Выбрать главу

— Não sei por quanto tempo eles vão querer que eu pilote — Erikki tinha dito. — Esse filho da mãe do Cimtarga me disse que o primeiro-ministro Bazargan ordenou que os ianques abandonassem dois postos, mais para leste, perto da Turquia, os últimos que eles tinham aqui, mandou que eles os evacuassem imediatamente e deixassem o equipamento intacto. Nós devemos voar até lá amanhã.

— Você usou o 206 hoje?

— Não. Aquele era Nogger Lane, um dos nossos capitães. Ele veio para cá conosco, para levar o 206 de volta para Teerã. O nosso gerente da base me disse que eles convenceram Nogger a colaborar para verificar alguns lugares onde os combates continuam. Quando McIver não tiver notícias nossas, ele vai levar um choque e mandar uma turma de busca. Isto talvez nos dê uma outra chance. E quanto a você?

— Talvez a gente dê o fora. Estou ficando muito nervoso naquela maldita cabana. Se resolvermos sair, talvez a gente vá em direção à base de vocês e se esconda na floresta. Se for possível, entraremos em contato com você, mas não nos espere. Certo?

— Sim. Mas não confie em ninguém na base, exceto nos nossos dois mecânicos, Dibble e Arberry.

— Posso fazer alguma coisa por você?

— Você poderia deixar-me uma granada?

— É claro, você alguma vez usou uma?

— Não, mas sei como funciona.

— Ótimo. Olhe aqui. Puxe o pino e conte até três... não, quatro, e atire. Você precisa de um revólver?

— Não, não obrigado, eu tenho a minha faca. Mas a granada pode ser útil.

— Lembre-se de que pode ser bem perigosa. É melhor eu ir andando. Boa sorte.

Ross estava olhando para Azadeh ao dizer isto, vendo o quanto ela estava linda, sabendo que o tempo deles já estava escrito nas estrelas ou no vento ou no badalar dos sinos que eram tão característicos das Terras Altas no verão quanto os próprios picos. Imaginando por que ela nunca respondera às suas cartas, depois a escola informando-o que ela tinha partido. Ido embora para casa. No último dia que eles passaram juntos, ela dissera:

— Tudo o que aconteceu aqui talvez não volte a acontecer nunca mais, meu Johnny Olhos Claros.

— Eu sei. Se não voltar a acontecer, posso morrer feliz porque sei o que é o amor. De verdade. Eu te amo, Azadeh.

Um último beijo. Depois dando adeus do trem, até ela desaparecer. Desaparecer para sempre. Talvez nós dois soubéssemos que era para sempre, pensou, esperando ali na escuridão da pequena cabana, tentando decidir o que fazer, se devia esperar mais um pouco, dormir ou fugir. Talvez seja como disse o khan e nós estejamos seguros aqui — por enquanto. Não há razão para desconfiar inteiramente dele. Vien Rosemont não era nenhum imbecil e ele disse para confiar...

— Sahib!

Ele tinha ouvido os passos furtivos no mesmo instante. Os dois homens se esconderam, um protegendo o outro, ambos satisfeitos por ter chegado a hora de agir. Alguém abriu a porta silenciosamente. Era um espírito fantasmagórico das montanhas que estava em pé ali olhando para a escuridão da cabana — uma silhueta e um rosto indistinto. Espantado, ele reconheceu Azadeh, o chador fazendo com que ela se dissolvesse na escuridão, com o rosto inchado de chorar.

— Johnny? — Ela sussurrou ansiosamente.

Por um instante, Ross não se moveu, com a arma apontada e esperando pelos inimigos.

— Azadeh, aqui, ao lado da porta, cochichou, tentando se acostumar.

— Rápido, sigam-me, vocês dois estão em perigo! Rápido! — Imediatamente, ela saiu correndo para o meio da noite.

Ele viu Gueng sacudir a cabeça, inquieto, e hesitou. Então se decidiu, agarrando a mochila.

— Nós vamos.

E se esgueirou pela porta e correu atrás dela, sob a luz fraca do luar, seguido por Gueng, protegendo-o automaticamente. Ela esperava ao lado de umas árvores. Antes que ele a alcançasse, fez sinal para que ele a seguisse, e foi correndo na frente, atravessando o pomar e rodeando algumas construções. A neve abafava seus passos, mas deixava uma trilha e ele o notou claramente. Ele seguia a uma distância de dez passos, observando cuidadosamente o terreno, imaginando qual seria o perigo, por que ela estivera chorando e onde estaria Erikki.

As nuvens brincavam com a lua, escondendo-a quase completamente. Sempre que a lua aparecia, ela parava e fazia sinal para que ele parasse e esperasse, depois tornava a avançar, protegendo-se bem, e ele imaginou onde ela teria aprendido a se movimentar na floresta, então lembrou-se de Erikki e sua enorme faca e dos finlandeses e da Finlândia — terra de lagos, florestas, montanhas e caça. Concentre-se, idiota, você vai ter muito tempo para deixar a mente divagar mais tarde, não agora quando você pode pôr todo o mundo em perigo! Concentre-se!

Seus olhos perscrutavam a escuridão, esperando problemas, desejando que aparecessem logo. Em pouco tempo estavam perto do muro que circundava a propriedade. O muro tinha três metros de altura e era todo de pedra, com uma faixa larga e vazia entre ele e as árvores. Mais uma vez ela fez sinal para ele parar e se proteger e caminhou para a frente, em campo aberto, procurando um determinado lugar. Encontrou-o sem dificuldade e fez sinal para ele avançar. Antes que a alcançasse, ela já estava subindo, enfiando facilmente os pés nas fendas e saliências, algumas naturais, outras preparadas para tornar a subida mais fácil. A lua apareceu e ele se sentiu nu e subiu com mais rapidez. Quando chegou no topo, ela já estava descendo pelo outro lado. Ele se deixou escorregar e encontrou alguns buracos para pôr os pés e se abaixou, esperando por Gueng. A sua ansiedade aumentou até que ele viu a sombra de Gueng se projetando no chão, alcançando o muro em segurança.

A descida foi mais difícil e ele escorregou e caiu nos últimos dois metros, praguejou e olhou em volta para se localizar. Ela já atravessara a estrada e se dirigia para um lugar cheio de pedras na montanha íngreme, a duzentos metros de distância. Para baixo e à esquerda, ele podia ver parte de Tabriz, com fogueiras no outro extremo da cidade, perto do aeroporto. Agora ele ouvia barulho de tiros a distância.

Gueng aterrissou ao lado dele, sorriu e fez sinal para prosseguirem. Quando chegou nas pedras ela tinha desaparecido.

— Johnny! Aqui!

Ele viu a pequena fenda na rocha e avançou. Havia uma abertura que mal dava para uma pessoa passar. Ele esperou por Gueng e depois entrou através da abertura da rocha para a escuridão. Ela estendeu a mão e guiou-o para um dos lados. Ela fez sinal para Gueng e também o ajudou, depois moveu uma pesada cortina de couro fechando a abertura. Ross abriu a mochila para apanhar a lanterna, mas antes que a tirasse um fósforo foi aceso. Ela o protegia com a mão. Estava ajoelhada e acendeu a vela do nicho. Ele olhou em volta rapidamente. A cortina na entrada parecia ser à prova de luz, a caverna era espaçosa, quente e seca, com alguns cobertores e tapetes velhos no chão, alguns utensílios de comer e beber e alguns livros e brinquedos numa prateleira natural. Ah, o esconderijo de uma criança, pensou, e olhou para ela. Tinha ficado ajoelhada perto da vela, de costas para ele, e agora, quando tirou o chador pela cabeça, se transformou em Azadeh de novo.

— Aqui. — Ele ofereceu um pouco d'água do seu cantil. Ela aceitou agradecida mas evitou seus olhos. Ele olhou para Gueng e leu o seu pensamento.

— Azadeh, você se importa que apaguemos a luz, agora que já vimos onde estamos, para podermos abrir a cortina e vigiar melhor? Eu tenho uma lanterna, caso precisemos de luz.

— Oh, oh, sim... sim, é claro. — Ela tornou a se virar para a vela. — Eu... oh, só um minuto, desculpe... — Havia um espelho na prateleira, que ele não tinha notado. Ela o apanhou e olhou para o seu reflexo, odiando o que viu, as manchas de suor e os olhos inchados. Rapidamente, limpou algumas manchas, apanhou o pente e se ajeitou o melhor que pôde. Deu uma última olhada no espelho e soprou a vela. — Desculpe — disse.

Gueng afastou a cortina e atravessou a rocha, ficando em pé lá fora, ouvindo. Houve mais tiroteio dos lados da cidade. Alguns edifícios pegaram fogo do outro lado da única pista do campo de aviação que ficava à direita. Não havia nenhuma luz lá e muito poucas na cidade. Poucos faróis de automóvel nas ruas. O palácio estava escuro e silencioso e ele não conseguiu perceber nenhum perigo. Voltou e disse a Ross o que tinha visto, falando em ghurkali, e acrescentou.