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Ao cair da tarde, recebeu um telex do QG em Aberdeen, mas estava completamente truncado. Só a assinatura era legíveclass="underline" "Gavallan." Imediatamente, passou um telex pedindo repetição e estava esperando desde então. Esta noite, a recepção do rádio também estava ruim. Havia rumores de grandes tempestades de neve nas montanhas e o BBC World Service, com uma transmissão pior do que de costume, falava em grandes tempestades por toda a Europa e na costa leste dos Estados Unidos e em inundações no Brasil. As notícias, de um modo geral, eram péssimas: greves na Grã-Bretanha, combates no Vietnã entre exércitos chineses e vietnamitas, a derrubada, por guerrilheiros, de um avião rodesiano que se preparava para pousar, um provável racionamento de gasolina a ser ordenado por Carter, os soviéticos testando um míssil de 2.500 quilômetros de alcance, e no Irã: "Yasir Arafat foi recebido pelo aiatolá Khomeini, num encontro tumultuado, em que os dois líderes abraçaram-se publicamente, e a OLP assumiu o QG da Missão Israelense em Teerã. Mais quatro generais foram fuzilados. Continuam os combates no Azerbeijão entre forças pró e anti-Khomeini, o primeiro-ministro Bazargan mandou os Estados Unidos fecharem dois postos de escuta de radar na fronteira Irã-União Soviética e acertou um encontro com o embaixador soviético e o aiatolá Khomeini nos próximos dias para discutir importantes diferenças"...

Deprimido, McIver desligara, e a tensão de tentar entender as notícias com toda a estática tinha aumentado a sua dor de cabeça. Ele tinha tido dor de cabeça o dia inteiro. Ela começara depois do seu encontro daquela manhã com o ministro Ali Kia. Kia aceitara as notas promissórias de um banco suíço, 'taxas de licença' para a partida dos três 212 e também para seis aterrissagens e decolagens do 125 e prometera descobrir o motivo das expulsões de Zagros:

— Diga ao komiteh de Zagros, enquanto isso, que suas ordens foram revogadas por este ministério, aguardando investigação.

Isso vai mesmo adiantar muita coisa diante do cano de uma arma!, pensou. O que será que Erikki e Nogger estão fazendo agora? Naquela tarde tinha chegado um telex da Madeira Iraniana, passado pela ATC de Tabriz: "Os capitães Yokkonen e Lane estão requisitados para um trabalho de emergência de três dias. Termos habituais para o frete. Obrigado." Estava assinado como de costume pelo gerente de área e era um pedido normal. Para Nogger, isso é melhor do que ficar coçando o saco, pensara McIver. O que será que o pai de Azadeh queria com ela?

Exatamente às 19:30h Kowiss tinha chamado, mas a transmissão estava péssima, apenas parcialmente audível e com muita estática. Freddy Ayre comunicava que Starke voltara ileso.

— Graças a Deus!

— Diga de n... estou ouvin..do um por cinco, cap...er.

— Vou repetir — disse devagar e com cuidado. — Diga a Starke que estou muito contente por ele estar de volta. Ele está bem?

— ...tão Starke...pondeu per....iteh j....toriamente.

— Repita, Kowiss.

— Eu repito, capit...arke...resp...guntas do ...iteh ..sa...

— Vocês estão um por cinco. Torne a tentar às nove horas; não, eu vou ficar aqui até tarde e tentarei por volta das 11 horas.

— Compreendo o se... tar mais tarde... olta... 11 desta noite?

— Sim, por volta das 11 horas desta noite.

— Capi...hart e Jean-Luc cheg... Zagro... a salvo...

O resto da transmissão foi incompreensível. Depois ele se preparara para esperar. Enquanto esperava, dormiu e leu um pouco, e agora, sentado em frente à máquina de telex, tornou a olhar para o relógio: 22:30h.

Assim que acabar aqui, vou chamar Kowiss — disse em voz alta. Terminou cuidadosamente o telex para sua mulher, acrescentando, por causa de Manuela, que estava tudo bem em Kowiss. Está tudo bem, pensou, uma vez que Starke está de volta, está bem, e os rapazes estão bem.

Colocou a fita pontilhada no transmissor, bateu o número de Al Shargaz, esperou um tempo interminável pela resposta, depois apertou o botão de transmissão. A fita começou a correr. Outra longa espera, mas o código de aceitação de Al Shargaz apareceu.

— Ótimo. — Ele se levantou e se espreguiçou. Na gaveta da escrivaninha estavam as suas pílulas e ele tomou a segunda do dia. — Maldita pressão — resmungou. Sua pressão estava 16 por 11 no último exame médico. As pílulas a fizeram baixar para 13 por 8:

— Mas olhe, Mac, isso não significa que você possa abusar de uísque, vinho, ovos e creme. O seu colesterol também está alto...

— Que uísque e cremes o quê, pelo amor de Deus, doutor! Nós estamos no Irã...

Ele recordou como ficara mal-humorado quando Genny perguntou:

— Como foi? — respondera:

— Ótimo, melhor do que da última vez e não chateia!

Para o inferno com isso! Gostaria de um bom uísque com soda e gelo e depois mais um. Normalmente haveria uma garrafa no cofre, e soda e gelo na geladeira. Agora não havia mais nada. As provisões estavam a zero. Preparou uma xícara de chá. E quanto a Karim e o HBC? Pensarei sobre isso mais tarde: 23h.

— Kowiss, aqui é Teerã, está me ouvindo? — Pacientemente, ele chamou e tornou a chamar e depois parou. Quinze minutos depois, tornou a tentar. Nenhum contato. — Deve ser a tempestade — disse, já sem paciência. — Para o diabo, vou tentar de casa.

Vestiu um casaco grosso e subiu a escada em espiral até o telhado para verificar o nível de combustível do gerador. A noite estava muito escura e quieta, não se ouvia quase nenhum tiroteio e o que havia era abafado pela neve. Não havia luz em parte alguma. A neve continuava a cair devagar, quase 15 centímetros desde o amanhecer. Ele tirou a neve do rosto e iluminou o mostrador com a lanterna. O nível de combustível estava bom, mas eles teriam que arranjar outro suprimento nos próximos dias. Que amolação. E quanto ao HBC? Se Karim conseguisse apanhar o livro e ele pudesse ser destruído, não haveria nenhuma prova, haveria? Sim, mas e quanto a Isfahan, o reabastecimento em Isfahan?

Pensativo, ele voltou, trancou tudo e, usando a lanterna para iluminar o caminho, começou a descer os cinco lances de escada. E não ouviu o telex começar a funcionar atrás dele.

Na garage, foi até o carro e abriu a porta. Seu coração deu um salto quando viu uma figura alta se aproximando. Savak e HBC surgiram em sua cabeça; ele quase deixou cair a lanterna, mas era Armstrong, com uma capa escura e um chapéu.

— Desculpe, capitão McIver, não quis assustá-lo.

— Bem, mas assustou — disse, furioso, com o coração ainda disparado. — Por que você não se anunciou nem subiu até o escritório ao invés de ficar escondido nas sombras como um bandido?

— O senhor poderia estar com visitas. Eu vi uma delas saindo, então achei melhor esperar. Desculpe. Por favor, apague a lanterna.

Zangado, McIver fez o que ele pediu — desde que Gavallan tinha localizado Armstrong, ele tinha vasculhado a sua própria memória mas não se lembrava de tê-lo visto nunca. — 'Seção Especial e CID' não fizeram nada para diminuir a sua antipatia.

— Onde esteve? Nós o esperamos no aeroporto mas você não apareceu. Sim, sinto muito sobre isso. Quando é que o 125 volta para Teerã? Na terça-feira, se Deus quiser Por quê?

— A que horas aproximadamente?

— Ao meio-dia. Por quê?

— Excelente. Isto seria perfeito. Eu preciso ir para Tabriz; eu e um amigo poderíamos fretá-lo?

— De jeito nenhum. Eu jamais conseguiria arranjar uma autorização. E quem é o amigo?

— Eu garanto a autorização. Desculpe, capitão, mas é muito importante.

— Ouvi dizer que tem havido muitos combates em Tabriz; estava no noticiário hoje. Desculpe, mas eu não poderia autorizar isso, seria um risco desnecessário para a tripulação.