— Assim que for possível, senhor — disse educadamente John Hogg, mas estava pensando, deixe de ser metido, coronel sei lá o quê, eu estou mais do que ansioso para subir, mas tenho que dar uma folga. Ele tinha visto a hostilidade dos homens no carro e, em Teerã, o nervosismo de McIver. Mas a torre de Teerã dera-lhes autorização imediatamente, dera-lhes prioridade como se ele estivesse levando o próprio Khomeini. Maldição, o que nós somos capazes de fazer pela Inglaterra e por uma caneca de cerveja! Suas mãos e seus pés estavam sentindo a neve e o gelo e a superfície escorregadia. Ele diminuiu um pouco a aceleração.
— Olhe! — disse o co-piloto. Um helicóptero a jato estava cruzando o espaço aéreo, mais ou menos a um quilômetro de distância. — É um 212, não é?
— É. Não parece que esteja vindo para cá — disse Hogg, observando atentamente em volta.
No terminal, um outro carro tinha-se juntado aos homens que rodeavam o Rolls; na frente, à esquerda, havia um clarão luminoso; agora o 212 tinha entrado atrás de uma colina; à direita havia um bando de pássaros; todos os mostradores estavam no verde; havia mais homens perto do Rolls e alguém no telhado do prédio do terminal; o combustível estava em bom nível; a neve não estava muito profunda, com um lençol de gelo por baixo; cuidado com o monte de neve aí na frente; vá um pouco mais para a direita; o rádio está sintonizado corretamente; o vento ainda está na nossa traseira; nuvens de tempestade estão se formando ao norte; diminua um pouco o motor esquerdo!
Hogg corrigiu a guinada, com o avião supersensível na superfície gelada.
— Talvez seja melhor o senhor voltar para o seu lugar, coronel — disse.
— Decole o mais rápido que puder. — Hashemi voltou. Armstrong estava espiando pela janela na direção do terminal. — O que eles estão fazendo lá, Robert? Algum problema? — perguntou.
— Ainda não. Meus parabéns. Você lidou brilhantemente com Abdullah.
— Se ele fizer a entrega. — Agora que estava tudo terminado, Hashemi estava se sentindo mal. Perto demais da morte desta vez, pensou, ele colocou o cinto de segurança, depois abriu-o, tirou a automática do bolso, colocou a trava de segurança e enfiou-a no coldre. Seus dedos tocaram no passaporte britânico que estava no seu bolso de dentro. Talvez eu não vá precisar dele afinal, pensou. Ótimo. Eu odiaria cair em desgraça para ter que usá-lo. Ele acendeu um cigarro.
— Você acha que ele vai durar até sábado? Pensei que ele fosse ter um ataque.
— Há anos que ele é assim gordo e horrível.
Armstrong percebeu o ódio latente. Hashemi Fazir era sempre perigoso, estava sempre tenso, o seu patriotismo fanático misturava-se ao seu desprezo pela maioria dos iranianos.
— Você lidou com ele maravilhosamente — disse e tornou a olhar pela janela. O Rolls e o outro carro e os homens em volta estavam muito longe e semi-ocultos pelas dunas de neve, mas ele podia ver muitas armas no meio deles e de vez em quando alguém apontava na direção deles. Vamos, pelo amor de Deus, pensou, vamos subir.
— Coronel — a voz de Hogg veio pelo intercomunicador — o senhor poderia vir até aqui?
Hashemi tirou o cinto e foi até a cabine de pilotagem.
— Lá, senhor — disse Hogg, apontando para a direita, depois do final da pista, para um grupo de pinheiros no começo da floresta. — O que o senhor acha daquilo? — O pequeno clarão de luz começou a piscar de novo. — É um SOS.
— Robert — Hashemi exclamou — olhe à frente e à direita.
Os quatro homens se concentaram. Mais uma vez a luz repetiu o SOS. — Não há nenhuma dúvida, senhor — disse Hogg. — Eu poderia sinalizar de volta. — Ele apontou para o flash de sinalização usado para emergências que produzia uma luz verde ou vermelha no caso do rádio falhar.
Hashemi tornou a falar para dentro da cabine
— O que você acha, Robert?
— É um SOS sim!
O 125 estava descendo a pista em direção ao sinal. Eles esperaram, depois viram três pessoas saírem do meio das árvores, dois homens e uma mulher usando um chador. E viram as armas deles.
— É uma armadilha — disse Hashemi, imediatamente —, não se aproxime, dê meia-volta!
— Não posso — respondeu Hogg —, não há espaço suficiente. — Ele abriu um pouco mais as válvulas. O jato estava taxiando muito depressa, seguindo a trilha de descida. Eles podiam ver as pessoas sacudindo as armas.
Armstrong gritou:
— Vamos dar o fora daqui!
— Assim que eu puder, senhor. Coronel, talvez seja melhor o senhor voltar para o seu lugar, pode sacudir um pouco — disse Hogg, com voz neutra, depois tirou-os da mente. — Gordon, fique de olho naqueles desgraçados lá fora e no terminal.
— Claro. Não se preocupe.
O capitão virou-se momentaneamente para checar o outro lado da pista, achou que ainda não estavam na distância certa, mas diminuiu a aceleração e tocou nos freios. Começou a derrapar; então soltou os freios, mantendo o jato o mais reto possível, com o vento castigando-os. As figuras perto das árvores estavam maiores agora.
— Eles parecem gente das tribos. Duas carabinas automáticas. — Gordon Jones examinou o terminal. — O Rolls foi embora, mas tem um carro vindo pela rampa nesta direção.
— Desacelerando agora. Ainda muito depressa para virar.
— Cristo, eu acho... eu acho que um dos homens da tribo atirou — Jones disse nervosamente.
— Aqui vamos nós — Hogg falou no intercomunicador, freou, sentiu o avião derrapar, segurou-o, começou a fazer uma volta para a direita em toda a largura da pista, o impulso fazendo-os desequilibrarem-se e com o vento ainda hostil.
Na cabine, Armstrong e Hashemi estavam-se segurando fortemente, espiando pelas janelas. Eles viram uma das figuras correndo na direção deles, empunhando a arma. Armstrong resmungou:
— Nós somos um alvo fácil. — Ele sentiu o jato derrapando ao fazer a volta, sem tração, e praguejou.
Na cabine de pilotagem, Hogg estava assoviando desafinadamente. O jato oscilou sobre as trilhas de descida, ainda derrapando, o lado oposto da pista bloqueado por dunas pesadas e sólidas. Ele não ousou acelerar ainda e esperou, com a boca seca, torcendo para que ele desse a volta mais depressa e entrasse no vento. Mas ele não o fez, apenas continuou a deslizar, com as rodas imprestáveis, os freios perigosos, os motores gemendo e o gelo na superfície.
Inexoravelmente, as dunas foram-se aproximando cada vez mais. Ele podia ver as lâminas de gelo que rasgariam a sua fina superfície. Não havia nada a fazer a não ser esperar. Então uma rajada de vento bateu na cauda do avião e o fez dar uma guinada e agora, embora ele ainda estivesse deslizando, estava de frente para o vento. Delicadamente, ele acelerou os dois motores, sentiu a derrapagem diminuindo e imediatamente começou a empurrar os aceleradores até conseguir alguma velocidade, conseguindo mais controle, depois controle completo e finalmente empurrou os aceleradores com força. O 125 pulou para a frente, suas rodas deixaram a superfície, ele recolheu o trem de aterrissagem e estavam planando.
— Podem fumar se desejarem — disse laconicamente no intercomunicador, inteiramente satisfeito consigo mesmo.
No campo de aviação, não muito longe das árvores, Ross tinha parado de correr e acenar, com dor no peito.
— Malditos filhos da mãe — gritou para o avião. — Será que vocês não têm olhos?
Profundamente desapontado, ele começou a caminhar de volta para onde estavam os outros, que tinham esperado obedientemente na beira da floresta. Todos estavam deprimidos. Tão perto, pensou. Pelo binóculo, ele tinha visto o khan chegar, depois subir a bordo, depois, mais tarde, Armstrong descer as escadas com o khan, ajudando-o.
— Oh, deixe-me olhar, Johnny. — dissera Azadeh ansiosamente e focalizara o binóculo para enxergar melhor. — Oh, meu Deus, papai parece doente. Espero que ele esteja bem. O médico está sempre dizendo a ele para fazer uma dieta e trabalhar menos.