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Ao longo dos anos, o seu time do Grupo Quatro prosperara, seus golpes eram secretos, na grande maioria secretos até para Armstrong. Ele olhou para Armstrong e sorriu.

— Sem eles eu estaria morto.

— Eu também, provavelmente. Fiquei terrivelmente assustado quando aquele desgraçado do Janan disse: "Dou-lhe um dia e uma noite por causa dos serviços prestados." Aquele desgraçado nunca deveria ter-me deixado sair.

— E verdade. — Alguns milhares de metros abaixo deles a terra estava coberta de neve e o jato já estava sobrevoando as montanhas, a viagem até Tabriz levava pouco mais de meia hora.

— E quanto a Rakoczy? Você acredita no que Pahmudi disse, sobre ele ter fugido?

— É claro que não, Robert. Rakoczy era uma troca, um pishkesh. Quando Pahmudi viu que as fitas estavam vazias e viu o estado em que Rakoczy se encontrava, ele deixou de ter qualquer valor, exceto como um pagamento por favores prestados no passado. Ele não poderia saber da ligação com o seu Petr Oleg Mzytryk. Ou poderia?

— Não é provável — eu diria impossível.

— É provável que ele esteja no QG soviético, se não estiver morto. Os soviéticos vão querer saber o que ele revelou... ele poderia dizer-lhes?

— Duvido. Ele estava no limiar. — Armstrong sacudiu a cabeça. — Duvido. O que você vai fazer agora que é outra vez o sr. Maioral? Alimentar Pahmudi com um pouco mais de informação sobre ele nos próximos trinta dias, se ele estiver vivo nos próximos trinta dias?

Hashemi sorriu de leve e não respondeu. Eu ainda não sou o sr. Maioral, pensou, nem estou seguro enquanto Pahmudi não estiver no inferno — junto com muitos outros. Eu talvez ainda tenha que usar o seu passaporte. Armstrong tinha-lhe dado o passaporte antes de decolarem. Ele o checara cuidadosamente.

Depois tinha fechado os olhos e relaxado, gozando do luxo e do conforto do jato particular que já estava sobre Qazvin, a apenas 15 minutos de Tabriz. Mas não cochilou. Passou o tempo pensando no que fazer a respeito da Savama, de Pahmudi e Abdullah Khan, e no que fazer com Robert Armstrong, que sabia demais.

Pela janela da cabine, ele continuou a vigiar o Rolls, grande, imaculado, e possuído por tão poucos na terra. Por Deus e pelo Profeta, quanta riqueza, pensou, maravilhado com esta prova do poder e da posição do khan. Quanto poder ele tem para exibir um tal bem, destemidamente, diante dos komitehs e de mim. Abdullah Khan não vai ser fácil de dobrar.

Sabia que ali no avião eles estavam perigosamente expostos — alvos fáceis se Abdullah ordenasse aos seus homens que atirassem neles —, mas tinha abandonado esta possibilidade, certo de que nem mesmo Abdullah Khan ousaria atacar tão abertamente três infiéis, um jato e ele. Mas para o caso do khan ter providenciado um 'acidente', dois times do Grupo Quatro já estavam a caminho por terra, um para Abdullah pessoalmente, o outro para a sua família, e só deixariam de agir se ouvissem dele mesmo o código combinado. Ele sorriu. Uma vez Robert Armstrong dissera-lhe que o castigo chinês para uma pessoa importante nos velhos tempos era "morte — e para todas as gerações".

— Eu gosto disso, Robert — comentara. — Isso tem estilo.

Ele viu a porta da frente do carro se abrir. Ahmed saltou, carregando a metralhadora, depois foi até a porta traseira e abriu-a para Abdullah.

— Você ganhou o primeiro round, Hashemi — disse Armstrong e foi até a frente do avião. — Pronto capitão, não demoraremos muito.

Relutantemente, os dois pilotos saíram da pequena cabine, enfiaram os casacos e desceram rapidamente os degraus. Eles cumprimentaram o khan educadamente. Ele fez sinal para que entrassem no carro e começou a subir a escada do avião, seguido por Ahmed.

— Salaam, Alteza, que a paz esteja com o senhor — disse Hashemi, calorosamente, cumprimentando-o na porta, uma deferência que Abdullah notou imediatamente.

— E também com o senhor, coronel Excelência. — Eles trocaram um aperto de mão. Abdullah passou por ele e entrou na cabine, com os olhos fixos em Armstrong, e sentou-se na cadeira mais próxima da saída.

— Salaam, Alteza — disse Armstrong. — Que a paz esteja com o senhor

— Este é um colega meu — disse Hashemi, sentando em frente ao khan.

— Um inglês, Robert Armstrong.

— Ah, sim, o Excelência que fala farsi melhor que o meu Ahmed e que é famoso por sua memória... e crueldade. — Atrás dele, Ahmed tinha fechado a pesada cortina por sobre a porta e estava em pé de costas para a cabine do piloto, de guarda, com a arma preparada, mas não de uma forma grosseira.

— Hein?

Armstrong sorriu.

— Isso foi uma brincadeira do coronel, Alteza.

— Não concordo. Mesmo em Tabriz nós já ouvimos falar do especialista do Departamento Especial, que ficou 12 anos a serviço do xá, como cão de caça dos seu cães de caça — Abdullah disse desdenhosamente em farsi. O sorriso desapareceu do rosto de Armstrong, e tanto ele quanto o coronel ficaram tensos com a grosseria. — Eu li a sua ficha. — Ele pousou os seus olhos negros em Hashemi, completamente seguro de que o seu plano iria funcionar: a um sinal dele Ahmed os mataria, sabotaria o avião, mandaria os pilotos de volta para uma rápida decolagem e uma explosão — nada a ver com ele, pela Vontade de Deus, e ele, depois de uma conversa tão proveitosa, em que prometara "apoio total ao governo central", ficaria muito triste.

— Então, Excelência — disse —, tornamos a nos encontrar. O que posso fazer pelo senhor? — Eu sei que, infelizmente, o seu tempo aqui conosco é curto.

— Talvez, Alteza, seja eu que possa fazer algo pelo senhor. Tal...

— Vá direto ao assunto, coronel — disse grosseiramente o khan, desta vez em inglês, totalmente seguro de si. — Nós conhecemos um ao outro, podemos dispensar os cumprimentos e os elogios e ir direto ao assunto. Eu sou muito ocupado. Se o senhor tivesse tido a delicadeza de vir até o meu carro, sozinho, eu me sentiria melhor, nós poderíamos conversar em particular, com calma. Agora vá direto ao assunto!

— Eu quero conversar com o senhor a respeito do seu supervisor, coronel Petr Oleg Mzytryk — Hashemi disse com a mesma grosseria, mas sentindo-se de repente apavorado de que tivesse caído numa armadilha e que Abdullah fosse um partidário secreto de Pahmudi —, e sobre a sua longa ligação com a KGB através de Mzytryk, cujo nome de código é Ali Khoy.

— Supervisor? Que supervisor? Quem é este homem? — Abdullah escutou sua própria voz perguntando, mas sua cabeça rodava. Você não pode saber isso, é impossível. E através das batidas desordenadas do seu coração, ele viu o coronel abrir a boca e dizer outras coisas que tornaram tudo muito pior, muito pior, e, pior que tudo, estragaram o seu plano. Se o coronel estava falando a respeito de coisas tão secretas abertamente, na frente deste estrangeiro e de Ahmed, é que estes segredos deveriam estar gravados em algum lugar, guardados num lugar seguro para serem entregues ao Komiteh Revolucionário e aos seus inimigos no caso de algum acidente.

— O seu supervisor — insistiu Hashemi, notando a mudança e aproveitando-se da vantagem —, Petr Oleg, cuja fazenda fica no lago Tzvenghid no vale Oculto, a leste de Tbilisi, cujo nome de código é Ali Khoy, e o seu é Iv...

— Espere — disse Abdullah, com voz rouca, o rosto lívido. Nem mesmo