

— Parem de machucá-lo, seus demônios. — A voz de Armstrong veio como uma deixa. — Não há necessidade de machucá-lo se ele está cooperando... quantas vezes eu preciso repetir! Enquanto ele estiver dizendo a verdade não toquem nele. Dêem-lhe um copo d'água. Agora, Mzytryk, conte-nos o que sabe sobre Gregor Suslev.

— Ele... ele é um espião, eu acho.

— Você não está dizendo a verdade! — Hashemi berrou com ele. — Dêem-lhe uma lição!

— Não... não... por favor pare pelo amor de Deus pareeee... ele ele é Petr Oleg Mzytryk, meu pai meu pai... Suslev era o seu nome falso no Extremo Oriente perto de Vlad... Vladivostok e o outro nome falso era Brodnin... e e e ele mora em em Tbilisi e é conselheiro-chefe para assuntos iranianos e supervisor de Abdullah Abdullah Khan...

— Você está mentindo de novo. Como você poderia saber de todos esses segredos? Dêem-lhe uma li...

— Por favor, não, eu juroooo que não estou mentindo eu... li o seu dossiê secreto e sei que é verdade... Brodnin foi o último e então ele... Alá me ajudeeee... — Mais uma vez ele desmaiou. Mais uma vez eles o reanimaram.

— E como Abdullah Khan entra em contato com o seu supervisor?

— Ele... meu... eles se encontram sempre que... às vezes na... na fazenda, às vezes em Tabriz...

— Em que lugar em Tabriz?

— No... no palácio do khan...

— Como eles marcam o encontro?

— Por código... telex em código de Teerã... do QG...

— Que código?

— O... G16...G16...

— Qual é o nome de código de Abdullah Khan?

— Ivanovitch.

— E do seu supervisor? — Armstrong teve o cuidado de não perturbar o prisioneiro impotente fazendo-o lembrar que tinha traído o pai.

— Ali... Ali Khoy...

— Quem eram os contatos de Brodnin?

— Eu... eu não... eu não me lembro...

— Ajudem-no a lembrar-se!

— Por favorporfavor oh Deus oh Deus espere deixe-me pensar eu não consigo me lembrar era era... espere ele me disse que havia que havia três... era algo parecido com uma cor uma cor... espere, sim, Grey sim era Grey... e o outro era e o outro era Broad alguma coisa... Broad alguma coisa... eu acho que era Julan Broad alguma coisa...

— Quem mais? — perguntou Armstrong, disfarçando o seu choque. — O terceiro?

— Eu... não consigo me lem... não espereeee deixe-me pensarrrr... havia havia um outro... ele me disse que havia ele me contou sobre quatro... sobre quatro... um... um era... Ted... Ever... Ever alguma coisa... Everly e havia um outro... se... eu... por favorrr deixe-me pensar e era era Peter... não Percy... Percy Smedley sim Smedey Tailler ou Smidley...

A cor fugiu do rosto de Armstrong.

— ... foi só isso foi só isso que ele ele me contou...

— Diga-nos tudo o que sabe sobre Roger Crosse! Nenhuma resposta.

Pelo espelho eles viram o homem se contorcendo na mesa de operações, debatendo-se contra os fios enquanto sofria mais um castigo e, misturadas com os gemidos as palavras tornaram a jorrar:

— Ele ele... pareeee ele era era chefe não chefe-adjunto do MI6 e foi quase o nosso agente secreto inglês mais importante por por... vinte anos ou mais e... e Brodnin Brod meu pai descobriu que ele era um agente duplo... triplo e ordenou-lhe Seção 16/a... Crosse nos enganou durante anos enganou enganou...

— Quem deu a dica para Brodnin a respeito de Crosse?

— Eunãosei eu juroquenãosei eu não posso saber tudo saber tudo só o que estava no dossiê e e o que ele me contou...

— Quem era o supervisor de Roger Crosse?

— Eu não sei, não sei, como eu poderia saber eu só sei o que li escondido no dossiê do meu pai... vocês têm que acreditar em mimmmm...

— Conte-me tudo o que havia no dossiê — disse Hashemi, tão interessado agora quanto Armstrong.

Eles ouviram, separando as palavras dos gritos. Às vezes uma mistura quase incoerente de russo e farsi enquanto Rakoczy continuava a produzir mais nomes e endereços e disfarces e postos em resposta às suas perguntas, com a memória estimulada por novos níveis de dor, até que ficou vazio e repetitivo e confuso, e sem valor. Então, misturado com as palavras sem sentido veio.

— Pah... mud... Pah... mudi...

— O que é que tem Pahmudi? — perguntou Hashemi, abruptamente.

— Eu... ele... me ajudou...

— O que é que tem Pahmudi? Ele é um agente soviético? Agora só havia palavras incoerentes, choro e confusão.